LOGINMatheson
O Thiago sempre faz isso. Se eu fico um dia sem vê-lo, o mundo desaba. Sei que meu filho é mimado demais, e a culpa é metade minha, metade da Rafaela. O pior é que o sucesso da *Blackout* exige que eu trabalhe justamente nos dias em que eu deveria ser apenas "papai". Isso está deixando meu menino furioso, e o pior sentimento do mundo é saber que estou falhando com a única pessoa que realmente importa. Preciso resolver isso. Não quero meu filho com raiva de mim, não mesmo. O dinheiro, os projetos, a fama... nada disso vale as lágrimas dele. Decidi que vou tirar um final de semana inteiro só para nós dois, sem celular, sem plantas de arquitetura, sem problemas de boate. Peguei o celular para falar com a Rafaela. Mandei uma mensagem, já que ela odeia ser interrompida em reuniões. Matheson:"Oi Rafa, tudo bem? O Thiago está com algum problema sério? Falei com ele agora e ele estava inconsolável, reclamando e chorando. Me responde quando puder." A resposta veio em minutos, como um bálsamo para a minha consciência pesada. Rafaela:"Oi, tudo bem por aqui. Não se preocupe, Matheson... é só birra. Você não veio vê-lo no final de semana e ele sente. Ele tem reclamado todos os dias, dizendo que você não gosta mais dele. Mas você conhece seu filho, ele é igualzinho a você. Puxou seu gênio forte e essa mania de querer tudo na hora. Sua mãe sempre dizia que nunca viu um filho se parecer tanto com o pai. Relaxa, logo o humor dele volta ao normal. Beijos." Sorri para a tela. Ela tem razão. Aquele moleque é o meu espelho, o que torna tudo mais difícil e, ao mesmo tempo, mais gratificante. Ele é a minha alegria. A hora da reunião chegou e eu forcei minha mente a entrar no modo profissional. Durante uma hora, discutimos vigas, conceitos estéticos e prazos. No final, o veredito foi unânime: todos adoraram meu projeto para a pousada. Saí da sala com o ego inflado, mas o estômago reclamando. Como o horário estava apertado, decidi almoçar em um restaurante executivo ali perto do escritório. Entrei, o lugar estava movimentado, o som de talheres e conversas baixas preenchia o ambiente. Estava procurando uma mesa quando, de repente, meu sangue parou de correr e depois disparou. Uma silhueta conhecida. Eu só a vi duas vezes, mas aquele corpo... aquele traseiro é inesquecível. Eu o reconheceria no escuro, apenas pelo tato. Lara. Ela estava linda, sentada sozinha em uma mesa de canto, parecendo absorta em seus próprios pensamentos. Chamei o garçom discretamente. — Amigo, mude meu pedido para aquela mesa ali — apontei, já caminhando com a maior cara de pau do mundo. Eu sabia que ela ia querer me matar. Eu sabia que ela ia soltar fogo pelas ventas. E era exatamente isso que eu queria. — Oi. Posso me sentar com você? — perguntei, já puxando a cadeira antes mesmo dela processar minha presença. Ela levantou os olhos, e o choque inicial foi substituído por uma expressão de poucos amigos que, honestamente, a deixava ainda mais excitada. — Tem muitas mesas vazias aqui, por acaso você está cego? — disparou, a voz afiada como uma navalha. — Pode ir para outro lugar, por favor. — Estou enxergando muito bem, loira — respondi, acomodando-me e abrindo o guardanapo com calma. — Mas vou me sentar aqui. Estou sozinho, você também está... é bom fazermos companhia um ao outro. Minha namorada não quis vir almoçar comigo hoje, sabe como é... Menti descaradamente. Eu não tinha namorada, mas queria ver a reação dela. Queria ver se havia um pingo de ciúme ou se ela era realmente imune ao meu charme. — Por acaso eu te perguntei alguma coisa? — ela retrucou, já fazendo menção de levantar. — Vou para outra mesa. Minha mão foi mais rápida. Segurei o braço dela com firmeza, mas sem machucar. Senti a pele quente, macia. Um choque elétrico percorreu meus dedos. — Pode ficar aí, bem quietinha, como uma dama — murmurei, sustentando o olhar mortal que ela me enviava. Ela hesitou, bufou, mas acabou cedendo, afundando-se na cadeira com os braços cruzados sobre o peito, o que realçou ainda mais o decote. Almocei saboreando cada segundo, olhando para aquele rosto perfeito. Descobri, finalmente, o nome dela. Lara. O nome era curto, forte, e combinava perfeitamente com a dona. Era um milagre que ela ainda não tivesse me acertado com um garfo, mas o silêncio entre nós estava carregado de uma tensão sexual tão óbvia que até o garçom parecia sem jeito ao servir o vinho. — Você poderia parar de ficar me encarando? — ela explodiu, quebrando o transe. — Ou eu juro que vou sair daqui, seu idiota! É só o que me faltava... ser obrigada a dividir a mesa com um retardado que fica me secando. — Eu não estou te encarando, Lara — respondi, deixando minha voz descer um oitavo, ficando rouca. — Estou te admirando. Você é linda demais, sabia? O efeito foi instantâneo. Ela ficou corada. O rubor subiu pelas bochechas, tingindo a pele clara, e ela desviou o olhar, visivelmente desconcertada. Naquele momento, eu soube: eu estava lascado. Completamente perdido por essa mulher. Ela terminou de almoçar em um tempo recorde, levantou-se em um pulo e foi direto ao caixa, sem nem esperar a conta na mesa. Ela queria fugir de mim, da eletricidade que estávamos criando. Fiquei observando-a sair. Será que ela trabalha aqui perto? Se sim, a minha vida acaba de ganhar um novo objetivo. Eu vou descobrir tudo sobre a Lara. Vou descobrir onde ela mora, o que ela faz, o que a faz rir. Eu preciso dessa mulher com urgência. Nunca quis tanto alguém na minha vida. O desejo por ela é insano, uma fome que não passa com comida. Só de pensar naquele beijo no corredor da boate e na possibilidade de ter esse corpo sob o meu, meu pau cria vida própria, apertando dentro da calça social. Lara acha que pode fugir. Mas ela não faz ideia de que eu sou o melhor arquiteto de armadilhas da cidade. E a minha próxima obra-prima será ela, rendida nos meus braços.LaraAlguns meses se passaram e a minha rotina se resumia a exames de sangue, consultas médicas e uma quantidade absurda de mimos. Eu era paparicada por todos os lados. Minha gestação estava correndo perfeitamente bem, mas a ansiedade para descobrir o sexo do bebê só aumentava.Em um sábado preguiçoso, Matheson e eu estávamos deitados no sofá da sala, assistindo a um programa qualquer.O silêncio da casa era confortável, mas o calor do corpo dele colado ao meu começou a acender aquela chama que nunca apaga entre nós. Sem dizer uma palavra, ele me pegou no colo com todo o cuidado do mundo e me levou para o nosso quarto.Deitou-me na cama de casal e começou a beijar a minha pele com uma delicadeza que quase me fazia chorar de tanto sentimento. Fomos tirando as roupas devagar, cada toque dele me deixando completamente entregue.Meu corpo implorava pela presença dele. Quando Matheson abriu as minhas pernas e sua boca encontrou o meu ponto mais sensível, eu me curvei, suspirando contra o
Lara Depois de tantos meses de frustração, de choros escondidos no banheiro e de achar que o meu corpo estava falhando comigo... finalmente aconteceu. Eu estou grávida!Eu mal consigo conter a eletricidade que está correndo pelas minhas veias. Vou ser mãe. É uma sensação esquisita de descrever, um misto de um medo que me gela a espinha e uma alegria tão gigante que parece que não cabe no meu peito. Matheson está radiante, com aquele sorriso largo que ilumina o rosto inteiro. Ele queria muito isso, dava para ver nos olhos dele a cada vez que a minha menstruação atrasava um dia sequer e depois vinha a decepção.Mas a vida é um ciclo doido demais. Pouco tempo antes de descobrirmos o bebê, o pai do meu amor faleceu. Ele partiu calmo, dormindo na sua própria cama, sem sofrimento. Teve uma vida longa, bonita, foi extremamente amado e chegou quase aos cem anos. Meu sogro era um homem maravilhoso, com uma sabedoria que acalmava qualquer tempestade, e agora ele finalmente foi reencontrar o
Matheson — Amor, vou preparar o nosso jantar. Já passou da hora e eu preciso alimentar a minha mulher.Fui até a cozinha e abri a geladeira para ver o que a nossa secretária — que tem mãos de fada para a cozinha — tinha deixado pronto para nós. Encontrei um prato de medalhão ao molho de madeira que parecia divino. Esquentei tudo com capricho, montei uma bandeja bonita e levei para o quarto para fazermos a refeição na cama.Assim que entrei no quarto com a bandeja, o aroma do molho de carne se espalhou pelo ambiente. No mesmo instante, a Lara mudou de cor, ficando extremamente pálida. Ela levou a mão à boca, fez uma careta de repulsa e apontou para a porta.— Matheson, tira isso daqui, por favor... — ela pediu, com a voz fraca. — O cheiro está horrível. Não estou aguentando.Fiquei sem entender nada. Aquele era um dos pratos favoritos dela. Coloquei a bandeja de lado na cômoda e me aproximei, tocando a testa dela com preocupação.— Amor, você precisa ir ao médico urgente. Você está mu
Matheson Olho ao meu redor e mal consigo acreditar na vida que construí. Minha realidade hoje é melhor do que qualquer um dos meus sonhos mais ambiciosos. Tenho ao meu lado uma mulher que é a definição de perfeição e que, a cada dia que passa, parece conseguir ficar ainda mais deslumbrante. A única coisa que eu sentia que faltava para o nosso quadro ficar completo era uma menininha correndo pela casa, mas eu sabia que essas coisas dependiam do tempo de Deus.Meu filho, o Thiago, está em uma fase maravilhosa. Ele adora dizer para todo mundo que é um privilegiado por ter duas casas e duas famílias que o amam demais. Ele se tornou um adolescente fantástico, maduro, que não nos dá um pingo de trabalho. É o meu maior orgulho e também o da mãe dele.No entanto, nos últimos dias, a Lara tem andado muito estranha. Ela flutua pela casa com um olhar distante, às vezes pensativa demais, e eu sinto, lá no fundo, que ela está me escondendo alguma coisa. Para ajudar, ela continua firme no trabal
Lara Matheson estava parado no centro do salão, vestindo um terno escuro impecável. A expressão no rosto dele era de puro espanto. Ele olhava para as pessoas e depois para mim, sem conseguir processar o que estava acontecendo. Quando os nossos olhos finalmente se cruzaram, o meu coração errou a batida por completo.Caminhei devagar pelo tapete vermelho, segurando firme no braço do meu pai, sentindo o peso do vestido branco arrastando pelo chão. Depois de tantos altos e baixos, de tantas brigas e reconciliações, eu estava ali, pronta para me entregar definitivamente ao homem da minha vida.Subi os pequenos degraus e parei diante dele. Matheson continuava me encarando, com os olhos úmidos e um meio sorriso incrédulo nos lábios. Aproximei a boca do ouvido dele e sussurrei, sentindo o perfume dele me envolver:— Gostou da surpresa, meu amor?— Eu amei... — ele respondeu baixinho, a voz trêmula de emoção. — Eu achei que esse dia nunca iria acontecer na minha vida. Que você nunca aceitari
Lara Saímos bem cedo do sítio para evitarmos o trânsito da rodovia. Matheson estava com o braço apoiado na janela do carro, mas dava para ver a sua ansiedade: ele estava louco para ver o filho. Duas semanas longe daquela rotina tinham sido demais para ele.Assim que estacionamos na mansão do Kevin, o Matheson desceu do carro quase sem me esperar e foi direto ver o pequeno antes de ele ir para a escola. Ao avistar o pai no jardim, o Thiago veio correndo em sua direção e se jogou nos braços dele com tanta força que parecia que não se viam há um século.A cena aqueceu o meu peito de um jeito tão bonito que os meus olhos até arderam. Logo em seguida, o Thiago se soltou do pai e me olhou com aqueles olhinhos brilhantes:— Tia Lara! Eu também estava com muita saudade de você.— Meu lindo, eu também estava morrendo de saudade de você — respondi, me agachando para lhe dar um abraço apertado e um beijo na bochecha. — Prometo que no final de semana vamos fazer um passeio bem legal juntos, com







