LOGINEle precisava ir embora, sabia disso, a qualquer momento James poderia descobrir, pelos pensamentos compartilhados, pelo cheiro, qualquer coisa poderia delatá-lo. Então, no dia seguinte, Daniel respirou fundo e foi até o hospital onde sua avó estava internada. Não esperou James acordar, apenas saiu de fininho de manhã bem cedo, apenas uma mala de mal e uma mochila com o essencial.
Ao chegar no hospital, foi diretamente na recepção. - Bom dia. - Bom dia, senhor Smith, como posso ajudá-lo? - a recepcionista sorriu educada. - Bem, eu gostaria de falar com a enfermeira responsável pela minha avó, o nome dela é Carol - explicou Dan. - Ela é do turno da tarde, só chega uma hora da tarde - explicou a mulher. - Eu gostaria de saber sobre transferência de hospital - ele disse um pouco inseguro. - Claro, tem algum lugar em mente? Ou hospital? A recepcionista foi muito simpática depois que Daniel explicou sua situação sem muitos detalhes, indicando algumas cidades onde seria uma transferência mais simples por ser no mesmo hospital. Após tirar algumas dúvidas, subiu até o quarto da avó, Mary estava assistindo a uma novela, enquanto comia algumas frutas, sorriu ao ver o jovem neto chegando, deixando seu rosto ainda mais enrrugado. – Oi, meu filho, está cada dia mais bonito – elogiou. – Oi, vovó – sorriu desconfortável, precisava explicar para ela o que estava acontecendo para assim poder pedir a transferência. – Está comendo direito? Se cuidando? – perguntou curiosa analisando o rosto do neto. – Estou sim, mas eu preciso ter uma conversa muito séria com a senhora – alertou o homem se sentando na cadeira ao lado da maca – A senhora já ouviu falar sobre alfas dominantes não é? A sobrancelha da idosa tremeu ao ouvir o início da conversa, não tendo a menor noção do que poderia se tratar uma conversa dessas, afinal nenhum dos dois era um alfa dominante e nunca houve algum caso do tipo na família deles. – Claro que sim, extremamente raros, acredito que o seu amigo seja um, grande, forte, feromônios potentes – comentou a idosa, lembrando-se de James, quem chegou a visitá-la uma vez, quando foi pagar pelo tratamento dela. Dan apertou os lábios, esperava contar para a sua avó a situação em que se encontrava sem denunciar James, realmente torcia para que a mulher não decidisse tentar resolver isso com a polícia ao invés da fuga. Não é como se a palavra de dois ômegas pobres, um grávido e marcado valesse alguma coisa sobre a palavra de seu alfa rico, podendo arquivar qualquer investigação com algumas notas e cheques. Ele tinha plena noção que a polícia o devolveria para o alfa, por causa da marca. - Bem, vovó, eu não sei uma forma fácil de dizer isso, mas eu sofri um ataque na estação de metrô, fui marcado por um alfa dominante, quem me engravidou no processo – Ooowww meu menino, venha cá – a senhora estendeu os braços oferecendo colo para o neto quem enterrou seu rosto no ombro da mulher - O que você quer fazer, minha criança? - Eu não quero abortar, quero ter o meu fillho, mas não consigo ficar aqui, porque ele está me perseguindo – a voz do mais novo saía abafada e falha. – O que podemos fazer minha criança? - Preciso que a senhora confie em mim, eu quero me mudar, se possível ainda hoje, para uma cidade longe. - Tudo bem, faremos do seu jeito - ela concordou um sorriso suave - Já estou ansiosa pelo meu bisneto, queria poder cuidar dele, como eu cuidei de você. – Assim que você melhorar, pode me ajudar - ele deu de ombros, esperançoso. A avó acariciou os cabelos sedosos do ômega, enquanto o mais novo chorava, se sentia sensível com toda a situação, o medo de perder o bebê, ter que fugir, a avó acamada, então deixou a idosa confortá-lo. Durante todo o dia em que esteve no hospital, esteve procurando vagas de emprego em outros estados ou mesmo países, sabia que ainda tinha dinheiro para sobreviver sem trabalhar por pelo menos seis meses, mas ainda tinha esperança de ir com as coisas organizadas. Os funcionários e a avó votaram para uma transferência para uma capital de outro estado, cidade grande para facilitar o acesso a tratamentos e evitar qualquer problema relacionado ao tratamento e material. Daniel ouviu a opinião de outros profissionais sobre o desvinculo de marca, mas todos concordavam que causava danos ao feto, então teria que esperar o bebê nascer e passar pelo puerpério até se desvincular do alfa. Tudo foi organizado às pressas, Daniel conseguiu sair com uma mala pequena e uma mochila pela manhã, deixando tudo no apartamento de James. Por volta das dez da noite, Dan embarcava no avião. Enquanto isso, James estava em seu apartamento depois de um dia inteiro fora, até então não tinha percebido a ausência do secretário, mas passou pelo quarto de Dan e verificou, não encontrando ninguém, apenas bufou irritado por chegar tarde, mas foi para o próprio quarto dormir, conversaria com o secretário no dia seguinte.– Eu não estou vestido apropriadamente – sussurrou Daniel ao ver o restaurante escolhido por James.– Deixe disso, você está lindo como sempre, eu também não me arrumei pra vir, não tem problema – assegurou o homem.– Todo mundo reconhece suas roupas como de marca, assim como sabem que estou com roupas velhas e baratas.– Você já tem um monte de roupa aí atrás, se não estiver confortável de verdade, você pode se trocar, ou pode me dar sua mão e entrar comigo de uma vez, vamos pagar a conta como todos os outros – incentivou o alfa.Daniel encarou os olhos de James por um minuto, olhou para as sacolas no banco de trás, respirou fundo e abriu a porta.– Senhor Jupp, seja bem-vindo, a mesa de sempre? – uma mulher uniformizada se apressou em levantar do banco onde estava para cumprimentar o alfa.– Sim, por favor – o alfa confirmou, observando a beta guiar o caminho.James puxou a cadeira para Daniel, enquanto a mulher entregava o cardápio para o ômega.– O senhor gostaria o de sempre? – o
Os dois caminhavam juntos pelo shopping, o braço de James nunca abandonando a cintura do ômega.– Olha, aqui tem algumas roupas bonitas – o alfa comentou, apontando para uma loja.– Aí não vende roupa de bebê.– Sim, mas vamos comprar roupa pra você também, vamos nos casar, você não pode continuar andando com suas roupas velhas – afirmou o empresário.Quando entraram na loja, os vendedores sorriram animados ao ver James, permaneceram com o sorriso congelado no rosto quando desviaram o olhar para Daniel, analisando o ômega da cabeça aos pés, sem ousar diminuir a receptividade por conta da presença do alfa.– Bom noite, senhor Jupp, vejo que trouxe uma companhia hoje – comentou o vendedor mais velho – Seja bem-vindo, querido, aceita um café e alguns biscoitos?Daniel hesitou por um momento, mas ao ver a mesa cheia de coisas disponíveis para eles, sorriu.– Escolha um, temos com chocolate, latte, cappuccino – o vendedor guiou Daniel para a bancada e mostrou as diversas cápsulas e doces d
Ao retornar para a casa, James tinha certeza que todos da empresa já sabiam sobre o noivado e a gravidez, os funcionários cochichavam ao vê-lo passar, arregalavam os olhos, sorriam animados.Ele apenas pôde pensar na sorte de Daniel estar grávido e não fosse voltar para a empresa tão cedo, pois o ômega estaria mortificado de sua vida privada ser o alvo de fofocas.– Senhor Jupp – ele ouviu Melissa gritando e o som de saltos em corrida – Os funcionários se juntaram para comprar isso para o sr. Smith.A mulher carregava uma cesta repleta de doces, com um ursinho de pelúcia e uma caneca de melhor pai do mundo.– Gostaríamos de fazer uma festinha surpresa, mas o senhor Daniel avisou que gostaria de ao menos ter os meses da licença maternidade para aproveitar o tempo com o filhote – a alfa esclareceu – Mas devo dizer, os bebês crescem tão rápido e o primeiro ano é o momento que mais precisam da gente, se a minha mulher pudesse, teria ficado em casa cuidando do nosso filho um ano inteiro.–
O prédio da empresa era grande, mas James sempre entrava pelo estacionamento, após tanto tempo longe, os funcionários que o encontravam pelo caminho arregalavam os olhos e saíam de seu caminho. Depois do secretário se demitir, o alfa parecia prestes a agredir alguém, ninguém sabia o que esperar do homem.– Bom dia, senhor Jupp – Marcela, a secretária substituta o cumprimentou quando o viu.James parou e se virou para encarar a ômega sentada no lugar de Daniel, a expressão era intimidante, tanto que a mulher se encolheu no lugar.– Chame a Melissa, por favor – ele pediu, antes de seguir para a sua sala.Um pouco desconfortável pela falta de educação, Melissa assentiu e discou o número da assistente.Alguns minutos de espera, Melissa entrou na sala do diretor.– Bom dia, senhor Jupp, não esperava que precisasse de mim logo cedo – ela se justificou ao se aproximar da mesa.– Quem é a mulher lá fora? – questionou James, apontando para a porta.– Marcela, sua nova secretária – explicou.–
James estava aliviado por voltar para a capital, conseguiu convencer o ômega de doar os móveis e estavam embalando somente o que iria voltar para a cidade com eles. O que foi mais sofrido para Daniel se desfazer foi justamente os presentes de seus amigos para o bebê.— Eles tiveram todo o trabalho de nos dar alguma lembrancinha, ou pelo menos fraldas — argumentou o ômega.— E você acha que o nosso filho vai usar coisinhas baratas só porque é presente? — questionou.— Foi o melhor que eles conseguiram.— Mas eu posso pagar pelo melhor, podemos doar, não seria um desperdício, mas tudo do nosso filho pode ser escolhido a dedo e planejado por nós — justificou James.— Poxa, me sinto mal por deixar as coisas assim — reclamou Daniel.— Não se sinta, você pode escolher o que quiser, da marca que quiser, no valor que quiser — prometeu.A contragosto, o ômega concordou.O pedido de transferência de Mary foi a parte mais complicada, os médicos estavam preocupados com a saúde da mulher e com med
— Amanhã podemos buscar os exames de DNA — anunciou James.Daniel estava deitado no sofá lendo um livro, eram raras as vezes que o alfa deixava o ômega se distrair dentro de casa.— Você quer ir comigo ou prefere que eu vá sozinho? Você chorou duas vezes com aquele médico, eu vou entender se preferir manter distância — James concordou em procurar os médicos do hospital onde Daniel estava trabalhando, só para que o ômega não precisasse voltar na clínica.— Melhor eu ir, se eu não for, o médico vai acreditar mesmo que você está me mantendo refém — Daniel debochou — O que não é lá tão fora da realidade, porque eu jamais quis vir pra cá morar contigo, mas isso não vem ao caso.— Ok — James concordou rapidamente, saindo de perto.Era perigoso prolongar o assunto e eles discutirem novamente, para James era inegociável seu filho ser criado por ele e seu ômega estar casado com ele.Por outro lado, Daniel ficava cada vez mais nervoso, ele só teve relações sexuais com James, mas só de pensar qu







