Mag-log inPOV: BLAKE
A simples menção da noite anterior a fez morder os lábios, ruborizando suas lindas bochechas. Senti o tremor discreto atravessar seu corpo, arrepiando sua pele, exalando o cheiro que havia mudado, mais forte, quente, deliciosamente adocicado. Tentadoramente provocante. Viciante.
Um rosnado baixo vibrou em meu peito. Apertei mais seu quadril com força, mantendo-a presa contra mim, sentindo os efeitos da marca sobre nós dois.
— Ah, pequena… — rosnei, sem suavizar o tom. — Controla esse cheiro.
Subi a ponta dos dedos pela coluna dela devagar, sentindo cada contração involuntária sob minha mão. Parei na nuca, fechando os dedos ali, firme, dominante. Alinhei nossos olhares. Lentamente, passei a língua pelos lábios, salivando de desejo em tomar aqueles lábios vermelhos que praticamente imploravam para serem devorados de novo.
Sua respiração descompassou.
— Você não vai querer me provocar aqui!
Ela engoliu em seco. A pele quente. A pulsação rápida contra meu polegar.
— Você… você não deveria estar aqui… — Ela balbuciou, em um sussurro rouco. — Como sabia onde me achar?
— Tenho um bom olfato. — Dei de ombros, puxando o ar devagar, roçando a ponta do nariz contra seus fios ruivos. Minha fera pulsava sob a pele, faminta, impaciente, insaciável por ela. — Você não deveria ter fugido de mim… nem roubado meu carro.
— Eu não roubei. — Ela ergueu mais o queixo, desafiadora. — Só peguei emprestado.
— De onde eu venho, isso se chama roubo. — Estalei a língua, deixando um sorriso quase imperceptível surgir no canto da boca. Seus olhos seguiram o movimento, seu cheiro se intensificou, perigosamente intenso demais para ser ignorado. Ela entreabriu os lábios, passando a língua pelos dentes, provocante, quente. — Vai ser difícil conversarmos se você continuar me olhando assim…
Falhei com a Deusa. Me guardei por anos, jurei pureza, esperei pela verdadeira Destinada. E agora estou aqui, com uma humana marcada por acidente, fingindo ser seu namorado? Isso é ironia do destino ou castigo por ter quebrado meu voto?
Antes que eu pudesse responder, senti um cheiro humano se aproximando: irritante, fraco, possessivo. Meu lobo rosnou baixo na mente: “Ele não tem direito de chegar perto dela.”
— Ayla? Ayla! — a voz ecoou atrás de nós, interrompendo.
Seu corpo se enrijeceu. Ela fechou os olhos com força, mordendo o lábio como se tentasse se recompor.
— Ei, Ayla… tá me ouvindo?
Ela puxou o ar fundo e se virou para encará-lo. Desci o olhar para suas mãos: tensas, inquietas, dedos se apertando, estalando, esfregando um no outro sem controle. Nervosa. Tensa. Desconfortável.
Algo ali não estava certo.
— Algum problema? — perguntei, sem tirar os olhos do homem que se aproximava. — Parece que aquele humano te conhece…
Ela se virou abruptamente para mim, rosto levemente pálido, franzindo o cenho incomodada. Suas mãos pequenas deslizaram por meus braços, agarrando e cravando as unhas no meu bíceps. O vínculo pulsou forte, como se meu sangue respondesse ao dela, um choque elétrico subindo pela minha espinha. Grunhi baixo, de prazer, um rosnado preso na garganta, controlando a vontade de avançar.
— Finja que é meu namorado. — Os olhos verdes se ergueram até os meus, brilhando em súplica. — Por favor…
— Fazer o quê? — franzi o cenho quando o rapaz parou à nossa frente, curvado, tentando recuperar o ar.
Ayla entrelaçou nossos dedos com pressa, sua mão suada. Inclinei a cabeça de lado, acompanhando o gesto com os olhos, subindo devagar por seu rosto, registrando cada detalhe: tensão no maxilar, respiração curta, um brilho triste escondido no fundo dos olhos.
Algo se agitou dentro de mim, bruto, incômodo.
— Ayla, onde você estava? — Ele puxava o ar de forma irregular. — Fui ao seu dormitório, rodei o campus inteiro… achei que algo tivesse acontecido…
Ele parou quando viu nossas mãos entrelaçadas.
— Ayla, o que significa isso? — Apontou, irritado, me medindo de cima a baixo. — Quem é esse cara? Por que estão de mãos dadas?
Antes que ela hesitasse, a puxei um pouco mais para mim. Senti seu corpo encostar no meu, tenso, quente.
— Matt, este é meu namorado! — declarou, abraçando meu braço.
Inclinei a cabeça de lado, o medindo sem pressa.
Quem era aquele inseto para vir atrás dela desse jeito?
Ela não pertencia a ele.
— Seu o quê? Como assim namorado? — Matt gritou, a voz carregada de fúria. — Eu sou o seu namorado…
Ele deu um passo à frente.
Instintivamente, avancei também, bloqueando seu caminho.
— Não ouse. — Avisei friamente.
— Qual é, Ayla… isso é sério? — Ele a encarou por cima do meu ombro, irritado. — Se está fazendo cena porque esqueci do seu aniversário… me perdoa, tá? — Suspirando, seus olhos falsamente suavizaram. — Meu amor, você sabe que precisei trabalhar.
Senti o corpo dela tensionar atrás de mim, seu aroma mudar novamente, com notas de dor, raiva contida. Não gostei.
— Chega de mentiras, Matt! — ela explodiu, avançando um passo, feroz. — Eu sei que você estava com Natalie, comemorando o aniversário da sua amante ao invés do meu!
Vi o rosto dele perder a cor. Os olhos arregalaram, a respiração falhou.
— Amor, do que você está falando? Eu jamais te trairia…
— Guarda isso para você. — Ayla cortou, nervosa, cruzando os braços com força. As unhas cravaram na própria pele, abrindo um filete de sangue. — Sua amante fez questão de me mandar uma foto.
Segurei seu pulso antes que se ferisse mais, firme, controlando o movimento. Trouxe sua mão para baixo, sem tirar os olhos dele.
— Já chega. — Minha voz saiu baixa, pesada.
Ayla respirou fundo, erguendo o queixo.
— Está tudo bem… — disse, dura. — Eu já arrumei um homem de verdade. Um que sabe me satisfazer!
— Hunf… — soltei, com um sorriso de canto.
Matt me lançou um olhar carregado de ódio. O rosto vermelho, as narinas abertas, tentando parecer maior do que era.
— Pare com essas mentiras, Ayla! — berrou. — Acha mesmo que vou acreditar que um cara como ele se interessaria por uma garota estranha como você?
— Uma garota… estranha como eu? — a voz dela saiu baixa, ferida.
Algo em mim explodiu.
“Estranha?” Meu lobo avançou dentro do peito, pressionando com força.
Estalei o pescoço devagar. Senti as garras ameaçarem surgir e as contive no limite. Dei um passo à frente, suficiente para que ele precisasse me encarar e não mais a ela.
— Repete. — Minha voz saiu baixa, controlada, perigosa. — Garanto que será a última vez que conseguirá falar na vida!
Ele ergueu a cabeça para conseguir me olhar, o observei de cima, frio.
— Qual é, cara, não precisa dessa encenação toda. — cuspiu, debochado. — Quanto ela está te pagando para você fingir que é o namorado dela?
POV: AYLA— Para mim, você sempre foi completa e o suficiente! — declarou ele firme, preenchendo a mão em minha bunda em um aperto possessivo, antes de subir a enorme mão por minhas costas até a base da minha nuca, me prendendo ali rente aos seus lábios.Seus olhos terrosos intensos se alinharam aos meus, com os sentimentos crus e puros, transparentes no reflexo de suas íris, com seu lobo à superfície me encarando.— E passarei o resto da eternidade te mostrando o quanto sou abençoado por te ter como minha companheira, minha Luna, minha esposa, minha rainha!Meu coração pulsou intensamente. Senti as bochechas se aquecerem e ruborizarem. Me movi sobre ele provocante, o fazendo rosnar em aviso e apertar mais minha bunda. Me inclinei, roçando os lábios nos dele.— Sua rainha, é? — provoquei de forma deliberada, fazendo suas pupilas dilatarem predatórias. — Gosto de como isto soa… irá me servir?Ele grunhiu, umedecendo os lábios e tocando a pont
POV: AYLA— Com o seu ronco, acho que a vizinhança inteira deve ter despertado — ri, mas ele continuou sério, os olhos fixos em mim. Segurei sua mão contra a minha face, absorvendo o calor de seu contato. — Ei? Eu estou bem e estou aqui com você.— Você tem ideia do susto que me deu? — confessou ele com uma intensidade tão profunda que me arrepiei. — O medo que senti de você nunca mais acordar?— Eu sei… sinto muito por te assustar — respondi. Ele encostou nossas testas, como se precisasse disso, precisasse sentir meu cheiro, meu calor para se ancorar. — Estou viva.Blake respirou fundo, o peito largo subindo e descendo contra o meu. Seus dedos deslizaram pela minha nuca, me puxando para mais perto.— Que bom, não te perdoaria ou me perdoaria se algo te acontecesse… — Blake suspirou pesado, os ombros perdendo o peso que ele parecia carregar por dias. Então provocou, o tom rouco e malicioso. — Onde mais eu encontraria outra humana híbrida? É uma rar
POV: AYLADesviei no último instante e o toquei.— Liberte-se! — ordenei, sentindo a magia pura e etérea emanar de meus poros, de meus dedos até ele.A criatura caiu ao chão, agora de joelhos em sua forma humana, abaixando a cabeça, tremendo.— Esta maldição não lhe pertence mais. Você está livre!Então ele ergueu a cabeça e me olhou surpreso. Cassian estava ali, nu à minha frente, sorrindo em meio às lágrimas.— Eu sabia… — sussurrou ele, quase sem acreditar. — Eu sabia que você o salvaria, que o libertaria de mim… e…— Sinto muito… — sussurrei de volta, com peso no coração. — Gostaria de ter te salvado também. Que fosse diferente e…— Não! — ele se ergueu, imponente, tão parecido com Blake, só que mais maduro, mais velho, mais cansado.Seus olhos encontraram os meus, cheios de gratidão e uma paz que eu nunca tinha visto antes.— Você fez o que eu não consegui. Libertou meu irmão. Deu a ele o que eu nunca pude da
POV: AYLAContinuei andando em sua direção. A escuridão se afastava diante da luz que emanava do meu corpo, como se temesse. Mas a poça de água negra sob meus pés afundava meu corpo conforme eu avançava, como se o lugar onde meu irmão estava o tivesse intencionalmente afogando em coisas ruins, sentimentos ruins, em trevas.— Não, Theo, não é — respondi, a voz cheia de sinceridade. — Falharam com você. Nossos pais falharam. Eu falhei.Continuei prosseguindo. A água negra já chegava ao meu pescoço, tentando me puxar para baixo. Mas eu segui mais fundo, ignorando o peso que me arrastava, ignorando o frio que queimava minha pele.Por ele. Por mim. Por Blake.— Não devíamos ter o deixado… não devíamos ter o temido por ser diferente… — meu corpo vacilou, sendo puxado para baixo. Ra
POV: AYLATheodor inclinou a cabeça, o sorriso psicótico se alargando lentamente. Seus olhos negros brilhavam com deleite cruel.— Ora, irmãzinha… finalmente aceitou seu destino? — perguntou ele, a voz carregada de excitação doentia.O estalo ecoou às minhas costas. Blake já perdia o controle. Sua forma se expandia, não mais como lupino, mas como Lycan. Eu não precisava olhar para saber. A pressão de seu poder fazia os pelos da minha nuca se arrepiarem. O ar se tornava denso. Os rosnados causavam calafrios profundos em meu íntimo.— A… Y… L… A… — sua voz ressoou atrás de mim, grave, distorcida, perigosa. O hálito quente tocou minha pele arrepiada, próximo demais. — M… I… N… H… A!Inspirei fundo, o coração acelerado. Theodor alargou o sorriso psicótico.— Então, irmãzinha… — estalou ele, maligno, me encarando com arrogância. — Conseguirá sozinha derrotar nós dois? Um lobo amaldiçoado e um bruxo corrompido?Cerrei os punhos, nervosa.
POV: AYLAEntão a batida do coração de Blake mudou. Ficou errada. Maldito Theodor. A fera dentro dele começava a perder o controle. Blake lutava internamente para contê-la. Seus músculos tremiam. O suor escorria por seu corpo forte e ferido, se misturando ao sangue das feridas abertas. Mesmo assim, seu corpo continuava brutalmente forte.— Ayla… saia de perto de mim! — gemeu ele, a voz mais aguda, engolindo em seco e afastando o rosto do meu toque. — Fique longe de mim!— Não. Eu não vou te deixar. Me deixe te ajudar a…— Eu disse para ficar longe! — rugiu ele, me empurrando bruscamente para trás, sem me ferir.Arregalei os olhos, surpresa. Ele suavizou o olhar ao me encarar, a dor evidente em cada traço do rosto.— Por favor, pequena… vá embora!Meu peito se apertou com força.&mdash







