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CAPÍTULO 5

Author: Gabi Nunes
last update publish date: 2026-05-02 13:37:29

POV: Massimo

A vitória tinha um gosto doce, mas o triunfo de ouvir Chiara aceitar o meu convite foi interrompido pelo som estridente do meu celular. O visor brilhava com o nome de Enzo Ricci. Eu não precisava atender para saber que, se Enzo estava ligando agora, o mundo lá fora estava em chamas.

Contive um rosnado de frustração. Eu queria saborear aquele momento, observar como as bochechas dela ficavam rosadas e como ela tentava manter a compostura diante da minha intensidade. Mas o dever com a Tríade nunca dormia.

Atendi.

— Fale — ordenei, minha voz voltando instantaneamente ao tom gélido de comando.

— Temos uma emergência, Massimo. Agora.

A urgência na voz de Enzo era o suficiente. Desliguei o aparelho e voltei minha atenção para a mulher sentada à minha frente. Ela parecia confusa, talvez um pouco aliviada pela interrupção, mas eu não ia deixá-la escapar tão facilmente. Deslizei meu celular pela mesa de conferência até que parasse diante dela.

— Salve seu número. Agora — ordenei. Não era um pedido. — Eu vou ligar para combinarmos os detalhes do jantar. Não me faça esperar, Chiara.

Ela hesitou por um segundo, os dedos pequenos e delicados tocando o aparelho caro, mas fez o que eu mandei. Observei cada movimento, memorizando a curva do seu pescoço enquanto ela digitava. Assim que recuperei o telefone, saí da sala sem olhar para trás. Eu tinha um incêndio para apagar.

Vinte minutos depois, eu estava no meu escritório privado, as janelas de vidro blindado isolando o barulho de Milão. O ambiente era minimalista, funcional e frio. Enzo estava de pé diante da minha mesa, o rosto tenso, as mãos cruzadas atrás das costas.

— Relatório — eu disse, jogando o terno sobre a poltrona e soltando os punhos da camisa.

— Uma das cargas de armamento pesado vinda do Leste Europeu foi desviada no porto, chefe. Interceptaram o comboio antes mesmo de sair da zona primária.

Senti a raiva borbulhar, uma pressão familiar no fundo do meu crânio. Aquela carga era parte de um acordo com a Tríade Negra. Mexer com aquilo era declarar guerra contra mim, contra Matteo e contra Adrian.

— Quem foi o idiota com desejo de morte? — perguntei, caminhando até o minibar e servindo-me de um whisky puro. Eu não precisava do álcool para me acalmar; eu o usava para focar a minha fúria.

— Moretti — Enzo respondeu, e o nome dele saiu como um cuspe. — Alessandro Moretti. Ele enviou um recado. Diz que o mar da Itália tem um novo dono e que o pedágio agora é dele.

Um riso seco e sem humor escapou da minha garganta. Alessandro Moretti era como uma barata que insistia em sobreviver sob a sola do meu sapato. Ele era ambicioso, sim, mas a ambição sem inteligência é apenas um convite para o necrotério.

— Ele acha que pode roubar da Tríade e sair ileso? — virei-me para Enzo, meus olhos queimando. — Onde está o motorista do caminhão que sobreviveu?

— No galpão de segurança, Massimo. Ele está jurando que foi pego de surpresa, mas...

— Mas você acha que ele abriu a porta — completei. Enzo assentiu.

Caminhei até a minha mesa e peguei uma adaga de prata que usava como abridor de cartas, girando-a entre os dedos. O metal brilhava sob as luzes led do teto.

— Prepare o carro. Vamos ao galpão. Se Moretti quer brincar de pirata, eu vou mostrar a ele o que acontece quando se mexe no tesouro de um monstro.

Eu precisava descarregar a adrenalina que Chiara tinha despertado em mim, e o traidor no galpão seria o saco de pancadas perfeito. Moretti tinha cometido o erro de atravessar o meu caminho no dia em que eu decidi que seria feliz.

Eu ia quebrar cada osso daquele informante até ter a localização exata de Moretti. E depois que o sangue estivesse lavado das minhas mãos e o império estivesse seguro novamente, eu ligaria para Chiara.

No meu mundo, a curiosidade era um pecado, e a ignorância era uma sentença de morte. Eu não levava ninguém para a minha mesa sem saber exatamente o que escondiam sob a pele.

​— Enzo — chamei, minha voz soando baixa e absoluta.

​— Sim, chefe?

​— Quero um levantamento completo sobre Chiara Rossi. A secretária administrativa da empresa de tecnologia.

​Enzo franziu a testa por um milésimo de segundo, surpreso com o pedido em meio a uma crise de carga desviada.

​— Quero tudo — continuei, ignorando sua expressão. — Histórico médico, dívidas, rotina, com quem ela fala, o que ela come. Quero saber até o que ela sonha à noite. Investigue a vida dela de cima a baixo e me traga o relatório até amanhã de manhã.

​Enzo assentiu, sacando o celular para repassar a ordem aos nossos especialistas em inteligência.

— Considere feito, Massimo.

​Saímos do escritório.

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