LOGINIsabella
O homem ao meu lado levantou devagar, claramente irritado.
— Tá ficando maluco, Moretti?
Ninguém respondeu.
O salão inteiro parecia mais quieto agora. Até a música parecia distante.
Moretti continuou olhando pra ele como se não tivesse ouvido a pergunta.
— Eu não gosto de repetir.
O homem soltou uma risada debochada e abriu os braços.
— Desde quando você manda na minha mesa?
Foi rápido.
Num segundo Moretti ainda estava parado.
No outro, o copo bateu com força na mesa e ele atravessou o espaço entre eles.
A cadeira arrastou no chão quando o homem tentou levantar direito, mas não deu tempo. Moretti segurou ele pela gola e o empurrou contra a parede tão forte que o barulho fez algumas pessoas virarem na hora.
Meu corpo travou.
O homem tentou reagir.
Tentou.
Moretti acertou um soco seco no rosto dele antes mesmo que conseguisse levantar a mão.
Sangue.
Tudo aconteceu rápido demais.
— Caralho! — o outro homem da mesa levantou assustado.
— Escuta com atenção — Moretti falou baixo, perto do rosto dele. — Se eu mandar tirar a mão dela de novo… eu quebro seu braço.
O homem cuspiu sangue no chão e ainda tentou rir.
Idiota.
— Vai fazer isso por causa de puta agora?
Ele largou o homem só pra acertar outro soco. Mais forte.
A cabeça dele bateu na parede com tudo dessa vez.
Ouvi alguém xingar mais longe.
Segurança começou a se aproximar.
Foi aí que Viktor apareceu.
— Que porra tá acontecendo aqui?!
O olhar dele foi direto pro homem sangrando no chão.
Depois pra mim.
E então parou em Moretti.
O silêncio entre os dois ficou pesado na mesma hora.
Viktor forçou um sorriso.
— Moretti.
Moretti limpou o sangue da mão devagar, sem tirar os olhos dele.
— Quero ela para mim essa noite.
— Ela acabou de subir pra área VIP — ele falou, tentando manter o tom leve. — Ainda nem começou a trabalhar direito aqui.
Moretti inclinou um pouco a cabeça, como se aquilo não importasse.
— E?
O homem no chão soltou um gemido baixo, ainda tentando se levantar. Um dos seguranças puxou ele pelo braço antes que acabasse pior.
Ninguém mais parecia prestar atenção nele.
Viktor passou a mão devagar pela barba, olhando rapidamente ao redor. Tinha gente demais assistindo.
— Claro — respondeu depois de alguns segundos. — Se ela é o que você quer.
Viktor finalmente olhou pra mim.
— Anda. Não faz o homem esperar.
O peito apertou na hora.
Moretti já nem parecia prestar atenção no Viktor.
Tentei esconder o nervosismo enquanto caminhava na direção dele, mas minhas pernas estavam tremendo tanto que achei que fosse tropeçar.
Quando parei na frente dele, não consegui dizer nada.
Ele também não falou.
Só me observou por alguns segundos.
De perto, era pior.
A cicatriz discreta perto da sobrancelha deixava ele ainda mais intimidante.
Então ele pegou o copo da mesa e terminou a bebida como se a confusão de segundos atrás não tivesse significado nada.
— Senta.
Obedeci rápido demais.
Ele apoiou o copo na mesa antes de perguntar:
— Qual seu nome?
Engoli seco.
— Isabella.
Ele ficou em silêncio por um instante.
— Quantos anos você tem, Isabella?
A pergunta me pegou desprevenida.
— Vinte e três.
O olhar dele continuou em mim por mais alguns segundos antes de perguntar, calmo demais:
— Quem colocou você aqui?
IsabellaJá tinham se passado alguns dias desde a ultrassom, e eu ainda pegava as fotos do bebê para olhar antes de dormir. Dante tinha colocado uma delas na mesa de cabeceira, embora tivesse prometido que escolheríamos juntos um lugar para guardar todas. Na prática, ele continuava ocupado com os problemas da Famiglia e, mesmo quando estava em casa, recebia ligações que o faziam sair do quarto ou se trancar no escritório.Naquela tarde, eu tinha ido à casa da minha sogra visitar Matteo. Ele ainda estava se recuperando das agressões, e eu não queria deixar de vê-lo só porque Dante andava preocupado com o trabalho. Minha sogra me recebeu com um abraço e me levou até a sala, onde encontrei Matteo sentado no sofá, com uma almofada apoiada ao lado do corpo.
DanteMatteo voltou para a mansão de minha mãe no fim da tarde, com duas costelas machucadas e o rosto ainda inchado. O médico recomendou repouso, mas meu irmão nunca foi bom em ficar parado, e eu já esperava encontrá-lo no escritório assim que soube que tinha chegado. Quando entrei, ele estava sentado no sofá, com uma bolsa de gelo apoiada na lateral do corpo, conversando com Enzo sobre o que tínhamos descoberto.— Você devia estar descansando — falei, fechando a porta.— E você devia parar de trabalhar um pouco, mas nenhum dos dois parece disposto a colaborar. — Matteo tentou sorrir, mas fez uma careta quando se ajeitou no sofá. — Enzo estava me contando sobre as informações que você espalhou. Parece que a
DanteQuando cheguei à mansão, Matteo já havia sido levado ao hospital para fazer os exames. O médico suspeitava de lesões nas costelas, mas ainda não sabia dizer se alguma estava quebrada. Minha primeira vontade foi ir até lá, mas mudei de ideia assim que entrei no escritório e vi os relatórios espalhados sobre a mesa. Meu irmão estava ferido, a carga continuava desaparecida e alguém dentro da nossa estrutura tinha acesso a informações suficientes para comprometer nossas operações. Eu cuidaria de Matteo assim que terminasse o que precisava fazer. Antes disso, queria descobrir quem estava brincando com a minha família e com os meus negócios.Enzo e Sandro já me aguardavam. Luca entrou logo atrás de mim e fechou a porta, permanecendo perto dela e
DanteEu ainda estava na clínica quando Matteo ligou pela segunda vez. Na primeira, eu não havia conseguido atender porque estava resolvendo a saída de Isabella da sala de exames, mas a insistência dele me fez interromper o que estava fazendo. Assim que levei o telefone ao ouvido, percebi que havia alguma coisa errada. A respiração estava pesada, a voz falhava e, por trás dela, havia um esforço evidente para continuar falando como se estivesse tudo sob controle.— Dante, preciso que você venha até aqui. Agora.— Onde você está?Matteo demorou alguns segundos para responder. Quando finalmente passou o endereço, reconheci a região industrial nos arredores da cidade, um lugar com galp&otild
IsabellaEu estava na sala, conferindo pela terceira vez o horário da consulta no celular, quando ouvi o carro de Dante chegando. Levantei do sofá antes mesmo de Luca aparecer para avisar que ele tinha voltado e fui até a porta, encontrando meu marido entrando com o paletó sobre o braço e a gravata um pouco frouxa.Dante mal teve tempo de fechar a porta. Assim que me viu, abriu um sorriso discreto, segurou minha cintura e me puxou para perto, beijando minha boca com vontade. Passei os braços pelo pescoço dele, correspondendo ao beijo, e senti sua mão deslizar pelas minhas costas enquanto me mantinha junto ao corpo. Quando me afastei para respirar, continuei sorrindo contra os lábios dele.— Estava com saudade? — perguntei, passando os dedos pela gola da camisa.
IsabellaAlguns dias tinham passado desde que descobri a gravidez e, aos poucos, meu corpo começou a me lembrar disso o tempo todo. O enjoo era o pior. Naquela manhã, eu ainda estava meio sonolenta quando senti o cheiro do café e precisei sair da cama correndo. Nem consegui chegar direito ao banheiro antes de começar a passar mal.Quando voltei para o quarto, encontrei Dante terminando de abotoar a camisa. Ele olhou para mim na mesma hora, parando o que estava fazendo.— De novo?— De novo — respondi, prendendo o cabelo para trás e sentando na ponta da cama. — E antes que você pergunte, não, eu não quero comer nada agora.Dante pegou o relógio em cima da cômoda e veio até mim. Ajoelhou na minha frente e passou a mão pela minha perna, olhando meu r







