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Capítulo 7 — A avó que não gostava de café

last update publish date: 2026-08-21 05:30:25

Da-on esperava que o primeiro jantar com Keaton fosse estranho.

Esperava que ele chegasse cedo demais, escolhesse uma mesa distante da entrada e analisasse o cardápio como se estivesse avaliando uma empresa concorrente.

Não esperava que a avó dele aparecesse no Café Dajeong antes mesmo que pudesse trocar de avental.

A mulher entrou às dez da manhã acompanhada por duas assistentes e um motorista. Usava um conjunto azul-marinho impecável, luvas claras e um broche de jade preso ao casaco. Tinha os cabelos grisalhos presos em um coque baixo e uma postura tão reta que parecia nunca ter se apoiado em uma cadeira.

O café, que naquele momento estava cheio, ficou silencioso aos poucos.

Não porque alguém tivesse pedido silêncio.

Apenas porque a presença da mulher parecia exigir isso.

Ela olhou para as mesas, para o balcão e para as plantas próximas à janela. Não demonstrou desgosto, mas também não demonstrou aprovação.

Depois fixou os olhos em Da-on.

— Kim Da-on?

Da-on largou o pano sobre o balcão.

— Sim.

A mulher fez uma pequena reverência, apenas o suficiente para cumprir a formalidade.

— Sou Kang Hwa-ran.

Da-on reconheceu o nome.

Não porque o tivesse ouvido de Keaton, mas porque aparecia em matérias sobre a Kang Group. Presidente honorária, matriarca da família Kang e mulher conhecida por ter transformado a empresa em um dos maiores conglomerados de Haedam.

A avó paterna de Keaton.

Da-on olhou para o relógio.

— A senhora gostaria de pedir alguma coisa?

A expressão de Hwa-ran não mudou.

— Gostaria de conversar.

— O café ainda está aberto.

— Será rápido.

— Então pode conversar aqui.

A mulher pareceu não gostar da resposta.

Uma das assistentes se aproximou.

— A presidente prefere um lugar reservado.

Da-on apontou para a mesa sete.

— Aquela mesa está livre.

Hwa-ran observou a mesa.

Era o lugar de Keaton.

Da-on não sabia por que aquilo lhe dava a sensação de estar defendendo território.

A avó dele sentou-se. As assistentes permaneceram de pé atrás dela.

— Elas podem esperar do lado de fora — disse Da-on.

As duas mulheres se entreolharam.

Hwa-ran ergueu uma mão.

— Esperem no carro.

As assistentes obedeceram.

Da-on entregou o cardápio.

— O que posso preparar?

— Chá.

— Temos chá de jasmim, cevada, camomila e frutas vermelhas.

— O mais caro.

Da-on piscou.

— O sabor não melhora por causa do preço.

Pela primeira vez, uma pequena ruga apareceu entre as sobrancelhas de Hwa-ran.

— Chá de jasmim.

— Boa escolha.

Da-on preparou a bebida e levou até a mesa sete. Hwa-ran segurou a xícara com as duas mãos, mas não bebeu imediatamente.

— Você sabe quem é meu neto?

— Agora sei.

— Ele disse que trabalha na Kang Group?

— Disse.

— Ele não lhe disse que é o presidente executivo?

— Não.

— Isso não a incomodou?

Da-on sentou-se diante dela.

— Só descobri ontem.

— E como se sentiu?

— Surpresa.

— Apenas surpresa?

— Também fiquei irritada.

Hwa-ran tomou um gole do chá.

— Pelo fato de ele não ter contado?

— Pelo fato de ele falar como se fosse um funcionário comum quando é o homem que aparece em todas as revistas econômicas.

— Keaton não gosta que o tratem de maneira diferente.

— Eu percebi.

— E você não o tratou de maneira diferente?

Da-on olhou para a xícara.

— Tentei chamá-lo de presidente Kang.

— Ele não gostou.

— Não.

— Por quê?

— Ele prefere que eu o chame de Kitty-ssi.

A avó de Keaton ficou imóvel.

Da-on percebeu que talvez fosse a primeira vez que alguém usava aquele apelido diante dela.

— Kitty? — repetiu Hwa-ran.

— Kitty-ssi.

— Você chama meu neto de Kitty-ssi?

— Ele permite.

— Meu neto não é um gato.

Da-on olhou para a mesa sete.

— Ele chega antes do horário de abertura, senta sempre no mesmo lugar, bebe a mesma coisa e espera receber biscoitos.

Hwa-ran ficou em silêncio.

— Entendo — disse, por fim.

Da-on não sabia se aquilo era uma ameaça ou uma avaliação.

A mulher colocou a xícara sobre o pires.

— Vou falar de maneira direta. A família Kang não considera apropriado que Keaton mantenha uma relação com você.

Da-on sentiu a irritação se espalhar pelo peito, mas manteve a postura.

— Nós ainda estamos nos conhecendo.

— Justamente. É melhor interromper agora.

— Por quê?

— Você administra um pequeno café.

— Sim.

— Keaton é responsável por um grupo empresarial de grande porte.

— Também sei disso.

— A vida ao lado dele exige certos padrões.

Da-on olhou para o conjunto impecável da mulher, para o broche de jade e para as assistentes que aguardavam do lado de fora.

— Imagino que exija.

— Você não possui experiência nesse ambiente.

— Tenho experiência administrando um negócio, pagando funcionários, negociando contratos e lidando com pessoas que acham que podem entrar aqui e decidir meu futuro.

Hwa-ran estreitou os olhos.

— Você é bastante segura de si.

— Preciso ser. O café não administra a si mesmo.

A avó de Keaton colocou um envelope sobre a mesa.

Da-on não tocou nele.

— O que é?

— Uma compensação pelo inconveniente.

Da-on olhou para o envelope e depois para Hwa-ran.

— Inconveniente?

— Pelo tempo que você dedicou a Keaton.

— A senhora está me oferecendo dinheiro para que eu me afaste dele?

— Estou evitando que essa relação se torne um problema maior.

Da-on empurrou o envelope de volta.

— Não.

Hwa-ran não pareceu surpresa.

— Você não sabe o valor.

— Não preciso saber.

— Poderia quitar o empréstimo da reforma do café.

A frase atingiu Da-on com precisão.

Ela manteve o rosto calmo, mas seus dedos se fecharam sobre o próprio joelho.

— A senhora pesquisou sobre mim.

— Eu me informei.

— Então também sabe que paguei aquele empréstimo sozinha.

— Sei.

— E sabe que não preciso de dinheiro para decidir com quem vou sair.

— Não disse que você precisa.

— Está dizendo que meu preço deve ser alto.

Hwa-ran ficou em silêncio.

Por alguns segundos, apenas o som da máquina de espresso ocupou o espaço entre as duas.

— Não quero ofendê-la — disse a mulher.

— Mas está tentando comprar meu afastamento.

— Estou tentando proteger meu neto.

— De quê?

— De uma vida que não combina com a posição dele.

Da-on levantou-se.

— Então a senhora deveria conversar com ele. Não comigo.

A porta do café se abriu antes que Hwa-ran pudesse responder.

Keaton entrou.

Ele usava um terno preto e trazia a expressão fria que aparecia nas fotografias dos jornais. Ao ver a avó sentada à mesa sete, seus olhos se estreitaram.

— Halmeoni.

Kang Hwa-ran não se levantou.

— Você chegou cedo.

— O que está fazendo aqui?

— Conversando com Kim Da-on.

Keaton olhou para o envelope.

Depois para Da-on.

— O que é isso?

Hwa-ran permaneceu calma.

— Um assunto de família.

— Ela não faz parte da família.

— Ainda.

A palavra pareceu alterar a temperatura do café.

Keaton caminhou até a mesa.

— Você veio oferecer dinheiro a Da-on?

— Não seja dramático.

— Responda.

— Eu lhe ofereci uma solução.

— Você a tratou como um problema.

Hwa-ran ergueu o queixo.

— Eu tratei como alguém que precisa compreender a realidade.

— A realidade é que você não pode decidir com quem eu me relaciono.

— Posso decidir o que é adequado para a família.

— Não para mim.

Da-on observava os dois.

Keaton parecia mais alto do que de costume. Não porque tivesse mudado, mas porque havia abandonado o tom controlado que usava no café.

Hwa-ran olhou para ela.

— É isso que você queria? Colocar meu neto contra a família?

Da-on sentiu uma pontada de raiva.

— Eu não coloquei ninguém contra ninguém. A senhora veio ao meu café sem avisá-lo e me ofereceu dinheiro para desaparecer da vida dele.

Keaton virou-se para Da-on.

— Você está bem?

— Estou irritada.

— Eu posso resolver isso.

Da-on lançou-lhe um olhar.

— Não me trate como um problema da sua agenda.

Keaton parou.

A frase pareceu alcançá-lo.

Da-on voltou-se para Hwa-ran.

— Seu neto pode decidir sozinho. E eu também.

Hwa-ran pegou o envelope.

— Você acredita que isso será simples?

— Não. Mas não será resolvido com dinheiro.

A mulher levantou-se.

— Veremos.

Keaton acompanhou a avó até a porta.

Antes de sair, Hwa-ran olhou uma última vez para o café.

— Keaton nunca foi bom em escolher o que é melhor para si.

Da-on respondeu sem sorrir:

— Então talvez esteja na hora de ele aprender.

Hwa-ran não disse mais nada.

Quando a porta se fechou, Keaton voltou para a mesa sete.

Da-on recolheu a xícara de chá.

— Você sabia que ela faria isso?

— Não.

— Ela costuma aparecer nos cafés das pessoas que você está conhecendo?

— Não.

— Então sou especial.

— Sim.

Da-on olhou para ele.

Keaton pareceu perceber o que havia dito, mas não tentou corrigir.

— Eu não quero que você resolva isso com a sua família usando dinheiro ou ameaças — disse ela.

— Eu não faria isso.

— Você acabou de falar como se fosse demitir sua avó.

— Ela não trabalha para mim.

— O tom foi parecido.

Keaton abaixou os olhos.

— Vou falar com ela.

— Fale. Mas não porque eu preciso que você me defenda.

— Então por quê?

— Porque é sua família. E porque ela precisa ouvir de você que não tem direito de escolher por nós.

Keaton assentiu.

Da-on colocou a mão sobre a mesa.

— E o jantar?

Ele a encarou.

— Você ainda quer jantar comigo?

— Eu disse que estava irritada. Não que perdi o apetite.

Pela primeira vez desde que entrara no café, Keaton pareceu aliviado.

— Posso escolher o restaurante?

— Pode.

— Sem estratégia.

— Sem estratégia.

— Sem planilhas.

— Sem planilhas.

Da-on pegou um biscoito e colocou diante dele.

— Mas você vai pagar o preço normal.

Keaton segurou o biscoito.

— Eu sempre pago.

— Não estou falando do café.

Ele ficou quieto.

Da-on sorriu.

— Agora você entendeu.

Kang Keaton, presidente da Kang Group, um dos homens mais ricos de Haedam e o neto favorito de uma das mulheres mais poderosas da cidade, comeu o biscoito sem reclamar.

Pela primeira vez, percebeu que proteger Da-on não significava decidir tudo por ela.

Às vezes, significava apenas permanecer ao lado dela enquanto ela mesma dizia não.

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