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Capítulo 4

مؤلف: Sansa
No fim, todos os lanches foram parar na minha barriga.

Talvez fosse só impressão, mas, durante a aula, senti o olhar de Mateus sobre mim várias vezes.

Alguns dias depois, certa noite, entre o sono e a vigília, ouvi rugidos e gritos do lado de fora.

Por algum motivo, porém, minhas pálpebras ficaram cada vez mais pesadas, e logo caí no sono outra vez...

Na manhã seguinte, duas das seis alunas novas já tinham deixado a escola.

Aquele dia começou diferente.

A professora entrou na sala carregando uma pilha enorme de provas, com um sorriso estranho no rosto.

— Hoje teremos uma prova. Só quem passar poderá continuar estudando aqui. Quem reprovar vai receber uma punição, entenderam?

Levei as mãos à cabeça.

O quê?

Eu tinha entrado em um jogo de romance interativo e ainda precisava fazer prova?

Que tipo de jogo absurdo era aquele?

Nem prestei atenção no restante do que a professora disse.

Foi então que percebi que Júlia e as outras quatro estavam ainda mais abatidas.

Com certeza, elas também não queriam fazer aquela prova.

Eu já tinha esquecido fazia muito tempo praticamente tudo que aprendera no ensino médio.

Quando a prova chegou à minha carteira, bastou olhar para a primeira questão para quase entrar em colapso.

Aquilo era cálculo?

Desde quando alunos do terceiro ano do ensino médio estudavam uma coisa dessas?

Desabei sobre a carteira e gemi:

— Estou ferrada!

Mateus lançou um olhar de lado.

Na mesma hora, olhei para ele como quem tinha acabado de encontrar sua única tábua de salvação.

Então, fiz a expressão mais digna de pena que consegui e implorei baixinho:

— Gênio, pelo amor de Deus, salva minha pele!

No instante seguinte, ele respondeu com toda a calma:

— Também não sei.

Ótimo.

Maravilhoso.

No fim das contas, todo mundo ali era péssimo aluno.

......

Duas horas depois, a prova terminou.

Mateus estava com a cabeça apoiada sobre a carteira, dormindo, e não tinha escrito uma única palavra na prova.

Eu, pelo menos, coloquei qualquer coisa no papel.

Lembrava que os professores sempre diziam que, mesmo quando a gente não sabia a resposta, precisava mostrar algum raciocínio.

Quem sabe não dava para ganhar alguns pontos?

Depois que entreguei a prova, fiquei muito mais tranquila.

Tentei me consolar pensando que, por pior que fosse minha nota, aquilo não atrapalharia minha missão de conquistar Mateus.

Júlia e as outras, porém, continuavam pálidas.

O desespero nos olhos delas fazia parecer que não tinham acabado de fazer uma prova, mas enfrentado uma questão de vida ou morte.

......

No fim da tarde, eu estava prestes a voltar para o dormitório quando vi três garotos altos cercando Mateus.

Todos tinham uma expressão ameaçadora. Bastava olhar de longe para saber que não eram boa coisa.

Na mesma hora, lembrei da história do protagonista.

Mateus sofria bullying havia muito tempo. Era frágil, solitário e de dar pena.

Aqueles três só podiam ser os valentões que viviam maltratando ele.

É claro que eu não podia assistir àquilo de braços cruzados.

Minha grande oportunidade de brilhar tinha chegado!

Corri até Mateus e puxei ele para trás de mim.

Os três garotos demonstraram surpresa ao mesmo tempo.

Fiquei diante deles e falei, séria e indignada:

— Vocês não vão mais mexer com o Mateus. Se tentarem alguma coisa, vão ter que passar por mim. Eu sei lutar.

Não percebi que a expressão de Mateus tinha mudado.

Os olhos dele, profundos como um abismo sem fim, permaneceram fixos em mim.

Ele não dizia nada, mas parecia capaz de engolir minha existência a qualquer momento.

O canto dos lábios dele subiu de leve.

Em seguida, Mateus fez um discreto sinal com a cabeça para os três.

Um deles soltou uma risada fria.

— E caso a gente queira mexer com ele mesmo assim?

Respondi com ações.

Alguns minutos depois, os três estavam caídos no chão.

Eu odiava bullying escolar mais do que qualquer coisa.

Depois de resolver o problema, virei para Mateus com um enorme sorriso.

— Não precisa ter medo. De agora em diante, enquanto eu estiver aqui, ninguém vai maltratar você de novo.

Também dei alguns tapinhas no ombro dele, tentando consolar.

— Eu vou proteger você.

Uma emoção indecifrável atravessou os olhos de Mateus.

— Você vai me proteger?

Assenti sem hesitar.

— Vou. Eu vou proteger você.

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