LOGIN— Solte-a, seu infeliz! — vociferou Rodolfo, avançando a passos largos contra o irmão.
— Ela também queria! Não a forcei a nada! — rebateu Astolfo, esquivando-se em vão. Rodolfo agarrou o irmão pelo pescoço, prensando-o com força contra a parede. Magda, observando a cena do canto do quarto, sentiu uma onda inusitada de excitação percorrer seu corpo. Ver aqueles dois semideuses disputando sua atenção despertava nela um desejo avassalador de ser possuída. — Isso é verdade, Magda? — perguntou Rodolfo, sem soltar o irmão, com o olhar faiscando em fúria. — Você o queria? — Não... Não exatamente — balbuciou a jovem, tentando reorganizar os pensamentos. — Eu estava me enxugando quando Astolfo entrou sem bater. Mas ele não me obrigou a nada. — Viu só? Eu não a forcei! Agora me solte, irmão! — esbravejou Astolfo, tentando arfar. Rodolfo afrouxou o aperto e encarou Magda com um olhar frio, carregado de decepção: — Que lástima... E pensar que cheguei a ponderar fazer de você minha esposa. — Espera, Rodolfo! Por favor, vamos conversar! — pediu a jovem, dando um passo à frente. — Não temos nada para conversar. Vista-se. E você, Astolfo, saia da minha frente antes que eu perca a razão. O irmão mais velho bateu a porta ao sair, fazendo a estrutura de madeira estremecer. — Bom... acho que agora podemos continuar de onde paramos — disse Astolfo com um sorriso cínico, voltando a se aproximar. — Saia daqui! — ordenou Magda, empurrando-o no peito com toda a força que lhe restava. — Tudo isso é culpa sua! Fique longe de mim! Ela conseguiu expulsá-lo do aposento e fechou a porta. Jogando-se na cama, desabou em prantos. Sentia uma pontada lancinante de culpa no peito, como se tivesse traído Rodolfo — e logo com o próprio irmão. Exausta pelo turbilhão de emoções, acabou adormecendo. Pela manhã, batidas firmes na porta a despertaram. — Pode entrar... — murmurou Magda, ainda sonolenta, imaginando ser a dama de companhia. — Eu só queria conversar com você — respondeu uma voz grave e aveludada. Era Ulisses. A jovem sobressaltou-se na cama, percebendo tarde demais que dormira completamente nua. Ulisses cruzou o batente e parou, paralisado diante da cena. Magda estava exposta sobre os lençóis, com os longos cabelos loiros espalhados pelos ombros e os seios fartos à vista. O jovem semideus ficou em êxtase. Jamais contemplara uma beleza tão pura e provocante. — Ah! — gritou Magda, puxando o lençol às pressas para se cobrir. — Pensei que fosse a Amélia! — Perdoe-me... Não imaginei que estivesse sem roupas — disse ele, embora seus olhos verdes devorassem cada detalhe de sua silhueta. — Deixe-me vestir algo, por favor. Depois conversamos. — Eu posso ajudá-la. Sua dama não está aqui agora. — É melhor não — rebateu ela, corando. — Preciso tomar um banho e não quero que me veja assim. — Mas eu acabei de ver — disse Ulisses, aproximando-se da cama com um sorriso envolvente. — E, para ser sincero, você é a mulher mais fascinante que já contemplei. Venha. Antes que ela pudesse protestar, Ulisses tomou-a delicadamente pelas mãos e a conduziu até a banheira. Magda entregou-se à água morna, enquanto o semideus se ajoelhava ao lado do recipiente, apanhando o sabão para deslizar as mãos por sua pele. A jovem tentou resistir ao toque, mas a carícia sedutora de Ulisses desarmou suas defesas. As mãos grandes do semideus percorreram seus ombros, descendo até espalhar a espuma sobre seus seios com uma pressão firme, apertando-os até que ela soltasse um suspiro contido. Aproxiamaram os rostos e seus lábios se uniram em um beijo doce e ardente. A mão de Ulisses deslizou mais para baixo, alcançando a intimidade da jovem submersa na água. Quando os dedos dele começaram um movimento ritmado e preciso sobre seu ponto de prazer, Magda perdeu o domínio dos sentidos. Nenhum homem jamais a tocara daquela forma. A confusão e a culpa da noite anterior dissiparam-se por completo, substituídas por uma onda incontrolável de calor. Ela inclinou a cabeça para trás, gemendo baixinho ao pé do ouvido dele. — Isso é bom, não é? — sussurrou Ulisses. — Você está tão entregue... — Não pare... Por favor — suplicou Magda, segurando nos ombros dele. — Continue mais um pouco... — Continuarei até você pedir para eu parar. Ulisses manteve o ritmo intenso por mais alguns minutos até que o corpo de Magda se contorceu em um espasmo delicioso de prazer. — Ah! — exclamou ela, arfando enquanto o delírio atingia o ápice. — Eu... acho que cheguei ao meu limite... Ulisses recolheu a mão, sorrindo com um olhar vitorioso: — Você é incrível... Tão quente e acolhedora. Magda cobriu o rosto com as mãos, repentinamente tomada por um misto de vergonha e choque. — Isso não devia ter acontecido... Por que você fez isso? — Eu? Foi você quem me permitiu dar-lhe banho — respondeu ele, encarando-a com naturalidade. — Apenas lhe dei o que você merecia. — E o que eu mereço? — indagou ela, com a respiração ainda descompassada. — Um homem que saiba dar-lhe verdadeiro prazer. E pode ter certeza de que eu sou esse homem. — Pensei que você fosse o mais reservado e romântico dos três... Mas vejo que me enganei. — E eu sou tudo isso — sorriu Ulisses, inclinando-se para dar-lhe um beijo suave na testa. — Mas não resisti à tentação de tocá-la. E sei que você queria ser tocada por mim. — Saia daqui, por favor... Preciso me arrumar. — Se precisar relaxar novamente, basta me chamar, meu amor. Ulisses retirou-se do aposento. Sozinha na banheira, Magda sentiu uma ponta de desamparo por ter cego às suas vontades, mas não podia negar o êxtase inesquecível que ele lhe proporcionara. Pouco depois, Amélia entrou no quarto. — Alteza! Precisa de mim? — Onde você estava, Amélia? — perguntou Magda, saindo da água e cobrindo-se com a toalha. — Estava ajudando as servas no andar inferior. O que deseja? — Ajude-me a me vestir. Enquanto ajustava o tecido sobre o corpo da jovem, Amélia notou pequenas marcas avermelhadas no colo da princesa. — Alteza... O que houve com seus seios? Há marcas de pressão na sua pele. Magda olhou para o espelho, percebendo que a força das mãos de Ulisses deixara leves vestígios. — Foi o Ulisses... Ele esteve aqui — confessou a jovem, baixando o tom de voz. Amélia arregalou os olhos: — Vocês se deitaram?! — Não! Ele apenas me procurou e... me tocou. Mas sei que não deveria ter permitido. — Então é com ele que a senhorita pretende se casar? — Não sei... Nem sei se ainda devo pensar em casamento — suspirou Magda. — Mas há algo nesses três irmãos que me atrai de uma forma inexplicável. — O importante é que a senhorita esteja em segurança — consolou a dama. — Pronto, terminei de ajustar o vestido. Vai tomar o desjejum? — Sim, preciso enfrentar a situação. Magda dirigiu-se ao salão de refeições. Os três irmãos já estavam acomodados à mesa, aguardando sua chegada. — Que bom que se juntou a nós, Magda — cumprimentou Astolfo com um sorriso de lado. Ela sentou-se em silêncio. Rodolfo mantinha a postura rígida e sequer olhava em sua direção. Astolfo observava-a com desdém brincalhão, e Ulisses mantinha uma expressão serena, fingindo que nada ocorrera minutos antes. A atmosfera pesada fez com que Magda perdesse o apetite. — Sinto que estou incomodando vocês — disparou a jovem, encarando os três. — Acho que chegou o momento de ir embora. Os irmãos entreolharam-se, surpresos com a declaração. — Por que iria embora? Ninguém aqui está incomodado com sua presença — declarou Rodolfo, quebrando o silêncio. — Vocês mal olham para mim. — Seria hipocrisia negar — respondeu Rodolfo, apoiando os braços na mesa. — Vou ser direto: nós três estamos interessados em você. Esse é o verdadeiro problema. — Eu já percebi — murmurou Magda. — Vocês estão travando uma disputa silenciosa por minha causa. — Então a solução é simples — interveio Ulisses, fitando-a fixamente. — Com qual de nós você quer ficar? — Eu não posso decidir assim... Mal nos conhecemos. — Tenho uma proposta — sugeriu Astolfo, reclinando-se na cadeira. — Vamos nos conhecer melhor. Aquele que conseguir conquistar seu coração primeiro, vence. Magda olhou para os três rostos fortes e imponentes. A ideia de ser cortejada por três semideuses fazia seu peito acelerar. — Tudo bem... Eu aceito — concordou ela. — Excelente — concluiu Rodolfo, levantando-se. — Começaremos hoje. Vou levá-la para conhecer o lago próximo ao castelo. Assim poderemos conversar a sós. Magda assentiu, sentindo uma ponta de apreensão. Ela sabia perfeitamente o perigo e a tentação que enfrentava a cada vez que ficava a sós com qualquer um daqueles homens. — Mandarei entregar um novo vestido em seu quarto — acrescentou Rodolfo antes de sair. — Quero você radiante para o nosso passeio.A fogueira no centro do acampamento na floresta estalava baixo. O silêncio da noite mortal só era interrompido pelo respirar pesado das crianças, adormecidos juntos sob o abrigo das raízes que Magda erguera.Ulisses ajustou as tiras do peitoral de couro, limpando a lâmina de ferro estígio pela última vez. O movimento repetitivo chamou a atenção de Rodolfo, que se levantou do tronco onde entalhava um pedaço de madeira.— Você está arrumando as armas como se estivesse prestes a marchar — disse Rodolfo, o tom grave chamando a atenção de Astolfo e Magda. — O perímetro está calmo, Ulisses.— O perímetro está calmo hoje — corrigiu Ulisses, sem erguer os olhos da lâmina. — Mas não estará amanhã. Eu vou ao Submundo. Sozinho.Magda, que trançava flores perto dos berços, congelou. As folhas caíram de suas mãos enquanto ela se levantava de pulo, o rosto pálido de incredulidade.— Você ficou louco? — disparou Astolfo. — O seu pai acabou de ser humilhado no Conselho do Olimpo! Se você pisar
A decisão foi tomada sem hesitação. A ideia de perder a infância e a juventude de Rubens, Afonso e Uriel em uma aceleração temporal desenfreada era um preço que nenhum deles estava disposto a pagar.— Não ficaremos mais nem um segundo — decretou Magda, segurando Afonso no colo enquanto Rodolfo erguia Rubens e Ulisses tomava o pequeno Uriel nos braços.Hermes avançou para o centro do santuário e cravou o Caduceu no chão. A varinha de serpentes aladas brilhou em um tom dourado cegante, fazendo o ar estalar. As paredes do templo de Cronos começaram a se distorcer, como vidro derretendo, enquanto a ilusão do tempo dilatado se desfazia ao redor do grupo.— Mantenham os olhos fechados e não soltem as crianças! — instruiu Hermes, a voz ecoando no turbilhão de vento que se formou. — Vou lançá-los pelas fendas dos meus caminhos secretos. Vocês emergirão nos limites do mundo mortal, no Vale das Mães Antigas, uma floresta petrificada sob a bênção de Perséfone. Nem Zeus do topo do céu, nem Had
A névoa do Santuário de Cronos agitou-se subitamente em espirais douradas. As pequenas asas caduceias brilharam no ar antes mesmo que os pés de Hermes tocassem o chão de pedra do templo. Diferente de suas aparições habituais, a expressão do Deus dos Mensageiros era séria, com o olhar focado e desprovido do sorriso provocativo de costume. Ao ver o pai, Magda percebeu imediatamente a gravidade do momento.— Pai... — disse Magda, dando um passo à frente. — O que aconteceu no Olimpo? Nós soubemos da reunião, Poseidon e Hefesto realmente..— Eles travaram Zeus e travaram as tropas oficiais — interrompeu Hermes, a voz rápida e enérgica, estendendo as mãos para segurar os ombros da filha. — A jogada no conselho foi brilhante, Magda. O Olimpo está dividido e paralisações políticas impedem uma marcha formal. Mas nem tudo são boas notícias. O problema agora é o próprio lugar onde vocês estão.Rodolfo e Astolfo aproximaram-se rapidamente, trocando olhares preocupados, enquanto Ulisses deu do
Na Forja de LemnosHefesto ergueu seu imenso martelo de guerra, batendo-o com violência contra a bigorna de bronze. Uma onda de choque de fogo e faíscas cortou a caverna, fazendo o chão de rocha tremer.— Zeus governou o Olimpo por eras exigindo lealdade, mas agora a paranóia o cega — a voz de Hefesto ressoou como um vulcão em erupção. — Ele deseja aniquilar o meu sangue, a minha continuação na terra, para proteger seu próprio medo? Não. O aço da minha forja não se curvará à insensatez do meu irmão.O Deus do Fogo olhou fixamente para Rodolfo, a chama em seus olhos brilhando com um orgulho feroz.— Volte para a sua mulher e para o meu neto, Rodolfo. Proteja o pequeno Rubens. Eu mesmo marcharei até o Grande Conselho do Olimpo. Quando Zeus convocar os deuses para ordenar o massacre, eu estarei lá... e o calor da minha forja declarará o meu veto. Se ele desejar destruir o meu neto, terá que passar por mim primeiro.No Palácio de Atlântida Nas profundezas do oceano, Poseidon cravo
No jardim interno do Santuário de Cronos, o chão subitamente tremeu. Não era um abalo violento, mas um pulso profundo e ritmado que fez a grama cintilar. De uma fenda na, uma galho espesso e coberta por espinhos de cristal negro brotou, desabrochando em uma única flor de pétalas roxas e douradas.Magda aproximou-se, atraída pela assinatura mágica inconfundível. Ao tocar a flor, uma névoa esmeralda envolveu a sala, e a voz de Perséfone — suave, mas carregada pela gravidade do cativeiro — ressoou diretamente na mente da filha e no coração de todos no salão:“Minha filha... Escute-me com atenção. O tempo do nosso segredo acabou.Hades descobriu toda a verdade. Ele e Zeus firmaram um pacto e marcharão juntos. Hades, que antes pretendia poupar o pequeno Uriel por ser seu descendente, agora jurou destruí-lo ao lado de seus irmãos. Eles reunirão as frotas dos céus e os abismos do Submundo para romper a barreira de Cronos.”Magda empalideceu, levando a mão ao peito enquanto Rodolfo, Astol
A Câmara do Inverno Perpétuo, cravada no ponto mais fundo do Palácio do Submundo, exalava um frio mortal. As paredes de rocha estavam cobertas por uma camada espessa de gelo negro, e o único som no recinto era o tilintar suave das correntes congeladas que prendiam os pulsos de Perséfone a uma pilar de pedra ancestral.Mesmo desprovida do calor da primavera, com os lábios levemente arroxeados e as vestes finas cobertas de geada, Perséfone mantinha a cabeça erguida. O olhar da Rainha do Submundo continuava altivo, denso e inflexível.Passos pesados ressoaram pelo corredor de rocha. A névoa de enxofre abriu-se, e a figura imponente de Hades emergiu da escuridão. Seus olhos ardiam como duas brasas cobertas de cinzas, e o cetro de ferro estígio em sua mão ecoava um pulso sombrio a cada toque no chão. Ele parou diante dela, encarando a esposa com uma mistura de rancor amargo e fúria contida. — Você continua em silêncio, minha Rainha — disse Hades, a voz grave e cavernosa ecoando nas p







