Share

01

Author: Vania Grah
last update publish date: 2022-11-07 20:44:57

Bruna Maria

Era somente por vovó Olivia que ainda aguentava a falta de respeito e tudo mais no hotel em que trabalhava. Por quê? O salário mínimo dela não cobria todos os gastos médicos com remédios.

A saúde da minha avó não era das melhores, portanto, arrisquei-me na cidade grande para recompensá-la por tudo que fez sempre por mim. Meus pais eram dois perdidos e não tinha lembranças boas deles.

Não sabia onde eles estavam e nem queria saber. Para que mais problemas? Não precisávamos de dois infelizes perturbando nossas vidas.

Minha supervisora em mais uma de suas crises de superioridade derramou alvejante no meu uniforme. No banheiro dos empregados me troquei e retornei ao trabalho, no entanto, o cheiro forte do alvejante não saía do meu corpo.

— Um dia ela terá o dela, pode ter certeza... — resmunguei, empurrando o carrinho de limpeza pelo corredor dos quartos do quinto andar.

Entrei em um dos quartos e vi a bunda de Gabriela. Ela era uma senhora de meia-idade que costumava se embriagar mais do que aguentava.

— A senhora precisa ter mais cuidado, ou acabará dando de cara no chão outra vez! — comentei, ajudando ela a levantar-se do sofá.

Ter dinheiro não significava ter felicidade, ela era o exemplo disso. Os filhos dela jogaram ela naquele hotel, sozinha. Ela morava há mais de sete anos naquele lugar que nunca seria uma casa de verdade.

— Estou bem, Bruna! Pode fazer o seu serviço, querida...

Bem? Bem, nada! Ela precisava de um banho quente e deitar em sua cama. Segurei em seu braço a conduzindo até o banheiro. Deixei ela debaixo do chuveiro e busquei pela sua toalha de banho.

— Quando eu tiver a sua idade, espero estar tão bem quanto a senhora! Por que não segue o meu conselho? Procure outras maneiras para se divertir ao invés do álcool. — aconselhei, aproximando-me com a toalha de banho.

— Você é um tesouro, menina. Estou velha para ter diversões.

Aquele pensamento dela sabia que era o que ouvira de seus filhos sem coração. Sequei cuidadosamente seus cabelos curtos.

— Velha nada, dona Gabriela! Tenho certeza que pode encontrar muitas coisas divertidas até mesmo paquerar uns cavalheiros na piscina. Que tal? Gosto quando te vejo fora deste quarto pegando um sol. Sabia que faz bem para saúde?

— Hoje não quero mais sair deste quarto. Minha cabeça está doendo bastante.

— Pedirei que lhe tragam um remédio para resolver esse probleminha, viu?

— Obrigada, querida!

Deixei que ela terminasse de secar seu corpo e então acompanhei ela até seu closet. Após ela colocar sua camisola de cetim de cor vermelha e deixá-la em sua cama, voltei minha atenção as minhas tarefas.

Quando saía do quarto da senhora quase bati meu carrinho de limpeza com o da minha colega. Ela era nova no trabalho ainda estava adaptando-se.

— Desculpe! Não acredito que causei quase um acidente. — pediu desculpas curvando-se para mim.

— Não é para tanto! Sou alguém como você! Esse incidente ficará entre nós duas!

— É, que o senhor do quarto onze discutiu comigo devido às cobertas. — cochichou como se fosse algo grave.

Conhecia bem aquele senhor rabugento do quarto onze, colocava defeitos em qualquer coisa.

— Ele é daquele jeito com todas nós. Não se sinta culpada ou nervosa por isso. Você vai se acostumar e ninguém mais vai te tirar do sério.

Por mais difícil que fosse lidar com os hóspedes, deveríamos sempre permanecer caladas ou acabaríamos no olho da rua. No hotel aguentava quase tudo, isso mesmo quase, pois certas coisas, não aturava, não mesmo!

— Não vou mais ficar no seu caminho. Obrigada por me ouvir! As outras camareiras parecem não ter gostado de mim.

— Elas são otárias por não enxergarem você como uma nova amiga. Olha, faça o seu trabalho e esqueça das outras.

Dei espaço para que ela passasse com o seu carrinho de limpeza e segui para o próximo quarto de número cinco. O quarto era enorme e tinha muito trabalho a ser realizado, pois, o próximo hóspede chegaria muito em breve.

Por que me deixaram encarregada justo daquele? Perguntei-me ao ver o quão exaustivo seria. Descrição era algo que não existia naquele hotel luxuoso. O novo hóspede acabara virando motivo de fofoca antes mesmo de sua chegada.

Quem ele era? Um bilionário mexicano. Ele era apenas outro esbanjador de dinheiro mal-educado com os funcionários, acreditava que fosse. Por quê? Pela minha experiência quanto mais dinheiro, menos cérebro e mais babaquice!

— Você não vai reclamar do meu serviço senhor imbecil, não vai! — resmunguei, limpando a banheira de hidromassagem de ouro. — Não sei pra que gastar tanto em quarto assim. Esse cara é outro exibido. Deixarei tudo brilhando para ele conseguir enxergar o rabo dele, no reflexo da banheira...

Conversar sozinha era muito aliviador. Bruna Maria educada e contida era somente no trabalho, fora dali poderia ser eu mesma. Devo confessar que era um pouco barraqueira, mas para minha defesa, era porque exigia meus direitos!

Fiquei cantarolando pelo quarto enquanto continuava minhas tarefas. Pensei em coisas boas, como, por exemplo, o cuscuz com carne que vovó Olivia costumava fazer, era delicioso demais! Não via a hora do final de semana chegar para voltar para casa e vê-la.

Quando o fim do expediente finalmente terminou, ainda peguei dois ônibus para chegar no quarto que alugava. O quarto era pequeno, tinha apenas um banheiro e um espaço mais ou menos grande.

Convidei minha única amiga na cidade para comer pizza. Ela não demorou a chegar e trouxe a pizza.

— Mulher, vi um gatinho na esquina que quase derrubei a pizza! — comentou, empolgada. — Ele era lindo e eu nunca mais vou vê-lo outra vez!

— Nunca fale nunca, Sofia! O destino é cheio de surpresas!

— Claro que o destino tem surpresas, o meu quase todos os dias me traz uma dívida nova!

Começamos a rir juntas e nos acomodamos no tapete do chão. Brindamos com refrigerante e colocamos a fofoca em dia enquanto comíamos nossa pizza de frango.

Os melhores momentos eram os mais simples ao lado de quem amávamos. Sofia era meu apoio e maior incentivadora quando as coisas não iam tão bem como o esperado.

Ter conhecido ela, que assim como eu, batalhava diariamente foi maravilhoso. Éramos duas malucas quando saíamos juntas. O mundo não estava preparado para duas mulheres sinceras! 

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Meu Amor É Um CEO Bilionário   Epílogo

    Bruna MariaUm almoço em família com as crianças juntas era trabalho em dobro. Não que eu estivesse reclamando, não era isso! Era difícil controlar tanta criança junta, portanto, contratei uma babá para olhá-las e acompanhar seus passos. Onze anos passaram voando e eu estava gestante do meu terceiro filho. Miguel era um garoto inteligente e bem estudioso, mas sua irmã Ana Luísa era o oposto.Ela tinha somente nove anos mais-valia por quatro crianças. Não parava um segundo quieta. Suas birras para não ir à escola eram coisa séria, no entanto, meu marido e eu dávamos um jeitinho de fazê-la participar das aulas sempre.— Ana Luísa, não suje seu vestido! Quer que os seus tios te vejam farrapada? — perguntei seriamente. Minha filha me olhou emburrada. Odiava quando alguém lhe chamava atenção.— Mamãe, por que não chama atenção do Miguel também? — questionou-me, procurando por um motivo apenas de colocar seu irmão em encrenca.— Ele está sentado na poltrona. Por favor, filha, não faça nada

  • Meu Amor É Um CEO Bilionário   60

    João GonzalezDois dias após o nosso retorno ao Brasil, minha esposa entrou em trabalho de parto. Não sei quem estava mais nervoso se era eu ou ela quando fomos para o hospital, por um momento quase desmaiei porque não sabia se aguentaria de fato ver ela sofrendo durante o parto, no entanto, não comentei minha fraqueza com ninguém. Entrei naquela sala de parto firme, menos forte, mas isso ninguém precisava saber.Quanto mais se aproximava do momento do nascimento de Miguel, mas ansioso ficava até mesmo acreditei que pudesse cair na sala de parto e acordar só depois de o meu filho ter nascido. No entanto, ele veio antes que isso pudesse acontecer, com as mãos trêmulas cortei o cordão umbilical do meu menino. Ele reconheceu a mamãe na hora quando ela falou com ele, foi uma cena realmente linda, não vou dizer que foi fácil o parto porque demorou quase quatro horas, contudo, aguentei para chegar naquele momento, embora não tenha gravado o nascimento dele devido todo meu nervosismo.Não sa

  • Meu Amor É Um CEO Bilionário   59

    Bruna MariaDois meses após a prisão do tio do meu marido, estávamos prontos para retornar para o Brasil. Meu cunhado foi embora dois dias depois do julgamento de Juliano. João e eu decidimos ficar um pouco mais no México e vovó Olivia permaneceu do nosso lado.Tudo estava maravilhoso sem aquele medo que nos cercava constantemente. Era hora de voltar para o Brasil porque não queria que meu filho nascesse no México, portanto, tínhamos que viajar quanto antes. A chegada de Miguel estava cada vez mais próxima e poderia acontecer a qualquer momento.Ajeitei meu cabelo um pouco mais na frente do espelho, antes de sair do quarto. Uma festa de despedida me aguardava. A família estava toda reunida. Eles amavam uma festa e com muita comida. Era ótimo estar do lado de uma família animada.— Você está muito linda! — meu marido disse, aproximando-se e beijando minha bochecha esquerda. — Todos estão ansiosos para ver você.Eles queriam mesmo me ver, afinal de contas, era a única grávida na família

  • Meu Amor É Um CEO Bilionário   58

    João GonzalezA audiência do meu tio Juliano foi adiada quatro dias, todavia, saiu. Nossa família foi protegida dos repórteres pelos nossos seguranças. Dentro do tribunal de justiça ficamos todos ansiosos. Esperávamos de tudo naquele julgamento. Bruna Maria, sentou-se na primeira fileira de cadeiras ao lado de sua avó.Meu irmão e eu fomos intimados para testemunhar contra nosso tio. Na sala de espera para sermos testemunhas, Samuel suava bastante e retirou a gravata, pois disse que estava o sufocando.— Que hora vão nos chamar? O Julgamento começou! — resmungou, caminhando de um lado para o outro.— Tenta se acalmar ou vai acabar desmaiando! — comentei, preocupado que ele tivesse um troço.Não demorou nem mesmo dois minutos para chamarem meu irmão para depor. Ouvi seu depoimento e logo em seguida foi minha vez. Entrei na sala de audiência sentindo ódio. Vi meu tio Juliano com um sorriso cretino nos lábios. Respondi às perguntas do juiz e falei tudo que sabia.— O acusado Juliano Gonz

  • Meu Amor É Um CEO Bilionário   57

    Bruna MariaNão pensei que nossa chegada ao México fosse tão esperada. Todos da família do meu marido se reuniram em nossa casa. Era como se fosse um enterro, porém, de um vivo no caso. Todos queriam falar algo sobre o ocorrido no Brasil. A família estaria toda no tribunal para a sentença de Juliano Gonzalez.— Ele telefonou para nossa casa para pedir que arrumássemos um ótimo advogado para ele. Fiquei incrédula no descaramento dele. Desliguei em sua cara e mandei ele para o inferno. — comentou a esposa de Juliano.— Logo ele conhecerá o inferno, tia. O que ele fez para nossa família não tem perdão. Dessa vez ele não vai se livrar nem usando todo o seu dinheiro para isso. — meu cunhado disse de cabeça erguida. Ele não queria demonstrar toda sua felicidade em respeito à sua tia e primos.— Pobrezinha da Teresa foi mais uma vítima de Juliano. Ela era uma senhora tão alegre e é assim que guardarei na minha memória como ela era. — uma senhora que não lembrara o nome disse com tristeza. El

  • Meu Amor É Um CEO Bilionário   56

    João GonzalezDecidi fazer algumas compras no supermercado, enquanto caminhava com o carrinho de compras, pelos corredores, uma movimentação estranha, chamou bastante atenção. Não só dos meus seguranças, como de todos que estavam presentes. Para a minha surpresa, não demorou para que ouvíssemos tiros. O que me fez me abaixar, tentando me proteger. Pensei que fosse um assalto, porém, não era isso.Foi quando eu vi o meu tio Juliano, se aproximando que o meu corpo inteiro estremeceu. Ele estava no Brasil e diante de mim, talvez aquele fosse meu fim: ele estava apontando uma arma de fogo na minha direção. Engoli seco. Somente conseguia pensar na minha esposa e no meu filho.— Dessa vez, você não escapará, querido, sobrinho, tudo que você me fez passar até agora tem que acabar hoje! Eu não aguento mais ficar na situação que estou, a culpa disso tudo, é sua! — esbravejou, apontando a arma de fogo contra minha cabeça. Nunca senti tanto medo como naquele momento. Qualquer coisa que eu disses

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status