LOGINO NOME ESQUECIDOO trovão ecoou por toda a floresta.Não foi um som comum. Parecia carregar uma voz antiga, grave, profunda, como se a própria montanha estivesse despertando depois de séculos de silêncio.A coluna de luz vermelha permanecia rasgando o céu ao norte, imóvel, pulsando lentamente como o coração de uma criatura adormecida.Ninguém falou.Nem Marco.Nem Rafael.Nem Arkan.Todos olhavam para o horizonte.Foi Elara quem rompeu o silêncio dentro de mim."Ele está respirando outra vez."Um arrepio percorreu minha espinha.— Quem é "ele"? — perguntei mentalmente.A loba não respondeu.Pela primeira vez desde que despertara completamente, senti medo vindo dela.Não medo por si mesma.Medo por mim.Arkan caminhou lentamente até uma das janelas da mansão.Seu rosto endureceu.— Durante séculos acreditamos que os registros haviam sido destruídos.Rafael aproximou-se.— Então eles sobreviveram?O velho guardião assentiu.— Sobreviveram porque alguém precisava lembrar.Marco cruzou o
A PRIMEIRA FISSURAO amanhecer chegou tímido.Pela primeira vez em muitos anos, a floresta permaneceu em absoluto silêncio. Nem os pássaros ousavam cantar. Nem o vento atravessava as copas das árvores.Era como se toda a natureza estivesse esperando.Eu observava o horizonte da varanda da mansão quando senti Elara despertar lentamente dentro de mim.Não era inquietação.Era um aviso.— Eles começaram a se mover... — ela sussurrou.Fechei os olhos.Ao longe, muito além das montanhas que protegiam o território da alcateia, pequenas ondas de energia surgiam como pedras lançadas sobre a superfície de um lago.Uma.Depois outra.Depois dezenas.Alguém estava procurando por mim.Marco apareceu atrás de mim sem fazer qualquer ruído.— Você também sentiu?Assenti.— Não são apenas lobos.Ele apoiou os braços na sacada de pedra.— Não.Seu rosto parecia mais cansado do que na noite anterior.As olheiras denunciavam que ele não havia dormido.— Recebi notícias durante a madrugada.Olhei para e
QUANDO A LUA COMEÇA A SANGRARA mansão não voltou ao normal depois que Selene desapareceu.Ela ficou… diferente.Como se as paredes tivessem ouvido demais.Como se a madeira antiga guardasse segredos que agora começavam a se mexer sob a superfície.Eu permaneci parada no corredor por vários segundos depois que a presença dela se dissipou. O silêncio era tão absoluto que podia ouvir o som do meu próprio sangue correndo nas veias.Marco foi o primeiro a se mover.— Isso não é possível… — ele murmurou, passando a mão pelos cabelos. — A Primeira Marcada foi apagada da história. Ninguém sobrevive a um selo entre mundos.Rafael, ao contrário, estava imóvel. Pensativo. Analisando.— Sobrevive… se a Lua permitir. — disse ele, finalmente. — E a Lua nunca faz nada sem propósito.O peso dessa frase caiu diretamente sobre mim.Elara estava inquieta. Não com medo — mas com expectativa. Era como se algo dentro dela estivesse sendo chamado pelo nome verdadeiro.— Ela disse que a Lua vai sangrar. — e
A PRIMEIRA MARCADA PELA LUAO vento que invadiu a mansão não era apenas frio — era antigo.Carregava consigo o cheiro de algo que não pertencia mais a este tempo, uma essência esquecida pelas gerações, mas profundamente reconhecida pela Lua.Meu corpo reagiu antes mesmo que minha mente pudesse compreender.Elara se ergueu dentro de mim com um uivo silencioso, ancestral, fazendo minha pele arrepiar como se cada poro estivesse ouvindo um chamado impossível de ignorar. Meu coração disparou, não por medo comum, mas por reconhecimento.A figura feminina avançou alguns passos para dentro do corredor, deixando que a luz lunar finalmente a tocasse por completo.Ela era alta, esguia, envolta por um manto cinza-prateado que parecia se mover como fumaça viva. Seus cabelos eram longos, de um branco quase luminescente, não de velhice, mas de poder. Os olhos… os olhos eram de um prata puro, tão intensos que pareciam refletir diretamente a Lua no céu.Marco e Rafael se colocaram instintivamente em p
ENTRE O ALFA, O SUPREMO E A MARCA QUE ME RECLAMAA mansão parecia respirar. Não como uma construção antiga cercada por paredes silenciosas, mas como um organismo vivo, pulsante, alimentado pelas emoções que fervilhavam entre nós três. O corredor estava mergulhado em sombras profundas, tocado apenas pela luz azulada da lua que se infiltrava pelas janelas altas, lançando reflexos prateados sobre as paredes de madeira escura.Eu ainda sentia o calor das mãos de Rafael nos meus braços — firme, protetor, silenciosamente possessivo. Zahor, dentro dele, vibrava como um trovão contido, atento a cada nuance do ambiente, a cada mudança no meu respirar. Ele sabia. Ele sempre sabia. Que algo estava para acontecer… e que aquilo mudaria tudo.Marco estava parado à minha frente, tão imóvel quanto uma estátua esculpida em puro desejo reprimido. Seus olhos escuros ardiam como brasas prestes a incendiar a noite. Korran farejava o ar dentro dele, inquieto, selvagem, faminto. A rejeição que me dera — sua
O LOBO QUE SE AJOELHA E O LOBO QUE SE ERGUEA Lua parecia maior naquela noite.Não apenas brilhante — viva.Um olho vigilante no céu, ardendo como se tivesse sido acesa especialmente para testemunhar o que estava prestes a acontecer entre nós três. A luz prateada caía sobre a floresta como uma chuva silenciosa, tocando cada folha, cada pedra, cada fragmento de ar. Tudo cintilava como se estivesse revestido por magia líquida.E no centro desse cenário quase sagrado… estávamos nós.Eu conseguia sentir a respiração de ambos — Marco atrás de mim, quente, densa, carregada de desejo e arrependimento; Rafael à minha frente, firme, impecável, com seus olhos verdes incendiados por algo que ele raramente permitia que transbordasse.Zahor e Elara sussurravam dentro de nós três, vibrando como cordas tensas prestes a se romper.Korran, porém…Korran tremia.Não de medo — Marco não conhecia esse sentimento.Mas de necessidade.Eu sentia sua energia selvagem raspando contra ele por dentro.— Alice…







