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Entregue ao Desejo

Author: Krystal Pires
last update publish date: 2026-09-15 02:39:14

— Solte-a, seu infeliz! — vociferou Rodolfo, avançando a passos largos contra o irmão.

​— Ela também queria! Não a forcei a nada!

— rebateu Astolfo, esquivando-se em vão.

​Rodolfo agarrou o irmão pelo pescoço, prensando-o com força contra a parede. Magda, observando a cena do canto do quarto, sentiu uma onda inusitada de excitação percorrer seu corpo. Ver aqueles dois semideuses disputando sua atenção despertava nela um desejo avassalador de ser possuída.

​— Isso é verdade, Magda? — perguntou Rodolfo, sem soltar o irmão, com o olhar faiscando em fúria. — Você o queria?

​— Não... Não exatamente — balbuciou a jovem, tentando reorganizar os pensamentos. — Eu estava me enxugando quando Astolfo entrou sem bater. Mas ele não me obrigou a nada.

​— Viu só? Eu não a forcei! Agora me solte, irmão! — esbravejou Astolfo, tentando arfar.

​Rodolfo afrouxou o aperto e encarou Magda com um olhar frio, carregado de decepção:

​— Que lástima... E pensar que cheguei a ponderar fazer de você minha esposa.

​— Espera, Rodolfo! Por favor, vamos conversar! — pediu a jovem, dando um passo à frente.

​— Não temos nada para conversar. Vista-se. E você, Astolfo, saia da minha frente antes que eu perca a razão.

​O irmão mais velho bateu a porta ao sair, fazendo a estrutura de madeira estremecer.

​— Bom... acho que agora podemos continuar de onde paramos — disse Astolfo com um sorriso cínico, voltando a se aproximar.

​— Saia daqui! — ordenou Magda, empurrando-o no peito com toda a força que lhe restava. — Tudo isso é culpa sua! Fique longe de mim!

​Ela conseguiu expulsá-lo do aposento e fechou a porta. Jogando-se na cama, desabou em prantos. Sentia uma pontada lancinante de culpa no peito, como se tivesse traído Rodolfo — e logo com o próprio irmão. Exausta pelo turbilhão de emoções, acabou adormecendo.

​Pela manhã, batidas firmes na porta a despertaram.

​— Pode entrar... — murmurou Magda, ainda sonolenta, imaginando ser a dama de companhia.

​— Eu só queria conversar com você — respondeu uma voz grave e aveludada.

​Era Ulisses. A jovem sobressaltou-se na cama, percebendo tarde demais que dormira completamente nua. Ulisses cruzou o batente e parou, paralisado diante da cena.

​Magda estava exposta sobre os lençóis, com os longos cabelos loiros espalhados pelos ombros e os seios fartos à vista. O jovem semideus ficou em êxtase. Jamais contemplara uma beleza tão pura e provocante.

​— Ah! — gritou Magda, puxando o lençol às pressas para se cobrir. — Pensei que fosse a Amélia!

​— Perdoe-me... Não imaginei que estivesse sem roupas — disse ele, embora seus olhos verdes devorassem cada detalhe de sua silhueta.

​— Deixe-me vestir algo, por favor. Depois conversamos.

​— Eu posso ajudá-la. Sua dama não está aqui agora.

​— É melhor não — rebateu ela, corando. — Preciso tomar um banho e não quero que me veja assim.

​— Mas eu acabei de ver — disse Ulisses, aproximando-se da cama com um sorriso envolvente. — E, para ser sincero, você é a mulher mais fascinante que já contemplei. Venha.

​Antes que ela pudesse protestar, Ulisses tomou-a delicadamente pelas mãos e a conduziu até a banheira. Magda entregou-se à água morna, enquanto o semideus se ajoelhava ao lado do recipiente, apanhando o sabão para deslizar as mãos por sua pele.

​A jovem tentou resistir ao toque, mas a carícia sedutora de Ulisses desarmou suas defesas. As mãos grandes do semideus percorreram seus ombros, descendo até espalhar a espuma sobre seus seios com uma pressão firme, apertando-os até que ela soltasse um suspiro contido. Aproxiamaram os rostos e seus lábios se uniram em um beijo doce e ardente.

​A mão de Ulisses deslizou mais para baixo, alcançando a intimidade da jovem submersa na água. Quando os dedos dele começaram um movimento ritmado e preciso sobre seu ponto de prazer, Magda perdeu o domínio dos sentidos. Nenhum homem jamais a tocara daquela forma. A confusão e a culpa da noite anterior dissiparam-se por completo, substituídas por uma onda incontrolável de calor.

​Ela inclinou a cabeça para trás, gemendo baixinho ao pé do ouvido dele.

​— Isso é bom, não é? — sussurrou Ulisses.

— Você está tão entregue...

​— Não pare... Por favor — suplicou Magda, segurando nos ombros dele. — Continue mais um pouco...

​— Continuarei até você pedir para eu parar.

​Ulisses manteve o ritmo intenso por mais alguns minutos até que o corpo de Magda se contorceu em um espasmo delicioso de prazer.

​— Ah! — exclamou ela, arfando enquanto o delírio atingia o ápice. — Eu... acho que cheguei ao meu limite...

​Ulisses recolheu a mão, sorrindo com um olhar vitorioso:

​— Você é incrível... Tão quente e acolhedora.

​Magda cobriu o rosto com as mãos, repentinamente tomada por um misto de vergonha e choque.

​— Isso não devia ter acontecido... Por que você fez isso?

​— Eu? Foi você quem me permitiu dar-lhe banho — respondeu ele, encarando-a com naturalidade. — Apenas lhe dei o que você merecia.

​— E o que eu mereço? — indagou ela, com a respiração ainda descompassada.

​— Um homem que saiba dar-lhe verdadeiro prazer. E pode ter certeza de que eu sou esse homem.

​— Pensei que você fosse o mais reservado e romântico dos três... Mas vejo que me enganei.

​— E eu sou tudo isso — sorriu Ulisses, inclinando-se para dar-lhe um beijo suave na testa. — Mas não resisti à tentação de tocá-la. E sei que você queria ser tocada por mim.

​— Saia daqui, por favor... Preciso me arrumar.

​— Se precisar relaxar novamente, basta me chamar, meu amor.

​Ulisses retirou-se do aposento. Sozinha na banheira, Magda sentiu uma ponta de desamparo por ter cego às suas vontades, mas não podia negar o êxtase inesquecível que ele lhe proporcionara.

​Pouco depois, Amélia entrou no quarto.

​— Alteza! Precisa de mim?

​— Onde você estava, Amélia? — perguntou Magda, saindo da água e cobrindo-se com a toalha.

​— Estava ajudando as servas no andar inferior. O que deseja?

​— Ajude-me a me vestir.

​Enquanto ajustava o tecido sobre o corpo da jovem, Amélia notou pequenas marcas avermelhadas no colo da princesa.

​— Alteza... O que houve com seus seios? Há marcas de pressão na sua pele.

​Magda olhou para o espelho, percebendo que a força das mãos de Ulisses deixara leves vestígios.

​— Foi o Ulisses... Ele esteve aqui — confessou a jovem, baixando o tom de voz.

​Amélia arregalou os olhos:

​— Vocês se deitaram?!

​— Não! Ele apenas me procurou e... me tocou. Mas sei que não deveria ter permitido.

​— Então é com ele que a senhorita pretende se casar?

​— Não sei... Nem sei se ainda devo pensar em casamento — suspirou Magda. — Mas há algo nesses três irmãos que me atrai de uma forma inexplicável.

​— O importante é que a senhorita esteja em segurança — consolou a dama. — Pronto, terminei de ajustar o vestido. Vai tomar o desjejum?

​— Sim, preciso enfrentar a situação.

​Magda dirigiu-se ao salão de refeições. Os três irmãos já estavam acomodados à mesa, aguardando sua chegada.

​— Que bom que se juntou a nós, Magda — cumprimentou Astolfo com um sorriso de lado.

​Ela sentou-se em silêncio. Rodolfo mantinha a postura rígida e sequer olhava em sua direção. Astolfo observava-a com desdém brincalhão, e Ulisses mantinha uma expressão serena, fingindo que nada ocorrera minutos antes.

​A atmosfera pesada fez com que Magda perdesse o apetite.

​— Sinto que estou incomodando vocês — disparou a jovem, encarando os três. — Acho que chegou o momento de ir embora.

​Os irmãos entreolharam-se, surpresos com a declaração.

​— Por que iria embora? Ninguém aqui está incomodado com sua presença — declarou Rodolfo, quebrando o silêncio.

​— Vocês mal olham para mim.

​— Seria hipocrisia negar — respondeu Rodolfo, apoiando os braços na mesa. — Vou ser direto: nós três estamos interessados em você. Esse é o verdadeiro problema.

​— Eu já percebi — murmurou Magda. — Vocês estão travando uma disputa silenciosa por minha causa.

​— Então a solução é simples — interveio Ulisses, fitando-a fixamente. — Com qual de nós você quer ficar?

​— Eu não posso decidir assim... Mal nos conhecemos.

​— Tenho uma proposta — sugeriu Astolfo, reclinando-se na cadeira. — Vamos nos conhecer melhor. Aquele que conseguir conquistar seu coração primeiro, vence.

​Magda olhou para os três rostos fortes e imponentes. A ideia de ser cortejada por três semideuses fazia seu peito acelerar.

​— Tudo bem... Eu aceito — concordou ela.

​— Excelente — concluiu Rodolfo, levantando-se. — Começaremos hoje. Vou levá-la para conhecer o lago próximo ao castelo. Assim poderemos conversar a sós.

​Magda assentiu, sentindo uma ponta de apreensão. Ela sabia perfeitamente o perigo e a tentação que enfrentava a cada vez que ficava a sós com qualquer um daqueles homens.

​— Mandarei entregar um novo vestido em seu quarto — acrescentou Rodolfo antes de sair. — Quero você radiante para o nosso passeio.

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