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Capítulo 12

Author: Aquino
last update Petsa ng paglalathala: 2021-08-05 10:32:55

Lara

No fundo, eu ainda sou aquela menina que acredita em finais felizes. Apesar de toda a amargura da minha mãe e do conformismo da Leila, eu guardo uma pontinha de esperança de que elas mudem. Talvez o amor seja um processo lento para algumas pessoas. Eu quero uma família que não precise de máscaras, uma mãe que me olhe e veja além das minhas roupas curtas e da minha vontade de viver. Eu sei que ela me ama, mas é um amor torto, cheio de espinhos e preconceitos que eu rezo para que o tempo arranque da cabeça dela.

Depois do café e daquele momento redentor com meu pai, senti que podia conquistar o mundo.

— Vou para a casa da Hadiya, pai! — avisei, pegando a chave do carro. — Não tenho hora para voltar. Vou me acabar naquela piscina!

Saí antes que minha mãe pudesse processar a informação. Ela ainda não sabe que a Hadiya agora vive em um palácio, e sinceramente? Quanto menos ela souber da vida da minha amiga, melhor. Entrei no meu "bebê", liguei o rádio no último volume e dirigi sentindo o vento no rosto. Trinta minutos depois, eu estava diante dos portões da mansão Martinez.

É surreal ver como a Hadiya floresceu aqui. O Martinez é ciumento de um jeito possessivo, daqueles que quase têm um treco se um fio de cabelo dela fica fora do lugar ou se ela usa um biquíni mais ousado. Mas é um ciúme que vem de um amor visceral. Às vezes eu me pergunto: será que ele já a conhecia? Eles se olham como se compartilhassem segredos de vidas passadas. Há algo ali, um mistério que eu ainda vou arrancar da Hadiya, nem que seja na base da tortura de cócegas.

Estacionei o carro e já fui entrando, encontrando minha amiga com aquele sorriso que ilumina a casa toda.

— Amiga, vou me jogar nessa piscina agora ou eu derreto! — brinquei.

— Lara, você não tem jeito! Só vem pela água, nem é para me ver — ela fingiu indignação, mas logo estávamos rindo e fofocando sobre a boate e os "namoros relâmpago" que ela vive tentando me fazer esticar.

Fui para a área externa. O sol estava um espetáculo, perfeito para dourar a pele e me deixar pronta para a caçada à noite. Estava lá, boiando, sentindo a água gelada contrastar com o calor do meu corpo, quando o mundo pareceu parar.

Eu achei que era uma insolação. Uma miragem causada pelo reflexo do sol na água.

No deck da piscina, caminhando com a elegância de um pantera, estava ele. Matheson. Mas não era o Matheson de camiseta da boate. Era um deus grego negro, vestindo um terno sob medida que abraçava aqueles ombros largos, e uma gravata que o deixava com um ar de autoridade absoluta.

Jesus, Maria e José... o homem fica dez vezes mais tesudo assim. O terno dava a ele uma aura de poder que fez meu estômago dar um mortal carpado. Minha buceta não apenas acendeu; ela entrou em combustão espontânea.

Eu estava paralisada na borda da piscina, com a água pelos ombros, olhando para ele como se tivesse visto um fantasma — um fantasma muito, muito gostoso. Ele não hesitou. Caminhou até a beirada, agachou-se ficando na altura do meu rosto e o cheiro do perfume dele me atingiu como um soco de dopamina.

Ele se inclinou, a boca chegando perigosamente perto do meu ouvido. O hálito quente causou um incêndio imediato na minha nuca.

— Se eu não estivesse com pressa para uma reunião... — a voz dele saiu mais grossa, mais vibrante. — Eu pularia aqui agora e foderia você dentro dessa água mesmo. Quero muito te pegar com força, loira.

Meu coração disparou. Eu perdi a fala enquanto ele levava a mão ao volume evidente na calça do terno, deixando claro o efeito que eu causava nele.

— Estou com meu pau latejando só de te ver assim — ele exclamou com um sorriso cínico e vitorioso.

Antes que eu pudesse reagir, antes que eu pudesse mandá-lo para o inferno ou puxá-lo para a água, ele se levantou com uma elegância irritante e saiu andando em direção ao escritório da casa, me deixando ali, flutuando em um mar de desejo e frustração.

Maldito! Como ele consegue me desestabilizar com apenas duas frases? Eu estava encharcada — e não era só de água da piscina. Agora eu o queria em todas as posições, queria sentir a textura daquela pele contra a minha, queria ver se ele era tão imponente sem o terno quanto era com ele.

O que esse metido a besta veio fazer aqui? Hadiya vai ter que abrir o bico. Eu preciso saber cada detalhe da vida desse homem antes que eu cometa a loucura de me entregar de bandeja para ele na boate hoje à noite.

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