LOGINLeonardo Cross Cheguei a Milão ainda no final da tarde, seguindo direto para o hotel onde havia feito a reserva antecipada. Decidi não ligar ou mandar mais nenhuma mensagem para Carmela, preferindo apostar no bom e velho elemento surpresa. Após passar pelo check-in rápido na recepção, subi até a suíte reservada para descansar o corpo tenso até o horário do desfile. O quarto é espaçoso e confortável, mas prefiro me acomodar em uma espreguiçadeira na varanda, navegando pelas redes sociais do evento. Descobri que ela é incrivelmente talentosa, conquistando imensa relevância no mundo da moda com seu estilo arrojado, sofisticado e autêntico. — Você realmente é uma caixinha de surpresas, Carmela... — murmuro sozinho, fitando fixamente as postagens e fotos dela na tela. Em várias imagens promocionais, noto a presença de uma figura expressiva e espalhafatosa que logo identifico como o tal Dhin. Carmela aparece sempre radiantemente sorridente nas fotos, deixando evidente o amor profund
Leonardo Cross Ver a minha irmã Diana assim, com os olhos brilhando de felicidade, é algo que aperta e aquece o meu peito ao mesmo tempo. Depois de tudo o que ela passou na vida, é mais do que justo que viva este momento de puro êxtase e paz. As peças do quebra-cabeça estão finalmente se organizando em nossas vidas, e a nossa relação familiar vai se reconstruindo com novos limites. Diana está refazendo o seu caminho, mas percebo que, por mais que eu seja o irmão mais velho, continuo totalmente perdido no amor. O meu campo emocional sempre foi uma verdadeira incógnita, um território árido onde nunca soube muito bem como caminhar ou plantar raízes. Será que eu realmente não fui feito para relacionamentos duradouros e apego? Agora que tenho o contato de Carmela e sei exatamente onde ela está em Milão, sigo o impulso incontrolável do meu coração e do meu corpo. A grande dúvida que me consome por dentro é se ela ainda vai me querer por perto ou se vai me expulsar de sua vida. — Ma
Diana Cross Os preparativos para o casamento estavam a todo vapor, e eu sentia minhas pernas pesadas de tanto caminhar ao lado de Beatriz resolvendo cada detalhe. — Olá, meninas! Pelo jeito o dia de vocês foi daqueles intensos, hein? — Lorenzo chega do trabalho, abrindo um sorriso caloroso e me abraçando forte. — Olá, senhor Bianchi. Estamos aqui desde cedo sem ver a cor do descanso — Beatriz o cumprimenta, ajeitando as pranchetas de decoração. — Olá, meu amor! Chegou mais cedo hoje, aconteceu alguma coisa? — pergunto, beijando seu rosto e sentindo a aspereza charmosa da barba rala. — O que vocês já conseguiram adiantar de tanto trabalho? — ele pergunta, abaixando-se para beliscar alguns quitutes espalhados na mesinha de centro. — Já fechamos quase tudo, mas preciso ir logo a Castiglioncello para bater o martelo no local da cerimônia — explico, respirando fundo. — Estou pensando em pedir ao Leonardo para verificar uma quelas mansões exclusivas cujos proprietários ele conhece —
Lorenzo Bianchi Decidi ir até o apartamento do meu pai para visitá-lo e saber como ele está após a nossa recente reaproximação. Desde a noite do jantar em que formalizei o meu pedido de casamento a Diana, acabamos nos distanciando na rotina corrida das minhas funções profissionais e agora noivo e futuro pai. — Olá, papai! Como o senhor está? — cumprimento-o com um sorriso caloroso assim que ele abre a porta do apartamento para me receber. — Oi, meu filho! Que alegria te ver por aqui. Entra, acabei de passar um café fresquinho, vamos tomar juntos — ele me abraça apertado. Fecho a porta atrás de mim e sigo com ele para a cozinha compacta e aconchegante, sentindo o aroma forte do café invadir o ambiente. — Como estão a Diana e os meus netos? — ele pergunta com carinho, caminhando até a bancada para pegar duas xícaras de porcelana. — Ela está ótima e mandou um abraço especial para o senhor. Ontem soubemos o sexo dos bebês na ultrassonografia — abro um sorriso bobo. — O senhor vai
Marcela Salazar Eu não aguentava mais viver nesse inferno em que o meu próprio pai me colocou de forma tão fria e calculista. Como Antônio Salazar foi capaz de me vender como se eu fosse um mero objeto em troca de dívidas e promessas vazias? Eu saí de Vilafranca del Cardener, na Espanha, para estudar e trabalhar duro, enviando cada centavo para ajudar a minha mãe Josefa e a minha irmã caçula, Pilar. Tudo o que eu queria era dar orgulho à nossa gente na Catalunha, mas fui tragada pela ganância cega do meu pai por suas terras de plantação de frutas. Agora estou aqui, trancada neste apartamento de luxo em Florença, submetida às humilhações constantes de um homem que eu sequer conhecia. Rafael Tomazo me comprou como pagamento pelos empréstimos que financiou nas terras da minha família, arrancando de mim qualquer resquício de liberdade. — Você não precisa ficar com essa carinha fechada, querida... — Rafael sussurra com um tom cínico, rastejando-se para perto de mim na cama. Isso ac
Leonardo Cross Eu retornei para Castiglioncello no mesmo dia em que a minha irmã Diana também decidiu deixar Turim para trás e as lembranças ruins de tudo o que aconteceu. De alguma maneira estranha, após o sepultamento de Andrew e de testemunhar a reconciliação emocionante entre a Dy e a nossa mãe, uma paz súbita me invadiu. Tive a nítida sensação de que naquele momento nós encerramos de vez um ciclo tempestuoso e repleto de sombras do nosso passado. Éramos quatro amigos inseparáveis, quase irmãos, que construíram planos grandiosos, mas viram tudo ruir por causa de escolhas egoístas e venenosas. O pobre Andrew se foi consumido pela própria culpa; Diana encontrou um homem de verdade que a valoriza e está realizando o sonho de ser mãe... Enquanto isso, a imprestável da Selena terá que arcar com o preço de suas artimanhas, e eu... eu me sinto inexplicavelmente solitário. É como se, de repente, eu percebesse que há um enorme vazio em minha rotina, um espaço que implora desesperada







