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Capítulo 5

Autor: Sansa
O que eu não percebi foi que os três garotos caídos no chão estavam com expressões difíceis de descrever.

Mesmo assim, precisaram continuar fingindo que tinham desmaiado.

Mateus me observou como se quisesse desvendar tudo que havia dentro de mim.

No instante seguinte, ele abriu um sorriso.

Fiquei paralisada.

Até meu coração perdeu o compasso por causa daquele sorriso.

O rosto dele era muito parecido com o de André.

Até então, eu só tinha admirado Mateus por ele ser tão bonito.

Mas, naquele momento, meu coração disparou de um jeito diferente, e uma sensação doce tomou conta de mim.

Nem no evento de autógrafos de André eu tinha sentido algo assim.

Mateus já tinha sorrido outras vezes, mas nunca de forma tão aberta, tão viva.

— Está bem. — Respondeu.

......

A noite avançava cada vez mais.

Na sala dos professores, a professora entregou as provas a Mateus com uma expressão respeitosa.

Ele pegou uma caneta e puxou a prova de Clara.

Três minutos depois, deixou escapar uma risada baixa.

O olhar dele revelava uma ternura que nem ele mesmo percebia.

— Como pode ser tão burra? Não acertou nem uma questão...

......

No dia seguinte, a professora entrou na sala com a lista de notas nas mãos e começou a anunciar os resultados.

— Júlia, seis vírgula um.

Júlia soltou um suspiro de alívio.

— Elora, seis vírgula cinco.

Um sorriso também surgiu no rosto de Elora.

— Yasmin, cinco vírgula seis.

— Amália, cinco vírgula oito.

Yasmin e Amália perderam a cor na mesma hora.

A professora olhou para mim com uma expressão estranha.

— Clara...

Baixei a cabeça, já me sentindo culpada.

Então ela continuou:

— Sete.

Abri um sorriso e quase pulei da cadeira.

Eu tinha chutado quase todas as respostas e, mesmo assim, tirei sete!

Pelo visto, não tinha esquecido por completo a matemática que aprendi na escola.

Não decepcionei meus antigos professores!

Júlia ficou me encarando, sem conseguir acreditar.

Depois, a professora veio até minha carteira, tirou uma chave azul do bolso e colocou diante de mim.

— Esta é a sua recompensa.

Peguei a chave, radiante.

Com certeza, aquele item também valia dinheiro.

Ao meu lado, Mateus bebia o leite que eu tinha comprado, com uma expressão surpreendentemente tranquila.

Fiquei feliz por dentro.

Era a primeira vez que ele aceitava o leite que eu levava, mesmo que fosse só porque o copo dele tinha quebrado e ele não tinha como pegar água no bebedouro.

......

Quando voltei ao alojamento e estava prestes a entrar no quarto 206, Júlia bloqueou meu caminho.

— Entrega a chave azul.

Sorri.

— Por que eu entregaria para você?

Ela me encarou com frieza.

— Caso não entregue, nem pense em sair daqui.

Retribuí o olhar com desprezo.

— Desde quando você é quem manda neste jogo?

Em seguida, dei meia-volta e fui embora, sem a menor vontade de continuar discutindo.

Na manhã seguinte, acordei sentindo apenas uma leve dor no pescoço, mas não dei importância.

Quando cheguei à sala, porém, percebi que, entre as meninas, apenas Júlia e Elora ainda estavam ali.

Todas as outras tinham desaparecido.

Contei aquilo a Mateus.

Ele comia biscoitos e respondeu sem demonstrar qualquer interesse:

— Elas deixaram a escola.

— O quê? Por quê?

— Quem tira nota baixa é obrigado a sair.

Arregalei os olhos.

Aquela escola era rígida demais!

Fiz uma expressão sofrida.

— Se tiver outra prova, nem sei se vou conseguir tirar uma nota boa. E se eu reprovar? Será que também vou ter que sair da escola...

Um brilho divertido atravessou os olhos de Mateus, mas desapareceu tão rápido que não consegui ter certeza.

— Não vai.

......

Uma semana depois, Mateus faltou à aula.

Na saída da escola, passei em uma loja de conveniência para comprar alguns lanches.

Ultimamente, ele finalmente tinha parado de recusar tudo que eu oferecia.

Descobri que Mateus gostava muito de biscoitos, então levava um pacote para ele todos os dias.

Como não tinha aparecido na sala naquele dia, eu mesma levaria os biscoitos até o apartamento dele.

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Último capítulo

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