LOGINAo retornar aos seus aposentos, Magda encontrou a dama de companhia à sua espera.
— Alteza, já voltou? — indagou Amélia. — Sim. Procure por Rodolfo, por favor. Ele mencionou que mandaria um novo vestido para mim. — Vou buscá-lo imediatamente, Magda. Com a saída da serva, Magda perdeu-se em seus pensamentos. De onde vinham tantas vestes femininas de corte refinado? Seria Rodolfo um homem viúvo? Embora a dúvida pairasse em sua mente, ela não pôde conter a expectativa pelo passeio. Pouco depois, batidas leves soaram à porta. — Posso entrar? — pediu Amélia do outro lado. — Entre! A dama trazia uma peça exuberante dobrada sobre os braços e, para a surpresa de Magda, um par de sapatos de veludo combinando. — Ajude-me a vestir, por favor. Magda ajustou o traje. O vestido tom de vinho era justo ao corpo, destacando a alvura de sua pele e o tom dourado de seus cabelos loiros, enquanto o decote profundo valorizava suas curvas. — A senhorita está simplesmente deslumbrante — admirou-se Amélia. — Obrigada — sorriu a jovem. Novas batidas à porta romperam o silêncio do quarto. — Seria o senhor Rodolfo? — murmurou Magda. Amélia foi até a porta e, ao abri-la, deparou-se com Ulisses. — Magda, peça à sua dama que nos dê licença por um instante — disse o semideus, com o olhar focado na jovem. — Preciso falar a sós com você. — Por favor, Amélia, aguarde do lado de fora — pediu Magda. Assim que ficaram a sós, a jovem cruzou o braços: — O que tem a me dizer, Ulisses? — Não vá com ele — pediu o jovem semideus, dando um passo à frente. — Fique comigo... Escolha-me. — Eu não posso fazer isso. Seria uma afronta a Rodolfo. — De todos eles, fui o único a quem você permitiu tocar e beijar de forma tão íntima — sussurrou ele, com tom sedutor. — O que aconteceu esta manhã foi intenso, e você sabe disso. — Não deveria ter acontecido — esquivou-se ela, baixando os olhos. — Fui precipitada. — Então você vai mesmo com ele? — Sim, a decisão está tomada. — Por favor... Não permita que ele a toque. Você será minha, Magda. — Precisa ir agora — pediu a jovem, inquieta. — Se Rodolfo o encontrar aqui, pensará o pior. — Como desejar. Até logo — despediu-se ele, retirando-se do quarto. Magda suspirou, dividida. Uma parte de seu peito lamentava não ter feito uma escolha, pois a atração pelos três irmãos queimava com a mesma intensidade em seu coração. Ao sair do quarto, dirigiu-se ao jardim, onde Rodolfo a aguardava. Ele vestia um traje elegante que lembrava a nobreza que ela conhecera em Umbra. — Este vestido realçou perfeitamente sua beleza — elogiou o semideus. — Obrigada, Rodolfo. Você também está impecável. — Espere, tenho algo para deixá-la ainda mais radiante — disse ele, tirando uma pequena caixa de veludo do bolso. Ao abri-la, revelou um suntuoso colar com uma pedra de rubi encravada no centro. — Este colar é para mim? — admirou-se Magda, tocando a joia. — Achei que a cor combinaria com seu vestido. — É maravilhoso... Eu adorei! — Permita-me colocá-lo em seu pescoço. Rodolfo posicionou a joia com delicadeza, o toque firme de suas mãos roçando a pele macia da jovem. — Dê-me o braço — convidou ele. — Vamos ao lago de Ártemis. — Ártemis? É este o nome do reino? — perguntou ela enquanto caminhavam. — Sim. Perdoe-me por não ter mencionado antes, mas os acontecimentos foram precipitados. Conforme avançavam, Magda observava o porte imponente de Rodolfo. Sendo o mais alto e forte dos irmãos, trazia a presença protetora que qualquer mulher desejaria. Caminharam por cerca de vinte minutos até alcançarem a margem de um vasto lago cercado por árvores antigas. — Que paisagem deslumbrante... — suspirou Magda. — Trarei você aqui todas as tardes se me escolher como seu esposo — afirmou Rodolfo, fixando os olhos nela. — Você me deixa sem graça... — Não fique. Eu a quero para mim, apenas isso. — Sei que quer — sorriu ela, corando. — Venha, vamos atravessar o lago para ver a vegetação do outro lado mais de perto. Rodolfo a conduziu até uma pequena embarcação. Após entrarem, ele removeu a túnica para manusear os remos com facilidade. Magda não pôde evitar admirar a musculatura definida de seu peito e braços, sentindo um calor sutil subir por sua pele. Ao atingirem a outra margem, o semideus desceu primeiro e tomou Magda nos braços com facilidade, carregando-a até a terra firme para evitar que ela molhasse o vestido. — Obrigada, Rodolfo. — Venha comigo. Ajeitaram-se ao pé de uma árvore frondosa, contemplando o reflexo do sol na água. — A vista daqui é magnífica — comentou a jovem. — Mas não seria perigoso permanecermos longe do castelo se alguma criatura aparecer? — Eu estou aqui — assegurou Rodolfo com imponência. — As feras da floresta é que devem temer a minha presença. Protegerei você contra qualquer ameaça. Conversaram até que as sombras do crepúsculo cobrissem a paisagem. — Acho melhor voltarmos, já está escurecendo — observou Magda. — Voltaremos, mas antes gostaria de uma coisa. — O quê? — Um beijo. Rodolfo aproximou o rosto e selou seus lábios nos dela em um beijo profundo e ardente. Entregando-se ao desejo, Magda permitiu que ele a deitasse sobre a relva macia. As mãos ágeis do semideus desataram os laços do traje tom de vinho. — Venho desejando este corpo desde o momento em que a vi — murmurou ele contra a pele dela. — Rodolfo... Talvez devêssemos parar — sussurrou a jovem, hesitante. — Você me deseja tanto quanto eu a desejo. Longe do castelo e sob a penumbra da mata, o semideus cobriu a pele de Magda com beijos quentes, descendo pelo seu ventre até alcançar sua intimidade. — Não... Por favor — murmurou ela, entre arfagens. — Preciso saborear você, minha princesa — respondeu ele, entregando-se ao momento. A carícia ousada de Rodolfo levou Magda a um estado de êxtase instantâneo. A jovem arqueou as costas, segurando os ombros do semideus enquanto o prazer dominava seus sentidos. — Isso... Continue, Rodolfo — pediu ela, tomada pela sensação. — Sei exatamente o que você precisa. Ele afastou-se por um instante para se desfazer das próprias vestes. Ao contemplar a imponência do semideus diante de si, Magda sentiu o receio mesclar-se ao desejo. — Espere... Tenho receio de que seja doloroso. — Apenas relaxe e entregue-se a mim, meu amor. Guiada pela paixão, Magda acolheu o semideus. O contraste de sua força com a entrega da jovem transformou o momento em uma experiência avassaladora. Envolvidos pelo calor da noite, o ritmo de Rodolfo arrancava sussurros e suspiros da ex-princesa. — Você é incrível, Rodolfo... — arfou ela, segurando-o com firmeza. — Seja minha e terá este prazer sempre que desejar. À medida que o momento atingia seu ápice, Rodolfo puxou-a para cima de seu peitoral. Magda assumiu o controle, movendo-se sobre ele até que o semideus soltou um rosnado grave de satisfação, entregando-se por completo à paixão. Acomodada sobre o peito dele enquanto a respiração de ambos se acalmava, Magda sentiu o calor do semideus ainda presente em seu corpo. — Isso foi maravilhoso... — murmurou ela, antes de uma repentina preocupação assaltar sua mente. — Mas você sabe que isso é arriscado, Rodolfo... Posso acabar gerando um filho seu.A fogueira no centro do acampamento na floresta estalava baixo. O silêncio da noite mortal só era interrompido pelo respirar pesado das crianças, adormecidos juntos sob o abrigo das raízes que Magda erguera.Ulisses ajustou as tiras do peitoral de couro, limpando a lâmina de ferro estígio pela última vez. O movimento repetitivo chamou a atenção de Rodolfo, que se levantou do tronco onde entalhava um pedaço de madeira.— Você está arrumando as armas como se estivesse prestes a marchar — disse Rodolfo, o tom grave chamando a atenção de Astolfo e Magda. — O perímetro está calmo, Ulisses.— O perímetro está calmo hoje — corrigiu Ulisses, sem erguer os olhos da lâmina. — Mas não estará amanhã. Eu vou ao Submundo. Sozinho.Magda, que trançava flores perto dos berços, congelou. As folhas caíram de suas mãos enquanto ela se levantava de pulo, o rosto pálido de incredulidade.— Você ficou louco? — disparou Astolfo. — O seu pai acabou de ser humilhado no Conselho do Olimpo! Se você pisar
A decisão foi tomada sem hesitação. A ideia de perder a infância e a juventude de Rubens, Afonso e Uriel em uma aceleração temporal desenfreada era um preço que nenhum deles estava disposto a pagar.— Não ficaremos mais nem um segundo — decretou Magda, segurando Afonso no colo enquanto Rodolfo erguia Rubens e Ulisses tomava o pequeno Uriel nos braços.Hermes avançou para o centro do santuário e cravou o Caduceu no chão. A varinha de serpentes aladas brilhou em um tom dourado cegante, fazendo o ar estalar. As paredes do templo de Cronos começaram a se distorcer, como vidro derretendo, enquanto a ilusão do tempo dilatado se desfazia ao redor do grupo.— Mantenham os olhos fechados e não soltem as crianças! — instruiu Hermes, a voz ecoando no turbilhão de vento que se formou. — Vou lançá-los pelas fendas dos meus caminhos secretos. Vocês emergirão nos limites do mundo mortal, no Vale das Mães Antigas, uma floresta petrificada sob a bênção de Perséfone. Nem Zeus do topo do céu, nem Had
A névoa do Santuário de Cronos agitou-se subitamente em espirais douradas. As pequenas asas caduceias brilharam no ar antes mesmo que os pés de Hermes tocassem o chão de pedra do templo. Diferente de suas aparições habituais, a expressão do Deus dos Mensageiros era séria, com o olhar focado e desprovido do sorriso provocativo de costume. Ao ver o pai, Magda percebeu imediatamente a gravidade do momento.— Pai... — disse Magda, dando um passo à frente. — O que aconteceu no Olimpo? Nós soubemos da reunião, Poseidon e Hefesto realmente..— Eles travaram Zeus e travaram as tropas oficiais — interrompeu Hermes, a voz rápida e enérgica, estendendo as mãos para segurar os ombros da filha. — A jogada no conselho foi brilhante, Magda. O Olimpo está dividido e paralisações políticas impedem uma marcha formal. Mas nem tudo são boas notícias. O problema agora é o próprio lugar onde vocês estão.Rodolfo e Astolfo aproximaram-se rapidamente, trocando olhares preocupados, enquanto Ulisses deu do
Na Forja de LemnosHefesto ergueu seu imenso martelo de guerra, batendo-o com violência contra a bigorna de bronze. Uma onda de choque de fogo e faíscas cortou a caverna, fazendo o chão de rocha tremer.— Zeus governou o Olimpo por eras exigindo lealdade, mas agora a paranóia o cega — a voz de Hefesto ressoou como um vulcão em erupção. — Ele deseja aniquilar o meu sangue, a minha continuação na terra, para proteger seu próprio medo? Não. O aço da minha forja não se curvará à insensatez do meu irmão.O Deus do Fogo olhou fixamente para Rodolfo, a chama em seus olhos brilhando com um orgulho feroz.— Volte para a sua mulher e para o meu neto, Rodolfo. Proteja o pequeno Rubens. Eu mesmo marcharei até o Grande Conselho do Olimpo. Quando Zeus convocar os deuses para ordenar o massacre, eu estarei lá... e o calor da minha forja declarará o meu veto. Se ele desejar destruir o meu neto, terá que passar por mim primeiro.No Palácio de Atlântida Nas profundezas do oceano, Poseidon cravo
No jardim interno do Santuário de Cronos, o chão subitamente tremeu. Não era um abalo violento, mas um pulso profundo e ritmado que fez a grama cintilar. De uma fenda na, uma galho espesso e coberta por espinhos de cristal negro brotou, desabrochando em uma única flor de pétalas roxas e douradas.Magda aproximou-se, atraída pela assinatura mágica inconfundível. Ao tocar a flor, uma névoa esmeralda envolveu a sala, e a voz de Perséfone — suave, mas carregada pela gravidade do cativeiro — ressoou diretamente na mente da filha e no coração de todos no salão:“Minha filha... Escute-me com atenção. O tempo do nosso segredo acabou.Hades descobriu toda a verdade. Ele e Zeus firmaram um pacto e marcharão juntos. Hades, que antes pretendia poupar o pequeno Uriel por ser seu descendente, agora jurou destruí-lo ao lado de seus irmãos. Eles reunirão as frotas dos céus e os abismos do Submundo para romper a barreira de Cronos.”Magda empalideceu, levando a mão ao peito enquanto Rodolfo, Astol
A Câmara do Inverno Perpétuo, cravada no ponto mais fundo do Palácio do Submundo, exalava um frio mortal. As paredes de rocha estavam cobertas por uma camada espessa de gelo negro, e o único som no recinto era o tilintar suave das correntes congeladas que prendiam os pulsos de Perséfone a uma pilar de pedra ancestral.Mesmo desprovida do calor da primavera, com os lábios levemente arroxeados e as vestes finas cobertas de geada, Perséfone mantinha a cabeça erguida. O olhar da Rainha do Submundo continuava altivo, denso e inflexível.Passos pesados ressoaram pelo corredor de rocha. A névoa de enxofre abriu-se, e a figura imponente de Hades emergiu da escuridão. Seus olhos ardiam como duas brasas cobertas de cinzas, e o cetro de ferro estígio em sua mão ecoava um pulso sombrio a cada toque no chão. Ele parou diante dela, encarando a esposa com uma mistura de rancor amargo e fúria contida. — Você continua em silêncio, minha Rainha — disse Hades, a voz grave e cavernosa ecoando nas p







