FAZER LOGINJavier sorriu, olhando para o lado, pensando que talvez Liz não era diferente das outras mulheres e talvez, estivesse somente fazendo um tipo mais difícil.
— Deixe-me adivinhar, uma proposta de casamento, pois você não faz sexo por aventura?
— Sim e sim também! Eu não levantei da minha cama hoje para vir aqui perdendo meu tempo. Se está aqui apenas procurando uma parceira sexual, pode sair da minha mesa.
Liz cruzou os braços e apontou para o corredor, incentivando Javier a sair. Ele esperava que ela insistisse, que dissesse que não era uma mulher tão exigente assim, mas Liz, praticamente estava o expulsando da mesa.
— Bem, eu vou ficar. Mas antes de ouvir sua proposta eu devo deixar algumas coisas claras. Eu já tenho 50 anos.
— Certo! — Liz disse, rabiscando em um papel. Fazendo Javier arquear as sobrancelhas, curioso sobre o que ela estava fazendo.
— E eu sou apenas um professor.
— Professor?! Ok.
— Não tenho uma casa própria e moro de aluguel.
— Ok, está bem. Isso não será um impedimento.
Javier ficou ainda mais confuso, pois pensou antes que ela desistiria dele na hora, se soubesse que ele, com 50 anos, não tinha uma casa própria e trabalhava como professor.
Já Liz, olhou suas anotações e pensou que ele não ter uma casa própria seria ótimo, pois provavelmente aceitaria a sua proposta mais facilmente.
Porém, ela se perguntou se ele não era um professor universitário e isso mudaria as coisas, pois professores universitários podem ganhar um salário suficiente para pagar um aluguel e viver bem.
— Eu acho que com essas características posso lhe fazer a proposta. — Liz pegou uma pasta de documentos e empurrou na direção de Javier.
— Espere?! Você ainda quer se casar com um fracassado de 50 anos?
— Não diga que é um fracassado, você tem pelo menos uma formação universitária, coisa que muitos não conseguem. Como professor universitário, muitas pessoas o respeitam e deve conseguir ter uma vida digna com o seu salário.
— Mas eu não sou um professor universitário… na verdade… na verdade, eu sou um professor de jardim de infância. — Javier começou a inventar mais desculpas, já que não tinha pensado que não seria rejeitado.
— Um homem que sabe lidar com crianças?! Ótimo, agora penso que é ainda mais adequado.
— O quê?! Não, você não deve estar falando sério. — Liz empurrou ainda mais a pasta para a direção dele, demonstrando que estava, sim, ela queria propor casamento para ele. — Eu lido com crianças, mas… eu sou alcoólatra, viciado em jogos de azar, estou todo endividado…
— Tudo bem, pelo menos não fuma.
— Eu fumo! Fumo muito! Muitos cigarros, meu pulmão já está caindo aos pedaços.
Liz olhou para o lado, pensativa, e após disse:
— Ok, podemos lidar com isso.
— Ah, meu Deus do céu! Quem te mandou até mim? — Javier caiu em desesperança com a determinação de Liz. Se perguntando se ela não era alguém mandada pela mãe dele — Ok, vamos! Diga o que quer de verdade, pois é impossível que uma mulher como você ainda queira se casar com um fracassado como eu.
— Certo… na verdade, você está enganado sobre minhas intenções. Quero me casar com você, mas não quero um casamento de verdade, quero um casamento de mentira. Aqui dentro dessa pasta, está um contrato. Nosso casamento terá uma duração de um ano e após nos divorciamos e seguimos nossos caminhos. Aqui nesse contrato eu abro mão do direito de receber parte dos seus bens, já, em contrapartida…
— Me dê isso! — Javier pega a pasta e começa a ler. De repente, ele ficou muito interessado naquele contrato — Aqui está dizendo que após o divórcio eu receberei cinco milhões de dólares e…
Javier estava impressionado, pois ela queria o pagar para se casar com ela. Simplesmente aquela mulher queria dar míseros cinco milhões para um dos homens mais ricos do mundo.
Mas o que mais o impressionava era que, ela estava lhe oferecendo, além dos cinco milhões, 25% das ações da Martinez S.A., a empresa que ele mesmo comprou, mas não conseguiu comprar todas as ações, pois 25% das ações estavam em posse de um investidor desconhecido. E agora, ele descobriu que esse investidor secreto estava ali na sua frente, lhe propondo casamento.
— Você disse que está endividado, não é? — Liz disse, quebrando o silêncio — Se você se casar comigo poderá pagar suas dívidas e ainda, se tornar acionista de uma empresa rentável. Após nos divorciar, se você for inteligente e não gastar tudo em jogos de azar, poderá se tornar um homem rico.
Javier fechou a pasta de documentos e olhou bem para aquela misteriosa mulher que estava na sua frente. Ele não a conhecia, nunca tinha visto ninguém nas festas da alta sociedade parecido com ela. Quem era ela?
— Sua proposta é muito boa, mas… não acha que está me oferecendo muito? Não pensa que pode se arrepender?
— Eu me arrependi de poucas coisas que fiz na vida, mas te dar essas ações e esse valor tenho certeza que é algo que não vou me arrepender. E então, você aceita ou não?! Caso não aceite, vou oferecer ao próximo.
Henrique ficou paralisado, com todos os olhares voltados para ele.Ele deu alguns passos para trás, quase caindo.— D-dívida? Que dívida? — ele perguntou, já prevendo o pior.Aurora revirou os olhos e disse:— Henrique, eu nem me esforcei muito. Você nem pode dizer que eu te enganei! A sua própria arrogância te colocou nesses problemas. Assim como você confiou cegamente que a Julie estava falando a verdade só porque era de uma família com status, você não desconfiou da minha ligação com o banco Martinez S.A. porque me julgava inferior a você.Aurora respirou fundo, enquanto Henrique caía de joelhos no chão, com o mundo desabando sobre a cabeça dele.— Henrique, qualquer pessoa inteligente se perguntaria: por que a Aurora me indicou pegar empréstimo nesse banco, que carrega o mesmo sobrenome que ela usa? Mas você estava tão cheio de si que não fez o mínimo, não é? Agora arque com as consequências. Amanhã mesmo o banco vai fazer uma auditoria na sua empresa. Se você não puder paga
Henrique caminhou até Julie como um zumbi, não acreditando no que estava acontecendo.— Julie, me diz que é mentira! Me diz que você não fez isso! Você me disse que antes não conseguia fazer uma campanha porque tinha esquecido algumas coisas da faculdade, mas que agora tinha se lembrado. Eu apostei todas as minhas fichas em você! Me diz que você não levou meu nome para a lama!Aurora acenou para os seguranças soltarem Julie. A garota correu até Henrique e se ajoelhou aos pés dele:— Rick, isso é mentira… eu não plagiei ninguém! Foi só uma coincidência, está bem? Coincidências acontecem!— Uma vez pode até ser coincidência, mas várias vezes? Você tem certeza de que é coincidência?Aurora disse e a tela do telão mudou, mostrando vários trabalhos recentes de Julie comparados lado a lado com os de outras agências.Henrique sentiu o chão sumir debaixo dos seus pés. Ele tinha pego empréstimo, reformulado a marca, pagado caro pelo evento de apresentação, anunciado para o mundo todo que
— Como?! Ela não tem nem passaporte! Ela é uma coitada! — Henrique gritou.— O que você está dizendo? — Javier rosnou, pegando Henrique pelo pescoço e apertando.Henrique ficou pálido. Aurora ficou mais pálida ainda, com os ouvidos zunindo e o coração disparado.“Agora não! Não era para ser a hora da revelação!”, ela pensou, em pânico.— Pára! — Aurora gritou.Ela desceu correndo do palco e segurou firme nas mãos de Javier e Liz.Todos os presentes ficaram em silêncio absoluto, assistindo àquela cena sem entender nada. Alguns até fecharam os olhos, esperando o pior, afinal, Javier quase enforcou Henrique a poucos instantes, bem na frente de todos.Mas o mais bizarro para quem assistia foi ver Aurora arrastar o casal mais poderoso do país para o palco, e os dois simplesmente deixarem.Aurora olhou em volta, assustada, com o peito arfando:— Agora não! Só me deixem resolver, por favor — ela implorou aos pais, sussurrando.A expressão de Javier era de puro sangue nos olhos, e L
Aurora e Bia se levantaram desesperadas e correram para a saída, mas Felipe foi mais rápido, colocando-se na frente das duas.Antes que elas dissessem alguma coisa, ele falou:— Não precisa se desesperar. Eu trouxe meu laptop e está tudo salvo nele. Não está?— Felipe! Você é meu fedorento favorito de todos os tempos! — disse Aurora, pulando e dando um beijo na bochecha dele.Felipe lançou um olhar para Dan, que estava de braços cruzados, encarando-o com a cara feia.— Já que o Felipe trouxe o laptop dele, vocês dormem aqui, meninas. Vou preparar o quarto de hóspedes para a Beatriz — Tiffany sugeriu em seguida.— Não precisa… — Bia já ia recusar, quando Aurora a pegou pelo braço.— Claro que precisa! Você acha que a gente vai terminar isso cedo?Aurora saiu puxando Beatriz pelo braço, com o laptop debaixo do outro, e rapidamente as duas sumiram pelas escadas.Tiffany sorriu e disse:— Estava com saudades dessa agitação nesta casa. Vocês cresceram e as coisas não são mais com
Na sorveteria, Aurora dava sorvete na boca de Dan, com um sorriso carinhoso.— É sem lactose, não precisa se preocupar — ela dizia.Dan tinha os cabelos loiros e encaracolados, parecendo um anjinho; nem parecia que ele e Felipe tinham a mesma mãe. Ele era a mistura perfeita de Tiffany e Fred.— Tia Aurora, eu não gostei que você foi em um passeio que eu não podia ir — Dan reclamou.Aurora acariciou os cabelos dele e disse:— Não foi a tia que escolheu, foi o seu irmão.Felipe estreitou os olhos, lembrando que quem deu a ideia primeiro para a viagem à Grécia foi a própria Aurora.— Ele fez de propósito! Queria você só para ele! — Dan reclamou.— Não fica bravo, a tia promete te levar no fliperama e passarmos o dia todo lá.— Sério, tia?! Mas o Felipe não pode ir!— Ele não vai! Vai ser só eu e você!Dan sorriu todo animado, abraçou Aurora e mostrou a língua para Felipe.Felipe cruzou os braços, fechando a cara, enquanto Bia observava tudo, impressionada:— A última pessoa
No dia do encontro, Aurora e Bia repassaram o plano antes de entrarem no restaurante:— Se perto da mesa dele não tiver uma livre, você pede para trocar, está bem?Bia acenou positivamente, concordando.— Agora entra primeiro, que eu vou depois.Bia hesitou um pouco. Estava apreensiva, mas, ao ver Aurora ajeitar o disfarce de óculos escuros e lenço na cabeça, sentiu-se um pouco mais corajosa. Com Aurora lá, não estaria sozinha com outro maluco.Ao entrar, avistou o rapaz, que tinha combinado de vestir uma camisa bege e gravata vinho.Ela se sentou, um pouco nervosa, segurando a alça da bolsa tão forte que amassava o couro.O rapaz foi logo se apresentando e estendeu a mão para cumprimentá-la:— Oi! Você é a Beatriz e eu sou o Johnny.Bia sorriu, insegura, olhando em volta disfarçadamente para procurar Aurora. Até que a viu conversando com o garçom e sendo conduzida para uma mesa bem atrás deles.Bia respirou fundo e relaxou assim que sentiu o perfume de Aurora por perto.—







