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Capítulo 6

last update Veröffentlichungsdatum: 23.09.2026 04:31:44

Capítulo 6 — O exame 

🥀 Júlia Narrando 🥀

Ele é quem?

O presidente?

Pelo jeito, se acha.

Eu ainda estou tentando entender como Falcão conseguiu mandar um motorista me buscar para o exame sem sequer falar comigo.

O pior não é nem isso.

É como ele descobriu onde eu estava.

Eu estava na faculdade.

E, de repente, um carro apareceu dizendo que ele estava me esperando.

Super normal, porra claro que não é assustador.

— O senhor Falcão já está te esperando lá dentro — o motorista avisa assim que estaciona.

Olho para a clínica.

Depois para ele.

— Obrigada, mas eu pensei que a clínica fechava depois das sete.

— Abriram uma exceção para o senhor Falcão.

Faço uma careta.

— Pelo amor de Deus... Não me diga que eu engravidei de um riquinho mimado.

O motorista ri.

— Vou levar isso como um sim.

Ele sai do carro e abre a porta para mim.

Desço e entro na clínica.

A recepcionista confirma meu nome e me guia até uma sala onde Falcão está esperando.

A irmã dele, Milena, tinha me mandado mensagem mais cedo.

E, para minha surpresa, ela foi super simpática.

Disse que estava animada para ser tia, que eu poderia contar com ela para o que precisasse e que estava ansiosa para me conhecer.

Nós até combinamos de nos encontrar.

Pelo menos meu bebê vai ter uma tia incrível.

Porque, sinceramente, se depender do pai...

Entro na sala.

— Oi.

Falcão levanta os olhos para mim.

Não parece feliz em me ver.

— Vamos logo com isso.

Claro.

Porque educação é um detalhe completamente desnecessário na vida desse homem.

Respiro fundo.

Será que existe alguma possibilidade de esse filho não ser dele?

Algum tipo de milagre divino?

A gente entra no consultório e começa o procedimento.

É apenas um exame de sangue.

Bem menos complicado do que eu imaginava.

Falcão olha para a enfermeira.

— Só isso?

— Sim. O DNA do bebê já está presente na corrente sanguínea da mãe.

Ele olha para o relógio.

— Acelera isso. Quero o resultado o mais rápido possível.

A mulher pisca algumas vezes.

— Claro, senhor.

Eu agradeço e saio da sala.

Que ódio.

O pior problema não é nem a gravidez inesperada.

É esse babaca.

Assim que saio, Falcão fala:

— Meu motorista vai te levar para casa.

Viro para ele.

— Não precisa. Obrigada.

— Ele te tirou da onde você estava. Ele te leva de volta.

— Eu vou parar em uma lanchonete.

Ele me encara.

— Estou com desejo. Se for preciso, chamo um Uber.

— Entra no carro. Eu te deixo em uma lanchonete perto da sua casa.

Franzo a testa.

— Cara, como você sabe onde eu moro?

— Entra no carro.

Ele coloca a mão na minha lombar apenas para me conduzir até o carro.

Olho para ele de lado.

Ai, meu Deus.

Eu engravidei de um psicopata?

Entro na BMW e fecho a porta.

Falcão assume o volante e começa a dirigir.

Fico alguns segundos em silêncio mas, não aguentar.

— Como você sabe onde eu moro Paulo?

Ele me olha de canto.

— Como você sabe meu nome?

— Milena se empolgou falando de você.

Faço uma pausa.

— Inclusive, ela é muito mais simpática do que você.

Ele não responde.

— Por que você não se parece mais com ela? — continuo. — Daí talvez fosse um pai decente.

Ele aperta o volante.

— Como tem tanta certeza de que eu não vou ser um pai decente?

Dou uma risadinha.

— Você deixa muito a desejar.

— Você não tem ideia de quantas vezes já me disseram que eu seria pai.

Ele mantém os olhos na rua.

— Obviamente nenhuma delas estava falando a verdade.

Olha só.

O senhor transariano.

Que ódio desse merdinha.

— Pro meu desgosto, dessa vez é verdade.

Ele me olha rapidamente.

— Você tem tanta certeza?

— Você foi o único cara com quem eu me envolvi nos últimos meses.

— Sua vida sexual é triste.

Reviro os olhos.

— Sexo não é a coisa mais importante do mundo. Diferente de você, eu não estou no cio vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana.

— Cio?

Ele solta o ar pelo nariz, claramente sem paciência.

— Pode me deixar aqui.

Ele olha pela janela.

— Fica longe da sua casa.

— Eu quero a batata frita que vende nesse lugar.

— Batata é tudo igual.

Viro para ele, indignada.

— Meu bebê quer ESSA batata.

Ele me encara por alguns segundos.

A expressão continua impassível.

— Tenha paciência.

Ele estaciona na frente da lanchonete.

— Obrigada pela carona.

Abro a porta.

— Se bem que era sua obrigação, já que eu fui praticamente arrancada da minha casa.

Falcão não responde.

— Te vejo quando sair o exame. Pra gente se resolver.

Ele finalmente olha para mim.

— Se resolver?

— É sobre o bebê.

— E o que tem para resolver?

Ele fala como se estivesse discutindo uma coisa óbvia.

— Ele vai ficar aí por mais seis meses.

Fico olhando para ele.

— Esquece. Onde eu estou com a cabeça?

Forço um sorriso.

— Até parece que você vai querer ser um pai presente.

Ele permanece calado.

— Pra que ir em consulta? Pra que saber como ele está? Não vai fazer diferença para você, né?

Pego minha bolsa.

— Me avisa quando o exame sair.

Faço uma pausa.

— Ou não avisa. Eu já sei o resultado.

Saio do carro.

— Te mando um recado quando ele nascer.

Fecho a porta e entro na lanchonete.

Compro um hambúrguer e uma quantidade absurda de batata.

Nem chamo um Uber.

Vou andando para casa enquanto como.

A fome estava falando mais alto que a minha dignidade.

Quando chego em casa, encontro Lara terminando um trabalho da faculdade.

Ela levanta os olhos assim que me vê.

— Como foi, gata?

Jogo minha bolsa no sofá.

— Péssimo, Lara.

Me jogo ao lado dela.

— Acho que meu filho vai ter um pai ruim.

Ela imediatamente fecha o notebook.

— Sinto muito, princesa.

Fico olhando para o teto.

— Eu sempre pensei que, quando tivesse um bebê, seria com alguém que eu amasse. Alguém que também estivesse feliz, animado para ter um filho.

Minha voz falha.

— Não com um homem que parece querer me expulsar da existência dele.

Lara se aproxima.

— Você está chorando?

Passo a mão rapidamente pelo rosto.

— Acho que os hormônios estão me dominando.

Ela senta ao meu lado.

— E para piorar, seu pai chega amanhã.

Faço uma careta.

— E nós vamos jantar juntos.

— Ele vai surtar, né?

— Muito.

Respiro fundo.

— Já é ruim eu estar grávida. Agora eu nem estou com o pai do bebê.

Lara segura minha mão.

— Independente de qualquer coisa, somos nós duas contra o mundo.

Ela sorri.

— Nós três, agora. Você, eu e o nosso baby.

Sorrio fraquinho.

— Meu pai vai me deserdar.

— Você tem a herança da sua mãe.

— Não tenho idade para mexer no dinheiro.

— Você está grávida. Tem alguém que depende de você. Seu advogado vai dar um jeito de organizar isso.

— Obrigada por todo o apoio.

Lara beija minha cabeça.

— Eu amo você e meu afilhado.

Lembro de Rafaela.

— A Rafaela disse que eu devia abortar.

Lara faz uma expressão imediatamente irritada.

— Aquela que se foda.

Começo a rir.

— Lara!

— Se ela te conhecesse de verdade, saberia que você nunca faria isso.

Ela cruza os braços.

— Ela está sendo uma amiga de merda nesse assunto.

Minha risada desaparece.

— Minha vida toda é uma merda.

Deslizo o indicador pela minha barriga.

— Espero não ser uma mãe de merda.

Lara segura minha mão.

— Você vai ser a melhor mãe do mundo.

Olho para ela.

— Seu bebê tem muita sorte.

Ela sorri.

— Eu sei que você vai dar o seu melhor por ele.

Sinto os olhos se encherem novamente.

— Por que o pai do meu bebê não pode ser você?

Lara começa a rir.

— Porque eu acho que seu pai teria um pequeno problema com isso.

— Um pequeno problema?

— Tá. Um problemão.

Nós duas rimos.

E, pela primeira vez naquele dia, o peso no meu peito parece diminuir um pouco.

Talvez eu não soubesse exatamente como seria minha vida dali para frente.

Mas, pelo menos naquela noite, eu tinha alguém ao meu lado.

E isso já era alguma coisa.

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