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CAPÍTULO 4

Author: Terra do Rio
Quando cheguei em casa, puxei minha mala e comecei a arrumar minhas coisas. Na verdade, não havia muito que fosse realmente meu ali, apenas algumas roupas, remédios de uso diário, um álbum de fotos e um punhado de pequenas coisas que Brandon me deu casualmente ao longo dos anos.

Dobrei as roupas dentro da mala, depois caminhei até a lareira e joguei alguns dos presentes antigos no fogo. Eram coisas como flores-da-lua secas, um cachecol empoeirado e uma presilha de cabelo que eu nunca mais usaria. As chamas os alcançaram e rapidamente os tingiram de preto.

A porta se abriu exatamente quando joguei a última caixinha no fogo. Brandon parou de repente, e seu olhar pousou na lareira. Pela primeira vez, a expressão dele pareceu inquieta.

— Liz, o que você está queimando?

Virei-me e vi que ele segurava uma nova caixa de presente.

— Nada importante.

Sacudi as cinzas das pontas dos dedos.

— Essas coisas ficaram paradas por tempo demais, pegaram cheiro e acumularam poeira. Não consegui limpar, então resolvi me livrar delas.

Ele me olhou como se tentasse decifrar algo no meu rosto, mas eu apenas permaneci ali, calma. Depois de alguns segundos, aquela estranheza em seus olhos desapareceu, como se ele finalmente relaxasse.

— Se você não quer mais as coisas antigas, tudo bem.

Ele se aproximou e me entregou a caixa de presente, com o tom mais suave.

— Comprei algo novo para você.

Dentro havia uma pulseira de pedra da lua. Era linda e cara.

Se fosse antes, eu provavelmente teria me abalado de novo com aquele pequeno gesto dele. Mas agora, apenas fechei a caixa e a deixei de lado com cuidado.

— Obrigada.

Brandon pareceu querer dizer alguma coisa, mas o celular dele tocou de repente. Ele baixou os olhos para a tela, e sua testa se moveu de forma quase imperceptível. O nome de Liana brilhava ali.

Ele recusou a chamada, mas menos de dois segundos depois, o telefone tocou novamente. Fiquei parada, sem dizer nada.

Por fim, Brandon atendeu. Não consegui ouvir o que ela disse, mas ele respondeu em voz baixa algumas vezes, e sua expressão mudou de forma evidente.

Depois de desligar, ele olhou para mim com um tom levemente apaziguador.

— Houve um pequeno problema na fronteira. Vou dar uma olhada e volto logo.

Assenti.

— Certo.

Ele pareceu surpreso com a minha calma e hesitou por um instante, mas, no fim, resolveu sair. Depois que a porta se fechou de novo, a casa inteira ficou em silêncio.

Pouco depois, meu celular vibrou com um número desconhecido. Abri a mensagem e era de Liana.

[Elizabeth, não entenda mal. Brandon e eu crescemos juntos. Conheço os hábitos e os pensamentos dele melhor do que qualquer pessoa.]

[Uma loba forasteira como você deveria se sentir sortuda por Brandon sequer ter trazido você da neve para a alcateia Blackstone, quanto mais por ter formado um vínculo com você por três anos.]

[Algumas posições não podem ser garantidas apenas por causa de um vínculo, como a posição de companheira do futuro Alfa. Essa posição nunca foi sua.]

Então ela acrescentou mais uma linha, casual e leve:

[A propósito, veja a camada inferior da caixa de presente que ele deu a você.]

Fiquei em silêncio por alguns segundos, depois abri a caixa. Como esperado, sob a bandeja de veludo havia uma nova foto.

A imagem era nítida. Diante do espelho brilhante da joalheria, Liana erguia a mão, e o anel verde cintilava em seu dedo. Brandon estava atrás dela, olhando para baixo com uma ternura quase ofuscante.

Encarei a foto por muito tempo, sem me mover. Aqueles que eram amados sempre conseguiam tudo com tanta facilidade, enquanto aqueles que não eram só podiam mentir para si mesmos repetidas vezes.

Soltei uma risada baixa, coloquei a foto de volta na caixa e a fechei.

Eu não chorei nem fiz escândalo. Não pretendia mais me importar com Brandon. Ele já havia desaparecido completamente do meu coração.

Coloquei o acordo assinado de dissolução do vínculo de companheiros sobre a mesa, ao lado de um anel de pedra da lua. Era o anel que Brandon escolheu quando formamos nosso vínculo. Resolvi deixá-lo ali e não levar comigo.

Antes de sair, virei-me para olhar a casa onde vivi por três anos. O fogo na lareira ainda ardia, projetando sombras longas nas paredes. Aquele lugar estava tomado pelo cheiro de Brandon, mas não havia mais um único centímetro que pertencesse a mim.

Fechei a porta, arrastei minha mala para fora e caminhei para dentro da noite. As luzes da alcateia Blackstone continuavam acesas, e o banquete de lua cheia tinha acabado de começar.

Mas eu não olhei para trás.
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