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54: Reinvidicação

last update Data de publicação: 2026-09-14 00:05:29

O abraço no chão do quarto ainda não tinha se desfeito completamente quando o ar entre eles mudou.

Alessandro manteve o rosto enterrado no pescoço de Isabella por longos segundos, a respiração irregular quente contra a pele dela, as mãos apertando as costas nuas com uma força que falava de medo e de necessidade crua. Depois, devagar, ergueu a cabeça. Os olhos cinzentos estavam escuros, dilatados, ainda úmidos na borda, mas agora carregavam algo mais primitivo. O alívio de tê-la de volta se tra
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Último capítulo

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   110: Traição II

    Ele a guiou para cima com cuidado, o corpo ainda posicionado entre ela e qualquer possível ameaça residual, mesmo sabendo que os homens de Lorenzo estavam mortos. A escada rangeu sob os pés deles. O ar lá em cima ainda cheirava a pólvora fresca e a madeira queimada pelo calor dos disparos. Isabella segurou a mão dele com força, a outra mão protetora sobre a barriga, os dedos frios. O bebê se mexia inquieto, reagindo ao ritmo acelerado do coração dela. No jardim, o cheiro era ainda mais forte. Pólvora e terra revolvida e o metal doce do sangue. Um dos homens de Alessandro ainda se movia perto da casa de hóspedes, ferido no ombro, mas vivo e consciente; os outros dois não se moviam. Alessandro trocou algumas palavras curtas e precisas com o ferido, verificou o estado da ferida, ordenou que a escolta se formasse. O lago continuava escuro e quieto, indiferente ao sangue que agora manchava a margem entre os juncos. A lavanda ainda soltava perfume sob o sol que se punha, um contraste quase

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   109: Traição I

    O tiroteio lá em cima durou menos de sete minutos. Alessandro se moveu com a precisão de quem treinara a vida inteira para exatamente aquele tipo de terreno. Cada passo, cada respiração, cada decisão era o resultado de anos em que o corpo aprendera a obedecer antes mesmo que a mente terminasse de formular o comando. Os homens de Lorenzo eram bons — treinados, disciplinados, acostumados a operar em equipes coordenadas —, mas não conheciam as trilhas estreitas que serpenteavam entre as árvores antigas, os desníveis sutis do terreno que podiam fazer um homem perder o equilíbrio por uma fração de segundo fatal, os pontos cegos criados pelos juncos altos que bordavam a margem do lago e pelas raízes expostas que se entrelaçavam como armadilhas naturais. Ele usou cada vantagem como se o próprio lugar conspirasse a seu favor. Usou o conhecimento de menino que pescava naquele lago antes mesmo de saber o que era o mundo lá fora, que aprendia a se mover em silêncio absoluto entre as árvores par

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   108: Quietude

    O domingo amanheceu mais claro. A neblina da véspera tinha se dissipado por completo durante a madrugada. O sol entrava pelas janelas largas do quarto principal em faixas douradas e limpas, iluminando o piso de madeira clara e o edredom ainda amassado pela noite. Alessandro acordou primeiro desta vez. Ficou alguns minutos apenas observando Isabella dormir, a mão dele ainda espalmada sobre a barriga, o bebê quieto sob a palma. O rosto dela estava relaxado de um jeito que ele não via desde antes da visita de Maria Rossi — a linha de tensão entre as sobrancelhas suavizada, a boca entreaberta, a respiração profunda e regular. O corte fino na sobrancelha que ele levara no dia anterior nem doía mais. Por um instante, ele permitiu-se acreditar que o refúgio poderia durar mais um dia. Que o silêncio do campo fosse mais forte do que a guerra que os esperava do outro lado do portão.O quarto ainda cheirava a sono e a lavanda que entrava pela janela entreaberta. Alessandro traçou o contorno da

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   107: Sábado

    O sábado amanheceu com uma neblina baixa que cobria o vale como um véu fino e úmido.Isabella acordou primeiro. A luz cinzenta entrava pelas janelas largas do quarto principal, filtrada pela névoa que ainda pairava sobre o lago. Alessandro ainda dormia, o rosto relaxado de um jeito que ela raramente via na mansão — a mandíbula solta, as sobrancelhas sem a tensão habitual, a boca entreaberta. A mão dele permanecia espalmada sobre a barriga, o polegar solto, o corpo virado na direção dela como se, mesmo no sono, recusasse qualquer distância. O menino se mexia de forma preguiçosa, um giro lento seguido de um chute suave que fez a mão de Alessandro se contrair instintivamente. Isabella ficou quieta por longos minutos, apenas observando o lago através do vidro. O vapor subia da água fria em fios finos e prateados. As árvores na margem estavam imóveis, os galhos pesados de umidade. O silêncio era tão completo que parecia ter peso, uma presença física que preenchia o quarto junto com o calor

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   106: Lareira

    À noite, Alessandro acendeu a lareira.O fosso de pedra bruta recebeu a lenha com um estalo seco. Em poucos minutos as chamas ganharam força, lambendo os troncos e lançando uma luz dourada e alaranjada que dançava nas paredes de madeira, nas vigas escuras do teto e no rosto de Isabella. O crepitar constante preencheu a sala com um som antigo, quase ritual. O cheiro de resina e de fumaça limpa se espalhou, misturando-se ao aroma de terra úmida que ainda vinha das roupas e ao perfume suave que Isabella usava desde que chegara ao campo. Fora, o vento mexia as árvores e fazia as folhas da lavanda baterem umas nas outras. Dentro, o mundo parecia ter encolhido até caber naquele semicírculo de calor.Eles comeram pouco. Alessandro serviu pão fresco que ainda soltava vapor, um queijo de sabor forte e uma sopa simples de legumes que ele mesmo preparara na cozinha antiga. O vapor subia das tigelas de barro. O vinho tinto ficou quase intocado nas taças; nenhum dos dois queria turvar a clareza da

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   105: Sexta-feira

    A situação na mansão já estava insustentável, mas tudo se agravou com a visita de Maria Rossi. Alessandro percebia que Isabella estava cada vez mais encurralada — o empurrão ainda ardia nas mãos dela, o perfume antigo ainda parecia grudado nas paredes da biblioteca, e o peso de Donatella e Chiara continuava pairando como uma ameaça que não se resolvia com uma única execução. Ele precisava tomar uma atitude antes que fosse tarde demais. E a decisão veio na sexta-feira pela manhã, depois de mais uma noite em que Alessandro dormiu com a mão espalmada sobre a barriga de Isabella e acordou com o mesmo peso no peito.A mansão ainda carregava o resquício de tudo: o perfume antigo de Maria Rossi grudado nas paredes da biblioteca, a mentira elegante de Donatella, a certeza de que Chiara estava sendo alinhada em Brooklyn Heights, o silêncio definitivo do homem que aceitara dinheiro na portaria. Alessandro olhou para Isabella no café da manhã — a forma como ela segurava a xícara com as duas mãos

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