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CAPÍTULO 3

Author: Terra do Rio
De vez em quando, algumas pessoas passavam pela entrada, mas eles não se importavam nem um pouco. Eu fiquei sentada dentro do carro, observando os dois se beijarem, e ouvi algo se partir dentro de mim. Era como se alguma coisa se quebrasse em silêncio.

Nas horas seguintes, vi meu companheiro mimar Liana. Brandon colocou o cinto de segurança nela, ajeitou seus cabelos quando o vento os bagunçou e secou as gotas de água de seus saltos.

Qualquer coisa que chamava a atenção de Liana, Brandon comprava. Mesmo sem gostar de floriculturas, ele ficou por um longo tempo em uma delas só porque Liana amava flores.

Eu não me importava com o dinheiro que Brandon gastava com ela. Ao longo daqueles três anos, ele nunca me privou de bens materiais. Sempre que saía, trazia presentes delicados para mim: colares, brincos, xales de pele para o inverno.

Mas a ternura nos olhos de Brandon quando ele olhava para Liana era muito mais profunda do que quando olhava para mim.

Os olhos dele não mentiam. Brandon amava Liana. Aquilo era óbvio.

Puxei meus pensamentos de volta bem a tempo de ver Brandon deslizando um anel no dedo de Liana. A pedra era uma gema verde cristalina, presa em prata, como um pequeno pedaço de lago banhado pelo luar.

Brandon segurou a mão dela e disse baixinho:

— Essa cor combina perfeitamente com você.

Naquele instante, lembrei do dia em que escolhemos os anéis, três anos antes. Eu estava diante do balcão, encarando um anel parecido, com uma pedra preciosa verde.

Brandon riu e fechou a caixa, dizendo que verde era uma cor fria demais e não combinava comigo. Segundo ele, pedra da lua e diamantes me valorizavam mais. E eu acreditei.

Mas agora ele colocava com delicadeza a cor que eu amava na mão de outra mulher. Não era que verde não combinava comigo, ele só não queria me dar aquilo.

Virei-me e saí da joalheria. Fiquei parada no fim do corredor e mandei uma mensagem para minha amiga.

[Reserve uma passagem para Deniro para mim. Vou deixar a alcateia Blackstone.]

Ela respondeu rápido.

[Tem certeza?]

Encarei a tela e digitei de volta:

[Sim.]

Dez minutos depois, as informações do voo chegaram por mensagem. Em seguida, imprimi o acordo de dissolução do vínculo de companheiros e entrei em uma cafeteria na rua. Pedi o café preto mais amargo que eles tinham.

Os papéis ficaram espalhados sobre a mesa, e a primeira página trazia o título "Solicitação de Dissolução do Vínculo de Companheiros". Encarei aquilo por muito tempo antes de organizar os documentos em ordem e enfiá-los debaixo de uma pilha de formulários comuns.

Foi nesse momento que o sino acima da porta tocou. Ergui os olhos e vi Brandon e Liana entrando juntos. Ele parou de repente.

Mas Liana foi a primeira a sorrir, os olhos se curvando enquanto me cumprimentava.

— Olá, você deve ser a futura Luna da alcateia Blackstone, Elizabeth Crowley. Você é muito mais bonita do que nas fotos.

Brandon veio depressa até mim, e o olhar dele caiu sobre os documentos à minha frente. Sua voz baixou.

— O que você está fazendo aqui?

Antes que eu pudesse responder, Liana se adiantou com suavidade:

— Não entenda mal.

Ela sorriu com elegância.

— Eu morei na Cidade Neutra por um tempo, então conheço bem a região. Brandon queria escolher um presente para você hoje e me pediu ajuda.

Enquanto falava, empurrou para mim a sacola de compras que segurava. Dentro estavam todos os presentes que Brandon comprou para ela, incluindo a caixa de veludo com o anel verde.

Eu não peguei.

Brandon me olhou por um instante, parecendo um pouco desconfortável, mas ainda disse em voz baixa:

— Leve para casa com você.

— Eu não quero.

Desviei o olhar da sacola de compras, com o tom vazio.

— Vim à Cidade Neutra para entregar a documentação do acampamento de treinamento de inverno dos filhotes da alcateia. O Beta não conseguiu vir hoje, então eu cuidei disso, já que estava pela região mesmo.

Empurrei a pilha de documentos na direção dele e abri na linha de assinatura da última página.

— Já que você está aqui, assine logo. O prazo é hoje.

Brandon provavelmente estava pensando no banquete de lua cheia daquela noite e em Liana parada ao seu lado. Ele não olhou com atenção, apenas procurou a linha de assinatura.

— Esse tipo de coisa merece mesmo uma viagem sua?

Mesmo dizendo isso, ele já pegava a caneta. Eu o observei escrever o próprio nome no papel.

Seus traços eram limpos e firmes, iguais aos dos últimos três anos, quando assinava pelos meus presentes ou por vários documentos da alcateia. A diferença era que, dessa vez, ele assinava a solicitação de dissolução do nosso vínculo de companheiros.

Depois de terminar, ele empurrou os documentos de volta e estendeu a mão para bagunçar meus cabelos, como se nada tivesse acontecido.

— Volte para casa quando terminar aqui. Não fique me esperando até tarde esta noite, vou tentar voltar cedo.

Guardei os documentos na bolsa e assenti.

— Certo.

Quando saí da cafeteria, o vento estava frio. Peguei um táxi e fui deixar uma cópia no Registro de Alcateias da Cidade Neutra.

Depois, sentei-me de volta no carro e encarei a última página do acordo, onde meu nome e o de Brandon apareciam lado a lado. Olhei para aquilo por muito tempo antes de dobrar o papel com cuidado e guardá-lo no fundo mais profundo da minha bolsa.

Dessa vez, eu finalmente não precisava mais esperar que ele se voltasse para mim.
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