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CAPÍTULO 5

Autor: Euridce
last update Fecha de publicación: 2026-06-25 15:38:18

As três amigas continuavam reunidas na sala depois do jantar.

Os sapatos já haviam sido deixados de lado.

As taças de vinho estavam novamente cheias.

As pernas estavam confortavelmente esticadas sobre o enorme sofá.

Era um daqueles momentos raros em que ninguém precisava fingir ser forte.

Ali, elas podiam ser vulneráveis.

Podiam ser apenas Lizzy, Lisa e Beth.

Mulheres reais.

Com medos reais.

Com cicatrizes reais.

Lisa foi a primeira a quebrar o silêncio.

— Vocês já perceberam que todos os nossos relacionamentos deram errado por motivos absurdos?

Lizzy soltou uma risada.

— Pensando bem, sim.

Beth sorriu.

— Muito absurdos.

Lisa se ajeitou no sofá.

— Hoje é o dia da verdade, vamos falar sobre os homens que passaram pelas nossas vidas.

Beth levantou uma sobrancelha.

— Isso parece perigoso.

— Mas terapêutico. — respondeu Lisa.

Lizzy começou a rir.

— Concordo.

Lisa apontou para Lizzy.

— Começa você.

— Por que eu?

— Porque tens a lista mais longa.

— Muito engraçada.

As três riram.

Lizzy suspirou.

— Está bem.

Ela tomou um gole de vinho.

— Meu primeiro relacionamento sério foi aos vinte e três anos.

— O Ricardo. — respondeu Beth.

Lizzy assentiu.

— Eu era completamente apaixonada.

Seus olhos ficaram distantes.

— Ele era inteligente, educado, bonito.

Lisa sorriu.

— E um idiota.

Lizzy riu.

— Sim, um idiota.

Ela respirou fundo.

— No começo era perfeito.

Jantares.

Flores.

Mensagens de bom dia.

Longas conversas.

Tudo parecia um sonho.

Mas, aos poucos, ele começou a mudar.

— Como assim? — perguntou Beth.

— Começou a se incomodar com o meu trabalho.

— Ah, aquele velho problema. — comentou Lisa.

Lizzy assentiu.

— Primeiro vieram pequenas observações.

Ela começou a lembrar.

— Você trabalha demais.

— Por que precisas ganhar tanto dinheiro?

— Será que não podes desacelerar?

Beth fechou a expressão.

— Red flag.

— Exatamente.

Lizzy continuou.

— Depois ele começou a reclamar quando eu tinha audiências importantes.

— Ridículo. — respondeu Lisa.

— E, por fim, começou a competir comigo.

Ela sorriu sem humor.

— Era como se meu sucesso o incomodasse.

Beth segurou sua mão.

— Você merecia mais.

Lizzy assentiu.

— Hoje eu sei disso.

Ela sorriu.

— Mas naquela época achei que o problema era comigo.

— Nunca foi. — disseram as amigas.

Ela sorriu emocionada.

*****

Agora era a vez de Lisa.

Ela já começou a rir.

— Onde começo?

Beth gargalhou.

— Pelo menos tenta resumir.

— Está bem.

Lisa ajeitou-se.

— Meu primeiro grande desastre foi o Henrique.

Lizzy soltou uma risada.

— O músico.

— Exatamente.

Beth também começou a rir.

— Meu Deus.

Lisa levou a mão à testa.

— Que vergonha.

Ela suspirou.

— Eu achava que estava vivendo um filme romântico.

— E estava vivendo?

— Não, Estava financiando a vida dele.

As amigas caíram na gargalhada.

— Ele dizia que estava construindo a carreira dele.

— E estava? — perguntou Lizzy.

— Estava construindo a carreira dele às minhas custas.

As três riram.

Lisa continuou.

— Eu pagava restaurantes.

— Viagens.

— Presentes.

— Combustível.

Beth arregalou os olhos.

— Até combustível?

— Até combustível.

Ela suspirou.

— E sabem qual era a pior parte?

— Qual?

— Eu fazia tudo feliz.

Lizzy começou a rir.

— Porque estava apaixonada.

— Muito apaixonada.

Ela abaixou a cabeça.

— Até descobrir que ele tinha outras duas namoradas.

— Duas? — perguntou Beth.

— Sim.

As três começaram a rir da própria desgraça.

— Aparentemente, eu patrocinava o romance coletivo.

Beth segurou a barriga de tanto rir.

— Lisa!

— Hoje eu rio, na época eu chorei.

Ela suspirou.

— Depois disso, virei extremamente exigente.

Lizzy sorriu.

— Ainda bem.

****

Então o ambiente ficou mais silencioso.

As duas olharam para Beth.

Ela já sabia que chegara sua vez.

Beth mexeu na taça de vinho.

— O meu foi o pior.

As amigas imediatamente ficaram sérias.

Ela respirou fundo.

— Porque eu realmente acreditava que tinha encontrado o homem da minha vida.

Seus olhos ficaram marejados.

— Cinco anos.

Cinco anos de amor.

Cinco anos de construção.

Cinco anos de sonhos.

Ela sorriu tristemente.

— Eu sabia a cor da nossa futura casa.

— O nome dos nossos filhos.

— Os lugares que visitaríamos.

— Os aniversários que celebraríamos.

Sua voz começou a falhar.

— Eu imaginava envelhecer ao lado dele.

Lizzy segurou sua mão.

Lisa também.

Beth continuou.

— E, de repente, tudo acabou.

Ela fechou os olhos.

— Não foi apenas uma traição.

— Foi uma destruição completa.

O silêncio tomou conta da sala.

— Passei semanas sem dormir.

— Sem comer direito.

— Sem conseguir olhar para o espelho.

Ela sorriu tristemente.

— Porque a traição tem uma maneira cruel de fazer a vítima se sentir insuficiente.

Lisa imediatamente respondeu:

— Mas você nunca foi insuficiente.

Lizzy assentiu.

— Nunca.

Beth sorriu emocionada.

— Eu sei disso hoje.

— Mas demorei a aprender.

Ela respirou fundo.

— E ainda estou aprendendo.

*****

As três permaneceram em silêncio durante alguns segundos.

Então Lisa resolveu mudar o clima.

— Sabe de uma coisa?

— O quê? — perguntaram as duas.

— Nós temos um padrão.

Lizzy riu.

— Temos?

— Sim.

— Qual?

Lisa levantou os dedos.

— Primeiro - escolhemos homens emocionalmente indisponíveis.

— Segundo - tentamos consertar homens quebrados.

— Terceiro - damos amor demais e recebemos migalhas.

Beth começou a rir.

— É assustadoramente verdadeiro.

Lizzy também riu.

— Talvez estejamos finalmente aprendendo.

Lisa abriu um sorriso.

— E talvez seja exatamente por isso que aquela ideia dos maridos de aluguel seja interessante.

Beth fechou os olhos imediatamente.

— Meu Deus.

— Lá vem ela outra vez. — disse Lizzy rindo.

Lisa pegou o celular.

— Pensem comigo.

— Homens educados.

— Responsáveis.

— Sem promessas falsas.

— Sem jogos emocionais.

Beth a interrompeu.

— Porque é um serviço profissional.

— Exatamente. — respondeu Lisa.

Lizzy ficou pensativa.

— Talvez seja justamente por isso que parece seguro.

Beth olhou para as duas.

— Vocês estão mesmo considerando isso.

As duas sorriram.

— Estamos.

Beth balançou a cabeça, tentando não rir.

Mas, no fundo, até ela já começava a sentir curiosidade.

Uma pequena.

Minúscula.

Perigosa curiosidade.

Sem perceber, a vida delas já estava saindo da direção que haviam planejado.

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Último capítulo

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