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Capítulo 4

last update Data de publicação: 2025-04-08 02:20:16

DIANA

As minhas costas doem quando chego à prisão de segurança máxima onde trancam as criaturas noturnas.

Não dormi nada porque Dimitri me bateu tanto que fiquei coberta de sangue no chão e, além disso, chorei o tempo todo porque doía muito. Como resultado, o sol apareceu comigo deitado no chão do meu quarto porque eu não queria sujar os meus lençóis com sangue, por que então eu teria que lavá-los e eu me recuso a fazer isso porque então me sentiria pior.

Eu bufo e engulo dois analgésicos porque, se não fizer isso, não vou conseguir fazer o meu trabalho direito.

—  Você está péssima, Diana. Demetria me diz ao entrar no posto de enfermagem com uma bandeja contendo o seu café da manhã.

— Tive uma noite terrível. Fecho o armário de remédios e ajusto o meu boné na cabeça, pois ele está um pouco frouxo. — Mas você parece magnifica. Aconteceu alguma coisa?

As bochechas da minha companheira de trabalho, que é um ano mais velho que eu, ficam vermelhas com a minha pergunta. Ele deixa a bandeja cair sobre a mesa, encostando as costas na parede, e solta um grande suspiro.

—  Fiz sexo com meu preso favorito. Ela confessa num sussurro, fazendo os meus olhos se arregalarem de horror.

— Com o R-V4mp1r0?!

"R-V4mp1r0" é o número que deram ao preso da cela cinquenta, já que ele é um indivíduo de alto risco que costuma ser hostil com qualquer um que se aproxima dele, então não entendo como Demetria teve relações com ele se uma vez tentei me aproximar e ele me empurrou para o chão.

Ser enfermeira não é fácil, principalmente quando você tem que abordar criaturas três vezes maiores que você e, às vezes, três vezes mais fortes, quando os medicamentos para diminuir a sua energia falham.

— Sim, com ele. Ela diz sonhadoramente, sentando-se em sua cadeira giratória. — Eu estava dando a ele sua dose habitual quando ele se jogou em mim com um beijo furioso que automaticamente fez as minhas perninhas se abrirem.

— E você deixou?!

— Obviamente. Ela sorri e leva uma colherada de aveia à boca. — Sou uma mulher com necessidades carnais que sempre se sentiu atraída por aquele preso e não pretendia desperdiçar a oportunidade.

— Mas não temos permissão para fazer esse tipo de coisa com eles, Demi…

A minha colega de trabalho, que considero uma boa amiga, assim como Adeline, deu de ombros enquanto mordia o lábio inferior de brincadeira, o que me deixou ainda mais chocada, porque não entendo como ela pôde fazer algo assim com um criminoso de alto risco.

Todos os sujeitos que entram na prisão das criaturas noturnas são pessoas que aterrorizam a humanidade há anos. Eles cometeram crimes horríveis e é por isso que foram trazidos para cá depois de serem capturados. Ou pelo menos é o que diz o Conselho.

Cada enfermeira é designada para um detento específico, enquanto Demetria está com R-V4mp1r0, eu estou com R-10B0 e posso dizer que ele é meu favorito.

— Às vezes é preciso quebrar as regras para ser um pouco feliz, Diana. Ela pisca os cílios. — Posso contar com a sua discrição?

—  Sabe de uma coisa? Digo imediatamente, vendo como ela aplaude mais do que feliz. — Só prometa tomar a pílula anti-EdE porque seria catastrófico se acontecessem acidentes que pudessem acabar com a sua vida.

É bem sabido que se um humano engravidar de uma criatura noturna, o feto pode acabar com sua vida, já que nosso DNA não é compatível. É por isso que a pílula Anti-EdE foi inventada, que basicamente significa "Anti-Gravidez de Emergência". Claro que, se ela pretende ter relações sexuais frequentes, ela deve começar a tomar pílulas AC, que são anticoncepcionais, já que a anterior só pode ser tomada uma vez ao ano devido à sua forte composição.

— Eu tomei. Ela confirma, me fazendo respirar normalmente. — Mas amanhã vou precisar que você me injete o composto da pílula AC porque obviamente quero repetir. Na verdade, ele disse que não tinha problema em fazermos sexo todos os dias.

Se a confissão anterior dela me chocou, essa me chocou ainda mais, pois não quero que ela seja pega, pois podem até matá-la, pois seria considerado traição.

— Cuidado, Demi. Sento-me na frente dela para olhar diretamente em seus olhos castanhos. — Certifique-se de trancar sua cela e tente não fazer barulho, porque se a equipe descobrir, eles podem denunciá-la ao Sr. Mitchell.

Meu padrasto é diretor da prisão e ele é um cara muito inflexível. Se ele perceber que você está fazendo algo errado, ele não hesitará em expulsá-la. Um ano atrás, um médico foi encontrado tendo relações sexuais com uma prisioneira Fae e foi enviado para a sala de execução, onde a sua cabeça foi cortada, um ato cruel que, claro, nos forçaram a assistir para nos assustar.

Essa execução foi gravada e todo fim de semana eles nos mostram para implantar o chip do medo em nós, porque eles não querem que algo assim aconteça novamente, pois seria catastrófico para a sociedade.

Embora eu realmente não entenda como isso os afetou, já que a prisioneira Fae foi interrogada e ela confessou que o ato com o Dr. Carter foi consensual, que ambos se amavam e é por isso que fizeram o que fizeram.

Claro, nem Dimitri nem o Conselho se importaram, então ela também foi executada algum tempo depois, e o vídeo foi mostrado aos outros presos, pois foi usado para torturá-los psicologicamente.

‍​‌‌​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​‌‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌‌​​​‌‌‌‍Eu não aprovo nem apoio esses métodos, e só a Mãe Lua sabe o quanto eu gostaria de escapar daqui, mas por enquanto estou presa.

—  Vou tomar minhas precauções. Ela pega minha mão para apertar. —  Então não se preocupe, amiga. Melhor me dizer, quando você vai denunciar Dimitri?

O arrepio que percorre a minha espinha me faz afastar minha mão da dela e me levantar da cadeira, mas o movimento repentino me faz gemer porque as minhas costas doem muito. Embora, para ser sincera, também sinta um pouco de dor nas costelas.

— Eu não consigo fazer isso. Demetria sabe da violência que sofro nas mãos do meu padrasto e muitas vezes tentou ir à polícia para denunciá-lo, mas eu sempre a impedi porque não quero que ela perca a vida por minha causa. — Eu sei como lidar com isso, Demi, e só preciso aguentar um pouco mais antes de sair daquela casa e ir para longe do país.

Estou planejando minha fuga desde os dezoito anos. O plano só fica mais forte com o passar dos meses, então é impossível que haja falhas.

Pretendo ir para o outro lado do Cosmos e levar Oliver comigo antes do final de setembro. Economizei muito dinheiro, também fiz as malas para nós dois e é questão de dias até que eu execute meu plano.

— Estou muito preocupada com a sua situação, Diana. Os olhos da minha amiga se enchem de desamparo. — Eu gostaria de ir agora mesmo e cortar a garganta daquele bastardo.

— Mas é impossível porque você sabe que ele tem muitos guarda-costas cuidando dele.

Até em casa há homens escondidos nas sombras vigiando meu padrasto, porque como chefe do clã mais poderoso de caçadores ele tem muitos inimigos que o querem morto, inclusive eu.

— E se você vier morar comigo? Ele propõe o que eu nego.

— Dimitri nunca me deixaria sair de casa.

É por isso que quando eu sair, farei isso clandestinamente, porque essa é a única maneira de garantir minha vida.

— No dia em que você conseguir se livrar desse demônio, vou comemorar em grande estilo, com vinho e junk food. Ela me promete, me fazendo rir um pouco. — Você merece ser feliz e não sofrer abuso.

— Concordo.

Converso com ela um pouco mais sobre assuntos menos delicados antes de sair para o trabalho. Hoje tenho que tirar sangue do meu preso favorito, cujo nome é desconhecido porque eles não têm o direito de ter um aqui. Isso me parece uma violação completa dos direitos das Criaturas Noturnas, mas não há nada que eu possa fazer a respeito. Tenho pensado em investigá-lo, mas tenho medo de ser pega no prédio administrativo tentando ler os seus registros.

Caminho pelo longo corredor iluminado por lâmpadas brancas que fazem tudo parecer muito claro. As portas pretas pelas quais passo só fazem o meu peito inchar porque há muitas criaturas presas pelos crimes que cometeram. Sei que são indivíduos de alto risco, mas o que nos obrigam a fazer com eles é desumano. Além disso, não sei se elas são ruins, porque não ouvi nada sobre elas. Às vezes até penso que são mentiras criadas pelo meu padrasto com a desculpa de levar a cabo as suas más práticas.

Chego à porta que me foi designada, que também é preta e tem uma pequena fresta que me permite ver o interior. Abro para ver a condição do prisioneiro, e o que vejo me cativa porque o homem acorrentado está de pé, olhando para uma pintura que reflete uma floresta e a lua cheia. É a única coisa que eles permitem que os internos tenham, uma imagem que os lembre de sua natureza, já que isso é uma espécie de tortura psicológica, pelo menos foi o que me disse o Médico Psicológico que examina todos semanalmente. Na verdade, esse cara nos dá as doses que devemos dar aos presos para acalmá-los caso fiquem agressivos.

Respiro fundo e exalo antes de pegar as chaves para abrir a porta. O pequeno rangido faz os pelos dos meus braços se arrepiarem enquanto meu prisioneiro favorito rapidamente se vira para me olhar com seus perturbadores olhos verdes que me lembram Oliver, só que os dele são opacos e sem vida.

Ela está usando uma camiseta branca larga que esconde seu corpo, o que eu nunca vi pessoalmente porque não podemos despi-los, já que todos os procedimentos que uma enfermeira como eu realiza envolvem apenas o uso de seus braços ou pescoço. Em seu membro inferior ele usa calças pretas também largas e está descalço.

— Estou aqui para tirar seu sangue porque vão fazer alguns exames em você. Digo ao homem enorme que deve ter mais de dois metros de altura. Sua altura me intimida, mas meu consolo é que ele nunca foi agressivo comigo. — Você pode se sentar, por favor?

Ele me obedece e caminha relutantemente até a cama de pedra onde dorme, já que eles também não têm colchão.

Aproximo meu kit especial de primeiros socorros, de onde tiro o torniquete, a agulha e os pequenos tubos. Amarro o primeiro no braço direito dele, que é de onde sempre tiro sangue, pois é mais fácil sentir a veia dele. Preparo a agulha sob seu olhar atento antes de falar novamente.

— Você sentirá uma leve picada. O meu rosto esquenta com a proximidade que tenho dele, já que tenho melhor acesso ao seu rosto bonito e másculo, que tem um maxilar forte coberto por uma espessa barba preta. — Mas a dor será breve.

Como esperado, ele não me responde, apenas me olha com seus intensos olhos verdes, que tenho que parar de admirar para poder colocar a agulha corretamente. A transferência do seu sangue para a seringa e depois para o tubo é rápida e em questão de um minuto eu enchi o que preciso. Retiro o torniquete enquanto aplico um algodão embebido em álcool para aplicar pressão.

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