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Capítulo 3: A Escolha é sua

last update publish date: 2026-07-03 23:36:58

Capítulo 3: A Escolha é sua

Katherine

— Acabou, Adam Storn. Eu estou cancelando o nosso casamento.

As palavras saíram da minha boca como lâminas, cortando o ar pesado daquele quarto. O silêncio que se seguiu durou apenas um segundo antes que a expressão de irritação de Adam se transformasse em uma leve linha de pânico. Ele deu dois passos rápidos na minha direção, os braços estendidos como se tentasse domar um animal arisco.

— Kat, espera. Você não pode fazer isso — ele começou, a voz subitamente mansa, tentando usar aquele tom persuasivo que sempre me dobrava. — Pensa bem. Nós estamos a uma semana do casamento. Tudo já está pago, os convidados... Eu finalmente conquistei a atenção do meu pai por causa disso. Ele está orgulhoso de mim porque vou me casar, Kat. Você não pode jogar tudo para o alto por um momento de cabeça quente.

Recuei, sentindo nojo da proximidade dele.

— Cabeça quente, Adam? Eu peguei você enterrado na minha irmã, na minha casa, usando o meu vestido de noiva! — Minha voz falhou, mas corei de fúria. — Eu nunca, escute bem, nunca vou perdoar uma traição.

O tom dele mudou drasticamente. Os olhos de Adam se arregalaram de leve, e eu percebi o exato momento em que a ficha dele caiu. Ele viu que eu estava falando sério. Que não era um blefe.

— Querida, por favor — ele implorou, dando mais um passo. — Vamos para o seu quarto. Vamos conversar sozinhos, com calma. Eu posso... nós podemos resolver isso.

— Adam? — Ester chamou da cama, a voz manhosa e ultrajada. — Como assim conversar?

— Agora não, amor! — Adam cortou minha irmã sem sequer olhar para ela, os olhos fixos em mim.

Ester soltou um risinho vitorioso ao ser chamada de amor na minha frente, as sobrancelhas erguidas em pura provocação. O meu estômago revirou. Uma gargalhada amarga e histérica escapou da minha garganta.

— É assim que você quer me convencer a ficar, Adam? — gritei, apontando para a cama. — Chamando a sua amante de amor na minha cara? Você é um lixo!

— Ah, pelo amor de Deus, Katherine, para de ser dramática! — Adam explodiu, perdendo a paciência e a fachada de arrependido. — Foi só uma transa! Um erro! Você está fazendo um escândalo desproporcional!

— Eu dramática? Você me trair com a minha irmã é só um erro? Um erro? — perguntei indignada.

— O Adam está certo, Katherine. — Céline interveio, cruzando os braços com um sorriso de escárnio. — Você sempre foi exagerada. Um homem tem necessidades, e se você não dá conta, não reclame que ele procure fora.

— Chega desse show, Katherine — meu pai decretou, a voz gélida e autoritária. — Peça desculpas ao Adam, vá para o seu quarto e limpe esse rosto. Sabemos bem o quanto você é fraca, dependente do Adam, tudo isso não passa de um show para chamar atenção. Eu sei que não tem coragem de cancelar esse casamento. 

Olhei para os quatro. Adam, meu pai, Céline, Ester. Todos de pé, apontando o dedo para mim. Eles estavam se voltando contra mim. Queriam me fazer parecer a louca, a culpada pelo erro dele. Exatamente como fizeram durante os últimos doze anos, me manipulando, me maltratando e me fazendo sentir como se a minha existência fosse um fardo.

A humilhação tentou me esmagar, mas o ódio foi maior.

— Vocês não são nada sem mim! — Berrei, as lágrimas queimando meus olhos, mas a voz firme como aço. — Nada! O noivado acabou, Adam. Acabou!

Dei as costas, decidida a juntar minhas coisas e sair daquela casa maldita para nunca mais voltar. Eu estava quase cruzando o batente da porta quando a voz do meu pai ecoou, pausada, fria e cirúrgica.

— Pensa bem, Katherine. Em uma semana será seu aniversário de vinte e seis anos. Em uma semana, se você não estiver casada... você perde tudo.

Eu parei no lugar.

A realidade me atingiu no peito como uma bigorna de toneladas, tirando todo o ar dos meus pulmões. O chão pareceu ceder sob os meus pés.

O testamento da minha mãe.

A cláusula de sucessão da agência de design gráfico era clara e cruel: para assumir o controle total das ações e evitar que a empresa fosse incorporada pelos antigos sócios do meu pai, eu precisava estar casada até o meu aniversário de vinte e seis anos. 

Se eu estivesse solteira, o controle majoritário passaria automaticamente para o conselho... e para o meu pai.

Me virei devagar, sentindo meu corpo tremer. Arthur mantinha um olhar profundamente satisfeito. Era o olhar de um predador que sabia que tinha vencido sem precisar mover um único dedo. 

Ele sabia que tinha me pegado pelo calcanhar de Aquiles. Todo o meu trabalho, o legado da minha mãe, o suor da vida dela... tudo seria jogado no lixo.

Adam percebeu a minha hesitação. Com um sorriso de canto, ele se aproximou devagar. Eu estava paralisada pelo choque, incapaz de reagir quando ele ergueu a mão e, com uma falsa delicadeza que me deu náuseas, afastou um fio de cabelo do meu rosto.

Ele se inclinou, a voz baixinha perto do meu ouvido para que apenas eu escutasse:

— Eu me caso com você, Katherine — ele sussurrou, o hálito quente me causando repulsa. — Eu garanto a você tudo o que sempre foi seu, a empresa da sua mãe fica segura, e, em troca, você me ajuda a conquistar a atenção e os negócios do meu pai. É uma troca justa.

Encarei os olhos dele, vendo o oportunista barato que ele sempre foi.

— Nunca — sibilei entre dentes.

Adam soltou uma risada debochada, afastando-se um passo e me olhando de cima a baixo com total superioridade.

— Então se prepare para perder tudo, querida. Porque se você não estiver naquela igreja em uma semana, eu ainda vou me casar. E será com a gostosa da sua irmã.

Ele fez uma pausa dramática, olhando de relance para Ester, que sorria vitoriosa, e depois voltou a cravar os olhos em mim, desferindo o golpe final:

— Porque, no final das contas, o meu pai só quer que eu me case com alguém de boa família. E a Ester, em breve, vai ser a filha do CEO da melhor agência de design de São Francisco. A sua agência. A escolha é sua, Kat.

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