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55: Marcas

last update publish date: 2026-09-15 00:02:07

Dia Seguinte

A luz da manhã entrou pelas frestas das cortinas pesadas quando Isabella abriu os olhos. O corpo doía de um jeito profundo e familiar. Marcas nos quadris, moretons no pescoço e nos ombros, a pele sensível entre as pernas, a memória das unhas dela cravadas nas costas de Alessandro ainda vívida sob as pontas dos dedos. Ele estava deitado de lado, virado para ela, uma perna pesada jogada sobre as suas, o braço atravessado na cintura com posse até no sono. A mão, mais uma vez, repousa
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  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   110: Traição II

    Ele a guiou para cima com cuidado, o corpo ainda posicionado entre ela e qualquer possível ameaça residual, mesmo sabendo que os homens de Lorenzo estavam mortos. A escada rangeu sob os pés deles. O ar lá em cima ainda cheirava a pólvora fresca e a madeira queimada pelo calor dos disparos. Isabella segurou a mão dele com força, a outra mão protetora sobre a barriga, os dedos frios. O bebê se mexia inquieto, reagindo ao ritmo acelerado do coração dela. No jardim, o cheiro era ainda mais forte. Pólvora e terra revolvida e o metal doce do sangue. Um dos homens de Alessandro ainda se movia perto da casa de hóspedes, ferido no ombro, mas vivo e consciente; os outros dois não se moviam. Alessandro trocou algumas palavras curtas e precisas com o ferido, verificou o estado da ferida, ordenou que a escolta se formasse. O lago continuava escuro e quieto, indiferente ao sangue que agora manchava a margem entre os juncos. A lavanda ainda soltava perfume sob o sol que se punha, um contraste quase

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   109: Traição I

    O tiroteio lá em cima durou menos de sete minutos. Alessandro se moveu com a precisão de quem treinara a vida inteira para exatamente aquele tipo de terreno. Cada passo, cada respiração, cada decisão era o resultado de anos em que o corpo aprendera a obedecer antes mesmo que a mente terminasse de formular o comando. Os homens de Lorenzo eram bons — treinados, disciplinados, acostumados a operar em equipes coordenadas —, mas não conheciam as trilhas estreitas que serpenteavam entre as árvores antigas, os desníveis sutis do terreno que podiam fazer um homem perder o equilíbrio por uma fração de segundo fatal, os pontos cegos criados pelos juncos altos que bordavam a margem do lago e pelas raízes expostas que se entrelaçavam como armadilhas naturais. Ele usou cada vantagem como se o próprio lugar conspirasse a seu favor. Usou o conhecimento de menino que pescava naquele lago antes mesmo de saber o que era o mundo lá fora, que aprendia a se mover em silêncio absoluto entre as árvores par

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   108: Quietude

    O domingo amanheceu mais claro. A neblina da véspera tinha se dissipado por completo durante a madrugada. O sol entrava pelas janelas largas do quarto principal em faixas douradas e limpas, iluminando o piso de madeira clara e o edredom ainda amassado pela noite. Alessandro acordou primeiro desta vez. Ficou alguns minutos apenas observando Isabella dormir, a mão dele ainda espalmada sobre a barriga, o bebê quieto sob a palma. O rosto dela estava relaxado de um jeito que ele não via desde antes da visita de Maria Rossi — a linha de tensão entre as sobrancelhas suavizada, a boca entreaberta, a respiração profunda e regular. O corte fino na sobrancelha que ele levara no dia anterior nem doía mais. Por um instante, ele permitiu-se acreditar que o refúgio poderia durar mais um dia. Que o silêncio do campo fosse mais forte do que a guerra que os esperava do outro lado do portão.O quarto ainda cheirava a sono e a lavanda que entrava pela janela entreaberta. Alessandro traçou o contorno da

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   107: Sábado

    O sábado amanheceu com uma neblina baixa que cobria o vale como um véu fino e úmido.Isabella acordou primeiro. A luz cinzenta entrava pelas janelas largas do quarto principal, filtrada pela névoa que ainda pairava sobre o lago. Alessandro ainda dormia, o rosto relaxado de um jeito que ela raramente via na mansão — a mandíbula solta, as sobrancelhas sem a tensão habitual, a boca entreaberta. A mão dele permanecia espalmada sobre a barriga, o polegar solto, o corpo virado na direção dela como se, mesmo no sono, recusasse qualquer distância. O menino se mexia de forma preguiçosa, um giro lento seguido de um chute suave que fez a mão de Alessandro se contrair instintivamente. Isabella ficou quieta por longos minutos, apenas observando o lago através do vidro. O vapor subia da água fria em fios finos e prateados. As árvores na margem estavam imóveis, os galhos pesados de umidade. O silêncio era tão completo que parecia ter peso, uma presença física que preenchia o quarto junto com o calor

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   106: Lareira

    À noite, Alessandro acendeu a lareira.O fosso de pedra bruta recebeu a lenha com um estalo seco. Em poucos minutos as chamas ganharam força, lambendo os troncos e lançando uma luz dourada e alaranjada que dançava nas paredes de madeira, nas vigas escuras do teto e no rosto de Isabella. O crepitar constante preencheu a sala com um som antigo, quase ritual. O cheiro de resina e de fumaça limpa se espalhou, misturando-se ao aroma de terra úmida que ainda vinha das roupas e ao perfume suave que Isabella usava desde que chegara ao campo. Fora, o vento mexia as árvores e fazia as folhas da lavanda baterem umas nas outras. Dentro, o mundo parecia ter encolhido até caber naquele semicírculo de calor.Eles comeram pouco. Alessandro serviu pão fresco que ainda soltava vapor, um queijo de sabor forte e uma sopa simples de legumes que ele mesmo preparara na cozinha antiga. O vapor subia das tigelas de barro. O vinho tinto ficou quase intocado nas taças; nenhum dos dois queria turvar a clareza da

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   105: Sexta-feira

    A situação na mansão já estava insustentável, mas tudo se agravou com a visita de Maria Rossi. Alessandro percebia que Isabella estava cada vez mais encurralada — o empurrão ainda ardia nas mãos dela, o perfume antigo ainda parecia grudado nas paredes da biblioteca, e o peso de Donatella e Chiara continuava pairando como uma ameaça que não se resolvia com uma única execução. Ele precisava tomar uma atitude antes que fosse tarde demais. E a decisão veio na sexta-feira pela manhã, depois de mais uma noite em que Alessandro dormiu com a mão espalmada sobre a barriga de Isabella e acordou com o mesmo peso no peito.A mansão ainda carregava o resquício de tudo: o perfume antigo de Maria Rossi grudado nas paredes da biblioteca, a mentira elegante de Donatella, a certeza de que Chiara estava sendo alinhada em Brooklyn Heights, o silêncio definitivo do homem que aceitara dinheiro na portaria. Alessandro olhou para Isabella no café da manhã — a forma como ela segurava a xícara com as duas mãos

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