Proibido Amar O Herdeiro

Proibido Amar O Herdeiro

last updateLast Updated : 2026-10-23
By:  MüllerOngoing
Language: Portuguese
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Ela queria passar despercebida. Ele nunca soube ignorar o que desafia seu controle.Maia Norenzi chegou a Alto Valley com uma mochila gasta, a coragem herdada da mãe enfermeira, e um único plano: terminar o último ano do ensino médio em silêncio. Nova na cidade, vinda de uma realidade simples e cheia de recomeços, tudo o que ela queria era paz.Mas paz não combina com Dante Ferraz — o herdeiro mais jovem da poderosa família Ferraz, conhecido por sua fama de bad boy, seu desprezo pelas regras e sua incapacidade de se apegar a alguém.Quando os dois se cruzam na escola de elite onde Maia ganhou bolsa, o mundo deles colide. Ela não se impressiona com sobrenomes. Ele não suporta ser ignorado.O problema? Dante nunca deixou ninguém chegar perto. Maia nunca teve um coração partido.E esse pode ser o começo do caos… ou da salvação que nenhum dos dois sabia que precisava.

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Chapter 1

Capítulo 1 - Uma nova Página

O céu de Alto Valley parecia sempre um pouco nublado, como se a cidade carregasse segredos demais nas nuvens. Maia Norenzi olhava pela janela do carro, com os fones nos ouvidos, tentando ignorar o aperto no peito. Nova escola, nova cidade... de novo.

— Vai dar tudo certo, filha — disse a mãe, Sabrina, com aquele sorriso cansado de quem sempre tenta parecer mais forte do que realmente é. Enfermeira dedicada, coração de gigante e a única família que Maia conhecia de verdade.

Ela apenas assentiu, sem tirar os olhos da rua.

A fachada do Colégio Monte Azul surgiu ao longe: grades bem cuidadas, paredes de concreto claro e flores plantadas em fileiras perfeitas. Tudo limpo, imponente. Rico.

Definitivamente, não era o tipo de lugar onde ela se sentia pertencente.

No pátio, estudantes com mochilas estilosas e celulares de última geração riam, tiravam fotos e andavam em grupos. Ela caminhou sozinha até a recepção, pegou seu horário de aulas e um mapa do colégio, respirando fundo a cada passo.

Foi no corredor principal que o destino resolveu lhe dar a primeira surpresa.

— Ei, você parece perdida. Primeiro dia? — perguntou uma voz animada.

Maia ergueu os olhos e encontrou uma garota de cabelos cacheados, vermelho-escuros, com um sorriso aberto e roupas que tinham mais atitude do que o colégio inteiro.

— Sou Lisa. E você tem cara de quem vai me agradecer depois por eu ser a primeira pessoa decente que apareceu.

Maia riu, surpresa com a leveza da garota.

— Maia. E... sim, acho que vou mesmo.

Lisa começou a mostrar o colégio como uma guia divertida, falando dos professores, dos grupinhos e das bizarrices dos alunos com nomes duplos.

— E aquele corredor ali — apontou com o queixo — é onde costumam acontecer os desfiles não oficiais.

— Desfiles?

— Aham. Todo mundo se ajeita quando elas passam. E, por "elas", me refiro a Valentina Cortez e ao clube das abelhas-rainhas.

Maia virou o rosto na direção apontada.

Três garotas se aproximavam pelo corredor, andando lado a lado, como se uma trilha sonora invisível as acompanhasse. No centro, Valentina: loira platinada, olhar felino e uniforme perfeitamente ajustado. À direita, Lorena, toda sorrisos falsos e unhas feitas. À esquerda, Paola, com uma expressão entediada e a pose de quem julga o mundo.

— Aquela no meio é a Valentina. Filha do empresário mais influente da cidade. Linda, rica e amarga — disse Lisa, com um sorriso curto.

As três pararam diante delas. Valentina analisou Maia com um olhar quase clínico.

— Você deve ser a nova aluna. Maia, não é? — Sua voz era doce demais para ser sincera.

— Sou, sim — respondeu Maia, mantendo a calma.

— Bem-vinda. Espero que se sinta... confortável aqui. Podemos conversar depois — disse Valentina, continuando a andar como se tivesse encerrado uma entrevista.

Lisa esperou que elas se afastassem para comentar:

— Quando ela é fofa assim... é porque está marcando território.

Maia riu, sem saber se aquilo era mais engraçado ou assustador.

---

Depois do breve e enigmático encontro com Valentina e seu grupo, Maia e Lisa seguiram pelo corredor em direção às salas. O colégio era enorme, os pisos brilhavam e o teto alto dava a sensação de que estavam sempre sendo observadas por algo maior.

— Sua primeira aula é com a professora Esther? — perguntou Lisa, espiando o horário de aulas de Maia.

— É... Literatura.

— Sorte a sua. A Esther é maravilhosa. Grita com quem merece e tem uma queda secreta por romances proibidos. Você vai amar.

Entraram na sala momentos antes de o sinal tocar. Os alunos foram chegando aos poucos — alguns lançando olhares curiosos à novata, outros nem se importando. Maia escolheu um lugar discreto, perto da janela. Pegou seu caderno e começou a rabiscar, como sempre fazia quando o coração parecia pesado demais.

Desenhou traços suaves que se transformaram em olhos — olhos que ela nunca tinha visto, mas que pareciam familiares. Olhos intensos, como os que a observaram havia poucos minutos no corredor. Era instintivo, mas a imagem saiu parecida demais com a do garoto que acabara de conhecer: Dante Ferraz.

Ela fechou o caderno às pressas, envergonhada de si mesma.

É só o primeiro dia, Maia. Não surta.

A aula passou rápido. Lisa sussurrava comentários engraçados em seu ouvido, e a professora realmente era apaixonante, falando de tragédias clássicas como se fossem fofocas quentes.

Quando o sinal do intervalo tocou, Lisa a puxou pelo braço.

— Vem, vamos ao refeitório antes que vire uma selva.

Caminharam pelos corredores, agora mais agitados, com alunos indo e vindo entre os grupos. Risos, gritos, cheiros de comida e perfumes caros se misturavam no ar.

— Você desenha bem — comentou Lisa casualmente, ao notar a ponta do caderno espiando da mochila. — Vi sem querer. Só rabiscos, mas... tem alma ali.

Maia deu um meio sorriso, envergonhada.

— É só um passatempo. Nunca mostrei para ninguém.

— Talvez um dia deva. Ou não. Mas prometo guardar segredo.

Ao entrarem no refeitório, o som se intensificou. O lugar era amplo, cheio de mesas compridas e bem iluminado por janelas grandes. No centro, o palco das atenções: a mesa dos populares, onde Valentina e seu trio já estavam sentadas, rindo exageradamente.

Maia e Lisa se sentaram perto da janela, entre garotos barulhentos e meninas tirando selfies. Estavam trocando piadas quando um som diferente pairou no ar.

Passos arrastados, risadas masculinas.

Maia olhou sem querer — e viu.

Dante Ferraz.

Moletom escuro, mochila jogada no ombro, fone pendurado no pescoço e cabelo bagunçado, como se tivesse acabado de sair de um ensaio fotográfico. Ele caminhava com o tipo de despreocupação que só alguém que sabe do próprio poder tem.

E então, por acaso ou destino, os olhos dele encontraram os de Maia.

Foi só um segundo. Um olhar. Mas carregado de algo que nem Dante conseguiu disfarçar.

Valentina, na mesa central, viu. Ela sempre percebia quando se tratava dele.

Sua mandíbula travou discretamente.

— É agora — disse Paola, cutucando-a. — Vai deixar barato?

Valentina sorriu, como quem saboreia veneno.

— Claro que não. Aliás... vamos chamar a novata para sentar com a gente. Educação, sabe?

Valentina se aproximou com o mesmo tom doce que usara no corredor.

— Maia, né? Vem sentar com a gente. É importante para você... entender como as coisas funcionam por aqui.

Lisa franziu a testa. Maia hesitou. Mas, antes que pudesse responder, Dante passou por trás da mesa delas.

E, sem parar ou desviar o olhar, ele soltou:

— Gostei do desenho no seu caderno.

Era o rascunho que Maia achava que ninguém tinha notado.

Ele continuou andando.

Valentina virou gelo por dentro.

Ele nunca elogiava ninguém. Muito menos garotas novas. Muito menos... daquela maneira.

E, naquele instante, ela tomou uma decisão:

Maia Norenzi não teria paz enquanto ela, Valentina Cortez, reinasse naquela escola...

--------------

Maia respirou fundo ao sair do refeitório, sentindo os olhares ainda grudados em suas costas. Manteve o passo firme, embora, por dentro, o coração batesse como um alarme descontrolado. Aquele momento com Valentina havia sido desconfortável, claro... mas o olhar dele?

Aquele maldito olhar cor de mel ainda queimava em sua memória.

Dante Ferraz. O nome que todas pareciam sussurrar como uma lenda. Como um aviso. Como um veneno.

Ela até poderia ter sentido algo — um frio na barriga, uma vibração estranha no ar —, mas não era burra. Conhecia o tipo. E, mesmo sem conhecê-lo, já sabia que ele era o tipo de problema que andava com as mãos nos bolsos e o ego nas alturas.

Lisa chamou por ela, tentando puxar conversa, mas Maia apenas sorriu de canto. Ainda estava digerindo tudo. Ainda sentia a tensão no ar. Sentia... ele observá-la.

Parou no fim do corredor e, antes de virar, lançou um último olhar na direção de Dante.

Ele estava lá, parado, olhando para ela como se fosse a primeira equação que não conseguia resolver. A primeira página que não conseguia virar.

Maia arqueou levemente a sobrancelha, os lábios formando um sorrisinho atrevido, quase imperceptível.

Boa sorte, Ferraz... vai precisar de bem mais do que esse rostinho bonito para chegar até mim.

E, com um virar de costas calculado, deixou o herdeiro rebelde com o orgulho abalado e a certeza de que, pela primeira vez... alguém não cairia tão fácil assim.

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