ログインPOV/ CHARLOTTEDessa vez, não fechou imediatamente.Ficou olhando para o teto por alguns segundos.Depois virou a cabeça devagar.Os olhos encontraram os meus.Meu coração acelerou.— Oi.Arthur piscou.A testa dele franziu.— Charlotte...A voz saiu tão rouca que quase não reconheci.— Sou eu.Ele tentou mexer o braço.— Não faz força.Segurei a mão dele.Arthur olhou para nossos dedos unidos.Depois voltou para o meu rosto.— Você...Engoliu em seco.Fiz menção de pegar a água, mas ele continuou:— Tá bem?Assenti.— Tô.Os olhos dele desceram imediatamente para minha barriga.— O bebê?— Também.Arthur fechou os olhos.O ar saiu devagar pelo nariz.Os ombros relaxaram.— Graças a Deus.Meu nariz começou a arder.— Você quase morre e a primeira coisa que pergunta é da gente.Ele abriu os olhos.— Claro.A resposta saiu fraca.Mesmo assim, era Arthur.Apertei a mão dele.— Você lembra do que aconteceu?O rosto dele ficou tenso.— Carlos.— Sim.— Tiro.— Sim.Ele respirou com cuidado
POV/ CHARLOTTE— Sua mãe morreu colocando você no mundo e, desde então, todo mundo precisou reorganizar a própria vida por sua causa.Fiquei imóvel.Ele sabia exatamente onde machucar.— Às vezes eu penso que teria sido melhor se tivesse acontecido o contrário.Meu coração bateu forte.— O quê?Carlos sustentou meu olhar.— Ela ter sobrevivido.A voz dele saiu baixa.— E você não.Meu peito doeu.Por alguns segundos, não consegui responder.O policial disse alguma coisa para Carlos, mas eu quase não ouvi.Apertei o telefone até meus dedos doerem.Não chorei.Não ali.— Obrigada.Carlos franziu a testa.— Pelo quê?— Por finalmente falar a verdade.Coloquei o telefone de volta no suporte.Ele bateu no vidro.Peguei novamente.— Charlotte!— Você passou semanas tentando me convencer de que eu não sabia quem era o Arthur.Olhei para ele.— Mas o único homem que eu não conhecia era você.Carlos riu sem humor.— Você acha que vai sair daqui e viver feliz para sempre?Levantei.— Não sei.E
POV: CHARLOTTEA casa estava quieta demais quando cheguei.Fechei a porta atrás de mim e fiquei alguns segundos com a bolsa pendurada no ombro, olhando a sala.Nenhuma televisão ligada.Nenhuma voz grossa reclamando de alguma coisa.Nenhum Arthur andando pela casa.O silêncio me incomodou mais do que eu esperava.Maressa estava dormindo no nosso quarto. Dante e Gael tinham saído para resolver as escalas do Erotic’s Boys e algumas coisas que Arthur normalmente cuidava sozinho. Luan tinha ficado porque, segundo ele, ninguém confiava em mim para realmente descansar.Ele apareceu vindo da cozinha com um copo de água na mão.— Achei que você fosse direto pra cama.— Eu vou.Luan arqueou uma sobrancelha.— Mentira.— Talvez.Ele apontou o copo para mim.— Bebe.— Você tá muito mandão.— Montez quase morreu e me deixou cercado de mulher teimosa. Tô me adaptando.Peguei o copo.— Coitado.— Obrigado pela solidariedade.Bebi metade da água e devolvi.Meus olhos foram para o terrário.Clotilde
POV: CHARLOTTEA claridade da manhã começou a entrar pelas frestas da persiana.Fiquei encarando o teto branco da sala de observação por alguns minutos antes de me mexer. Meu corpo inteiro estava dolorido. A garganta ainda ardia por causa da água da piscina, os músculos dos braços reclamaram quando tentei mudar de posição e o acesso no antebraço esquerdo puxou a pele.Virei o rosto para o relógio preso na parede.Eu tinha dormido pouco mais de duas horas.Arthur continuava no CTI.Essa foi a primeira coisa que pensei.Levei a mão até a barriga.A segunda veio logo depois.O sangramento tinha parado.Passei os dedos pela camisola e pressionei de leve o baixo ventre. Ainda havia um incômodo, mas as fisgadas fortes da madrugada tinham diminuído.A porta abriu.A médica da obstetrícia entrou acompanhada por uma enfermeira que empurrava o aparelho de ultrassom.— Bom dia, Charlotte. Como estão as dores?— Bem menores.Minha voz saiu rouca.Passei a língua pelos lábios secos.— E não sangro
POV/ MARESSABetânia cobriu a boca.O choro veio sem barulho.Vicente passou o braço ao redor dela e puxou a cunhada contra o peito.Ele ficou alguns segundos sem dizer nada.Depois olhou para mim.— Onde tá o Carlos?— A polícia levou.O maxilar dele travou.— Ótimo.Vicente levou Betânia até uma cadeira e saiu da sala para procurar informações sobre Arthur.Pouco depois, os policiais começaram a chamar quem tinha presenciado o que aconteceu.Fui uma das primeiras.Contei sobre a minha ida à mansão. Contei que Charlotte tinha decidido ir para lá por vontade própria e que, depois, pediu para sair. Contei sobre o celular retirado da minha mão, a porta trancada, Carlos impedindo nossa saída e a minha fuga pela janela durante a madrugada.Não precisei enfeitar nada.Rafael, Samuel, Luan e Gael também deram seus relatos. Os policiais já tinham apreendido a arma usada por Carlos e recolhido informações da cena. Carlos tinha sido levado sob custódia, e o restante seria apurado durante a inv
POV: MARESSAO saco plástico com gelo já tinha virado uma papa de água fria em cima do meu tornozelo.Eu estava jogada no sofá da sala de Arthur, com a perna esquerda esticada sobre uma almofada e o cheiro de álcool e pomada impregnado no ar. Meu joelho ardia onde tinha batido durante a fuga, e o corte no antebraço direito estava coberto por duas faixas de gaze que Dante tinha prendido com esparadrapo.Ele continuava sentado no chão ao lado do sofá, com os cotovelos apoiados nos joelhos e o celular entre as mãos. Desde que eu tinha contado o que aconteceu na mansão, Dante praticamente não tinha saído dali.O telefone tocou.Ele atendeu no primeiro toque.— Fala, Gael.Fiquei olhando para o rosto dele.A mudança foi imediata.Dante endireitou as costas. O maxilar travou e os dedos apertaram o aparelho.— Onde?Silêncio.— Tá. Tô indo.Ele desligou.Empurrei o corpo para cima.— O que aconteceu?Dante levantou, mas demorou um segundo para olhar para mim.— O Arthur levou um tiro.Meu co







