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Capítulo 2

Author: Bagel
Carter ficou visivelmente atônito.

Provavelmente nunca imaginou que a esposa sempre gentil e obediente fosse, de repente, enfrentá-lo daquela maneira.

Ao se lembrar da promessa que havia me feito, seu olhar vacilou, e um raro traço de culpa cruzou seu rosto.

Três anos de namoro.

Cinco anos de casamento.

Ao vê-lo daquele jeito, o último e ridículo fio de esperança que ainda restava dentro de mim se desfez em pó.

Eu costumava pensar que o único defeito de Carter como marido era seu jeito inconsequente de levar tudo na brincadeira.

Agora eu entendia.

Ele também não servia para ser pai.

Talvez o desprezo estampado no meu olhar fosse evidente demais.

Carter desviou os olhos, afrouxou a gravata e começou a procurar uma desculpa.

— Você sabe como é, Sloane. Recebi uma ligação urgente bem naquela hora. Era um assunto da família. Não podia esperar...

— É mesmo?

Olhei para ele friamente e, em seguida, para Sofia, que permanecia ao seu lado, pronta para defendê-lo.

Minha voz transbordava sarcasmo.

— Que assunto tão urgente era esse?

— Tão urgente que você precisou deixar essa mulher entrar na sala de parto para me assistir no momento mais vulnerável da minha vida?

— Tão urgente que nem sequer teve tempo de olhar para o próprio filho depois que ele nasceu?

— Carter... quem lhe deu o direito de trazê-la para a sala de parto?

— E quem lhe deu permissão para gravar tudo aquilo?

Assim que terminei de falar, o quarto mergulhou em um silêncio absoluto.

Era possível ouvir um alfinete cair.

Carter pressionou os lábios, claramente tentando encontrar uma maneira de me convencer com palavras doces.

Mas foi Sofia quem rompeu o silêncio.

Ao vê-lo calado, ela fez um biquinho de desagrado e pousou delicadamente a mão de unhas vermelho-sangue sobre o braço dele.

— Sloane, fui eu quem gravou o vídeo.

Ela ergueu o queixo com arrogância enquanto sustentava meu olhar.

— Então não culpe o Carter. Eu só estava curiosa. Nunca imaginei que dar à luz pudesse ser... tão espetacular.

Ela sorriu.

— Além disso, eu só queria registrar esse momento importante. Quando seu filho crescer, vocês vão ter uma lembrança para guardar, não é?

— Fazer esse escândalo todo por uma coisinha dessas não combina com a esposa do subchefe da família Rossi.

Voltei meu olhar para Carter.

Ele não a desmentiu.

Pelo contrário.

Ao ouvir Sofia defendê-lo, sua expressão até pareceu suavizar.

— Curiosa...

Saboreei aquela palavra lentamente.

Então sorri de canto.

— Já que você é tão curiosa, Sofia...

— Por que não arruma um homem e passa por um parto você mesma?

Minha voz permaneceu baixa.

Meu tom continuava calmo.

Mas a arrogância estampada no rosto de Sofia rachou no mesmo instante.

Carter soltou um suspiro e falou em tom de repreensão carinhosa:

— Amor... isso não foi uma coisa bonita de dizer.

Apenas o encarei.

Sem responder.

Enquanto ele se virava para consolar Sofia, voltei a falar.

— Ah...

— Quase me esqueci.

Olhei diretamente para Sofia.

— Você não passa da filha bastarda de uma família qualquer.

— Mesmo que quisesse ter um filho...

— O Don da família Rossi jamais permitiria que uma criança com sangue impuro entrasse pela porta desta família.

Afinal, qualquer pessoa que conhecesse Sofia sabia muito bem das coisas vergonhosas que ela havia feito no passado.

Mal terminei de falar...

Duas coisas aconteceram ao mesmo tempo.

— SLOANE!

Estalo!

Sofia já estava diante de mim.

Sua mão, agora abaixada, ainda ardia depois de ter acertado meu rosto com toda a força.

Eu ainda estava extremamente debilitada pela cesariana.

Não tinha forças nem para levantar um braço.

Recebi aquele tapa sem conseguir reagir.

Minha bochecha queimava.

O impacto fez a incisão no meu abdômen rasgar em uma nova onda de dor.

Minha visão escureceu.

Um suor frio encharcou instantaneamente a camisola do hospital.

Sofia me encarava ofegante.

— Se não fosse pelo Carter, eu arrancava essa sua boca fora!

— Você acha mesmo que é alguma princesinha de sangue nobre?

Meu rosto estava completamente pálido.

Mordi o lábio com força para impedir que um grito escapasse.

Meus olhos, porém, permaneceram fixos em Carter.

Quando Sofia avançou sobre mim...

Ele estava bem ali.

Eu jamais acreditaria que ele não pudesse tê-la impedido.

A menos...

Que nunca tivesse tido essa intenção.

Ao ver a marca vermelha dos dedos surgindo rapidamente na minha bochecha, o corpo de Carter enrijeceu.

Instintivamente, ele deu um passo em minha direção e estendeu a mão.

Mas, ao notar Sofia tremendo de raiva...

Sua mão parou no meio do caminho.

— Sofia... não seja impulsiva.

Ele suspirou.

Depois voltou-se para mim.

Sua voz agora carregava um leve tom de reprovação cansada, como se a culpada por tudo fosse eu.

— Sloane... você passou dos limites.

— Você sabe como a Sofia é sensível quando o assunto é a origem dela.

— Por que provocar justamente esse ponto?

Meu coração afundou.

Eu... passei dos limites?

Comparado às coisas repugnantes que ele e Sofia fizeram enquanto eu suportava dores que pareciam me rasgar ao meio...

A única frase verdadeira que eu havia dito não chegava nem a um décimo da crueldade deles.

Eu havia arriscado minha vida para dar um herdeiro à família Rossi.

Minutos antes, ele sequer havia se importado com o choro do próprio filho.

E agora...

Estava preocupado porque a mulher que acabara de me agredir podia ter ficado magoada.

Respirei fundo.

Minha voz tremia, mas permaneceu firme.

— Carter Rossi...

— Eu não estava falando com você.

Sofia, que já havia recuperado a compostura, cruzou os braços e soltou uma risada cheia de desprezo.

— Nossa, Sloane... você leva tudo a sério demais.

Ela lançou um olhar de cima a baixo para o meu corpo.

— Você engordou, ficou deformada e feia durante a gravidez.

— O Carter nunca reclamou de nada.

— Então qual é o problema em a gente compartilhar um pouquinho dessa alegria com a família e assistir ao vídeo do seu parto?

Ela deu de ombros.

— Para de bancar a mártir.

— Somos todos uma família.

— Foi só uma brincadeira.

Meu corpo inteiro enrijeceu.

Olhei diretamente para ela.

— O que você quis dizer com isso?

— Quem mais viu aquele vídeo?

Um pressentimento terrível tomou conta de mim.

E, como eu temia...

Ao ver minha reação, Sofia sorriu ainda mais e empurrou o celular diante dos meus olhos.

O grupo de mensagens estava completamente tomado por memes feitos com capturas do meu rosto.

Os mesmos Capos que normalmente me chamavam respeitosamente de Sra. Rossi agora despejavam comentários nojentos.

"Essa cara dela é hilária. Uma hora faz careta, na outra revira os olhos. Toda vermelha... quem diria que isso era um parto? Hahaha."

"A Sofia sabe mesmo divertir a rapaziada. Sempre arruma um bom entretenimento."

“Esses gritos... até fiquei excitado..."

Fechei os olhos.

Uma onda de náusea subiu pela minha garganta.

A dor da cirurgia era tão intensa que eu mal conseguia respirar.

— Carter...

— Me explica.

Nem sequer olhei para Sofia.

Mantive os olhos fixos no meu marido.

Eu havia imaginado que aquilo fosse apenas uma diversão doentia entre os dois.

Jamais pensei que ele tiraria capturas do vídeo, transformaria em memes animados...

E enviaria tudo para o grupo onde conversava com seus Capos e Soldatos.

Carter franziu a testa, claramente incomodado com meu tom.

Olhou para a tela do celular.

Depois voltou a olhar para mim.

Por fim, como se tivesse perdido toda a paciência para continuar fingindo, ergueu as mãos.

— Chega, Sloane.

Seu rosto estava completamente indiferente.

— Não há nada para explicar.

— Os rapazes só estavam se divertindo um pouco, para descontrair.

— Você conhece o pessoal da minha organização.

— Foi só uma brincadeira.

— Por que está levando isso tão a sério?

— Você está estragando o clima.

Minha respiração falhou por um instante.

Olhei para o homem que amei durante oito anos.

Então perguntei baixinho:

— Você chama... isso de brincadeira?

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