ログインLorenzo Bianchi
Há quase um mês, vivi um dos momentos mais intensos e avassaladores de toda a minha vida pregressa.
Não vou negar que sempre fui um pegador inveterado, mas, dessa vez, o caçador acabou sendo completamente pego.
O perfume marcante daquela dama misteriosa continuava ali, impregnado na minha pele e torturando a minha memória dia e noite.
Aquela maldita mulher fugiu de mim de forma calculada, antes que eu pudesse ao menos saber o seu nome ou ver o seu rosto.
— Pietro, conseguiu alguma informação relevante sobre a mulher do baile? — perguntei, virando-me abruptamente.
Encarei o meu chefe de segurança com o olhar gélido, sentindo a raiva e a frustração tensionarem cada músculo do meu pescoço.
A lembrança de entrar naquele banheiro e me deparar com a camisinha estourada ainda fazia meu sangue queimar de puro desespero.
Ao sair de lá, após perceber que o preservativo que usei enquanto transávamos havia rompido, a porra do quarto já estava vazia.
O pânico de que ela estivesse carregando um filho meu agora, sem nem saber disso, estava me deixando completamente ensandecido.
Aquela viúva misteriosa carregava o herdeiro dos Bianchi no ventre, e eu precisava encontrá-la a qualquer custo.
— Senhor Bianchi, o que conseguimos coletar até agora foram apenas os vídeos dela saindo do salão — Pietro respondeu, tenso.
O segurança engoliu em seco e gesticulou com as mãos, tentando conter o nervosismo diante do meu claro descontentamento.
— Ela passou pelas câmeras externas correndo, usando a sua máscara de dominó veneziano para cobrir o rosto — completou.
— Essa mulher não pode simplesmente ter sumido no ar como uma assombração, Pietro! — esbravejei, batendo com o punho na mesa.
O estrondo ecoou pela sala da diretoria da Valmont & Co., fazendo o homem dar um passo atrás, visivelmente acuado pela minha fúria.
— Deve existir alguma maneira de encontrá-la, e você vai revirar essa cidade até achar uma pista! — ordenei, apontando o dedo.
Comecei a andar de um lado para o outro pelo escritório amplo, tomado por um nervosismo latente e uma impaciência destrutiva.
Estava sufocado com a incompetência daquelas pessoas que contratamos a peso de ouro para nos garantir segurança máxima.
Como um bando de marmanjos experientes não conseguia descobrir como alguém entra e sai de um evento exclusivo sem sequer se identificar?
Aquela mulher havia invadido o meu espaço, roubado a minha sanidade e sumido com o meu sêmen dentro dela.
Apoiei as duas mãos na mesa de vidro, respirando de forma pesada enquanto o meu lobo interno clamava por caçar aquela intrusa.
— Acho que encontramos uma forma de descobrir a identidade dela, senhor — Pietro disse, tentando me dar um vislumbre de esperança.
O segurança deu um passo à frente, ajeitando a postura enquanto tentava suavizar a tensão que dominava a minha sala.
— Então busque essa informação da forma que for possível, homem! — ordenei, pois não havia outra coisa que eu quisesse mais que encontrar aquela “viúva negra”.
— Eu quero a porra do nome dessa mulher na minha mesa para ontem — completei, deixando minha voz soar baixa e ameaçadora.
— Ela deve ter recebido um convite oficial e usado para passar pela portaria principal — explicou ele, de forma rápida.
— Vamos direto até a organização do evento e faremos uma varredura para ver qual nome consta no convite que ela apresentou na entrada.
— E por que caralho vocês não fizeram isso antes? — esbravejei, cerrando os punhos enquanto sentia meu sangue ferver.
— Andem logo com isso e me tragam esse nome de uma vez por todas! — finalizei, apontando em direção à saída.
Meu chefe de segurança assentiu rapidamente com a cabeça e saiu praticamente correndo da minha sala, batendo a porta atrás de si.
O sumiço dele me deixou ainda mais ansioso, com o peito subindo e descendo de ansiedade, enquanto a dúvida continuava a martelar a minha sanidade.
Horas mais tarde, eu continuava trancado no escritório, analisando com irritação alguns gráficos das nossas últimas transações comerciais.
Foi quando a porta se abriu abruptamente e Pietro entrou na minha sala novamente, respirando de forma um pouco ofegante.
Dessa vez, ele trazia uma expressão visivelmente animada no rosto, o que me fez deduzir de imediato que ele tinha a resposta que eu tanto exigia.
— Aqui está, senhor — ele disse, esticando o braço para me entregar um envelope timbrado com a relação oficial de convidados do baile.
Arranquei o papel da mão dele com violência, rasgando o envelope sem qualquer delicadeza para puxar a folha que estava guardada ali dentro.
Havia um nome específico grifado em caneta escura na folha, identificando a mulher misteriosa que havia se entregado a mim na escuridão.
Arregalei os olhos ao focar nas letras, sentindo o ar sumir dos meus pulmões ao ler um nome que eu jamais, em toda a minha vida, imaginei encontrar ali.
— Não pode ser... — sussurrei, sentindo o chão sumir sob os meus pés enquanto o papel começava a tremer entre os meus dedos.
— Não pode ser a porra dessa mulher! Isso é impossível! — esbravejei para as paredes, sentindo uma onda de choque percorrer minha espinha.
— Há algo errado, senhor Bianchi? — Pietro perguntou de imediato, dando um passo à frente com uma expressão totalmente apreensiva.
Eu, que ingenuamente achava que descobrindo a identidade daquela intrusa sentiria um alívio imediato, fui atingido por uma frustração violenta.
— Antonella Russo... — murmurei para mim mesmo, a voz saindo como um rosnado preso na garganta ao ler o nome impresso naquela relação.
A mulher que meus pais estão tentando me obrigar a casar a qualquer custo era a mesma que eu havia fodido contra a parede.
Senti um nó apertar meu pescoço enquanto uma linha de raciocínio perigosa e sombria começava a tomar forma na minha mente.
Será que meus pais e os pais dela haviam armado aquele encontro no baile só para me prender de uma vez por todas?
E que tudo o que vivi naquele quarto foi tramado por eles e a Antonella para me obrigar a me aproximar dela?
Meus pais me conhecem e sabem que não recuso um desafio ou um belo rabo de saia me dando sopa. Devem ter dado informações sobre meus hábitos e gostos a ela.
Depois daquele maldito jantar fracassado na mansão dos Bianchi, fui sufocado por ligações diárias e visitas surpresas deles.
Eles insistiam de forma doentia, tentando me convencer a ceder ao casamento arranjado para que eu finalmente constituísse uma família e deixasse a vida de “mulherengo”, como me definem.
E agora? O que caralho eu deveria fazer diante dessa informação que mudava totalmente o rumo do jogo?
Se aquela vadia mimada fosse realmente a “viúva negra” daquela noite, existia uma chance enorme de ela estar grávida de um herdeiro meu.
Passei a mão pelos cabelos, puxando os fios com força enquanto sentia a raiva explodir no meu peito com aquela armadilha perfeita.
Será que ela sabia perfeitamente que era eu ali dentro daquele quarto escuro, entregando-se a mim de propósito?
Eu precisava descobrir o mais rápido possível se aquilo foi uma armação milimetricamente planejada ou apenas um maldito acaso do destino.
— Obrigado por conseguir essa informação, Pietro — murmurei, sentindo-me desconfortavelmente frustrado.
Apertei o papel grifado com o nome de Antonella entre os dedos, amassando as bordas com uma força desnecessária.
— De agora em diante, eu mesmo prossigo com isso. Se eu precisar de mais alguma coisa, te chamo — concluí, sem olhá-lo.
— Tudo bem, senhor... Estarei no setor de segurança se precisar — Pietro respondeu, curvando levemente a cabeça.
O homem se retirou a passos rápidos e eu fiquei ali, estático, apenas encarando aquela porta de madeira maciça se fechar.
Sentia como se cada estalo da fechadura fosse o som da minha própria vida se trancando em uma prisão sem saída.
De fato, eu não teria para onde fugir se a mimada da Antonella realmente estivesse carregando um filho meu no ventre.
Esse maldito casamento arranjado teria que acontecer por honra, e eu seria definitivamente o homem mais infeliz do mundo.
No final do dia, após passar horas tentando me concentrar em vão nos negócios e relatórios da Valmont & Co., juntei meus papéis.
Terminei o expediente com a cabeça fervendo e tomei uma decisão drástica: iria procurar Antonella Russo imediatamente para tirar aquela história a limpo.
Depois, confrontaria os meus pais. Se eles estiverem envolvidos nisso nossa relação — já conturbada — será quase impossível.
Caminhei até a linha de intercomunicação da minha mesa e apertei o botão com o indicador, a mandíbula travada de nervoso.
— Marcella, consiga o número do celular pessoal da Antonella Russo. Urgente — ordenei à minha assistente, sem dar espaço para questionamentos.
Se era para resolver esse inferno e descobrir se caí em uma armadilha, que fosse feito o mais rápido possível.
Cerca de dez minutos depois, a secretária me entregou o cartão com o número da mulher que poderia mudar drasticamente o rumo da minha vida.
Disquei os dígitos no meu aparelho e levei o celular ao ouvido, andando de um lado para o outro enquanto esperava chamar.
— Antonella? É o Lorenzo Bianchi. Como vai? — disparei assim que a linha completou, mantendo o tom de voz deliberadamente firme.
— Lorenzo! Que surpresa! — a voz dela ecoou do outro lado, aguda e com uma afetação que me causou um arrepio incômodo.
Percebi pelo tom vacilante que ela realmente não esperava a minha ligação após o show que dei no jantar da mansão.
— Que bom que você me ligou, de verdade... — ela continuou, tentando soar descontraída e simpática.
— Pensei em te chamar para jantar hoje à noite. O que acha? — sugeri, embora estivesse completamente contrariado com aquela encenação.
Apoiei a mão livre na cintura, engolindo o orgulho por saber que aquele encontro forçado era um mal estritamente necessário.
— Hoje? Mas... está tão em cima da hora, Lorenzo. São quase dezoito horas — ela ponderou, a hesitação nítida na voz.
Pude imaginar perfeitamente a frustração dela do outro lado da linha por não ter tempo de agendar salão, cabelo, unha e maquiagem.
Aquelas futilidades típicas de mulheres da alta sociedade que só serviam para me fazer perder a paciência.
— Nós precisamos conversar seriamente e eu não queria esperar mais nenhum dia — demonstrei minha impaciência, deixando a voz soar ríspida.
— Tudo bem... Que horas você vem me pegar? — ela cedeu, capturando o tom de urgência ou a minha pouca vontade disfarçada.
— Ainda tenho algumas pendências aqui na empresa para resolver, mas vou pedir ao meu motorista particular para te buscar às vinte e uma horas. Pode ser?
— Claro! Perfeito. Estarei prontíssima às vinte e uma horas — ela respondeu, o entusiasmo agora evidente pelo que achava ser um encontro romântico.
— Então nos vemos logo mais — desliguei o aparelho sem esperar por despedidas longas e o joguei com força sobre a mesa de vidro.
Voltei a me perder em minhas próprias conjecturas sombrias, sentindo o peito oprimido pela raiva latente.
O que seria de mim se aquela garota fútil estivesse mesmo grávida e eu fosse obrigado a me amarrar a ela para sempre?
A vida e o destino não podiam ser tão sacanas a ponto de fazer uma porra dessas comigo.
Lorenzo Bianchi Estar ao lado de Diana em seu tenso retorno a Turim serviu para colocar cada pingo nos 'is' e trazer um alívio definitivo para o coração dela. Depois de tudo o que ouvi do falecido Andrew, compreendi perfeitamente como aquela gente ignorou seus sentimentos, exigindo uma submissão impossível. Sei que a minha postura firme e implacável garantiu a blindagem que ela precisava para encarar a venenosa da Selena e ajustar contas com a mãe. — Ainda bem que chegamos em casa, meu amor... — ela suspira profundamente, deixando escapar um ar de exaustão ao cruzar a porta da nossa cobertura em Florença. — Foi muito bom ter voltado e cortado as amarras de vez, resolvendo todas as pontas soltas com a minha família — completa, desabotoando o casaco. — Eu fico imensamente feliz por você, e estarei sempre pronto para proteger a minha mulher contra qualquer ameaça — declaro com voz grave e cheia de posse. Diana se acomoda com cuidado no sofá de veludo escuro, e eu tiro os meus sapa
Diana Cross A conversa sincera com a minha mãe trouxe um alívio profundo para o meu coração, mostrando que ir ao velório foi muito mais do que uma simples despedida. Representou o verdadeiro acerto de contas com o passado e a limpeza de terreno que eu tanto precisava para seguir em frente. — Como foi a conversa com a sua mãe, morena? — Lorenzo pergunta assim que me aproximo dele após o término da nossa DR familiar. — Conseguiram se entender de verdade? — ele indaga com aquele olhar intenso e atento a cada mudança na minha expressão. Sento-me com cuidado em uma poltrona estofada, e ele logo se acomoda ao meu lado, equilibrando um pequeno prato com petiscos finos da recepção. — Ela me pediu perdão, Lorenzo... Disse que estava apoiando a Selena por pura pena e pelo carinho antigo, mas que finalmente abriu os olhos — explico. — Minha mãe percebeu o tamanho da inveja que a Selena guarda de mim e se cansou de passar pano para as atitudes maldosas dela — comento, pegando um salgadinh
Selena De Luca Eu aqui, revirando-me em dias de angústia por ter destruído o casamento da Diana e do Andy, chegando a trair até o pai biológico do meu próprio filho para salvar a pele daquela dondoca metida. E, mesmo depois de tudo, ela ainda tem a audácia de colocar toda a família contra mim e recusar-se a me dar o perdão. — Filho, vem com a mamãe aqui no sofá, preciso te contar uma coisa — chamo o pequeno Sean, que brinca sentado sobre o tapete fofo, concentrado em pintar desenhos com seus giz de cera. — Olha o meu desenho, mamma! Está ficando legal? — ele pergunta com inocência, exibindo uma folha onde rabiscou figuras parecidas com um homem, uma mulher e uma criança em um jardim. Um nó doloroso aperta minha garganta. Como vou conseguir explicar a ele que o homem a quem chamava de pai agora está morto? E como direi, quando ele crescer, que o seu verdadeiro pai biológico apodrece em uma cela de segurança máxima? Essa sonsa da Diana, mesmo depois de passar por todo o escândalo
Diana Cross Após esse confronto com Selena na casa dos meus pais, percebi a defesa ferrenha e cega da minha mãe em mantê-la por perto. Essa atitude me fez aceitar de vez que, se a minha mãe escolher esse caminho, ela mesma se manterá distante de mim e dos meus filhos. Deixei claro que quero sua presença, mas com uma condição inegociável: a ausência total da Selena e de sua toxicidade manipuladora. Não se trata de falta de perdão, mas de autopreservação diante da inveja e da maldade que agora estão escancaradas para quem quiser ver. — Quero que saibam que as portas da minha casa estarão sempre abertas para vocês e para os meus netos — meu pai responde a Lorenzo. Ele reafirma sua posição, ignorando o clima pesado que tomou conta da sala de estar após a nossa recusa em nos hospedarmos ali. — Logo a Selena vai ter que seguir a vida dela e criar o filho com dignidade, mas longe daqui e sem a mordomia de antes — acrescenta meu pai. — Cesare, não seja tão cruel! Quero manter contato
Diana Cross A presença sombria da Selena naquele hall mudou instantaneamente todo o ambiente da casa, envenenando o ar. — Eu acho melhor você calar essa boca, Selena! Não tem moral nenhuma para criticar ou julgar a minha filha! — meu pai se posiciona em minha defesa. No entanto, vejo minha mãe se mover rapidamente para o lado de Selena, evolvendo-lhe os ombros para acolhê-la protetoramente. Essa atitude de Lavínia me traz uma imensa sensação de traição, vinda da mesma mulher que até poucos minutos chorava ao me abraçar. — Calma, querido! A Selena está em luto profundo pelo marido que acabou de perder... — minha mãe intervém, justificando o veneno da outra. — Isso não dá a ela o direito de ofender a minha mulher — a voz grave e fria de Lorenzo ecoa pela sala, fazendo a todos estremecer. — Eu não trouxe a Diana até Turim para ser maltratada por absolutamente ninguém, muito menos por você, senhora De Luca — ele completa com perigo velado. — Senhor Bianchi, a Selena está com as em
Diana Cross Me arrumei o mais rápido possível enquanto Lorenzo organizava a viagem em seu jatinho particular. Não posso dizer que estava completamente abalada, mas tampouco fiquei indiferente à morte repentina do Andrew. Compartilhamos uma parte significativa das nossas vidas e a minha família o tratava como a um filho legítimo, assim como faziam com Selena. Esse foi um dos fatores agravantes que tornou completamente insustentável a minha permanência em Turim. Todos exigiam que eu os perdoasse e ignorasse a traição vil sob a justificativa de sermos uma "família", para continuarmos no mesmo círculo social. Isso jamais seria possível na minha vida. — O avião estará pronto para decolar em duas horas — Lorenzo avisa ao entrar na suíte, carregando uma imponência devastadora. Ele veste um terno sob medida em tom cinza-chumbo, sem gravata, deixando os primeiros botões da camisa alinhada abertos. Sua presença exala o poder e o luxo de um verdadeiro Bianchi, combinando uma elegância i







