تسجيل الدخولLorenzo Bianchi Quatro meses se passaram desde a nossa união à beira do Mediterrâneo, e hoje a nossa rotina na mansão do litoral é ditada pela paz que tanto conquistamos e, principalmente, pela barriga enorme que carrega o ápice do nosso amor. A família italiana inteira acabou fincando raízes por perto, transformando a costa em um refúgio seguro onde os fantasmas do passado finalmente perderam a força, permitindo-nos respirar sem o peso constante de ameaças. A madrugada já avançava silenciosa quando senti Diana se mexer bruscamente ao meu lado na cama, soltando um gemido abafado enquanto apertava os lençóis com força. — Lorenzo... Acorda. Acho que chegou a hora — a voz dela soou trêmula, misturando o pânico inegável com a euforia de quem esperou por este momento a vida inteira. Em frações de segundo, todo o meu instinto protetor acionou em alerta máximo, fazendo-me saltar da cama com o coração disparado contra as costelas. — Calma, meu amor, respira fundo... Eu estou aqui, vai d
Diana Cross No quarto espaçoso da mansão em Castiglioncello, o clima é de pura comoção e expectativa enquanto os preparativos finais para a cerimônia acontecem. Diante do grande espelho, encaro o meu próprio reflexo vestindo a obra-prima de renda francesa que desenha perfeitamente a minha silhueta com uma sofisticação inconfundível. Minha mãe, Lavinia, aproxima-se com os olhos marejados e as mãos trêmulas, ajeitando com todo o carinho o véu delicado sobre os meus ombros. — Minha filha... ver você radiante assim, tendo essa segunda oportunidade de ser feliz e reconstruir sua vida após aquele divórcio doloroso com o Andrew, é uma vitória que não cabe no meu peito — ela sussurra com a voz embargada, beijando o meu rosto. — Eu nunca imaginei que viveria um momento tão emocionante e experimentaria de tanta felicidade, mamãe. O Cé foi muito generoso comigo — respondo, tentando controlar as lágrimas para não borra a maquiagem. Ali conosco, Marcela e Carmela observam a cena com sorrisos
Enzo Bianchi O motor ronca suavemente enquanto guio o carro pela longa alameda arborizada que dá acesso à mansão principal, tendo a Marcela ao meu lado no banco do passageiro. Atrás de nós, no banco traseiro, o meu pai viaja acompanhado de Sofia, uma mulher elegante e culta que ele conheceu casualmente dias atrás em uma livraria de shopping em Florença. Eles vêm conversando em tons baixos e descontraídos, trocando sorrisos cúmplices que evidenciam o quanto a companhia um do outro tem feito bem ao meu pai ultimamente. Assim que estacionamos na entrada da mansão, desligo a ignição e descemos do veículo, prontos para nos juntarmos aos preparativos finais para o casamento do Lorenzo. Vejo o momento em que o meu pai abre a porta para Sofia descer, estendendo-lhe a mão com aquela cortesia clássica e protetora que parecia adormecida há tantos anos nele. Nesse instante, a porta principal da casa se abre e a minha mãe e a Carmela surgerem no hall, paralisando os passos ao verem o meu pai
Diana Cross Uma semana se passou desde o episódio tenso em que o desgraçado do Lucca Marone foi finalmente capturado e levado para a prisão. O meu irmão Leonardo está se recuperando surpreendentemente bem da cirurgia e conta com a atenção constante da namorada e da nossa mãe, que o mimam o tempo todo. Estamos todos reunidos na ampla sala da mansão, ajeitando os últimos detalhes e preparativos para o meu casamento, quando o meu irmão pigarreia e pede silêncio, exigindo a nossa atenção. — Precisamos da atenção de todos vocês por um minuto... — ele insiste, sorrindo diante da nossa euforia coletiva para saber o que ele tem a nos dizer. — Espera aí, Leo, não fala ainda! Deixa eu ligar a chamada de vídeo para o papai e o Enzo participarem também — Carmela dispara, correndo para buscar o notebook. Ela o posiciona rapidamente sobre a mesa de centro, e logo os rostos de Giovanni e do meu cunhado Enzo preenchem a tela em alta definição. — Olá, papai... Oi, Enzo! Nós temos uma grande nov
Carmela Bianchi Termino de acomodar minha mãe sob os cobertores macios da cama, ajeitando os travesseiros com cuidado quando percebo a silhueta do meu pai parado na porta do quarto, observando-nos em completo silêncio. — Papai, ... Eu a trouxe para cá porque simplesmente não tínhamos outro quarto disponível para ela ficar — digo sentindo um aperto sufocante no peito por saber que acabei invadindo o espaço dele. — Como vocês puderam cogitar a ideia de que eu aceitaria conviver sob o mesmo teto com essa mulher depois de tudo o que ela me fez passar? — percebo a mágoa profunda e cortante ecoando em sua voz dura. — Pai, ela foi abusada de forma cruel... Ela precisa de nós agora — tento argumentar, com os olhos marejados de lágrimas. — Eu sinto muito por ela, Carmela. Juro que sinto... Ela certamente não precisava ter passado por essa barbárie, mas eu também não tenho a obrigação de rasgar as minhas feridas antigas todas as vezes que olhar para o rosto dela. — Já sou um homem velho e
Diana Cross Assim que o sol despontou no horizonte, deixei a minha mãe terminando de organizar o café e, antes que o Leonardo despertasse, fui até a mansão do Giovanni em busca de notícias sobre a Carmela. Meus pais estavam hospedados por lá, mas devido à tensão da noite anterior, mamãe preferiu dormir aqui, restando apenas o papai para fazer companhia a Giovanni, que estava bastante tenso com toda aquela confusão. — Bom dia, Lina! Todos ainda estão dormindo? — pergunto assim que piso na cozinha e a encontro concentrada nos preparativos do café. — O senhor Giovanni e o seu pai já acordaram bem cedo e foram caminhar na orla — Lina responde, estendendo-me uma xícara fumegante de café com creme. — A senhorita Carmela precisou ser medicada para conseguir dormir e deve despertar mais tarde, mas a Pilar já deve aparecer por aqui daqui a pouco. — Desde que o Lorenzo partiu eu não consegui dormir direito e decidi vir até aqui saber como as coisas estavam. Ele me ligou avisando que resol







