تسجيل الدخولMia
Um nó se formou em minha garganta enquanto as palavras que eu queria dizer, a revelação que pairava na ponta da minha língua, eram engolidas de volta. Mantive minha expressão neutra enquanto assentia.
“Desculpe, Sr. Nova. Não acontecerá novamente.”
O silêncio se prolongou por minutos, até que ouvi seus passos. Antes que eu percebesse, braços me envolveram, e fui puxada contra uma superfície quente e firme, enquanto o cheiro de sua colônia preenchia meus sentidos.
“Você está bem?”, ele perguntou, com a voz mais baixa.
A mudança foi como um golpe repentino. Tudo o que consegui fazer foi assentir. Ele respirou fundo.
“Vamos sair para jantar hoje à noite, por minha conta. Desculpe por ter sido tão duro. Eu… eu só quero o melhor para a NovaTech. Você entende, certo?”
Sua voz havia perdido o tom gelado de antes. Agora estava mais baixa. Mais calorosa. Já não era o Sr. Nova profissional e distante.
Era Damon, meu marido, me abraçando em seu escritório.
“Eu sei”, sussurrei, fechando os olhos para saborear aquele calor.
Nunca durava.
Eu suportava esse mesmo padrão repetidamente. Depois de semanas, se não meses, de frieza, ele mudava de repente. Um presente, um jantar ou um simples gesto que me lembrava do homem com quem me casei. Era aquele calor que me dava esperança.
E aquele breve verão seria seguido por um inverno mais longo, assim como em todas as outras vezes.
E, ainda assim, eu ESPERAVA.
Espiando por cima de seu ombro, meu olhar desviou-se até encontrar uma pequena caixa transparente cuidadosamente colocada na lateral de sua mesa. Minha respiração ficou presa.
Dentro dela havia um colar de diamantes de uma famosa marca de joias que eu adorava. Eu o havia mencionado meses antes, casualmente, enquanto tentava puxar conversa na rara ocasião em que ele aparecia para jantar. Ele me ignorara durante toda a conversa, deixando-me em silêncio. Acreditei que aquilo seria esquecido, assim como nossas outras conversas.
O colar era de edição limitada, com menos de vinte unidades vendidas em todo o mundo. Para consegui-lo, não bastava ter contatos e grande influência; também era necessário comprá-lo diretamente da fábrica.
E uma dessas fábricas ficava na cidade para onde Damon havia viajado a negócios.
Meu coração deu um salto.
Ele se lembrava? Será que o havia comprado para mim?
Um pequeno calor se espalhou por meu peito, afastando um pouco daquele peso.
Talvez eu estivesse errada. Ele ainda se importava comigo, mesmo que não pudesse demonstrar isso com tanta frequência.
Embora eu não conseguisse entender seu distanciamento, isso não importava. Talvez, com essa gravidez, as coisas fossem diferentes.
“Damon, há algo que preciso lhe contar”, disse, olhando para ele. A expectativa cantava em meu peito.
“Eu…”
Antes que pudesse falar, um som agudo de notificação ecoou em seu escritório.
Lamentei silenciosamente a perda de seu calor quando ele se afastou e pegou o telefone. Assim que olhou para a tela, sua expressão congelou.
O que estava acontecendo?
“Damon?”
Quando ele ergueu os olhos, algo brilhou em seu olhar, mas desapareceu rapidamente.
“Preciso ir”, disse ele.
O quê?
“Agora?”, perguntei antes que pudesse me conter. Mas ele já estava se virando para pegar o casaco.
“Sim.” Sua voz havia voltado ao tom seco e distante. “Há algo importante que preciso resolver. Encontro você em casa. Quanto ao jantar… esqueça. Sairemos outra hora.”
Meu coração afundou diante daquela rejeição, mas assenti.
“Está bem”, disse.
Se ele me ouviu ou não, eu nunca saberia. Ele saiu sem hesitar, e a porta bateu atrás dele, deixando-me novamente sozinha em um espaço vazio.
As horas passaram num piscar de olhos. Passei o resto do dia tentando me concentrar no trabalho e evitar os pensamentos inquietos que circulavam em minha mente.
A ausência repentina de Damon havia me abalado. Ele, que sempre fora tão controlado, havia abandonado tudo. Será que alguma coisa tinha acontecido? Que tipo de emergência era aquela?
Perguntas preenchiam minha mente, sem respostas claras.
Fosse por causa da gravidez ou do estresse, meu corpo estava exausto quando entrei na mansão. Tão perdida em meus pensamentos, quase me esqueci de me preparar para o de sempre.
“Olha só o que os montes de lixo trouxeram.”
Parei no meio do caminho, virando-me para encontrar aquele olhar familiar.
“Sogra”, cumprimentei, impassível.
Mara Nova estava sentada na sala de estar, seu olhar repleto do desprezo e do escrutínio que alguém dedicaria a uma formiga. Ela era a madrasta de Damon e minha sogra.
Eu nunca a havia conhecido antes do casamento, mas, desde o início, ela sempre me tratara com desprezo. Para ela, nada do que eu fazia era suficiente, e, depois de dois anos sem filhos, ela passou a me chamar de “defeituosa”.
Certa vez, eu havia feito o possível para agradá-la, até perceber que ela nunca mudaria. Agora, tentava ao máximo ignorar seu comportamento por causa de Damon.
Desviei o olhar. Contendo um suspiro, dirigi-me às escadas. Precisava descansar.
“Aonde você vai?”
“Descansar, sogra”, respondi, continuando em direção às escadas, mas passos altos soaram atrás de mim. Fui puxada de volta, ficando cara a cara com ela.
“É só isso que você sabe fazer, não é? Viver às custas desta casa.” Ela ergueu uma sobrancelha.
Quando não respondi, ela fez uma careta de desprezo e continuou.
“Sinceramente, não sei o que Damon viu em você. Além de ser sem graça, você também é desrespeitosa. Não é nem um pouco parecida com a minha Athena.”
Meu maxilar se contraiu. Aquele era um nome que eu conhecia muito bem. Cada insulto vinha acompanhado daquela comparação.
Athena Nova.
Pelo que eu sabia, Athena era filha dela de um casamento anterior e enteada de Damon. Damon nunca falava dela, cortando todas as minhas tentativas de perguntar, mas sua mãe falava.
Pela maneira como ela falava sobre Athena, as duas haviam se tornado amigas ainda na infância e crescido sempre orbitando uma à outra. Quando Athena foi morar no exterior, Damon ficou de coração partido. Athena era a menina dos olhos de sua mãe e, segundo ela, a “queridinha” de Damon.
Eu não deveria me incomodar. Eles eram irmãos. Família.
Então, por que, às vezes, parecia que ela estava se referindo a algo diferente?
“…Ainda bem que ela está chegando hoje. Damon já deve estar a caminho com ela.”
Pisquei, surpresa, erguendo o olhar.
“O quê?”
Do que ela estava falando?
Sua expressão se curvou em um sorriso presunçoso.
“Oh, ele não contou a você, não foi?”
Antes que eu pudesse perguntar o que ela queria dizer, as portas da mansão se abriram novamente. Damon entrou.
Mas ele não estava sozinho.
Uma jovem entrou, caminhando ao lado de Damon, vestida com um vestido branco. Antes que eu pudesse questionar qualquer coisa, meu olhar desviou-se para o pescoço dela, e eu congelei.
O colar de edição limitada que eu havia visto em seu escritório. Aquele mesmo que eu acreditava que ele moveria céus e terras para comprar para mim.
Estava nela.
MiaSenti os olhares dos meus colegas acompanhando-me enquanto caminhava em direção ao meu escritório. Alguns desviavam o olhar assim que os meus olhos encontravam os deles. Outros permaneciam a olhar, oferecendo pequenos sorrisos. Ambos demonstravam a mesma coisa.Compaixão. Pena.A esta altura, tinha a certeza de que toda a empresa já sabia. Não havia nada que eu pudesse fazer a respeito, a não ser ignorar.Ignorar o facto de que a única coisa que mantinha a minha vida à tona me tinha sido tirada como se não fosse nada.No corredor que levava ao meu escritório, mal tinha dado alguns passos quando ouvi vozes vindas de trás da esquina.“Não consigo acreditar. A senhorita Dawson fez tanto pela empresa, e este era o projeto dela. A ideia dela. Porque é que o grande chefe o daria a outra pessoa?”, disse um jovem, incrédulo. “E a senhorita Nova? Ela acabou de chegar. Nem sequer sabemos se é capaz.”“Ela pode não ser capaz, mas É importante”, resmungou uma jovem. “Viste como ele a apresent
MiaA voz de Damon cortou a minha sem hesitação. Virei-me para ele.Em seu rosto, geralmente impassível, havia algo que eu não conseguia decifrar, mas talvez fosse apenas minha imaginação. Pouco depois, ele me lançou um olhar severo.“Não seja irracional, Mia”, disse ele. “Athena vai ficar. Por que ela precisaria ir embora quando a família dela está aqui? Nunca mais diga algo tão ridículo. Em assuntos como este, você não deve se intrometer.”Meus lábios permaneceram ligeiramente entreabertos, mas nenhum som saiu. Tudo o que eu queria dizer se dissolveu silenciosamente.“Exatamente”, Mara sorriu, acomodando-se novamente, satisfeita. “Ela já era da família muito antes de você chegar. É melhor aprender qual é o seu lugar.”Com isso, a atmosfera voltou ao estado anterior. Athena e Mara conversavam despreocupadamente, suas risadas preenchendo o ambiente. Damon desviou o olhar e continuou comendo. Era como se tudo estivesse normal.Apenas eu permaneci imóvel no lugar, com o coração afundand
MiaEra como se eu tivesse sido mergulhada em um banho gelado, com o frio congelando meus ossos e me trazendo de volta à realidade. Ela se aproximou de Damon, segurando seu braço e olhando para ele com um sorriso.Mas tudo em que eu conseguia me concentrar era na joia que adornava seu pescoço. O colar que eu pensava que ele havia comprado para mim.Uma risada ecoou, trazendo-me de volta à realidade a tempo de ver Mara puxar a jovem para perto, dedicando-lhe toda a sua atenção.“Athena, minha doce filha. Senti tanto a sua falta”, disse ela calorosamente, olhando para a filha com orgulho e afeição evidentes.Eu me sentia entorpecida com tudo aquilo, mas ainda conseguia processar as informações.Então, aquela era Athena. A mulher com quem Mara sempre me comparava e de quem Damon raramente falava. Observando seu rosto, eu conseguia ver a semelhança entre mãe e filha. Athena era linda, com seus longos cabelos loiros espalhados como uma auréola. Ela parecia quase um anjo.“Mãe, estou bem, g
MiaUm nó se formou em minha garganta enquanto as palavras que eu queria dizer, a revelação que pairava na ponta da minha língua, eram engolidas de volta. Mantive minha expressão neutra enquanto assentia.“Desculpe, Sr. Nova. Não acontecerá novamente.”O silêncio se prolongou por minutos, até que ouvi seus passos. Antes que eu percebesse, braços me envolveram, e fui puxada contra uma superfície quente e firme, enquanto o cheiro de sua colônia preenchia meus sentidos.“Você está bem?”, ele perguntou, com a voz mais baixa.A mudança foi como um golpe repentino. Tudo o que consegui fazer foi assentir. Ele respirou fundo.“Vamos sair para jantar hoje à noite, por minha conta. Desculpe por ter sido tão duro. Eu… eu só quero o melhor para a NovaTech. Você entende, certo?”Sua voz havia perdido o tom gelado de antes. Agora estava mais baixa. Mais calorosa. Já não era o Sr. Nova profissional e distante.Era Damon, meu marido, me abraçando em seu escritório.“Eu sei”, sussurrei, fechando os ol
Mia“Parabéns, Sra. Nova. Você está grávida.”Essas palavras fizeram minha mente ficar em branco. Dentro das paredes do banheiro da empresa, apenas um zumbido fraco permaneceu.Grávida…“Senhora Nova?”“Sim”, respondi, com a voz falsamente calma, apesar do sangue pulsando em meus ouvidos. “Desculpe. Por favor, continue.”Ele continuou falando do outro lado da linha por vários minutos. Palavras como “exames” e “vitaminas pré-natais” chegaram aos meus ouvidos, mas eu não conseguia processar uma única coisa do que ele dizia.A ligação terminou, e a linha ficou em silêncio, mas minha mente não. Deixei as tiras do teste de gravidez caírem sobre a borda da pia. O mármore provocou um arrepio em minha pele.Eu estava grávida. Grávida de seis semanas, de acordo com o que o médico havia dito.Isso era uma coisa boa. Eu deveria estar feliz. EU QUERIA me sentir feliz.Mas não senti nada disso. Apenas um vazio pesado que se instalava dolorosamente em meu peito.Porque tudo em que conseguia pensar







