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Capítulo 9

Author: Aquino
last update Petsa ng paglalathala: 2021-08-05 10:28:47

Matheson

O Thiago sempre faz isso. Se eu fico um dia sem vê-lo, o mundo desaba. Sei que meu filho é mimado demais, e a culpa é metade minha, metade da Rafaela. O pior é que o sucesso da *Blackout* exige que eu trabalhe justamente nos dias em que eu deveria ser apenas "papai". Isso está deixando meu menino furioso, e o pior sentimento do mundo é saber que estou falhando com a única pessoa que realmente importa.

Preciso resolver isso. Não quero meu filho com raiva de mim, não mesmo. O dinheiro, os projetos, a fama... nada disso vale as lágrimas dele. Decidi que vou tirar um final de semana inteiro só para nós dois, sem celular, sem plantas de arquitetura, sem problemas de boate.

Peguei o celular para falar com a Rafaela. Mandei uma mensagem, já que ela odeia ser interrompida em reuniões.

Matheson:"Oi Rafa, tudo bem? O Thiago está com algum problema sério? Falei com ele agora e ele estava inconsolável, reclamando e chorando. Me responde quando puder."

A resposta veio em minutos, como um bálsamo para a minha consciência pesada.

Rafaela:"Oi, tudo bem por aqui. Não se preocupe, Matheson... é só birra. Você não veio vê-lo no final de semana e ele sente. Ele tem reclamado todos os dias, dizendo que você não gosta mais dele. Mas você conhece seu filho, ele é igualzinho a você. Puxou seu gênio forte e essa mania de querer tudo na hora. Sua mãe sempre dizia que nunca viu um filho se parecer tanto com o pai. Relaxa, logo o humor dele volta ao normal. Beijos."

Sorri para a tela. Ela tem razão. Aquele moleque é o meu espelho, o que torna tudo mais difícil e, ao mesmo tempo, mais gratificante. Ele é a minha alegria.

A hora da reunião chegou e eu forcei minha mente a entrar no modo profissional. Durante uma hora, discutimos vigas, conceitos estéticos e prazos. No final, o veredito foi unânime: todos adoraram meu projeto para a pousada. Saí da sala com o ego inflado, mas o estômago reclamando.

Como o horário estava apertado, decidi almoçar em um restaurante executivo ali perto do escritório. Entrei, o lugar estava movimentado, o som de talheres e conversas baixas preenchia o ambiente. Estava procurando uma mesa quando, de repente, meu sangue parou de correr e depois disparou.

Uma silhueta conhecida. Eu só a vi duas vezes, mas aquele corpo... aquele traseiro é inesquecível. Eu o reconheceria no escuro, apenas pelo tato. Lara.

Ela estava linda, sentada sozinha em uma mesa de canto, parecendo absorta em seus próprios pensamentos. Chamei o garçom discretamente.

— Amigo, mude meu pedido para aquela mesa ali — apontei, já caminhando com a maior cara de pau do mundo.

Eu sabia que ela ia querer me matar. Eu sabia que ela ia soltar fogo pelas ventas. E era exatamente isso que eu queria.

— Oi. Posso me sentar com você? — perguntei, já puxando a cadeira antes mesmo dela processar minha presença.

Ela levantou os olhos, e o choque inicial foi substituído por uma expressão de poucos amigos que, honestamente, a deixava ainda mais excitada.

— Tem muitas mesas vazias aqui, por acaso você está cego? — disparou, a voz afiada como uma navalha. — Pode ir para outro lugar, por favor.

— Estou enxergando muito bem, loira — respondi, acomodando-me e abrindo o guardanapo com calma. — Mas vou me sentar aqui. Estou sozinho, você também está... é bom fazermos companhia um ao outro. Minha namorada não quis vir almoçar comigo hoje, sabe como é...

Menti descaradamente. Eu não tinha namorada, mas queria ver a reação dela. Queria ver se havia um pingo de ciúme ou se ela era realmente imune ao meu charme.

— Por acaso eu te perguntei alguma coisa? — ela retrucou, já fazendo menção de levantar. — Vou para outra mesa.

Minha mão foi mais rápida. Segurei o braço dela com firmeza, mas sem machucar. Senti a pele quente, macia. Um choque elétrico percorreu meus dedos.

— Pode ficar aí, bem quietinha, como uma dama — murmurei, sustentando o olhar mortal que ela me enviava.

Ela hesitou, bufou, mas acabou cedendo, afundando-se na cadeira com os braços cruzados sobre o peito, o que realçou ainda mais o decote. Almocei saboreando cada segundo, olhando para aquele rosto perfeito. Descobri, finalmente, o nome dela.

Lara.

O nome era curto, forte, e combinava perfeitamente com a dona. Era um milagre que ela ainda não tivesse me acertado com um garfo, mas o silêncio entre nós estava carregado de uma tensão sexual tão óbvia que até o garçom parecia sem jeito ao servir o vinho.

— Você poderia parar de ficar me encarando? — ela explodiu, quebrando o transe. — Ou eu juro que vou sair daqui, seu idiota! É só o que me faltava... ser obrigada a dividir a mesa com um retardado que fica me secando.

— Eu não estou te encarando, Lara — respondi, deixando minha voz descer um oitavo, ficando rouca. — Estou te admirando. Você é linda demais, sabia?

O efeito foi instantâneo. Ela ficou corada. O rubor subiu pelas bochechas, tingindo a pele clara, e ela desviou o olhar, visivelmente desconcertada. Naquele momento, eu soube: eu estava lascado. Completamente perdido por essa mulher.

Ela terminou de almoçar em um tempo recorde, levantou-se em um pulo e foi direto ao caixa, sem nem esperar a conta na mesa. Ela queria fugir de mim, da eletricidade que estávamos criando.

Fiquei observando-a sair. Será que ela trabalha aqui perto? Se sim, a minha vida acaba de ganhar um novo objetivo. Eu vou descobrir tudo sobre a Lara. Vou descobrir onde ela mora, o que ela faz, o que a faz rir.

Eu preciso dessa mulher com urgência. Nunca quis tanto alguém na minha vida. O desejo por ela é insano, uma fome que não passa com comida. Só de pensar naquele beijo no corredor da boate e na possibilidade de ter esse corpo sob o meu, meu pau cria vida própria, apertando dentro da calça social.

Lara acha que pode fugir. Mas ela não faz ideia de que eu sou o melhor arquiteto de armadilhas da cidade. E a minha próxima obra-prima será ela, rendida nos meus braços.

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