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CAPÍTULO 2

Autor: Terra do Rio
Quando me virei, Brandon já tinha terminado de lavar a louça e estava secando as mãos. O olhar dele pousou no celular que eu segurava.

— Liz, o que você está fazendo com o meu celular?

— Acho que alguém mandou mensagem para você.

Entreguei o aparelho de volta a ele sem demonstrar nenhuma falha.

— Ele não parava de vibrar enquanto você estava ocupado, então peguei para você.

Ele recebeu o celular, olhou para a tela e depois ergueu os olhos para mim outra vez. Parecia tentar descobrir se eu dizia a verdade.

Por fim, a suspeita em seus olhos desapareceu.

— Vou tomar banho.

A porta do banheiro se fechou, e o som da água corrente surgiu logo em seguida. Sentei-me na beirada da cama, ouvindo aquele fluxo constante, enquanto minha mente voltava às fotos que eu tinha acabado de ver.

Alguns minutos depois, a água parou. Brandon saiu usando apenas uma toalha presa de modo frouxo à cintura. O cabelo preto ainda estava úmido, e gotas de água deslizavam por seu pescoço e pela clavícula.

O ar ficou carregado com o cheiro dele: cedro, névoa fria e um leve traço adocicado que não pertencia a mim.

No passado, sempre que ele se aproximava assim, eu amolecia na mesma hora. Mas agora, aquele vestígio persistente de outra loba só fazia meu estômago se revirar.

Ele caminhou até a cama e se inclinou para perto de mim, baixando a voz.

— Liz, faz tempo que nós dois não ficamos realmente próximos.

Normalmente, uma insinuação dessas me deixaria eufórica. Ele sabia exatamente como me acalmar, exatamente como usar um pouco de ternura para me fazer esquecer todas as coisas que não se encaixavam.

Mas, naquele momento, tudo o que eu conseguia ver era outra imagem. Ele em outra noite, exatamente como aquela.

Em todas aquelas noites de lua cheia em que eu fiquei sozinha em casa ouvindo uivos de lobos e esperando que ele voltasse, será que ele estava abraçando Liana assim?

Virei o rosto quase por instinto, escapando do toque dele. Brandon congelou.

— O que foi?

— Estou um pouco cansada.

Levantei-me e caminhei até a geladeira para servir um copo de água gelada. O líquido frio desceu pela minha garganta, mal conseguindo conter a dor surda que se espalhava no meu peito.

— Fui a muitos lugares hoje.

Ele permaneceu em silêncio, os ombros se enrijecendo levemente. Mantive as costas voltadas para ele, encarando a escuridão pela janela, e falei baixo:

— Brandon, me tira uma dúvida: o que aconteceria se uma loba que não pertencesse à alcateia invadisse um banquete de lua cheia?

Atrás de mim, ouvi o leve farfalhar do tecido. Brandon apertou a toalha em volta da cintura, e sua voz ficou fria.

— Liz, você sabe que a alcateia Blackstone é muito rígida. Não permitimos que lobas que não cumprem os requisitos entrem no banquete de lua cheia. Se alguma realmente fizesse isso, seria punida. E os guardas que a deixassem entrar também.

Ele fez uma pausa antes de continuar, o tom voltando a soar paciente.

— Liz, espere só mais um pouco. Assim que a alcateia terminar de avaliar você, poderemos participar dos banquetes de lua cheia juntos.

Mais um pouco? Eu já esperava havia três anos para Brandon dizer essas palavras, e o que recebi em troca? Meu companheiro levava outra loba aos banquetes enquanto eu ficava em casa, passando cada lua cheia sozinha.

Apertei o copo com mais força.

— Entendo. Vou dormir no quarto de hóspedes hoje. Estou cansada e preciso de um pouco de espaço.

Ele olhou para mim como se quisesse dizer alguma coisa, mas, no fim, não falou nada.

Naquela noite, permaneci acordada até o amanhecer.

Pensei na primeira noite de lua cheia, três anos antes. Brandon e eu concluímos nosso vínculo de companheiros pouco tempo antes, e eu fiquei sozinha na casa vazia, ouvindo ao longe os sons do banquete.

Eu mandei uma mensagem para ele. Brandon disse que o banquete estava animado, que o Alfa e a Luna estavam presentes e que ele não conseguia se ausentar. Só me disse para dormir cedo.

Eu acreditei nele, até me senti tocada por ele ainda se lembrar de me tranquilizar enquanto estava cercado por tanta gente.

Todos os anos eram iguais; a cada lua cheia ele trazia as mesmas palavras, a mesma ternura, as mesmas desculpas suaves. E eu passei três anos me convencendo repetidas vezes, esperando por ele.

Até aquelas três fotos acabarem com tudo e me mostrarem a verdade.

Pouco antes do amanhecer, ouvi sons fracos vindos do quarto principal. Brandon estava se levantando.

Logo depois, ouvi quando ele se lavou, trocou de roupa e fechou a porta com cuidado. Ele não veio me acordar como costumava fazer.

Levantei-me imediatamente, peguei meu casaco e as chaves do carro, então saí atrás dele. Na garagem subterrânea, o SUV preto dele saiu devagar. Mantive alguns carros de distância e o segui em silêncio.

Ele não dirigiu em direção ao salão de banquetes onde a alcateia Blackstone realizava suas reuniões. Em vez disso, virou para o lado leste da Cidade Neutra.

O carro parou diante de um prédio residencial de alto padrão. Depois de um instante, uma bela loba saiu.

Ela usava um casaco claro e macio, com os cabelos longos caindo sobre os ombros. Seus traços eram marcantes.

Ela abriu a porta do passageiro e entrou. Era Liana, a loba das fotos finalmente estava diante de mim.

Eles não partiram de imediato. Pelo vidro do carro, vi Brandon se inclinar e puxá-la para os braços. Em seguida, ele abaixou a cabeça e a beijou.

O movimento era natural, habilidoso, como se aquela intimidade já tivesse se repetido inúmeras vezes.
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