FAZER LOGINA manhã estava silenciosa. Não o silêncio tenso de estratégias, códigos ou ameaças. Era o tipo de silêncio raro — o que só existe quando o caos finalmente aprende a descansar. Isabella despertou devagar, sentindo primeiro o calor do sol entrando pela grande janela de vidro, depois o peso firme de um braço envolvendo sua cintura — protetor, possessivo, familiar. Dante. Por um segundo, apenas respirou ali — no lugar onde nunca pensou que chegaria. — Eu sei que você está acordado — ela murmurou, sem abrir os olhos. A voz dele veio baixa e rouca, carregada daquele tom que sempre a desarmava: — Estou apreciando a vista. Ela riu, preguiçosamente. — Você diz isso todos os dias. — Porque é verdade todos os dias — ele rebateu, aproximando os lábios do pescoço dela. — E eu aprendi a não desperdiçar o que é meu. Isabella virou de frente para ele, os rostos tão próximos que as respirações se misturaram. Fazia exatamente um ano desde o dia em que tudo terminou. Ou começou. Dependia
A explosão não destruiu o prédio — mas abalou tudo o suficiente para transformar o interior em caos. Luzes piscavam, sirenes ecoavam, e o cheiro de fumaça começava a se espalhar pelo ar. Isabella caiu de joelhos com o impacto inicial, sentindo o choque reverberar pelos ossos. Antes que pudesse reagir, Dante já estava ao lado dela, segurando seu braço e puxando-a para ficar de pé. — Vamos — disse ele, firme, sem espaço para dúvida. Elijah, porém, permanecia parado, observando tudo com a calma cruel de alguém que não apenas esperou o caos — mas o planejou. — Impressionante — ele disse, com um sorriso que não alcançava os olhos. — Vocês realmente acreditaram que iam sair daqui simplesmente me enfrentando? Luca entrou pela lateral, arma em mãos, Lorenzo logo atrás monitorando o controle remoto ligado ao servidor. — Dante, temos sinal da equipe — Lorenzo informou. — Sistema restaurando, mas não temos muito tempo. Elijah ergueu uma sobrancelha. — Tempo nunca foi o problema.
O relógio na parede marcava 02:47 da manhã, mas ninguém na sala de guerra parecia cansado. A mesa estava coberta por pastas, telas abertas, códigos em execução e rotas traçadas com precisão milimétrica. Ali não havia cansaço — havia tensão, expectativa e a certeza de que algo grande estava prestes a acontecer. Isabella estava de pé, observando a projeção frontal com a postura de alguém que não apenas esperava o impacto — mas o convidava. Lorenzo terminou de revisar a última linha de programação e finalmente falou: — Pronto. Se Elijah tentar acessar qualquer rota alternativa, o sistema vai bloquear e rastrear. Não importa o protocolo que ele use. Dessa vez, a gente vai ver para onde ele corre. Luca exalou um riso curto, quase amargo: — Ele nunca corre. Ele faz os outros correrem. Dante permaneceu calado, apoiado contra a mesa, braços cruzados. Ele estava atento demais — não era espera, era cálculo. A mente dele já estava três movimentos à frente. Isabella sentiu o olhar dele ant
A sala subterrânea parecia menor naquela noite. Talvez fosse o peso das informações. Talvez fosse o que estava prestes a acontecer. Ou talvez fosse simplesmente o fato de que, finalmente, não havia mais espaço para ilusões — apenas verdades. Isabella estava diante da mesa central, o holograma flutuando sobre o metal frio, exibindo camadas de rastros digitais deixados por Elijah. Uma dança caótica de códigos, coordenadas e movimentações bancárias — mas havia ordem ali. Um padrão minucioso, meticulosamente planejado. Ela conhecia aquele padrão. Porque já havia vivido sob ele. — Ele não está escondendo mais — murmurou. — Está entregando rotas. De propósito. Luca, sentado ao lado com os braços cruzados, arqueou a sobrancelha. — Ou está fazendo parecer que está entregando. Dante permaneceu em silêncio atrás dela, observando não só os dados — mas a postura dela. A respiração. A firmeza. Isabella não era mais a mulher que Elijah tentou modelar, controlar ou quebrar. Ela era consequ
As horas seguintes não foram marcadas por gritos, caos ou correria — e sim por silêncio.Silêncio de cálculo.Silêncio de preparação.Dante se movia pela sala como alguém que já estava três jogadas à frente. Isabella observava, analisava, encaixava tudo em lugares invisíveis. Luca digitava sem parar, conectando sistemas, criando rotas alternativas e apagando rastros como se estivesse limpando um campo minado.Não havia pressa — havia precisão.Quando Dante finalmente falou, o relógio já tinha avançado quase duas horas.— Ele nunca trabalha sozinho — disse, quebrando o silêncio. — Se Clara deixou aquela mensagem, significa que Elijah começou a eliminar possíveis brechas.Isabella cruzou os braços.— O que significa que ele está preparando um movimento grande.Luca franziu o cenho sem parar de digitar.— Vocês falam como se ele fosse um profeta — murmurou. — Às vezes um psicopata é só… um psicopata.— Não — Isabella respondeu, firme, sem hesitação. — Psicopatas provocam. Elijah constrói
A porta foi fechada atrás deles com um silêncio tão pesado que parecia vibrar no ar. Isabella ainda segurava o envelope como se fosse uma arma — ou um lembrete de que alguém tinha atravessado limites que nenhum deles permitia. Luca respirou fundo, cruzando os braços. — Ok… precisamos falar sobre isso. Dante não respondeu de imediato. Ele caminhou até a mesa, colocou a foto virada para baixo e apoiou as mãos sobre a madeira, cabeça baixa, ombros tensos. Quando finalmente falou, sua voz não era furiosa — era fria. Controlada. Perigosa. — Ele esteve perto demais. E durante muito tempo. Isabella o observava. Havia algo no olhar dele — não medo, não surpresa — mas um reconhecimento amargo de guerra antiga. — Ele não tiraria essa foto sem intenção — ela disse. — Não é lembrança. Não é ameaça comum. É posicionamento. Luca franziu o cenho. — Como assim? Ela se aproximou, aproximando-se da mesa. — É simples: essa foto não diz “posso machucar”. Ela diz “sempre estive três passos à







