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Capítulo 11

Author: Aquino
last update publish date: 2021-08-05 10:30:56

Lara

Cheguei em casa exausta, querendo apenas o silêncio do meu travesseiro, mas o destino tinha outros planos. Quando abri a porta do meu quarto, lá estava a surpresa que eu menos desejava: Leila, minha irmã, sentada na minha cama com aquela expressão de "precisamos conversar".

Eu sabia exatamente o que era. Ela veio me infernizar, provavelmente para tirar satisfação sobre o escândalo que fiz com o irmão do namoradinho dela. Minha mãe e ela tiveram a audácia de armar um jantar "casual" para me empurrar o tal Theo. Tive que me fazer de louca, ser a mais desagradável possível para garantir que aquele garoto nunca mais ousasse colocar os pés aqui. Eu amo a minha irmã, mas o conformismo dela me tira do sério. Leila nunca faz o que gosta; ela é um fantoche nas mãos da dona Lauren.

— O que você quer aqui, Leila? — perguntei, sem esconder o cansaço.

— Vim conversar com minha irmã querida, não posso? — ela disse, com aquela voz mansa que me dá arrepios.

— Leila, você nunca quer "apenas conversar". Desembucha logo o que a mamãe te mandou falar... Estou morta! — comecei a tirar a roupa, ficando apenas de lingerie, sem me importar com a presença dela.

— Por que você sempre acha que é a mamãe? Eu vim porque queria falar sobre o Theo. Ele está muito a fim de você, Lara. Já pensou se nós duas pertencêssemos à mesma família? Seria ótimo para os negócios e para a paz na casa!

Eu fingia ouvir, mas por dentro eu estava revirando os olhos.

— Leila, sai daqui. Estou cansada demais para ouvir asneiras. Chispa!

Ela não se moveu. Continuou falando sobre como o Theo era um "bom partido" e como eu ia acabar "velha, solteira e sozinha". Eu apenas ignorei. Sério, preciso arrumar meu canto e rápido. Eu não pretendo namorar uma criança; o rapaz parece um adolescente tarado. No jantar, o infeliz tentou passar a mão na minha perna por debaixo da mesa. Dei um beliscão nele que o fez chorar de dor na frente de todo mundo. Pelo amor de Deus, né?

Amanhã cedo vou para a mansão onde a Hadiya trabalha. Preciso daquela piscina maravilhosa para lavar a alma antes de ir para a boate à noite. Por que eu ia querer me casar agora? Só tenho 24 anos. Quando aparecer o homem que faça meu coração bater, meu cuzinho piscar e minha vagina inundar... aí sim eu vou saber.

Na verdade, o problema é que esse homem já apareceu.

Matheson. É só pensar naquele nome que meu clitóris se acende como um sinal de neon. Aquele negro lindo e gostoso é demais para o meu autocontrole. Eu só queria uma noite com ele, uma foda épica para ver se ele é tão bom de cama quanto é de boca. Mas eu tenho uma regra: não fico com homem comprometido. E aquele maldito tem namorada.

Como ele teve a coragem de me beijar daquele jeito na boate e me secar no restaurante se tem alguém em casa? A intensidade daquele olhar me queimava, me deixava com as bochechas pegando fogo. Eu quero provar aqueles lábios carnudos de novo, mas a culpa e o orgulho lutam dentro de mim.

Dormi as oito horas que meu corpo implorava e acordei decidida. Arrumei minha bolsa de piscina, pensando em como seria bom ver a pequena Sam. Ela é um anjo e sempre me faz sorrir. Eu até estava planejando pedir ao Sr. Martinez para fazer minha festa de formatura lá. Sou cara de pau mesmo, Hadiya nunca teria coragem de pedir, mas eu tenho por nós duas.

Desci para o café esperando o habitual gelo, mas algo estava diferente.

— Bom dia, pai. Bom dia, mãe.

— Bom dia, minha filha — respondeu meu pai, com uma doçura que eu não ouvia há anos.

Fiquei estática. Meu pai sempre foi meu herói, mas nos últimos tempos ele tinha se tornado frio, distante, como se estivesse seguindo um roteiro escrito pela minha mãe. Senti uma falta absurda do carinho dele.

— Como você está, minha filha? — ele insistiu, ignorando o olhar de reprovação da minha mãe.

— Estou bem, pai... e o senhor? — perguntei, com a voz embargada.

Minha mãe não aguentou e interveio:

— Amor, deixa essa menina sem resposta. Ela não merece.

Foi aí que o inesperado aconteceu. Meu pai se levantou, batendo a mão na mesa com uma força que fez as xícaras saltarem.

— Ela é minha filha! E a partir de hoje vou tratá-la como sempre tratei. Nem sei por que te dei ouvidos, Lauren... você é uma mãe ingrata! Onde já se viu se desfazer da própria filha?

O silêncio na cozinha ficou tão pesado que eu mal conseguia respirar. Minha mãe estava pálida.

— Eu a amo e me dói tratá-la com essa frieza. Chega disso! — Ele deu a volta na mesa, veio até mim e depositou um beijo terno na minha testa. — Perdão, minha filha. Eu juro que serei um pai melhor para você daqui em diante.

Eu desabei. Comecei a chorar horrores, soluçando de alívio. Finalmente, eu teria meu pai de volta.

— Obrigada, pai! Eu senti tanto a sua falta... eu não entendia por que o senhor tinha mudado.

Ele olhou para a minha mãe com uma raiva contida, mas não disse mais nada. Naquele momento, eu soube que, não importa o quão tóxica minha mãe ou a Leila fossem, eu tinha um aliado. E com essa força renovada, eu estava ainda mais pronta para enfrentar a noite na *Blackout* e o furacão chamado Matheson.

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