INICIAR SESIÓNA realidade das palavras do Adam me atingiu como um raio.
Se eu ficasse ali, aceitando aquela humilhação, eu manteria a minha empresa. Se eu fosse embora, corria o risco de perder tudo o que era meu e ainda continuar sendo humilhada por cada um deles.
Todos me olhavam vitoriosos. Esperando que eu desabasse, que eu fosse a Kat carente que sempre rastejava por atenção e carinho. A Kat que temia a solidão e só queria ser amada.
Essa Kat ainda existia. Eu sabia. Mas hoje ela não daria as caras.
Eu não chorei. Não desabei, não solucei e nem implorei por misericórdia ao meu pai como fiz tantas vezes no passado. Dessa vez, ergui o queixo. E mantive a minha postura firme.
Adam estava certo em uma coisa: a minha agência de design era a melhor da cidade. E ela era a melhor porque eu a comandava. E se eu comando uma agência como aquela, eu posso muito bem comandar a minha vida.
Dei um sorriso de canto, encarei o canalha na minha frente.
— Meu pai nunca irá colocar as mãos no que é meu por direito e competência — afirmei, a voz saindo fria e cortante. — E você... nunca mais vai me ter ao seu lado.
Adam abriu a boca para rebater, mas levantei a mão, interrompendo-o drasticamente.
— Já que se casar com a cretina da minha irmã é o suficiente para chamar a atenção do seu pai, que, convenhamos, finge que você nem existe... — vi a expressão dele murchar instantaneamente com a menção ao pai, mas ignorei dando os ombros antes de concluir:
— Vá em frente. Seja feliz com essa aprendiz de meretriz.
Virei as costas e caminhei em direção à saída do quarto, ignorando os protestos e resmungos indignados que ecoaram atrás de mim. Antes de cruzar a porta de vez, parei e olhei por cima do ombro.
— Ah, e mais uma coisa. Eu vou me casar. Vou manter a minha empresa e tudo o que me pertence. E quando isso acontecer... eu quero todos vocês fora da minha casa.
Sem esperar resposta, saí dali. Desci os degraus da escada principal a passos rápidos, ouvindo os passos apressados e a voz desesperada do Adam ecoando pelo hall de entrada.
— Kat, não ouse sair! — ele gritou, vindo atrás de mim. — Eu juro para você que, se passar por aquela porta agora, acabou!
Soltei uma risada alta, ríspida e totalmente sem humor.
— Achei que eu já tivesse deixado bem claro lá em cima que acabou mesmo, Adam.
Ele correu mais um pouco e se plantou na minha frente, bloqueando a passagem para a porta da rua.
— Saia da minha frente! — ordenei, entre dentes.
Ele esticou as mãos e segurou meus braços com força.
— Você vai mesmo jogar anos de relacionamento fora desse jeito, Katherine? Assim, por nada?
— Anos de uma mentira, você quer dizer, né? — Puxei meus braços com violência, me libertando do aperto dele.
Adam pareceu suavizar a expressão, mudando a tática. Ele ergueu as mãos e segurou o meu rosto, me forçando a olhá-lo nos olhos.
— Kat, pensa bem. Está tudo arranjado. Meu pai transferiu a matriz da empresa para cá, essa... essa é uma oportunidade única para mim! Se você cancelar o casamento agora, não sou só eu quem perco. Você também perde!
Bati em suas mãos, as tirando do meu rosto com nojo.
— Você realmente acha que eu vou manter esse noivado depois de pegar você na cama com a minha irmã? Depois de você jogar na minha cara que ela é melhor do que eu?
Ele passou a mão pelos cabelos, visivelmente frustrado.
— Eu só disse aquelas coisas porque você me provocou!
Olhei para ele, genuinamente incrédula.
— Eu te provoquei? Você está se ouvindo, Adam? Você é patético.
— Querida, me escuta — ele insistiu, fechando o espaço entre nós mais uma vez. — Nós podemos resolver isso. Eu prometo que não procuro mais a Ester. Está satisfeita?
— Como é que é, Adam?! — Uma voz estridente cortou o hall.
Olhei para o pé da escada e vi Ester descendo, o rosto vermelho de raiva.
— Você está disposto a me deixar por ela? Logo agora?
Adam sequer se virou totalmente para ela, focado em não perder o controle da situação comigo.
— Agora não, Ester! Nós dois nos entendemos depois.
Eu não aguentei e soltei uma gargalhada genuína de escárnio diante daquele circo. Esse cretino realmente não tinha noção nenhuma da vida.
Dei dois passos para trás, limpando uma lágrima invisível no canto do olho, e encarei o meu ex-noivo.
— Resolva tudo com ela agora, Adam. Aproveita o buffet, a igreja e muda na cerimônia o nome de Katherine para Ester. Acho que combina mais com você.
Pelo canto do olho, vi o sorriso vitorioso e instantâneo se estampar no rosto da minha irmã. Não esperei mais nada. Dei as costas de vez, passei pela porta e caminhei firme em direção ao meu carro.
Entrei, bati a porta e girei a chave na ignição. O motor rugiu, mas, antes que eu pudesse engatar a marcha, a mão de Adam bateu contra o meu vidro, que ainda estava aberto.
— Katherine, essa é a sua última chance! — ele esbravejou, os olhos faiscando. — Se for embora agora, eu juro que me caso com a Ester! Você tá me ouvindo? Eu me caso de verdade com a sua irmã.
Olhei por cima do ombro dele. No topo da pequena escadaria da entrada, Ester, meu pai e Céline estavam parados, me encarando como se esperassem o meu humilhante arrependimento.
Voltei minha atenção para Adam. Ele me olhava com expectativa, achando que tinha o jogo ganho. Levei minha mão até o rosto dele, espalmando minha palma em sua bochecha.
Por alguns milésimos de segundo, a expressão dele suavizou, achando que tinha me dobrado. Aproximei meus lábios dos dele, quase roçando nossa pele, e sussurrei com um sorriso doce e venenoso.
— Adam, querido... Vê se decora: acabou.
Segurei o volante com força, pisei fundo no acelerador e arranquei com o carro.
— KAT!!!! — O grito dele se perdeu no som dos pneus cantando no asfalto, mas eu ignorei.
Dirigi sem rumo pelas ruas iluminadas de São Francisco, a mente girando em alta velocidade, o estômago embrulhado pela adrenalina que começava a baixar. Eu estava exausta. Cansada de rodar sem rumo e sem querer, mas sob hipótese alguma eu voltaria para aquela maldita casa.
Parei em frente a um hotel de luxo no centro. Fiz o check-in na recepção com o piloto automático ligado. Antes de subir para o quarto, perguntei ao funcionário onde ficava o bar. Ele me indicou o caminho com um aceno cortês e eu marchei até lá.
Me sentei no banco alto de madeira, e apoiei os cotovelos no balcão.
— O que vai ser para a senhorita? — o barman perguntou, ajeitando um copo.
Dei um sorriso desanimado, a exaustão pesando nos meus ombros.
— Uma dose do que você tiver de mais forte.
Ele assentiu e me serviu um líquido âmbar. Peguei o copo e virei de uma vez, sentindo o álcool descer queimando e rasgando a minha garganta, anestesiando a dor no meu peito.
— Outra — pedi, empurrando o copo vazio.
E depois veio outra. E mais outra.
O calor da bebida começou a flutuar na minha cabeça, deixando minhas reações lentas e a minha inibição completamente esquecida no fundo do copo. Foi exatamente nesse momento, enquanto eu olhava vagamente pelo salão meia-luz do bar, que eu o vi.
Sentado em uma mesa mais reservada, estava um homem deslumbrante. Ele tinha ombros largos e uma postura imponente; mesmo sob o tecido fino da camisa social escura, dava para perceber o contorno de um corpo focado e musculoso. O maxilar dele era marcado, a expressão séria, quase intocável.
Com toda certeza ele era um homem poderoso.
O álcool gritou na minha mente que eu precisava de uma distração. Qualquer uma. E não tinha entretenimento melhor que um Adônis daquele.
Desci do banco do balcão, sentindo minhas pernas ligeiramente moles pela bebida. Caminhei firme até a mesa dele e, sem pedir licença, me sentei no estofado, colando o meu corpo inteiramente ao dele.
O perfume dele, algo amadeirado, caro e absurdamente masculino, invadiu meus sentidos.
— Preciso dizer... você é um dos homens mais lindos que eu já conheci — sussurrei, encarando-o de perto.
Ele não se moveu. Apenas levou o copo aos lábios, deu um gole calmo em sua bebida e me olhou de soslaio, com uma frieza imperial.
— Acho melhor você voltar para o balcão, menina.
A voz dele era um barítono grave que vibrou no meu peito. O encarei de frente. Os olhos dele eram de um cinza hipnotizante, tempestuoso e profundo.
Por um milésimo de segundo, aqueles olhos me lembraram alguém, uma semelhança incômoda que tentei afastar imediatamente da minha mente nublada.
— E eu acho melhor fazer outra coisa... — respondi, umedecendo os lábios, deixando o desespero e a audácia da bebida tomarem o controle.
Ele colocou o copo de volta na mesa de vidro, virando o rosto totalmente para mim. As sobrancelhas escuras se ergueram de leve.
— E o que seria?
Com a voz baixa, quase um sopro, e um sorriso malicioso desenhado nos lábios, eu respondi.
— Isso.
Me aproximei rapidamente, quebrando qualquer distância entre nós, e o beijei.
Capítulo 56: Ponta de gratidãoKatherineFoi no meio da minha súplica que o mundo explodiu ao nosso redor.A pesada porta de ferro do cativeiro foi arrombada com um estrondo ensurdecedor. A folha de metal foi arrancada da trava e colidiu contra a parede de alvenaria com a violência de um tiro de canhão.Uma sombra gigantesca e aterrorizante cruzou a soleira.Bruce estava parado ali. Os olhos negros dele não pareciam humanos; eram poços de pura fúria assassina e descontrolada.O capanga congelou sobre o meu corpo por uma fração de segundo, o terror paralisando os seus movimentos. Mas antes que o desgraçado pudesse sequer soltar os meus pulsos ou abrir a boca para implorar, Bruce avançou sobre ele com uma velocidade brutal.Bruce agarrou o homem pela nuca e pelas costas da jaqueta, arrancando-o de cima de mim no ar como se o sujeito não passasse de um saco de lixo.Ele ergueu o capanga e arremessou o corpo dele contra a parede de concreto oposta. O som do impacto dos ossos do homem cont
Capítulo 55: Sangue no cativeiroKatherineA escuridão daquele cubículo imundo parecia se fechar sobre o meu corpo como uma tumba de concreto.Fiquei encolhida no canto úmido da parede, abraçando os meus próprios joelhos contra o peito para tentar conter os tremores incessantes que me dominavam. A dor na lateral da minha cabeça ainda pulsava em pontadas agudas e latejantes, me lembrando com crueldade da pancada violenta que sofri na igreja.O tecido do vestido que Henry havia escolhido com tanto carinho estava manchado de poeira, fuligem e do meu próprio sangue seco. O silêncio do galpão era quebrado apenas pelo gotejar distante de um cano enferrujado e pelo ruído abafado de passos pesados no andar superior.Saber que Bruce estava vivo era um milagre que a minha mente ainda lutava para processar. Aquele menino que me protegeu na infância tinha se transformado em um homem perigoso, temido e marcado por cicatrizes profundas, mas o olhar dele ao me chamar de Kitty Cat trouxe uma réstia d
Capítulo 54: De volta pra mimHenryA ligação foi encerrada com um clique seco.Afastei o aparelho do ouvido devagar, a mente fervilhando com a intensidade daquela conversa. As palavras dele ecoavam no meu crânio com uma força perturbadora: “da Katherine... da segurança da minha Kitty Cat... quem cuida sou eu.”Havia algo profundamente enraizado ali, algo que transcendia o interesse financeiro ou a mera compaixão. Aquele homem arriscaria a própria vida para mantê-la a salvo.Respirei fundo, ajeitei a lapela do meu paletó e empurrei a porta de vidro da varanda, retornando para a sala de estar.Mason, Marcus e Oscar me encararam imediatamente, os semblantes tensos pela expectativa.— Henry? — Mason adiantou-se no mesmo instante, o celular em mãos. — O que foi isso? Quem estava na linha? Era o intermediário dos sequestradores?Caminhei até o centro da mesa onde os mapas e relatórios estavam abertos. Olhei firme para os três homens leais que estavam ao meu lado naquela noite.— Era o líd
Capítulo 53: O Pacto nas SombrasHenry— Afinal de contas, quem é você?! Um bandido ganancioso que só quer arrancar dinheiro de mim... Ou um cretino qualquer interessado na minha mulher?!A pergunta rasgou o silêncio da varanda com uma ferocidade quase incontrolável. Apertei a carcaça de metal do telefone contra o meu ouvido, sentindo as veias do meu pescoço pulsarem e a respiração queimar no peito. Do lado de dentro da sala, através do vidro temperado, vi Marcus e Mason trocarem olhares tensos ao perceberem a minha postura rígida e o tom hostil da minha voz.Do outro lado da linha, o homem soltou um riso rouco, seco e arrastado. Um som desprovido de qualquer deboche fútil, soando mais como o cansaço amargo de alguém que conhecia a podridão do mundo muito melhor do que eu.— Guarde o seu ciúme idiota para quem realmente representa uma ameaça para o seu casamento, Storn — a voz de Scar veio firme, grave e cortante como gelo. — Eu não sou um bandido comum querendo se aproveitar da desg
Capítulo 52: Quem é você?HenryEu ainda não conseguia me conformar com o fato da Ester ter saído pela porta da frente da delegacia como se nada tivesse acontecido. Saber que aquela víbora estava livre enquanto a minha mulher permanecia desaparecida nas mãos de criminosos me enchia de uma fúria corrosiva. Mas eu não ia mais perder um único segundo esperando pela boa vontade ou pela lentidão burocrática da polícia. A via oficial tinha falhado. Agora, eu ditaria as regras do jogo.Mandei Mason vir imediatamente para a minha mansão junto com Marcus, o chefe de segurança da minha matriz. Eu precisava traçar uma linha de ação agressiva e direta.Vinte minutos depois, Mason e Marcus entraram na minha sala de estar. O clima era pesado, quase palpável de tanta tensão. Marcus abriu uma pasta com mapas da região metropolitana e relatórios confidenciais sobre grupos armados que operavam nos arredores da cidade.— Senhor Storn — Marcus começou, a voz grave e analítica. — Nós analisamos o modus
Capítulo 51: Quem paga mais, leva o prêmio Bruce "Scar"Doze anos. Faziam exatamente doze longos, sangrentos e amargos anos que eu não colocava os meus olhos na Katherine.E quando o Tiger entrou no galpão com a ficha dela, a fotografia impressa, a metade do pagamento em notas não rastreáveis e a ordem expressa para executá-la a sangue-frio, foi como se o chão tivesse sido arrancado debaixo dos meus pés sem aviso. Eu precisei congelar cada músculo da minha face para não descarregar o pente inteiro da minha pistola na cabeça do meu próprio braço direito.Eu precisava agir com uma precisão cirúrgica. Eu precisava salvá-la daqueles abutres a qualquer custo. Mas para conseguir mantê-la viva naquele ninho de cobras armadas, eu sabia que seria obrigado a dar o primeiro passo: revelar a ela que eu não estava morto, que o garoto do seu passado tinha sobrevivido ao inferno.E foi exatamente o que eu fiz lá embaixo, naquele cubículo imundo de concreto.No primeiro instante, Katherine não me r







