MasukEMMA
Tentei afastar-me, mas a minha anca embateu numa pilha de documentos. Uma pasta caiu da secretária e abriu-se no chão. Várias fotografias espalharam-se aos meus pés. Vi homens mortos dentro de carros, um corpo abandonado junto às docas e caixas cheias de armas. Nas páginas que acompanhavam as fotografias havia nomes, dívidas, pagamentos e localizações. Algumas linhas estavam marcadas como ELIMINADO. Ajoelhei-me para recolher tudo antes que Daniel regressasse. Foi então que encontrei um documento com um esquema da organização. No topo estava o nome dele. ORGANIZAÇÃO WEST Por baixo surgiam dezenas de nomes, empresas, rotas e territórios. Não restavam dúvidas. Daniel não era apenas um homem de negócios envolvido com pessoas perigosas. Ele comandava-as. Tentei guardar os documentos, mas outra fotografia ficou presa debaixo da secretária. Era uma fotografia minha. Reconheci o vestido que usara na gala. Eu aparecia junto a uma janela, com uma taça na mão, completamente alheia à pessoa que me fotografava. Puxei a folha que estava por baixo. EMMA COLLINS A página continha a minha morada, o número de telefone, o local onde trabalhava e o meu horário habitual. Havia também informações sobre Sarah. A data no canto superior correspondia à manhã seguinte à gala. Daniel mandara investigar-me depois do nosso primeiro encontro. Folheei as páginas seguintes. Havia fotografias minhas a sair do escritório, a entrar num supermercado e a regressar a casa. Alguém me seguia durante semanas. Fechei a pasta. As palavras de Daniel no vídeo repetiram-se na minha cabeça. Não deixem testemunhas. Eu tinha acabado de me transformar numa. Coloquei a pasta sobre a secretária, tentando deixá-la exatamente como estava. Depois fechei o vídeo e limpei as marcas que os meus dedos poderiam ter deixado no comando. Não sabia se era suficiente. Não sabia se Daniel conseguiria descobrir que eu entrara ali. Saí do escritório, fechei o painel e caminhei rapidamente até ao elevador. O coração batia-me com tanta força que mal conseguia respirar. Carreguei no botão. Nada aconteceu. Voltei a carregar. Durante os poucos segundos de espera, olhei repetidamente para o corredor, convencida de que Daniel apareceria a qualquer momento. No átrio, o segurança levantou-se quando me viu. — O motorista do senhor West pode levá-la a casa. — Não é necessário. — Foram essas as instruções que recebi. — Quero caminhar um pouco. Não esperei pela resposta. Atravessei as portas e afastei-me da casa antes de chamar um táxi. Quando entrei, dei ao motorista o nome de uma rua perto de minha casa, mas não a morada exata. Daniel já sabia onde eu vivia. Ainda assim, não queria que mais ninguém ligado a ele me visse entrar. Durante o caminho, olhei várias vezes para trás. Nenhum carro parecia seguir-nos. Isso não me tranquilizou. Uma parte de mim queria ir diretamente à polícia. Mas eu vira os documentos, os nomes e os pagamentos. Não sabia até onde chegava a influência de Daniel nem em quem poderia confiar. Também não podia desaparecer de um dia para o outro. Se ele descobrisse o que eu tinha visto, uma fuga repentina confirmaria a minha culpa. Precisava de fingir que nada acontecera. Continuaria a trabalhar, manteria a rotina e evitaria qualquer mudança que chamasse a atenção. Entretanto, encontraria uma forma segura de sair de Los Angeles. Era esse o plano. Saí daquela casa convencida de que conseguira apagar todos os sinais da minha passagem pelo escritório. Durante os meses seguintes, agarrei-me a essa convicção sempre que o medo ameaçava vencer-me. Estava enganada. Três meses tinham passado desde a noite em que saíra da casa de Daniel West. Durante esse tempo, fiz tudo o que estava ao meu alcance para recuperar a vida que tinha antes de o conhecer. Acordava à mesma hora, seguia o mesmo caminho até ao escritório e ocupava o meu lugar diante do computador como se nada tivesse mudado. Respondia a mensagens, preparava relatórios e organizava reuniões. Conversava com os meus colegas quando era necessário, almoçava quase sempre à mesma hora e regressava a casa assim que terminava o trabalho. Por fora, continuava a ser a mesma Emma Collins. Por dentro, nada permaneceu igual. Nunca contei a ninguém o que vira na cobertura. Nem sequer a Sarah. Disse-lhe apenas que a noite com Daniel não correra como esperava e que não queria voltar a falar sobre ele. Ela tentou fazer algumas perguntas, mas percebeu que eu não pretendia responder. Como poderia explicar-lhe? Não podia simplesmente dizer que encontrara um homem preso a uma cadeira e vira Daniel torturá-lo sem demonstrar qualquer emoção. Não podia contar-lhe que descobrira documentos relacionados com armas, dinheiro, carregamentos e homens mortos. Dizer aquilo em voz alta tornaria tudo ainda mais real. Por isso, mantive-me em silêncio. Nas primeiras semanas, esperava que Daniel aparecesse a qualquer momento. Verificava os carros estacionados perto do meu prédio, observava as pessoas que entravam no escritório e olhava por cima do ombro sempre que caminhava sozinha. Ele não apareceu. Não telefonou, não enviou mensagens nem tentou entrar em contacto comigo. Aparentemente, aquela noite não teve qualquer importância para ele. A ausência devia ter-me tranquilizado. Em vez disso, deixava-me inquieta. Agora que sabia quem Daniel realmente era, não conseguia acreditar que um homem como ele se esquecesse simplesmente de alguém que entrara no seu escritório. Ainda assim, nenhuma ameaça surgiu e ninguém tentou impedir-me de continuar com a minha vida. Talvez ele ainda não soubesse o que eu vira. Era essa possibilidade que me permitia levantar-me todas as manhãs e agir normalmente. Ao longo do segundo mês, comecei a sentir-me mais cansada do que o habitual. Adormecia no sofá, tinha dificuldade em levantar-me e, por vezes, precisava de parar alguns segundos depois de subir as escadas do escritório. Culpei o excesso de trabalho. Depois, algumas roupas começaram a ficar mais apertadas. Primeiro os soutiens, depois as calças. A mudança era discreta, mas suficiente para me obrigar a desapertar o botão das calças quando me sentava em casa. Disse a mim própria que engordara. Nas últimas semanas, comera fora mais vezes do que era habitual e deixara de fazer as caminhadas que faziam parte da minha rotina. Podia ser apenas isso. Também não dei importância ao atraso da menstruação. O meu ciclo nunca fora completamente regular e, algumas semanas depois daquela noite, tivera uma pequena perda de sangue. Convenci-me de que fora uma menstruação mais curta devido ao stress. Aceitei todas as explicações que me permitiam evitar a única possibilidade que verdadeiramente me assustava. Até àquela manhã. Acordei antes de o despertador tocar, com um sabor desagradável na boca e o estômago embrulhado. Permaneci deitada durante alguns segundos, à espera de que a sensação desaparecesse. Não desapareceu. Levantei-me e caminhei até à cozinha. Assim que liguei a máquina de café, o cheiro atingiu-me. Levei a mão à boca e corri para a casa de banho. Mal tive tempo de me ajoelhar diante da sanita antes de vomitar. Fiquei ali durante vários minutos, com uma mão apoiada na parede fria e a outra a segurar o cabelo. Quando consegui levantar-me, lavei o rosto e vi o meu reflexo. Estava mais pálida do que o habitual. As olheiras destacavam-se sob os meus olhos e havia alguma coisa diferente no meu rosto que eu não conseguia identificar. Talvez estivesse doente. Talvez tivesse comido alguma coisa estragada. Apoiei as duas mãos no lavatório e obriguei-me a afastar o outro pensamento. Não era possível. Daniel usara proteção. Eu vira-o abrir a embalagem e colocá-la. Não havia motivo para acreditar que alguma coisa tivesse corrido mal. Vesti-me e fui trabalhar. Tínhamos uma reunião importante naquela manhã e eu não podia faltar. O senhor Harris pedira-me que preparasse os documentos e acompanhasse a apresentação. Cheguei ao escritório alguns minutos antes da hora, coloquei tudo em ordem e tentei esquecer o episódio em casa. Durante a primeira parte da reunião, consegui concentrar-me. Anotei informações, distribuí os documentos e corrigi um erro num dos relatórios antes que o senhor Harris o apresentasse. Tudo corria normalmente até um dos participantes colocar uma chávena de café sobre a mesa. O cheiro chegou até mim. O estômago contraiu-se. Afastei a cadeira e saí da sala sem explicar nada. Atravessei o corredor quase a correr e fechei-me na casa de banho. As náuseas regressaram com tanta força que os olhos se encheram de lágrimas. Quando terminei, lavei o rosto e permaneci diante do espelho, tentando recuperar o controlo da respiração. Uma colega entrou e parou ao ver-me. — Emma, estás bem? — Deve ter sido alguma coisa que comi. — Queres que chame alguém? — Não é preciso. Já estou melhor. Ela não pareceu convencida, mas acabou por sair. Assim que fiquei sozinha, retirei o telemóvel da mala e abri o calendário. Comecei a contar as semanas. Voltei atrás e repeti as contas. Procurei uma data errada, um período que tivesse esquecido de marcar ou qualquer detalhe que tornasse impossível o resultado. Não encontrei nada. A noite no Black Velvet. Daniel. Guardei o telemóvel quando ouvi a porta abrir. Não precisava de fazer mais contas. Precisava de um teste. Passei o resto do dia a trabalhar como se estivesse separada do meu próprio corpo. O senhor Harris perguntou-me se me sentia melhor e respondi que sim. Não me recordava da metade das tarefas que executei nem das pessoas com quem falei. Quando saí do escritório, fui diretamente a uma farmácia perto da minha casa. Caminhei pelos corredores durante alguns minutos antes de encontrar os testes de gravidez. Peguei um. Depois acrescentei mais dois. Paguei em dinheiro e escondi-os no fundo da mala. A farmacêutica não fez perguntas, mas mesmo assim senti-me exposta, como se ela soubesse tudo o que eu tentava esconder. O caminho de regresso pareceu interminável. Quando entrei em casa, tranquei a porta e fui diretamente para a casa de banho. Retirei os testes da mala e li as instruções várias vezes, embora fossem simples. Fiz dois e coloquei-os sobre o lavatório. Três minutos. Programei o alarme do telemóvel e sentei-me na borda da banheira. O silêncio do apartamento tornou-se insuportável. Levantei-me, caminhei até à porta e voltei. Não queria olhar. Ao mesmo tempo, era incapaz de pensar noutra coisa. Quando o alarme tocou, aproximei-me do lavatório. Duas linhas, nos dois testes. Fiquei imóvel, com os olhos presos ao resultado. Talvez tivesse esperado demasiado tempo. Talvez o teste estivesse estragado. Talvez aquela segunda linha significasse outra coisa. Abri a segunda embalagem. Dessa vez, utilizei um teste digital. Esperei diante do lavatório enquanto um pequeno símbolo piscava no ecrã. Alguns segundos depois, surgiu a palavra que eu mais temia. GRÁVIDA Apoiei-me no lavatório. O chão pareceu inclinar-se sob os meus pés. Sentei-me na tampa da sanita antes que as pernas deixassem de me sustentar e voltei a olhar para o resultado. Não desapareceu. Estava grávida. Levei uma mão ao ventre. Ainda não havia uma barriga evidente, apenas uma pequena alteração que eu atribuía ao inchaço ou ao aumento de peso. Agora sabia que não era nenhuma dessas coisas. Uma criança crescia dentro de mim. A criança de Daniel. Não existia qualquer dúvida sobre quem era o pai. Daniel fora o primeiro e o único homem com quem estivera. Apesar de termos usado proteção, alguma coisa falhou naquela noite. Fechei os olhos. A imagem dele surgiu imediatamente na minha memória. Os olhos escuros. A postura controlada. A voz fria com que interrogou o homem no vídeo. Daniel não era apenas perigoso. Era capaz de matar sem hesitar. Não sabia como reagiria ao descobrir que eu estava grávida. Talvez não se importasse. Talvez considerasse a criança uma ameaça. Ou talvez decidisse que, por ser um filho dele, lhe pertencia. Essa possibilidade assustou-me ainda mais. Daniel era um homem habituado a controlar tudo à sua volta. Se descobrisse a gravidez, não me perguntaria o que eu desejava fazer. Tomaria a decisão por mim. Não podia permitir que soubesse. Guardei os testes dentro de um saco e escondi-os no fundo do armário da casa de banho. Depois lavei as mãos, embora não estivessem sujas, e saí dali. Passei a noite acordada. Pesquisei os sintomas, contei novamente as semanas e marquei uma consulta numa clínica distante do escritório. Precisava confirmar a gravidez com um médico e saber se estava tudo bem. Várias vezes, abri os contactos do telemóvel e parei sobre o nome de Sarah. Queria ligar-lhe. Precisava de contar a alguém. Contudo, assim que me lembrava dos documentos que vira na cobertura, afastava o telemóvel. Daniel tinha poder, homens e recursos. Quanto menos pessoas conhecessem o segredo, menor seria o perigo. Nos dias seguintes, tentei manter a rotina. Passei a usar blusas mais largas e casacos que escondiam a cintura. Levava bolachas na mala para controlar as náuseas e evitava a cozinha do escritório sempre que alguém preparava café. Cada olhar parecia demorar mais do que devia. Cada pergunta sobre o meu cansaço parecia uma tentativa de descobrir a verdade. Eu sabia que não conseguiria esconder a gravidez durante muito tempo. Mais cedo ou mais tarde, o meu corpo revelaria aquilo que eu tentava proteger. Os meus colegas perceberiam. Sarah acabaria por descobrir. E, se Daniel continuasse em Los Angeles, existia sempre a possibilidade de a notícia chegar até ele. Não podia ficar ali à espera que isso acontecesse. Precisava de pensar numa saída. Um lugar onde pudesse recomeçar sem olhar constantemente por cima do ombro. Longe da cobertura, do Black Velvet e de todos os lugares que me faziam recordar Daniel West. Ainda não sabia para onde iria nem como conseguiria desaparecer. Sabia apenas uma coisa. Daniel não podia descobrir que eu estava grávida. Porque aquela criança era agora a única parte da minha vida que eu não permitiria que ele controlasse.EMMA A mulher da fotografia tinha os meus olhos. Não eram apenas parecidos. Tinham a mesma forma ligeiramente inclinada, a mesma pálpebra pesada e uma pequena diferença entre o direito e o esquerdo que eu sempre atribuíra ao lado Collins. O homem segurava-me com os dois braços. Parecia assustado com a possibilidade de me deixar cair, embora sorrisse para a câmara. Matteo e Elena Valenti. Os meus pais biológicos. Sentei-me diante da caixa aberta. Sarah ficou ao meu lado. Mikael e Daniel mantiveram-se atrás, em silêncio. O arquivo continha quarenta e três páginas. Havia fotografias, cópias de registos, uma carta e uma lista de bens colocados numa fundação. As últimas folhas mostravam pagamentos feitos nos meses anteriores ao ataque que destruíra os Valenti. Não consegui começar pelos crimes. Abri a carta. Tinha sido escrita pela minha mãe quando eu ainda não completara dois meses. Não era uma despedida. Elena falava sobre noites sem dormir, sobre a forma como eu só me acalmav
EMMA Mikael esperou até Liam e Noah adormecerem. Eu permaneci sentada entre as camas durante mais tempo do que precisavam. Noah dormia com uma mão fechada na manga do irmão. Liam estava virado para a porta comunicante, como se até durante o sono precisasse de confirmar que ninguém entrava. Quando saí, Sarah esperava no corredor. Era a única pessoa que eu ainda chamava família sem precisar explicar a palavra. Os meus pais, Anne e David Collins tinham morrido num acidente quando eu tinha dezoito anos. Depois deles, Sarah esteve comigo nos aniversários, nas mudanças de casa, na gravidez e em todos os momentos em que o silêncio parecia demasiado grande. Não existia nenhum número para o qual eu pudesse ligar quando Mikael destruísse aquilo que acreditava saber. Entrámos numa pequena sala ligada à suite. Daniel colocou a pasta sobre a mesa. — Não pedi que ficasses — disse-lhe. — Os documentos estão comigo. —É só os pôr na mesa e sair. Durante alguns segundos, pensei qu
DANIEL A confirmação da paternidade mudou a posição das crianças dentro da organização antes de mudar a relação que tinham comigo. Liam e Noah continuavam a chamar-me Daniel. Emma continuava a dormir num quarto separado e a observar cada gesto meu como se esperasse descobrir a condição escondida. Nada disso me surpreendia. O que não podia continuar era o compromisso com Bianca. Tinha aceitado aquele casamento porque Elias o apresentara como um acordo entre famílias. Nunca lhe prometera amor e Bianca nunca o exigira. Naquela altura, parecera simples unir os portos dos Romano aos homens dos West e transformar um contrato numa cerimónia. Agora eu tinha dois filhos reconhecidos e a mãe deles vivia sob o meu teto. Manter outra mulher presa a um acordo já não era apenas inútil. Criaria uma guerra dentro da mesma casa. Mandei chamar Bianca e Vittorio nessa tarde. Adrian permaneceu no gabinete. Elias apareceu sem ser conv
DANIEL Os dois laboratórios chegaram à mesma conclusão. Liam e Noah eram meus filhos. Li os relatórios completos antes de permitir que qualquer outra pessoa entrasse no gabinete. As percentagens, marcadores e assinaturas dos técnicos ocupavam várias páginas. Não precisava de compreender cada linha para reconhecer o resultado repetido nos dois documentos. Paternidade confirmada. Durante seis anos, procurei Emma porque acreditava que levara informações capazes de destruir parte da minha organização. Durante os mesmos seis anos, ela criara dois filhos meus sem utilizar o meu nome, dinheiro ou proteção. Eu encontrara-os numa praça sem saber quem eram. Salvara Noah da estrada, ouvira Liam agradecer e regressara ao automóvel convencido de que a familiaridade que sentira não merecia atenção. Agora, cada detalhe parecia uma prova que eu devia ter reconhecido. Adrian entrou quando o autorizei. — Os resultados são seguros? — perguntou. — Dois laboratórios. Equipas separa
EMMAEsperar pelo resultado do ADN era pior do que enfrentar uma resposta imediata.Durante o primeiro dia, Noah perguntou sete vezes se o laboratório já telefonara. Liam não perguntou nenhuma, mas aproximava-se sempre que o aparelho de Sarah tocava.Daniel desapareceu depois do pequeno-almoço.Não sabia se interrogava Marco, procurava os homens que fotografaram a chegada ou preparava documentos para transformar as crianças em herdeiros antes de confirmar que eram filhos dele.Tentei não pensar nisso.Passei o dia com Liam e Noah dentro da ala oeste. Um funcionário trouxe roupa, livros, jogos e uma bola nova. Noah perdoou imediatamente a mansão por não ter uma. Liam perguntou quem escolhera os objetos.— Foi uma ordem do Daniel — respondeu o homem.— Ele não sabe do que gostamos.— Então podem fazer uma lista.Liam não fez.Noah escreveu apenas “baliza” e entregou o papel a um guarda.À noite, nenhum dos dois quis dormir sem mim. Deitei-os, esperei até a respiração de Noah se tornar p
DANIELNoah entrou no meu escritório sem bater às nove da manhã.Um guarda surgiu atrás dele, visivelmente preparado para explicar como permitira que uma criança de seis anos atravessasse dois corredores vigiados.— A mãe está a dormir — anunciou Noah. — O Liam também, mas eu já não tenho sono.Pousei o relatório de Marco.— E a Sarah?— Está com o Mikael. O senhor da porta disse que eu não podia ir à enfermaria.— O senhor da porta tinha razão.Noah entrou mais um passo e olhou em redor. Os olhos demoraram-se nas estantes, na janela e na gaveta onde eu guardara a arma antes de ele chegar.— O que fazes aqui?— Trabalho.— A minha mãe também trabalhava numa secretária, mas tinha mais papéis.— Eu guardo os papéis.— Porque são segredos?— Porque não te dizem respeito.Ele aceitou a resposta sem ficar ofendido.— Tens uma bola?— Não.— A tua casa é muito grande para não ter bolas.O guarda continuava à porta.— Leva-o de volta à ala oeste — ordenei.Noah franziu a testa.— Eu sei o ca







