ANMELDEN🥀 Júlia Narrando 🥀
A boate está muito mais cheia do que eu esperava para uma noite de semana.
Pelo jeito, a elite do Rio não tem exatamente o hábito de dormir cedo.
Milena me trouxe para cá assim que saímos do restaurante, e eu aceitei porque precisava desesperadamente pensar em qualquer coisa que não fosse a conversa com meu pai.
Estamos sentadas em uma mesa mais reservada, com música tocando ao fundo e gente conversando por todos os lados.
Milena ergue o copo e toma um gole do drink sem álcool que pediu para mim.
— Era seu pai?
Olho para a loira.
— O homem do restaurante?
Assinto.
— Sim.
— Ele não ficou muito feliz com a gravidez?
Dou uma risada sem humor.
— Ele quer que eu tire o bebê.
Milena faz uma careta.
— Sinto muito.
Tomo um gole do meu drink.
— Ele acha que eu não sou madura ou estável o suficiente para ser mãe.
Ela me encara por alguns segundos.
— Provavelmente você não é mesmo.
Quase engasgo.
— Como é?
Ela começa a rir.
— Calma! Não estou dizendo que você vai ser uma mãe ruim.
— Ainda bem.
— Você é nova, vivia em festas, estava aproveitando sua vida. É normal não se sentir preparada para isso.
Ela apoia o cotovelo sobre a mesa.
— Mas os instintos maternais chegam com o tempo. A gravidez também vai fazer você amadurecer. Você só precisa de tempo, paciência e apoio.
Ela sorri.
— E, do meu lado, apoio não vai faltar.
Meu peito aperta de um jeito bom.
— Você e a Lara são as únicas que estão me impedindo de surtar.
Milena franze a testa.
— Lara?
— Lara Costa. Minha melhor amiga e madrinha do bebê.
— Ah...
Ela sorri.
— Entendi.
Toma mais um gole.
— Acredito que meu irmão não tenha se mostrado muito animado com a ideia de ser pai.
Reviro os olhos.
— Eu sou uma golpista, lembra?
Milena ri.
— Ele realmente acha isso?
— Até pouco tempo atrás, achava.
Bufo.
— Se eu quisesse dar um golpe, iria atrás de um velho rico prestes a morrer. Muito mais simples.
Ela começa a rir.
— Você não existe.
— Estou falando sério.
Milena balança a cabeça, divertindo-se.
— Eu já tinha ouvido falar de você pelo Dominique.
Reviro os olhos.
— Dominique anda falando de mim por aí?
— Só coisas boas.
Ela me olha com curiosidade.
— Vocês eram namorados?
— Sim.
— E por que terminaram?
— Não deu certo.
Dou de ombros.
— Ele se mudou para Londres por um tempo e eu nunca gostei de relacionamento à distância.
— Mas agora ele voltou.
— Voltou.
Tomo mais um gole.
— Só que nosso momento já passou.
Milena assente, sem insistir.
A conversa muda naturalmente e começamos a falar sobre várias coisas aleatórias.
Faculdade.
Viagens.
Comida.
As maluquices da Milena.
Milena é muito simpática.
E engraçada.
Olho para ela enquanto ela conta alguma história sobre o irmão e penso que meu bebê teve sorte em pelo menos uma coisa.
Vai ter uma tia legal.
Espero que ele herde isso dela.
Porque, se puxar o pai no quesito personalidade...
Estou ferrada.
— Tem um ruivinho muito gato de olho em você.
Milena fala tão naturalmente que quase engasgo.
— O quê?
Ela aponta discretamente com o queixo.
Olho por cima do ombro.
E realmente tem um cara olhando para mim.
Alto.
Bonito.
Muito bonito.
— Meu Deus.
Milena sorri.
— Gostou?
— Não tenho boas experiências com essa história de ficar com alguém nessa boate.
Ela dá uma risada.
— Meu bem, você já está grávida.
— E daí?
— Dar uns beijos não vai piorar a situação.
Ela ergue uma sobrancelha.
— Você está grávida, não está doente.
Mordo o canto da boca para esconder o sorriso.
— Hmm...
Milena se levanta.
— Eu vou sentar naquele cantinho.
Ela aponta para algumas poltronas mais afastadas.
— Ele vai chegar e vocês vão flertar.
— Milena!
— Relaxa.
Ela pega o próprio copo.
— Só conversa.
A loira sai antes que eu consiga responder.
Olho para ela se afastando.
Meu Deus.
Ela e Lara como tias do meu bebê...
Tenho dó de mim.
Não demora muito para o carinho aparecer.
Ele se aproxima e aponta para a cadeira ao meu lado.
— Posso?
— Claro.
Ele se senta.
De perto, é ainda mais bonito.
É bem mais alto que eu, tem uma barba muito bem cuidada, se veste de maneira elegante e, meu Deus, é extremamente cheiroso.
Dou meu melhor sorriso.
Olha só.
Nem parece que, meia hora atrás, eu estava chorando do lado de fora de um restaurante por causa do meu pai.
— Posso pagar mais um para você?
Ele aponta para meu copo.
— Claro.
Ele chama o garçom e pede outro drink para mim.
— Sou André.
Ele estende a mão.
— Julia Moura.
Aperto a mão dele.
Começamos a conversar.
Primeiro de maneira tímida.
Depois, o flerte fica mais evidente divertido
Ele faz algumas perguntas.
Eu respondo.
Faço algumas perguntas também.
E, por alguns minutos, consigo esquecer completamente a confusão da minha vida.
Até sentir uma mão pousar no meu ombro.
Meu sorriso desaparece.
Viro o rosto.
E vejo a porra do Falcão.
— Algum problema?
Ele me encara.
— Te liguei e você não atendeu.
Ergo uma sobrancelha.
Não gostei nem um pouco do tom.
— Esqueci meu celular.
— Certo.
Ele olha para André rapidamente.
Depois volta os olhos para mim.
— Precisamos conversar.
— Agora?
Olho para o carinha a minha frente.
— Estou meio ocupada aqui.
André nos observa sem entender absolutamente nada.
Falcão mantém a expressão fechada.
— É agora.
— Sobre o quê?
— Sobre o bebê.
André olha para mim.
— Bebê?
Fecho os olhos por um segundo.
— É...
Respiro fundo.
— Estou grávida.
— Ah...
Ele parece completamente sem graça.
Falcão volta a falar comigo.
— Levanta, Júlio.
Olho para ele indignada.
— Fala direito comigo, seu ogro.
Ele aperta a mandíbula.
— Vamos logo.
André se levanta.
— Acho melhor eu ir.
Olho para ele.
— Também acho, cara.
Falcão segura meu braço e me conduz para longe da mesa.
— Qual é a porra do seu problema?
Ele não diminui o passo.
— Qual é o seu problema, sua estúpida?
Olho para ele, furiosa.
— Você não pode sair por aí com qualquer um enquanto estiver carregando meu filho.
Paro de andar.
— Seu filho?
Dou uma risada incrédula.
— Vai se ferrar. Até poucos dias atrás você acreditava fielmente que isso era um golpe.
— O resultado do exame saiu.
Meu coração dá um pequeno salto.
Então é isso.
Saiu.
— Eu te liguei, mas você não atendeu.
— Porque esqueci meu celular.
— Estava ocupada demais para perceber.
Olho para ele.
— E daí?
— Você estava aqui, bebendo e flertando com um estranho.
— E isso é problema seu?
— É.
Ele abre a porta do escritório.
Entro bufando.
— Você está ficando maluco?
Ele fecha a porta atrás de nós.
— Enquanto meu filho estiver aí, você precisa ter um pouco de responsabilidade.
— Responsabilidade?
Cruzo os braços.
— Você me chamou de golpista.
— Eu tinha motivos para desconfiar.
— E agora não tem mais.
Ele fica em silêncio.
— Então pronto.
Dou um passo para trás.
— O exame confirmou. Parabéns.
Ele me encara.
— Você não pode sair por aí se envolvendo com qualquer homem.
— Ah, não?
— Não.
Dou uma risada de deboche.
— Quem vai me impedir?
Ele me olha fixamente.
— Eu.
— Coitado.
Aponto para mim mesma.
— A vida é minha.
— Você está carregando meu filho.
Ele aponta para a minha barriga.
— Tenha um pouco de decência.
Meu sangue ferve.
— Vai se ferrar.
— Julia...
— Esse bebê também é meu.
Aponto para minha barriga.
— Sou eu que estou carregando. Sou eu que vou passar por tudo isso. Então não vem aqui querer decidir o que eu posso ou não fazer.
Ele respira fundo, claramente perdendo a paciência.
— Você foi para a cama com um estranho.
— E você acha que isso muda alguma coisa?
— Você não tem critério.
Meu rosto esquenta.
— Tem razão.
Dou um sorriso sem humor.
— Sou uma vadia. E vou ficar com quem eu quiser.
— Não vai.
— E quem vai me impedir?
Ele não responde.
Apenas me encara.
— Enquanto meu filho estiver aí, você não vai agir como se não tivesse responsabilidade nenhuma.
— Esse bebê não pertence a você.
Minha voz sai baixa, mas firme.
— Ele é meu também.
— Você acabou de dizer que ele é seu.
— Porque é.
Fico cara a cara com ele.
— Mas não é uma coisa que você pode colocar numa lista de propriedades.
O maxilar dele trava.
— Você está procurando problema.
— E você está me irritando.
Respiro fundo.
— Espero que você caia daquela escada e quebre a cara.
Ele dá uma risada curta.
— Já me desejaram coisa bem pior.
Ergo o dedo do meio.
— Ótimo.
Vou até a porta.
Antes que eu consiga abrir, ele fala:
— Ander está lá fora.
Viro o rosto.
— Ele vai te levar para casa.
Olho para Falcão com a maior cara de desprezo que consigo fazer.
— Enfia seu motorista no... Olho para ele, você sabe onde.
Abro a porta e saio.
Se aquela era a maneira dele comemorar que o exame confirmou que o bebê era realmente dele, eu preferia nem imaginar como seria quando resolvesse demonstrar felicidade.
Capítulo 42 — Tô animada.🥀 Júlia Moura 🥀Falcão me trouxe para a faculdade e disse que vem me buscar ao meio-dia. Tô animada para o dia de hoje.— Quer almoçar? Podemos comer no shopping e depois fazer compras. — Rafaela sorri animada.— Não dá, Rafaela. Vou almoçar com o Falcão. — aponto para a BMW.— Ele tem vindo com mais frequência, né?— Sim. Estamos nos aproximando. Vamos comprar roupas para a AnaLu.— Só toma cuidado. O que vem fácil vai fácil.— O que você quer dizer com isso?— Ele ficou legal com você do nada. Provavelmente vai voltar a ser um babaca do nada. — ela pisca para mim. — Até amanhã, gata.Observo ela se afastar.Vou até o carro do Falcão, abro a porta traseira, ponho a bolsa e vou para o banco do passageiro.— Oi. — dou um sorriso e quase cometo a burrice de dar um selinho nele.— Oi.Ele segura o meu maxilar e comete a burrice por mim.— Onde quer comer? — ele liga o carro.— Tanto faz.— Algum problema?Ele vira o rosto na minha direção.— Não.— Hmm.Ele dá
Capítulo 41 — "você é minha"🥀 Júlia Moura 🥀A última semana foi tão boa que é até difícil de acreditar.Minha bebê está cada vez mais ativa, óbvio que só para mim e para o pai dela.Minha relação com o Falcão está ótima. Não brigamos nenhuma vez. Tivemos as nossas alfinetadas de sempre, mas nada que levasse a uma discussão de verdade.Essa situação de "eu ser dele" está me incomodando um pouco.A gente acabou transando de novo, umas duas vezes. Ele me levou para a faculdade dois dias da semana e me buscou em três deles.Mas me irrita um pouco esse negócio de "eu ser dele" só porque ele quer e ele ser de todas.Me chamem de maluca, mas eu acho excitante esse negócio de "você é minha" e "você é meu". Mas só quando as duas pessoas estão de acordo.Fico puta com o fato de ele controlar a minha vida sexual e querer mandar nela. Tudo isso enquanto se envolve com diversas garotas por aí."Ah, mas ele dorme toda noite com você."A alguns meses atrás, peguei uma mulher chupando ele na hora
Capítulo 40 — Casa do Pai.🤬 Falcão 🤬Júlia acordou cedo hoje, vai almoçar na casa do pai.Ela me convidou para ir junto. Eu não quero ir, mas claro que vou. Tenho certeza de que o maldito Moura chamou o babaca do Dominique para esse tal almoço.Se ele gosta tanto do Dominique, por que não chupa logo o pau dele e deixa a Júlia fora disso?— Vou passar o resto do dia fora, Júlia vai comigo. Pode tirar o dia de folga.— Não voltam nem para o jantar?— Não, Samara.Viro as costas e saio da cozinha, indo para a área externa, onde Júlia já me espera no carro.A barriga dela já está bem visível. Dá para notar de longe que ela está grávida.A cada centímetro que aquela barriga cresce, eu fico mais perto de endoidar.Júlia está usando um vestido bem justo que realça a barriga de seis meses. Está toda arrumada, maquiada, perfumada... Quanta produção só para ver o pai.— Quero falar com você.Ela vira o rosto para mim.— Lá vem. Não gosto disso.— Meu aniversário é em poucas semanas. Queria s
Capítulo 39 — Dia seguinte.🥀 Júlia Moura 🥀Acordei sentindo o dedo do Falcão deslizando de leve por cima de uma estria da minha bunda.Isso me deixou meio desconfortável. Ele está dando muita atenção a detalhes que eu odeio.Viro na cama, ficando de frente para ele. A blusa que estou vestindo está toda embolada, então minha barriga está de fora. Falcão logo coloca a mão sobre ela.— Acha que ela me reconhece? Sei que alguns bebês reconhecem...— Meu Deus, Falcão — bufo. — A menina nem nasceu e já tem você como preferido.Para confirmar o que eu disse, AnaLu chuta bem onde a mão do pai está.Isso é sacanagem comigo.Era para eu ser a preferida. Afinal, sou eu que vou carregar por nove meses e parir. Mundo injusto.— Na segunda, o meu pessoal vai montar os móveis do quarto dela.— Tudo bem. Eu sou uma pessoa bem ansiosa, já quero comprar as roupinhas. Quero ir com você e outro dia com a Lara. Acha que consegue um tempinho na semana que vem pra ir comigo?— Vou arrumar um tempo. Te av
Capítulo 38 — Sexo🥀 Júlia Moura 🥀Assim que Falcão pegou o colar, fez questão de colocá-lo no meu pescoço. Ele é tão caro que chega a ser meio desconfortável.Quando chegamos em casa, já passava da meia-noite."Casa."Eu já estou tão acostumada com esse lugar que é como se fosse meu verdadeiro lar. Eu sei, é uma tremenda estupidez.Meus pés tocam o mármore frio da escada enquanto subo para o segundo andar. Meu salto está nas mãos do Falcão.Ele está logo atrás de mim, subindo as escadas. Fez questão de ficar atrás. Não sei se quer evitar uma possível queda ou olhar pra minha bunda.— Onde você vai? — ele pergunta quando chegamos ao corredor. — Meu quarto fica bem ali.— Foi uma proposta real?— Anda logo, Júlia. Estou curioso para ver como o colar fica no seu corpo.Quanta indecência.Sou uma mulher de respeito.Passo por ele e entro no quarto dele.Da última vez que estive aqui dentro, nós quase transamos. O lugar tem um cheiro incrível, aquele cheiro característico do Falcão. O p
Capítulo 37 — Doméstica do cão.🥀 Júlia Moura 🥀Às vezes eu fico pensando: será que a Samara cospe na minha comida?— Preciso fazer algo? Ou hoje o café está do seu agrado?Ah, sem dúvidas cospe.— Não, estou satisfeita — forço um sorriso.— Bom dia.Falcão entra no cômodo, chamando minha atenção.Ele se aproxima de mim e me dá um beijo na testa antes de se sentar.Não sei quem tá mais em choque, eu ou a Samara.Eu tenho certeza que essa mulher tem uma quedinha pelo Falcão. O pior é que eu nem posso culpá-la. Ele é extremamente lindo.— O senhor precisa de algo?— Não. Você precisa, Júlia?Nego com a cabeça.— Então pode se retirar, Samara.Ela concorda e sai.Como um pouco de frutas e tomo café.— Você já pensou em quem vai ser o padrinho? — pergunto.— Queria chamar o Touro, mas a Milena é chata — ele revira os olhos. — Não sei se vai ficar de boa com ele sendo padrinho com outra mulher.Legal. Ser ciumento é de família.— Talvez Milena e Touro possam ser padrinhos do seu próximo







