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11 – DESAFIANDO O LYCAN

last update Fecha de publicación: 2026-03-06 22:17:19

POV: AYLA

— Fingindo? — A voz dele saiu baixa, perigosa, uma mistura crua de raiva e algo mais escuro, quase faminto. — Eu sou o companheiro dela!

Seu corpo se enrijeceu instantaneamente. Postura larga, ombros abertos, pronto para saltar. As garras se retraíram e estenderam de novo com um tilintar metálico que ecoou como um aviso, o ar ao redor dele parecia mais denso, mais quente, carregado de um cheiro feral que eu não conseguia nomear, terra úmida, algo selvagem que fez minha pele arrepiar.

Matt recuou um passo involuntário, seu rosto perdeu sutilmente a cor; os olhos se arregalaram, vidrados de pavor. Ele abriu a boca, mas só saiu um suspiro trêmulo.

— Me impressiona uma mulher como ela ter deixado um verme como você encostar um dedo nela. — Ele rosnou feroz, as presas despontando sutilmente enquanto inclinava a cabeça, medindo Matt como se já estivesse decidindo onde rasgar primeiro. — Não ouse pronunciar o nome dela de novo.

Arregalei os olhos. Ele estava me defendendo? De verdade?

Companheira? O que isto de fato significava para ele? Deveria significar algo para mim?

Matt engoliu em seco, mas seu orgulho sempre falava mais alto. Ele deu um passo à frente, punhos cerrados, rosto vermelho de humilhação e raiva.

— Quem você pensa que é para falar comigo assim? Sabe quem é minha família? Posso acabar com você. Com vocês dois!

Eu quase ri de nervoso. O idiota realmente acreditava que tinha alguma chance contra ele?

O homem misterioso apenas deu um sorriso lento, predatório, as pupilas dilatando em tons de âmbar e escarlate. Ele avançou um passo deliberado.

— Eu adoraria ver você tentar, inseto.

Meu corpo reagiu antes que minha mente pudesse processar. Um calor traiçoeiro subiu pelo meu ventre, incendiando a pele, acelerando o coração. Era medo, sim, mas também outra coisa. Algo primitivo, inexplicável, que me fazia querer me aproximar dele ao invés de fugir. Como se meu corpo reconhecesse algo que minha cabeça ainda não entendia.

Avancei rápido agarrando seu o pulso, impedindo de avançar, os músculos sob meus dedos tensionaram duros, pulsando de fúria contida.

— Já chega — falei, voz firme apesar do tremor interno.

Ele virou só o rosto para mim, uma sobrancelha arqueada, presas ainda visíveis quando entreabriu os lábios. Seu olhar desceu lentamente até minha boca por um segundo longo demais.

— Agradeço o que está fazendo… — continuei apertando mais forte —, mas não precisa me defender. Essa briga não é sua!

Ele inclinou a cabeça de lado, voz rouca e possessiva, quase um ronronar.

— Engano seu, pequena.

A palavra “pequena” me acertou em cheio, disparando minha pulsação.

— Tudo que envolve você me diz respeita. — Estalando a língua, presunçoso, umedeceu os lábios lentamente sem desviar o contato da minha boca. — Você me pertence. Lembra?

Assim que seus olhos se alinharam aos meus, estremeci violentamente, a intensidade de suas palavras, a forma como me olhava... Era intenso demais, verdadeiro demais, dominante e perigoso.

— Vamos embora… — Tentei puxá-lo para trás. — Por favor, as pessoas vão surtar se você...

Engolir em seco, lembrando do pânico que sentir quando ele se transformou em minha frente.

— Aqui não, ok?

Fiquei na ponta dos pés, deslizando a ponta dos dedos pela linha dura de seu maxilar, traçando a barba rala com uma delicadeza que contrastava com o caos ao redor. Era quase uma súplica. Quase um convite.

— Você não precisa brigar por mim. — Meus olhos percorreram seus traços brutos, marcantes: o nariz reto, os olhos tempestuosos, a boca que prometia violência e algo muito mais íntimo. — Além do mais… a família do Matt é poderosa. Eles podem me expulsar do campus. Eu não tenho mais nada!

Matt soltou uma risada curta, cruel, mas com um fundo de desespero.

— Ouviu ela? — Ele abriu os braços, teatral. — Foi graças a mim que ela entrou nessa universidade. Se não fosse minha família, ela ainda estaria naquele orfanato de merda sonhando com algo que nunca teria.

Meu estômago revirou, o peito aperto dolorosamente. Lembrei da noite em que aceitei o pedido de namoro, e tudo que ele prometia, o mundo ao seu lado. “Você vai estudar aqui, meu amor. Vou cuidar de tudo, cuidarei de você, não está mais sozinha. Confia em mim.”

Eu confiei. Confiei demais!

— Sério, Matt? — Minha voz saiu baixa, ferida. — Era assim que você me enxergava? Uma órfã miserável, boa apenas para a sua pena… para a sua caridade? Foi só isso que eu fui para você?

Ele vacilou, olhando em volta, tentando consertar a postura.

— Ayla, eu não quis… — Suspirou. — Foi você que apareceu aqui com outro cara. — Apontou o dedo em minha direção, nervoso. — Você provocou isso!

Os cochichos ao redor cresceram. Senti o rosto queimar de vergonha.

— Você me traiu… no dia mais doloroso da minha vida! — gritei, uma lágrima traiçoeira escapou pelo canto dos olhos.

Puxei o ar com força passando dorso da mão pelo rosto, como se pudesse apagar a dor junto com a umidade, deixando a raiva ocupar todo o espaço.

— Sabe, Matt… você foi a minha maior decepção. — Minha voz tremeu, mas não recuei. — Eu me odeio por ter te amado. Por ter confiado em você!

Engoli o nó na garganta, me recusando a desmoronar na frente dele.

— Me arrependo de cada vez que acreditei nas suas mentiras. De cada beijo. De cada promessa vazia. — Respirei fundo, sentindo algo dentro de mim finalmente se romper. — Acabou! Nosso relacionamento termina aqui. Estou oficialmente terminando com você!

Virei para ir embora.

Quando sua mão agarrou meu braço com força bruta, subindo a dor até o ombro.

— Nós não terminamos, não vou deixar você ir depois de me humilhar desta forma. — Matt me puxou de volta, os dedos cravados na minha pele. — Você e seu namoradinho de mentira me devem um pedido de desculpas!

Foi rápido demais. Não vi quando ele se moveu, só ouvi o estalo seco do osso se partindo, quando ele torceu o braço de Matt para trás.

— Aí! Me larga! Tá quebrando meu braço! — Matt gritou, o corpo se contorcendo, lágrimas escorrendo.

— Toque nela de novo — Sua voz trovejou, letal, feroz. —, E eu arrancarei cada osso do seu corpo, depois rasgo suas tripas com minha proprias mãos!

Matt caiu de joelhos, gemendo, ele o empurrou para o chão com desprezo.

Então se virou para mim. A fúria ainda queimava em seus olhos, mas havia algo mais ali, uma intensidade que me fez prender a respiração.

— Sua lealdade não pertence mais a ele… humana!

Meu peito subia e descia rápido, sem entender suas palavras, quando ele começou a se afastar.

— Ei... espera aí. — Falei, correndo atrás dele. — Onde você vai?

Paramos no estacionamento, ofeguei.

— Espera! — gritei, tentando recuperar o ar. — Quem diabos é você? O que você quer comigo?

Ele parou, se virando devagar.

— Sou Blake Salvatore. — Disse preguiçoso.

— Salvatore? — Meu coração parou. — Da família Salvatore?

Ele avançou um passo, encurtando a distância até não restar ar entre nós. O calor de seu corpo me envolveu por completo. Com a ponta dos dedos, ergueu meu queixo, olhando no fundo dos meus olhos.

— E seu futuro companheiro!

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