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CAPÍTULO 3

Autor: Euridce
last update Fecha de publicación: 2026-06-23 00:26:40

A segunda-feira começou como qualquer outra.

Alarmes tocando.

Mensagens chegando.

Compromissos lotando a agenda.

A cidade despertava em ritmo acelerado, e as três amigas mergulhavam novamente em suas rotinas intensas.

Por trás da independência, da elegância e do sucesso profissional, existia algo que elas raramente admitiam.

O medo silencioso do tempo.

Lizzy

Lizzy Monteiro estacionou seu carro em frente ao tribunal e respirou fundo.

Vestindo um elegante conjunto azul-marinho e salto alto, caminhou pelos corredores transmitindo a imagem de uma mulher segura.

E ela era.

Pelo menos profissionalmente.

Aos trinta anos, era uma advogada reconhecida.

Tinha clientes importantes, um excelente apartamento e uma carreira invejável.

Mas havia perguntas que a perseguiam constantemente.

— Doutora Lizzy, quando vai casar?

— Ainda não apareceu ninguém?

— Já pensou em ter filhos?

Ela sempre sorria.

Mas, por dentro, aquelas perguntas começavam a cansá-la.

Na sala dos advogados, uma colega se aproximou.

— Lizzy, você precisa encontrar alguém.

— Preciso?

— Claro, Uma mulher bonita, inteligente e bem-sucedida como você não pode ficar sozinha.

Lizzy sorriu educadamente.

— Eu não estou sozinha.

— Você entendeu o que eu quis dizer.

Lizzy apenas assentiu.

Mas a verdade era que ela estava cansada daquela cobrança invisível que a sociedade colocava sobre mulheres da sua idade.

****

Lisa

Do outro lado da cidade, Lisa usava capacete e observava uma grande obra.

Ela era respeitada por todos.

Determinada.

Competente.

Exigente.

Um dos engenheiros brincou:

— Lisa, você trabalha tanto porque não tem marido?

Ela cruzou os braços.

— Não, Eu não tenho marido porque trabalho muito.

Os homens riram.

Mas Lisa não.

Ela já estava cansada daquele discurso.

Como se o sucesso profissional e a vida amorosa fossem incompatíveis.

Como se uma mulher precisasse escolher entre carreira e amor.

Seu celular vibrou.

Era uma mensagem da mãe.

Filha, a filha da dona Helena acabou de casar. Quando será a tua vez?

Lisa fechou os olhos.

Respirou fundo.

E respondeu apenas.

Mãe, quando acontecer, acontecerá.

Guardou o celular e continuou trabalhando.

Mas a pergunta ficou ecoando dentro dela.

****

Beth

Enquanto isso, Beth estava em um dos seus hotéis.

O empreendimento luxuoso era fruto de anos de dedicação.

Ela caminhava pelo lobby cumprimentando funcionários.

Todos a admiravam.

Todos a respeitavam.

Todos a consideravam uma mulher inspiradora.

Mas ninguém conhecia a dor que ela carregava.

Na sua sala, seus olhos pararam sobre uma pequena caixa guardada numa gaveta.

Ela a abriu.

Lá dentro estava o anel de noivado.

O símbolo de uma vida que nunca aconteceria.

Beth ficou alguns segundos olhando para ele.

Depois fechou a caixa.

— Acabou.

Ela repetia isso diariamente para convencer a si mesma.

Mas algumas feridas ainda estavam abertas.

Seu celular tocou.

Era Lizzy.

— Almoço das três?

Beth sorriu.

— Sempre.

****

Ao meio-dia, elas estavam no restaurante favorito delas.

Uma mesa reservada.

Três amigas.

Três mulheres fortes.

Três corações cansados.

Lisa foi a primeira a falar.

— Vocês já perceberam que, depois dos trinta, as pessoas ficam obcecadas pela nossa vida amorosa?

Lizzy riu.

— Hoje me perguntaram quando vou casar.

— A minha mãe já perguntou pela décima vez essa semana. — respondeu Lisa.

Beth suspirou.

— Comigo é pior.

— Por causa do noivado? — perguntou Lizzy.

Beth assentiu.

— As pessoas olham para mim com pena.

Lisa segurou sua mão.

— Não sinta vergonha.

— Eu sei.

— Quem errou foi ele.

Beth sorriu.

— Obrigada.

Lizzy bebeu um gole de suco.

— Sabe o que é engraçado?

— O quê? — perguntaram as duas.

— Nós somos exatamente as mulheres que sonhávamos ser.

As duas ficaram pensativas.

Ela continuou.

— Independentes.

— Bem-sucedidas. — completou Lisa.

— Fortes. — acrescentou Beth.

— E mesmo assim sentimos que falta alguma coisa.

O silêncio tomou conta da mesa.

Não era um silêncio triste.

Era um silêncio verdadeiro.

A vida adulta era diferente do que elas imaginavam.

A felicidade não vinha pronta.

Era construída todos os dias.

Lisa abriu um sorriso travesso.

— Pensando bem.

Beth já reconheceu aquele olhar.

— Nem começa.

— Estou só dizendo…

— Lisa…

— A ideia dos maridos de aluguel continua sendo genial.

Lizzy tentou disfarçar, mas sorriu.

Beth apontou o dedo para as duas.

— Vocês ainda estão pensando nisso?

— Um pouquinho. — respondeu Lizzy.

— Muito. — confessou Lisa.

Beth começou a rir.

— Vocês são impossíveis.

Lisa abriu novamente o site da empresa no celular.

Dessa vez, Lizzy se inclinou para olhar melhor.

Beth tentou ignorar.

Tentou mesmo.

Mas seus olhos acabaram indo para a tela por alguns segundos.

Três fotografias apareciam em destaque.

Três homens.

Três perfis.

Três destinos que começavam a se aproximar.

E, sem perceber, o universo já havia começado a unir seis vidas que seriam transformadas para sempre.

A noite caiu lentamente sobre a cidade.

As luzes dos edifícios brilhavam como pequenas estrelas espalhadas pela escuridão, enquanto a movimentação das ruas diminuía aos poucos.

Na cobertura de Beth, um delicioso aroma de comida tomava conta do ambiente.

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