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capítulo 15

Autor: Loba azul
last update Data de publicação: 2026-11-06 06:40:47

Capítulo 15: DILA

Olhei para o vão escuro da escada de metal. A minha liberdade estava a exatos dez degraus de distância.

Mas o preço dela era o sangue dos meus alunos.

O meu corpo inteiro tremia. O ódio desceu rasgando a minha garganta como vidro moído. Engoli o pânico. Engoli a minha moralidade intacta. Engoli a minha vida limpa.

Dei um passo para trás. Afastando-me da saída.

Rendição.

Gelo não sorriu. Não demonstrou um pingo de vitória mundana. O monstro apenas piscou, absorvendo a min
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  • MEU PATROCINADOR BILIONÁRIO E O DONO DO MORRO    capítulo 15

    Capítulo 15: DILA Olhei para o vão escuro da escada de metal. A minha liberdade estava a exatos dez degraus de distância. Mas o preço dela era o sangue dos meus alunos. O meu corpo inteiro tremia. O ódio desceu rasgando a minha garganta como vidro moído. Engoli o pânico. Engoli a minha moralidade intacta. Engoli a minha vida limpa. Dei um passo para trás. Afastando-me da saída. Rendição. Gelo não sorriu. Não demonstrou um pingo de vitória mundana. O monstro apenas piscou, absorvendo a minha submissão com a frieza de um rei deitando a cabeça sobre um império de cinzas. Ele ergueu o queixo, apontando para o sofá de couro negro no fundo do camarote. — Sente. As horas que se seguiram foram a sessão de tortura psicológica mais brutal da minha vida. O baile funk atingiu o ápice. O som não entrava pelos ouvidos, ele entrava pelos poros. O grave das caixas de som empilhadas na quadra fazia os meus dentes vibrarem. O chão de concreto tremia de forma violenta e ininterrupta sob o meu

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    Capítulo 14: DILA A água do chuveiro estava congelando, mas o meu corpo queimava de paranoia. Esfreguei a bucha vegetal contra a pele do meu pescoço até arder. Até ficar vermelho vivo. Mas a porcaria do cheiro não saía da minha mente. Cítrico. Amadeirado. Caríssimo. Fechei os olhos debaixo da água e encostei a testa no azulejo. O meu coração martelava numa cadência doentia. O meu sábado inteiro havia sido consumido por aquele perfume e por um terror asfixiante. O CEO bilionário me encurralou na sexta à tarde. O traficante me ameaçou na sexta à noite. Dois homens de mundos opostos. O engravatado debilitado e a máquina de guerra do morro. E os dois exalavam exatamente o mesmo cheiro. É só uma coincidência, o meu cérebro berrava, enquanto eu desligava o registro. É só um maldito perfume importado que o traficante deve ter roubado de alguma carga. Eu me agarrei a essa desculpa esfarrapada porque se eu aceitasse a outra possibilidade, eu enlouqueceria antes da meia-noite. O relóg

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    Capítulo 13: DILA O som do motor do carro de Lucas sumiu na ladeira escura. O silêncio que sobrou não era de paz. Era de cemitério. A minha rua estava completamente deserta, mas o ar parecia denso demais para respirar. Como se a gravidade tivesse dobrado de peso num único segundo. Gelo estava a menos de três metros de mim. A escuridão do morro engolia as bordas do corpo dele, mas a luz fraca do poste quebrado iluminava o suficiente. O fuzil estava pendurado nas costas. A pistola 9mm brilhava no cós da calça preta tática. A camiseta escura moldava um tórax largo, maciço, que subia e descia num ritmo lento e letal. Ele deu um passo. A sola da bota de combate dele bateu no paralelepípedo. O som ecoou direto na minha espinha dorsal. O meu cérebro gritou para eu correr. Para destrancar a grade da escola e me esconder no escuro. Mas as minhas pernas não obedeceram. Eu estava pregada no chão. O olhar daquele homem me paralisava como o veneno de uma cobra neutraliza a presa antes do b

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    Capítulo 12: DILA A exaustão não estava apenas nos meus músculos. Estava enraizada nos meus ossos. O relógio marcava quase onze da noite quando finalmente tranquei a porta da sala de aula. O corredor da escola municipal estava num breu absoluto, cheirando a umidade e giz velho. As minhas mãos ainda tremiam. Não pelo frio da noite ou pelo medo do escuro. Tremiam pela lembrança do asfalto. A tinta preta daquela maldita caneta-tinteiro ainda parecia manchar a ponta dos meus dedos. A minha assinatura naquele contrato. A minha sentença de submissão. E aquele cheiro. O perfume amadeirado, cítrico e asfixiante do CEO continuava grudado na minha pele, como um fantasma corporativo zombando da minha derrota. Ele me encurralou. Usou o meu amor pelos meus alunos para me colocar uma coleira de prestação de contas. Engoli em seco, empurrando o ódio para o fundo da garganta. Joguei a bolsa pesada sobre o ombro e caminhei para o lado de fora. O ar quente do morro bateu no meu rosto. O som de

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    Capítulo 11: O GELO O vento no alto do morro cheirava a pólvora, poeira e maconha. Eu estava de pé na varanda da minha fortaleza. Uma mansão de três andares encravada na rocha mais alta da favela. Paredes de concreto armado. Câmeras térmicas de última geração. Uma muralha de segurança pesada. Um castelo do tráfico. Daqui de cima, eu via todo o Rio de Janeiro piscar lá embaixo, um mar de luzes falsas que não me importava nem um pouco. — Chefe. — A voz do Piloto cortou o silêncio. Eu não me virei. Continuei puxando a fumaça do charuto cubano. — Fala, Piloto. Ele parou a exatos dois passos de distância. A margem de respeito. Sempre. — Os ratos do Comando Sul tentaram subir pela área de mata. Meus moleques apagaram três. O resto correu de volta pro esgoto. O carregamento de fuzil da fronteira já tá guardado no galpão três. A boca principal tá girando liso. — Reforce a mata — eu disse, a voz saindo perigosamente letal. — Se alguém da facção rival pisar um centímetro no meu chão d

  • MEU PATROCINADOR BILIONÁRIO E O DONO DO MORRO    capítulo 10

    Capítulo 10: O GELO A porta de carvalho maciço bateu. O som do salto barato dela ecoou no corredor, afundando no carpete, antes de sumir por completo. Eu fiquei sozinho. O silêncio do septuagésimo andar era ensurdecedor. Uma bolha de vidro blindado isolada do mundo. Mas a minha cabeça estava em guerra. O cheiro dela continuou preso no ambiente. Não era o perfume doce e enjoativo das herdeiras de plástico que rastejavam por esse andar. Não cheirava a champanhe ou a dinheiro velho. Cheirava a sabonete comum. Poeira de giz. Suor frio. E raiva. Muita, mas muita raiva. Respirei fundo, fechando os olhos. Enchi os pulmões com aquele aroma barato e absurdo. A minha corrente sanguínea ferveu na hora. Uma pulsação grossa e sombria começou a bater na base da minha nuca. A caneta-tinteiro preta, aquela mesma que ela jogou na mesa com um nojo visceral, ainda estava abandonada sobre o mármore. O contrato milionário repousava logo abaixo. Na última página, rasgando o papel branco com um

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