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Que ódio daquele homem! Saí do meu trabalho para um almoço que deveria ser meu momento de paz, um respiro no meio de uma escala caótica na clínica, e estava tudo perfeito até dar de cara com ele. Sim, o Matheson. O negro gato, gostoso e absurdamente petulante que, para completar meu azar, descobri ser o braço direito do "pecado" da minha amiga Hadiya. Aquele homem tem um magnetismo que desafia as leis da física. Quando ele segurou meu braço com aquela mão enorme e me mandou ficar quieta "como uma dama", meu clitóris não apenas pulsou; ele entrou em curto-circuito. Que vontade de dar um soco no meio daquela cara linda e simétrica! Mas o homem é um colosso. Deus me livre de tentar trocar socos com ele; eu provavelmente quebraria o pulso e ele nem sentiria. E, apesar daquela aura de dominador, no fundo sinto que ele jamais tocaria em uma mulher de forma violenta. O perigo dele é outro: é o jeito que ele invade seu espaço pessoal e te faz esquecer como se respira. O pior de tudo é a audácia. Eu vi, com meus próprios olhos, ele quase engolindo a boca de uma mulher espetacular na boate. Uma negra linda, com um corpo de parar o trânsito e uma presença de rainha. E hoje, o cara de pau tem a coragem de me dizer que "a namorada não pôde vir almoçar". Como se eu me importasse! O que me intriga é o que ele estava fazendo por aqueles lados. Será que o escritório dele é por aqui? Só de pensar que corro o risco de trombar com ele na calçada todos os dias, sinto um frio na barriga que não é de medo, é de um tesão acumulado que está começando a me assustar. Almoçar sob aquele olhar de predador foi um teste para os meus nervos. Assim que terminei, sem que ele percebesse meu movimento de fuga, paguei o garçom e saí praticamente correndo. Precisava de distância daquela intensidade, daquela voz grossa que faz minhas pernas tremerem contra a minha vontade. Matheson é metido a besta, um convencido que acha que pode mandar em mim só porque tem ombros largos e um sorriso matador. "Amanhã ele me paga", prometi a mim mesma enquanto voltava para o trabalho. Vou para aquela boate, vou vestir meu vestido mais curto, aquele que desafia a gravidade, e vou beijar o primeiro gostoso que aparecer na minha frente. Vou fazer isso bem na frente dele, só para ver aquele olhar de dono se transformar em água na boca. Ele precisa entender que eu não sou uma das funcionárias dele que abaixam a cabeça. Finalizei meu expediente na clínica, sentindo o peso do cansaço, e segui para a faculdade. No pátio, dei de cara com o Edgar, um colega de curso que sempre tentou algo a mais. — Oi, Lara! Está sumida, hein? — ele disse, encostando no pilar com aquele ar de galã de subúrbio. — Nunca mais te vi nas festas do CA. — Ah, Edgar... esses últimos dias estão intensos. Aula, clínica, estágio... assim que termina, só quero minha cama. E você? Já criou juízo ou continua colecionando corações? — Você sabe muito bem quem eu queria namorar de verdade... — ele soltou, com aquele tom decepcionado que ele usa com todas. — Ficamos só aquela vez e você sumiu. Me deu um gelo digno da Antártida. Eu ri, balançando a cabeça. O Edgar é o clássico "galinha profissional". Já pegou metade das meninas da odontologia com esse mesmo papo de que quer namorar, mas no fundo só quer garantir a próxima acompanhante para o motel. — Edgar, se você quiser sair comigo como amigo, eu super topo. Inclusive, esse final de semana vou para uma boate nova e, se quiser ir, está convidado. Mas só como amigos, beleza? — Já vi que não tenho chance, né? — Ele deu de ombros, mas os olhos brilharam. — Manda o endereço. Quem sabe lá eu não mudo sua opinião? Ou encontro outra sorte. Eu sei que o Edgar fode bem — tivemos uma noite aceitável meses atrás —, mas não sinto vontade de repetir. Ele é descartável. Já o Matheson... droga! Por que estou pensando nele de novo? Eu me pego imaginando como seria lamber cada centímetro daquela pele cor de chocolate, sentir a força dele me prendendo contra a parede, sem interrupções. É uma praga. Desde que o conheci, não passo um minuto sem que a imagem dele invadiu minha mente. Tenho que começar um mantra: ele tem namorada, ele é arrogante, ele não presta. Preciso encontrar outro alguém, ou pelo menos fingir que encontrei. O problema é que eu tenho um dedo podre lendário para escolher homens. Sou bonita, tenho um corpo que batalhei na academia para ter, sou independente e estou quase me formando... mas parece que só atraio tranqueiras ou caras que não aguentam o tranco de uma mulher decidida. Desde que terminei com o André, não deixei ninguém chegar realmente perto. Hadiya vive me dizendo que eu deveria dar mais tempo aos caras, tentar construir algo. Mas como, se eles não ajudam? Se não têm pegada, se são inseguros ou se, como o Matheson, já vêm com "pacote completo" de namorada e arrogância? Amanhã será o teste de fogo. Vou entrar naquela boate como se fosse a dona do lugar. E se o Matheson estiver lá com a "rainha" dele, vou garantir que ele não consiga tirar os olhos de mim nem por um segundo.LaraAlguns meses se passaram e a minha rotina se resumia a exames de sangue, consultas médicas e uma quantidade absurda de mimos. Eu era paparicada por todos os lados. Minha gestação estava correndo perfeitamente bem, mas a ansiedade para descobrir o sexo do bebê só aumentava.Em um sábado preguiçoso, Matheson e eu estávamos deitados no sofá da sala, assistindo a um programa qualquer.O silêncio da casa era confortável, mas o calor do corpo dele colado ao meu começou a acender aquela chama que nunca apaga entre nós. Sem dizer uma palavra, ele me pegou no colo com todo o cuidado do mundo e me levou para o nosso quarto.Deitou-me na cama de casal e começou a beijar a minha pele com uma delicadeza que quase me fazia chorar de tanto sentimento. Fomos tirando as roupas devagar, cada toque dele me deixando completamente entregue.Meu corpo implorava pela presença dele. Quando Matheson abriu as minhas pernas e sua boca encontrou o meu ponto mais sensível, eu me curvei, suspirando contra o
Lara Depois de tantos meses de frustração, de choros escondidos no banheiro e de achar que o meu corpo estava falhando comigo... finalmente aconteceu. Eu estou grávida!Eu mal consigo conter a eletricidade que está correndo pelas minhas veias. Vou ser mãe. É uma sensação esquisita de descrever, um misto de um medo que me gela a espinha e uma alegria tão gigante que parece que não cabe no meu peito. Matheson está radiante, com aquele sorriso largo que ilumina o rosto inteiro. Ele queria muito isso, dava para ver nos olhos dele a cada vez que a minha menstruação atrasava um dia sequer e depois vinha a decepção.Mas a vida é um ciclo doido demais. Pouco tempo antes de descobrirmos o bebê, o pai do meu amor faleceu. Ele partiu calmo, dormindo na sua própria cama, sem sofrimento. Teve uma vida longa, bonita, foi extremamente amado e chegou quase aos cem anos. Meu sogro era um homem maravilhoso, com uma sabedoria que acalmava qualquer tempestade, e agora ele finalmente foi reencontrar o
Matheson — Amor, vou preparar o nosso jantar. Já passou da hora e eu preciso alimentar a minha mulher.Fui até a cozinha e abri a geladeira para ver o que a nossa secretária — que tem mãos de fada para a cozinha — tinha deixado pronto para nós. Encontrei um prato de medalhão ao molho de madeira que parecia divino. Esquentei tudo com capricho, montei uma bandeja bonita e levei para o quarto para fazermos a refeição na cama.Assim que entrei no quarto com a bandeja, o aroma do molho de carne se espalhou pelo ambiente. No mesmo instante, a Lara mudou de cor, ficando extremamente pálida. Ela levou a mão à boca, fez uma careta de repulsa e apontou para a porta.— Matheson, tira isso daqui, por favor... — ela pediu, com a voz fraca. — O cheiro está horrível. Não estou aguentando.Fiquei sem entender nada. Aquele era um dos pratos favoritos dela. Coloquei a bandeja de lado na cômoda e me aproximei, tocando a testa dela com preocupação.— Amor, você precisa ir ao médico urgente. Você está mu
Matheson Olho ao meu redor e mal consigo acreditar na vida que construí. Minha realidade hoje é melhor do que qualquer um dos meus sonhos mais ambiciosos. Tenho ao meu lado uma mulher que é a definição de perfeição e que, a cada dia que passa, parece conseguir ficar ainda mais deslumbrante. A única coisa que eu sentia que faltava para o nosso quadro ficar completo era uma menininha correndo pela casa, mas eu sabia que essas coisas dependiam do tempo de Deus.Meu filho, o Thiago, está em uma fase maravilhosa. Ele adora dizer para todo mundo que é um privilegiado por ter duas casas e duas famílias que o amam demais. Ele se tornou um adolescente fantástico, maduro, que não nos dá um pingo de trabalho. É o meu maior orgulho e também o da mãe dele.No entanto, nos últimos dias, a Lara tem andado muito estranha. Ela flutua pela casa com um olhar distante, às vezes pensativa demais, e eu sinto, lá no fundo, que ela está me escondendo alguma coisa. Para ajudar, ela continua firme no trabal
Lara Matheson estava parado no centro do salão, vestindo um terno escuro impecável. A expressão no rosto dele era de puro espanto. Ele olhava para as pessoas e depois para mim, sem conseguir processar o que estava acontecendo. Quando os nossos olhos finalmente se cruzaram, o meu coração errou a batida por completo.Caminhei devagar pelo tapete vermelho, segurando firme no braço do meu pai, sentindo o peso do vestido branco arrastando pelo chão. Depois de tantos altos e baixos, de tantas brigas e reconciliações, eu estava ali, pronta para me entregar definitivamente ao homem da minha vida.Subi os pequenos degraus e parei diante dele. Matheson continuava me encarando, com os olhos úmidos e um meio sorriso incrédulo nos lábios. Aproximei a boca do ouvido dele e sussurrei, sentindo o perfume dele me envolver:— Gostou da surpresa, meu amor?— Eu amei... — ele respondeu baixinho, a voz trêmula de emoção. — Eu achei que esse dia nunca iria acontecer na minha vida. Que você nunca aceitari
Lara Saímos bem cedo do sítio para evitarmos o trânsito da rodovia. Matheson estava com o braço apoiado na janela do carro, mas dava para ver a sua ansiedade: ele estava louco para ver o filho. Duas semanas longe daquela rotina tinham sido demais para ele.Assim que estacionamos na mansão do Kevin, o Matheson desceu do carro quase sem me esperar e foi direto ver o pequeno antes de ele ir para a escola. Ao avistar o pai no jardim, o Thiago veio correndo em sua direção e se jogou nos braços dele com tanta força que parecia que não se viam há um século.A cena aqueceu o meu peito de um jeito tão bonito que os meus olhos até arderam. Logo em seguida, o Thiago se soltou do pai e me olhou com aqueles olhinhos brilhantes:— Tia Lara! Eu também estava com muita saudade de você.— Meu lindo, eu também estava morrendo de saudade de você — respondi, me agachando para lhe dar um abraço apertado e um beijo na bochecha. — Prometo que no final de semana vamos fazer um passeio bem legal juntos, com







