LOGINPOV: Chiara
Quase uma hora se passou desde que vi aquele Mercedes preto estacionar. O som do telefone da minha mesa cortou o silêncio do escritório. Atendi com o coração na garganta. — Chiara, compareça à sala de conferência. Agora! — A voz de Orion do outro lado estava tensa, desprovida de qualquer cortesia. — Sim, senhor — respondi, mas o clique do desligamento veio antes que eu terminasse. Levantei-me, sentindo minhas mãos tremerem de forma incontrolável. Alisei minha saia, respirei fundo e caminhei em direção à sala de conferência. Bati na porta com os nós dos dedos doloridos e a abri lentamente. Orion estava saindo; ele parou por um segundo, me lançou um olhar severo e sibilou: — Comporte-se. E não faça besteira, Rossi. Ele saiu, fechando a porta pesada atrás de mim com um estalo seco. O silêncio que se seguiu era denso, carregado de uma eletricidade que fazia os pelos dos meus braços se arrepiarem. No centro da sala, de costas para mim, ele estava lá. Massimo. Ele olhava para a vista do alto do prédio, as mãos nos bolsos da calça do terno perfeitamente cortado, emoldurado pelo horizonte de Milão. — Pediu para me chamar, senhor? — Minha voz soou rouca, pequena. Limpei a garganta, tentando recuperar o fôlego que parecia ter ficado no corredor. — Sim, eu pedi — ele respondeu. Ele se virou lentamente. O movimento foi fluido, predatório. Sem os óculos escuros, a intensidade dos seus olhos verdes era avassaladora. Era como ser atingida por uma onda de calor e gelo ao mesmo tempo. — Em que posso ajudar? — Eu queria lhe ver. Agora, sente-se. Suas palavras fizeram meus olhos se arregalarem. Senti o calor subir pelo meu pescoço, cobrindo meu rosto em um rubor que eu não conseguia esconder. O constrangimento lutava com uma curiosidade perigosa. — O senhor... queria me ver? — perguntei, a surpresa nítida no meu tom enquanto eu me sentava na cadeira de couro à frente da mesa de reuniões. Massimo sorriu. Não foi um sorriso aberto, mas algo lento, que mostrava dentes brancos e perfeitamente alinhados. Apesar do gesto, ele ainda parecia letal. Aquela visão disparou uma emoção incomum dentro de mim, uma vibração que desceu pela minha coluna e me fez apertar as coxas involuntariamente. Ele abriu o botão do terno, revelando a camisa branca impecável que parecia conter a custo seus ombros largos, e sentou-se na minha frente. — Massimo Capone. O nome saiu de sua língua de uma forma exótica, com uma cadência italiana profunda e sexy que me fez corar ainda mais. Ele estendeu a mão grande sobre a mesa. Olhei para aquela mão por um segundo longo demais para ser socialmente aceitável, fascinada pelas tatuagens que espreitavam sob o punho da camisa. Recuperei-me do transe e coloquei minha mão na dele. A pele dele era quente, firme, exalando uma masculinidade bruta. Ele envolveu minha mão inteira com a dele e, então, o mundo parou. Massimo levou meus dedos até a boca, inalando o meu perfume suavemente antes de depositar um beijo lento e deliberado sobre eles. Puta que pariu. Meu corpo inteiro se arrepiou. O tempo parecia ter dobrado sobre si mesmo. E ele não desviou o olhar por um milímetro sequer. — Chiara — sussurrei, sentindo minha garganta secar. Limpei-a novamente para ganhar firmeza. — Chiara Rossi. Por longos momentos, o silêncio foi o único diálogo. Nós nos encaramos e eu me senti totalmente exposta. Era como se ele tivesse um scanner nos olhos, capaz de ler cada segredo, cada medo e cada desejo que eu tentava esconder sob meu uniforme de trabalho. Massimo se inclinou para frente, apoiando os antebraços na mesa, diminuindo a distância entre nós. Eu baixei o olhar por um instante, intimidada pela sua presença física. — Chiara — ele disse meu nome baixo, num tom profundo que soou muito mais sexual do que deveria. — Gostaria de lhe convidar para jantar. Aquela voz de tenor, suave e perigosa, enviou uma nova onda de calafrios pelo meu corpo. Mas, apesar do impacto, meu cérebro começou a processar a arrogância subjacente. Não era um pedido comum; era o convite de um homem que nunca tinha ouvido a palavra "não" na vida. Levantei as sobrancelhas, a surpresa dando lugar a uma pontada de incredulidade. — N-não entendi, senhor. Odiei o fato de a minha voz ter vacilado. — Tenho certeza de que entendeu muito bem, Chiara. Afinal, falamos a mesma língua — ele disse suavemente, mas com uma firmeza que não admitia contestação. — Eu gostaria que você aceitasse jantar comigo. Pisquei, voltando à realidade. Senti meu lado atrevido, aquele que meu pai sempre dizia ser minha maior força e meu maior perigo, se erguendo. Endireitei as costas e sustentei o olhar dele. Massimo se levantou, atingindo sua altura máxima, e mesmo em pé, ele parecia um animal vigiando o território. Seus olhos faziam varreduras constantes pela sala, como se estivesse caçando ameaças invisíveis. Aquele foco total em mim era enervante. Ele me fazia sentir nua, como se as camadas de roupa fossem transparentes diante dele. — Isso eu entendi — respondi, tentando manter a voz firme. — Só não entendi o porquê de o senhor estar me convidando. — Apenas diga que aceita — ele rebateu, simplificando tudo com uma impaciência elegante. — Afinal, o senhor está pedindo ou exigindo? Vi um movimento quase imperceptível nos lábios dele, como se estivesse suprimindo uma diversão genuína. Ele não estava acostumado a ser questionado. — Eu lhe fiz uma pergunta, e a resposta é tão simples, Chiara. Não sei por que está complicando tanto. Lá estava aquele tom de novo. Arrogante. Prepotente. Eu deveria tê-lo rejeitado naquele instante, apenas pelo princípio da coisa. Mas a voz não saía. Minha pele formigava enquanto eu mergulhava naqueles olhos verdes. Ele exalava perigo, e um pequeno sino de alerta disparou no fundo da minha mente, gritando para eu pisar com cuidado. Eu deveria ter escutado. Mas me peguei lambendo os lábios involuntariamente, e não perdi o momento em que o foco dele desceu para a minha boca, acompanhando o movimento. Ele me fazia sentir desejada de uma forma que eu nunca tinha experimentado. Eu nunca fui uma garota insegura. Sou uma mulher que abraça minhas curvas, que se orgulha do corpo plus size que herdei. Nunca fui esbelta pelos padrões das revistas, mas sempre me valorizei. Sempre soube o respeito que merecia e que não precisava me contentar com migalhas. E eu, com certeza, não me sentiria inferior a Massimo Capone. Ele olhou para mim como se estivesse com fome. Uma fome que só eu poderia saciar. Os sinos de alerta continuavam tocando, mas o som do meu próprio desejo era mais alto. Senti-me feminina, selvagem e, estranhamente, livre. Inclinei-me para frente, retribuindo o desafio visual. — Eu aceito seu convite para jantar.POV: CHIARA Massimo cumpriu exatamente cada palavra que me prometeu naquela noite inesquecível. A mesa de jantar foi realmente apenas o começo da nossa maratona. Depois dali, ele me carregou nos braços e me tomou de todas as formas possíveis sobre o sofá de couro da sala de estar, onde as sombras da lareira dançavam na nossa pele. Não satisfeito, fomos parar no balcão da cozinha. Ele parecia insaciável, possessivo e completamente dominado por aquele desejo feroz que sempre o acompanhou. Atrapalhados pela urgência, até na escada nós fodemos, agarrados aos corrimãos de madeira, com a sua voz rouca ditando o ritmo enquanto eu arranhava os seus ombros sem a menor vergonha. Quando o dia já ameaçava despontar no horizonte e os primeiros raios de luz começavam a clarear o céu, finalmente fomos para o nosso quarto. Exaustos, mas ainda em transe, nos deitamos na nossa grande cama de casal. Lembro-me com clareza de Massimo deitado sobre mim, os olhos verdes brilhando com uma intensidade que q
— Massimo! Aqui na mesa de jantar? — ela perguntou, arfando, com os olhos brilhando de pura adrenalina. — Eu disse que seria na mansão inteira, minha bella — apoiei minhas duas mãos espalmadas na mesa, uma de cada lado do seu corpo, me inclinando sobre ela com o olhar escuro e dominador. — Começando exatamente por aqui. Com dedos rápidos e ágeis, puxei o zíper nas costas do seu vestido, abrindo o tecido até a sua cintura. Chiara me ajudou a deslizar o vestido para baixo, deixando o seu peito exposto, protegido apenas por um sutiã de renda preta que não durou mais do que dois segundos nas minhas mãos. Desfiz o fecho e joguei a peça no chão sem qualquer cerimônia. Seus seios fartos e lindos ficaram expostos diante dos meus olhos. Abaixei a cabeça imediatamente, abocanhando um dos seus bicos eretos com vontade, sugando e lambendo com força enquanto a minha mão direita apertava o outro seio. Chiara jogou a cabeça para trás na mesa de madeira, cravando as unhas nos meus ombros através d
POV: MASSIMO O silêncio finalmente reinava sobre a nossa mansão. A festa de casamento do meu sogro e de Bellina havia terminado há quase duas horas, e o ambiente antes preenchido por gargalhadas, taças tilintando e música suave agora dava lugar apenas ao estalhar calmo do fogo na lareira e à brisa fria da noite italiana que batia suavemente contra as grandes janelas de vidro. Minha mãe já havia levado os meninos para passar a noite em sua casa — Gabriele e Valentino protestando um pouco, como era de se esperar do temperamento difícil de ambos, e o pequeno Alessio já dormindo feito um anjo no colo dela. A casa estava completamente vazia. Seguranças e soldados haviam recebido ordens diretas e expressas minhas para abandonarem o perímetro interno da propriedade e manterem a vigilância estritamente nos portões e nos limites da propriedade. Hoje à noite, a mansão Capone pertencia apenas a nós dois. Caminhei a passos lentos até o bar da sala principal, e servi uma dose generosa de uísque
— Massimo! Então é isso que você quer? Mais um filho? — pergunto, rindo e balançando a cabeça diante da sua obsessão desmedida. — Não é só isso, minha bella — ele murmura perto dos meus lábios, com o olhar escurecido pelo desejo sem limites. — Eu quero comer o cuzinho e a boceta gostosa da minha mulher, mas quero muito ter mais um ou dois filhos correndo por aqui. Quando eu ia responder à altura daquela provocação deliciosa, fomos prontamente interrompidos pelo som de passos apressados no gramado e vozes infantis se aproximando rapidamente. — Mamãe! Mamãe! — gritavam em coro. Olhei para o lado e vi Gabriele e Valentino vindo correndo na nossa direção, ambos vestindo pequenos ternos alinhados, embora com as gravatas levemente tortas de tanto brincarem. Hoje os nossos gêmeos já estão com 6 anos de idade, esbanjando energia e aquela esperteza que às vezes até nos assustava. Enquanto isso, o nosso pequeno Alessio, agora com 3 anos, estava mais atrás, sentado confortavelmente no tapete
POV: CHIARA O som suave de uma música clássica ecoava suavemente pelo nosso jardim, misturando-se ao murmurinho alegre dos convidados, ao tilintar das taças de cristal e às risadas sinceras que preenchiam o ar. O dia estava absolutamente lindo, com o sol da tarde caindo suavemente sobre as árvores bem cuidadas e a brisa fresca da Itália trazendo o perfume agradável das flores montadas nos arranjos. Hoje era um dia de celebração pura e de uma felicidade que parecia transbordar do meu peito. Hoje foi o casamento do meu pai com a Bellina. Olhar para o meu pai no topo daquele altar improvisado no gramado, vestindo um terno impecável e com os olhos brilhando ao segurar a mão de Bellina, trouxe-me uma emoção difícil de descrever. Desde que a minha mãe morreu e ele me criou sozinho, enfrentando todas as dores e responsabilidades do mundo sem jamais reclamar, eu nunca o vi com outras mulheres. Para ele, o amor parecia ter se tornado algo do passado, uma lembrança bonita mantida em silêncio
POV: Massimo O inverno havia chegado com força total à Itália, cobrindo as paisagens com uma névoa fria, mas dentro dos muros da nossa mansão, o clima não poderia ser mais quente e acolhedor. Era noite de Natal. As luzes da grande árvore instalada no centro do salão principal piscavam em tons dourados, refletindo nas taças de cristal e na prataria disposta sobre a longa mesa de jantar. Para esta noite, decidimos deixar de lado as grandes festas formais da organização; queríamos apenas a presença daqueles que realmente importavam. Estávamos reunidos para comemorar o Natal em um ambiente íntimo, onde apenas a nossa família e os amigos mais próximos vieram celebrar conosco, compartilhando risadas, boa comida e uma paz que, em outros tempos, eu julgaria impossível de existir no meu mundo. No entanto, por mais bonito que o salão estivesse decorado, nada chamava mais a minha atenção do que a mulher que se movia graciosamente entre os convidados. Chiara estava absolutamente linda, vestin







