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Capítulo 3

Penulis: Sansa
Então, falei com a maior cara de pau:

— É que eu ainda estou com medo.

Pouco antes, o medo tinha sido de verdade.

Agora, eu só estava fingindo para continuar agarrada a ele.

Pelo canto do olho, percebi que a expressão de Mateus ficou ainda mais estranha.

Mesmo assim, ele não tentou afastar meu corpo.

Ainda abraçada a ele, contei o que tinha acabado de acontecer.

— Será que alguém não fez isso de propósito só para assustar todo mundo? Fantasma não existe. Eu só acredito no que a ciência pode explicar.

Mateus respondeu com indiferença:

— Sim. Provavelmente foi alguma brincadeira de mau gosto.

Fiquei indignada.

— Que absurdo!

Ele encarou meu rosto com um leve sorriso difícil de interpretar.

— O que você veio fazer aqui fora?

Respondi com sinceridade:

— Vim procurar uma chave. Disseram que ela está no quarto da Lívia.

Mateus lançou um olhar sugestivo para mim.

— Então vai procurar.

Aproveitei a oportunidade.

— Mas estou com medo de aparecer alguém para assustar outra vez. Você pode ir comigo?

Comecei a fazer manha.

Caso Mateus não aceitasse, eu continuaria agarrada ao braço dele sem soltar.

No fim, ele não teve escolha e concordou em acompanhar meu retorno ao alojamento.

Foi então que vi no celular que já eram onze e cinquenta e seis.

Só naquele instante lembrei que as meninas tinham mandado eu voltar antes da meia-noite.

Agarrei a mão de Mateus e saí correndo em direção ao alojamento feminino.

Quando finalmente chegamos ao prédio, eu estava ofegante, mas a porta ainda permanecia aberta.

Olhei o horário.

Já eram meia-noite e três.

Levei a mão ao peito, aliviada.

— Ainda bem. Acho que Lívia esqueceu de trancar a porta. Hoje foi meu dia de sorte.

Foi então que lembrei da chave.

Corri até o quarto de Lívia, bati na porta e perguntei com toda a educação:

— Lívia, eu preciso de uma chave. Por acaso, você tem alguma chave diferente guardada no quarto?

Não percebi que, atrás de mim, Mateus parecia quase se divertir com a situação.

Ele falou com tranquilidade:

— Lívia, já que ela quer tanto, entrega para ela. Pode jogar a chave para fora.

Logo depois, a porta abriu apenas uma fresta.

Uma chave vermelha caiu no corredor.

Peguei a chave e agradeci com entusiasmo:

— Lívia, você é maravilhosa! Muito obrigada!

Cem mil dólares garantidos!

A recompensa tinha caído no meu colo rápido demais.

Lívia ficou sem reação.

O que eu não vi foi que a mulher gentil e simpática que conhecia durante o dia já tinha se transformado em algo completamente diferente.

Ela estava sem cabeça. O sangue pingava lentamente do corte aberto no pescoço.

Acenei para Mateus em despedida e voltei para meu quarto.

Mas, por mais que eu batesse na porta, as três meninas lá dentro se recusavam a abrir.

Continuavam dizendo que eu era um fantasma tentando enganar elas.

Fiquei desesperada.

— Vocês não aprenderam nada na escola, não? Não acreditam na ciência?

— Fantasma não existe!

Mesmo assim, nenhuma delas teve coragem de abrir a porta.

Sem outra alternativa, fui dormir no quarto 206, do outro lado do corredor.

Afinal, ele estava vazio. Ninguém morava ali.

Na manhã seguinte, quando saí do 206, as três me encararam como se tivessem visto um fantasma de verdade.

— Como você conseguiu voltar? Achou a chave?

Balancei a cabeça sem hesitar.

— Não.

Eu sabia muito bem que dinheiro não era coisa para ficar exibindo por aí.

Júlia olhou para mim com uma expressão difícil de descrever.

— Você teve muita sorte de voltar viva.

Nem tive vontade de continuar a conversa.

Depois do que tinha acontecido na noite anterior, eu também não queria mais dividir o quarto com aquelas três.

Peguei minhas coisas e mudei de vez para o 206, decidida a ficar ali dali em diante.

Mais tarde, fui para a sala de aula.

Mateus estava sentado no lugar de sempre, lendo um livro.

Com os lanches que tinha comprado nas mãos, corri até ele, toda atenciosa.

— Bom dia, Mateus.

Dessa vez, em vez de ignorar minha presença como costumava fazer, ele levantou os olhos e encarou meu rosto.

Estendi os lanches.

— Quer comer alguma coisa?

A resposta veio fria:

— Não.

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