INICIAR SESIÓNSubi as escadas da mansão sem pressa, ainda carregando o copo com a dose de uísque que tomava para relaxar. As crianças já dormiam, e a babá estava no quarto dos gêmeos. Ao entrar no nosso quarto, encontrei Rafaela diante da penteadeira, terminando de se arrumar para dormir.Ela usava uma camisola vermelha e provocante que acendeu meus instintos, guardados à sete chaves durante todos os dias em que ela esteve de resguardo — período que, felizmente, havia terminado. O perfume doce dela incendiava o ambiente, e os cabelos escuros caíam livres sobre as costas.Fechei a porta em silêncio e caminhei até ela. Apoiei o copo na penteadeira, passei os braços ao redor de sua cintura, abraçando-a por trás, e apoiei o queixo em seu ombro. Rafaela sorriu ao encontrar meus olhos através do espelho.— Pensei que meu marido tivesse esquecido que tinha uma esposa esperando por ele — provocou, a voz baixa, quase um sussurro.— Eu jamais me esqueceria de tamanha preciosidade — falei, com a mão subindo d
A vida havia mudado mais uma vez.Depois de alguns dias, finalmente pude levar Rafaela para casa. Edward e William, entretanto, ainda precisavam permanecer na unidade neonatal por mais algum tempo, sob os cuidados da equipe médica.Para Rafaela, aquela separação era muito mais difícil do que para mim. De certa forma, eu continuava perto dos nossos filhos, já que minha rotina no hospital me permitia visitá-los sempre que possível. Para ela, porém, cada despedida parecia pesar um pouco mais.Os dias seguintes foram marcados por uma mistura de ansiedade e expectativa. Sempre que estava no hospital, fazia questão de passar na neonatal para acompanhar pessoalmente a evolução dos pequenos. Rafaela ainda estava em recuperação, mas, vez ou outra, eu a levava até lá para que pudesse ficar alguns minutos com os filhos.Toda a família aguardava ansiosamente o momento de tê-los em casa. E, finalmente, depois de alguns dias de cuidados e evolução satisfatória, Edward e William receberam alta.Coin
Ao fim daquele dia, meus pais vieram à unidade neonatal para conhecer Edward e William. A notícia do nascimento dos meninos havia transformado a casa, e eu sabia que, a partir daquele momento, nossa família jamais seria a mesma. Havia uma nova alegria entre nós, uma felicidade que se misturava à saudade de quem já não estava presente para testemunhar aquele capítulo de nossas vidas.Aurora caminhava ao meu lado quando entramos na unidade. Diante das incubadoras, permaneceu em silêncio, observando os pequenos rostos dos irmãos. Seus olhos percorriam cada detalhe, como se tentasse compreender a dimensão daquele acontecimento. Ela, que durante tantos anos havia sido a pequena da família, agora descobria o significado de ser irmã mais velha.— Eles são tão pequenininhos — murmurou, aproximando-se um pouco mais.— Por enquanto, meu amor — respondi, envolvendo seus ombros com o braço.Ela continuou observando os meninos, até que levantou a cabeça para me olhar nos olhos.— Papai...Abaixei-
A gravidez, entretanto, não foi tão simples quanto havíamos imaginado.Eu mesmo assumi todo o acompanhamento de Rafaela, cuidando de cada detalhe e permanecendo ao seu lado sempre que possível. Ainda assim, por mais que minha experiência como obstetra me permitisse compreender cada complicação, nada me preparava para a angústia de assistir à mulher que eu amava enfrentar uma gestação tão delicada.Rafaela precisou desacelerar. Boa parte daqueles meses foi marcada por repouso, consultas frequentes e recomendações que eu fazia questão de seguir à risca. Pela primeira vez em muitos anos, compreendi que nem todas as urgências poderiam ser resolvidas dentro de um centro cirúrgico. Algumas exigiam que eu simplesmente permanecesse em casa, segurando a mão da minha esposa e esperando que o tempo nos trouxesse notícias melhores.Aurora se tornou uma companhia constante para a mãe. Sempre que chegava da escola, corria para o quarto e se acomodava ao lado dela, contando sobre seu dia, suas desco
E eu? Perdi as contas de quantas premiações recebemos ao longo daqueles últimos dez anos. Minha vida continuava dividida entre a família, os negócios e o hospital, e, por vezes, eu só conseguia chegar em casa quando a madrugada já havia tomado conta de Londres, aproveitando os raros intervalos entre uma cirurgia e outra.Em uma dessas madrugadas, encontrei Rafaela à minha espera na sacada do nosso quarto. Assim que me aproximei, afrouxando a gravata, percebi o sorriso que ela tentava disfarçar.— Está tudo bem? — perguntei.Ela se levantou e caminhou em minha direção, os cabelos balançando suavemente com o vento da noite e um brilho nos olhos que me fez sorrir antes mesmo de saber o motivo.— Quero te contar uma coisa, mas não conseguiria esperar até o amanhecer.Envolvi sua cintura com os braços e afastei uma mecha de cabelo que insistia em tocar seu rosto.— É mesmo? Então, suponho que seja algo bastante sério.— Nossa família está prestes a crescer novamente — ela respondeu, conduz
Assim como o primeiro ano de Aurora passou voando, os anos seguintes também chegaram com aquela maneira peculiar de transformar tudo ao nosso redor, sem que percebêssemos a rapidez com que o tempo avançava.A vida que construímos juntos jamais poderia ter sido imaginada por aquele homem que, durante tantos anos, acreditou que o sucesso era a única medida de uma existência feliz. Hoje, compreendo que os anos mais importantes da minha vida foram justamente aqueles que nunca planejei.Aurora cresceu diante dos meus olhos. Minha pequena princesa, que um dia corria pelos corredores da mansão com os primeiros passinhos desajeitados, agora tinha dez anos. Delicada como a mãe, dona de uma personalidade tão forte quanto a minha e, talvez por se parecer tanto comigo, era também idêntica a Amélie naquela idade.A mansão Collins continuava sendo nosso lar, embora algumas coisas tivessem mudado. Meu avô Edward já não estava conosco, e sua ausência havia deixado um silêncio em mim que nenhuma quant







