MasukAo ficar frente a frente com Darius, Myson começou a falar.— Obrigado por ter vindo. Eu preciso falar com você. É urgente e importante.— O que seria de tão urgente a ponto de você arriscar sua vida vindo até o covil dos lobos? — Darius perguntou.— Luna pode estar correndo perigo — Myson falou, sem rodeios.Ao ouvir aquilo, Darius sentiu seu coração gelar só de ouvir o nome de Luna. Mas precisava ter certeza de que o que aquele homem estava dizendo era verdade.— E por que eu deveria acreditar em você? Se ela está em perigo, por que então simplesmente não a levou embora naquele dia em que se declarou para ela na varanda?Myson ficou confuso.Como ele soube? — perguntou-se.— Eu ouvi vocês naquele dia — Darius falou.— Então era você! Mas isso não importa. Não é de mim que ela gosta. Eu vi nos olhos dela — Myson respondeu.— Depois que você foi embora, ela veio ao meu encontro — Darius assumiu.Myson sentiu seu corpo enrijecer ao ser tomado pelo ciúme. Mas percebeu que não precisava
Airon permaneceu em silêncio por alguns instantes, diante da pergunta de Manassés. Então, voltou-se para o ancião. — Precisei retirá-lo do Conselho quando percebi que Luna poderia representar um perigo iminente. Manassés franziu a testa. — Eliezer? — Sim. — Airon respondeu, sem hesitar. — Preferi excluí-lo definitivamente antes que sua ligação com aquela garota pudesse comprometer as decisões do Conselho. Chênica apoiou os dedos sobre a mesa. — Você acredita que Eliezer esconderia informações sobre ela? — Acredito que ele já escondeu coisas demais ao longo dos anos. Manassés permaneceu pensativo por alguns segundos. — E você não considerou necessário avisá-lo? Airon ergueu o queixo. — Não havia necessidade de convocá-lo para uma decisão que precisava ser tomada com cautela. Chênica trocou um breve olhar com Manassés. — Se Luna realmente representa um perigo, compreendo sua preocupação. — Todos nós compreendemos — acrescentou Manassés, após alguns instantes
Airon se levantou e caminhou lentamente até Chênica.— Quero que use seus poderes — disse ele. — Preciso que descubra mais sobre Luna. Sobre sua natureza, sua origem... e sobre o bebê que ela espera.Chênica ergueu o olhar para ele.— Você sabe que não é tão simples assim.— Você é a bruxa mais poderosa deste Conselho. Se alguém pode descobrir o que aquela garota esconde, é você.A bruxa permaneceu em silêncio por alguns instantes.Então, apoiou as mãos sobre a mesa.— Eu já tentei.Airon estreitou os olhos.— E?— Sempre que tento me aproximar dos pensamentos de Luna, é como se uma barreira me impedisse de ir além. Consigo sentir sua presença, sua energia... mas, quando tento aprofundar a conexão, alguma coisa me bloqueia.— Uma barreira criada por quem?— Não sei.Airon ficou imóvel.Chênica continuou:— E há algo ainda mais estranho. Quando tento alcançar a criança, encontro a mesma resistência. É como se o bebê também estivesse protegido por essa barreira.Manassés ergueu lentamen
Aquelas palavras atingiram Myson como um golpe.Por alguns segundos, ele não conseguiu responder.A imagem de Luna surgiu em sua mente. Seu rosto, seus olhos, a maneira como ela havia ficado depois de ouvir sua confissão.Ele não podia permitir que aquilo acontecesse.Mas também não podia entregá-la.— Eu não vou fazer isso — disse, por fim, com a voz firme.Airon estreitou os olhos.— Pense nas consequências.— Já pensei.Myson deu um passo para trás.— E, mesmo assim, minha resposta continua sendo não.Sem esperar por outra palavra, virou-se e saiu dos aposentos.Atravessou os corredores do palácio transtornado, sem olhar para os lados. Seus passos ecoavam pela construção, enquanto sua mente era tomada por pensamentos que pareciam não ter fim.Ao chegar ao próprio aposento, fechou a porta e permaneceu imóvel por alguns segundos.Então caminhou até a cama e se jogou sobre ela.Passou as mãos pelo rosto.Não sabia o que fazer.Se levasse Luna até Airon, poderia estar condenando-a.Se
Myson deixou a mansão de Luna sem olhar para trás.Ou, pelo menos, tentou.A cada passo que o afastava daquela casa, a imagem dela permanecia mais viva em sua mente: o brilho dos seus olhos, a surpresa ao ouvir sua confissão e a maneira como ela o observava, como se tentasse compreender quando aquela amizade havia se transformado em algo diferente.Finalmente, havia confessado que estava apaixonado por ela.E, embora uma parte dele sentisse alívio por não precisar mais esconder completamente o que carregava no peito, outra parte estava tomada por uma inquietação que nem mesmo sua natureza vampírica conseguia silenciar.Myson jamais imaginara que pudesse nutrir aquele tipo de sentimento por Luna.Tudo deveria ter sido apenas um jogo, nada além disso.Seu pai havia sido o primeiro a desconfiar de sua chegada a Lendcity. Desde que Luna apareceu na cidade, como filha de Eliezer. Airon sentira que havia algo errado. Luna parecia humana.Comportava-se como uma humana.Mas, para Airon, aque
A noite avançava silenciosa.O céu estava tomado por estrelas.A lua brilhava alta, refletindo nas águas da cachoeira como um espelho de prata.Luna estava deitada junto ao peito de Darius, ouvindo as batidas calmas de seu coração.Pela primeira vez em muito tempo, sentia-se em paz.Sem medos.Sem dúvidas.Sem guerras.Apenas ela.Darius.E a pequena vida que crescia dentro dela.O braço dele envolvia seus ombros com proteção.Os dedos acariciavam distraidamente seus cabelos.Lentamente, o cansaço venceu.Suas pálpebras ficaram pesadas.A respiração desacelerou.E ela adormeceu.Mas não encontrou escuridão.Quando abriu os olhos novamente, estava de pé.Sozinha.Uma névoa prateada cobria tudo ao redor.A floresta parecia familiar.Mas diferente.Mais antiga.Mais viva.As árvores eram gigantescas.As folhas brilhavam sob um luar impossível.Luna caminhou alguns passos.O som dos próprios pés desaparecia na névoa.Foi então que viu.Uma pequena silhueta adiante.Uma criança.Uma menina







