MasukCapítulo 61 — Corrida contra a morteBruce “Scar”O ar no corredor do galpão parecia ter sido substituído por chumbo incandescente. Eu continuava cravando o cano da pistola no queixo de Julian, sentindo o tremor da minha própria carne contra o metal da arma. Minha visão estava manchada por um tom escarlate de ódio puro, o tipo de fúria cega que anula qualquer vestígio de humanidade e deixa apenas o instinto predador no comando.A Katherine tinha sumido. A minha irmãzinha estava nas mãos de um covarde qualquer, e a culpa era inteiramente minha por ter baixado a guarda por meras horas.— Scar, me escuta! Abaixa a porra dessa arma agora! — Julian gritou, erguendo as duas palmas abertas, a respiração saindo entrecortada pelo cano pressionado contra sua mandíbula. — Se você me matar aqui, você perde tempo, e tempo é a única coisa que a garota não tem! As câmeras, porra! As câmeras do circuito interno do pátio e dos fundos! Elas gravam vinte e quatro horas por dia no servidor do mezanino!
Capítulo 60 — Veneno nas VeiasKatherineEu esperava que a noite fosse um pesadelo sem fim, cheia de sobressaltos e pavor. Mas depois quando o trouxe o colchão limpo, os lençóis e o cobertor pesado, me aninhei naquele canto e permiti que o peso esmagador dos acontecimentos me levasse. A exaustão física e emocional cobrou a conta com juros. Fechei os olhos com o gosto doce do bolo de morango na memória e apaguei em um sono denso, quase sem sonhos.Acordei com o corpo dolorido e a garganta seca. Uma claridade tímida e empoeirada filtrava pelas frestas do galpão, anunciando que a manhã de domingo já havia chegado. E, junto com o despertar, veio uma urgência física imediata: uma vontade insuportável de ir ao banheiro.Levantei devagar, massageando a nuca dolorida. Caminhei até a porta de ferro pesada e bati com os nós dos dedos, chamando em tom contido:— Scar? Nenhuma resposta veio de imediato. Apenas o eco oco do metal no galpão silencioso. Bati novamente, com um pouco mais de força,
Capítulo 59 — Sentença e DesaparecimentoBruce "Scar"— Scar, esse cara está fora de si... — Tiger tentou alertar.— Eu mandei soltar o homem — repeti, o tom tão perigoso que os dois mercenários deram três passos para trás imediatamente.Assim que se viu livre, Billy soltou um rugido de fúria e se atirou contra mim com todo o peso do corpo, desferindo um soco desengonçado na direção da minha mandíbula.Eu nem pisquei.Desviei do golpe dele com uma esquiva milimétrica para a esquerda. Em uma fração de segundo, aproveitei o impulso do corpo dele, segurei o braço direito de Billy na altura do cotovelo e girei com brutalidade, aplicando uma chave de braço devastadora. O som do ombro dele estalando sob a alavanca ecoou pelo galpão silencioso. Passei a outra mão pela nuca dele e prensei a bochecha do desgraçado contra o capô enferrujado de um carro desmontado, torcendo o braço dele para trás até o limite máximo da articulação.Billy soltou um urro agudo de dor pura, contorcendo as pernas.
Capítulo 58 — Que Deus não o recebaBruce "Scar"O ódio que queimou as minhas vísceras ao ver aquele desgraçado em cima da Kat foi algo que eu nunca tinha sentido em toda a minha vida. Nem nos piores ringues clandestinos, nem nas emboscadas armadas em que quase perdi o pescoço. A visão da minha irmãzinha jogada no concreto imundo, com o vestido rasgado e chorando por socorro, quase fez com que eu arrancasse a cabeça daquele verme com as próprias mãos ali mesmo.Eu só me controlei para não sujar ainda mais aquele chão na frente dela.Depois que mandei arrastarem o corpo do agressor para fora, fiz questão de descer eu mesmo até o depósito dos fundos. Consegui um colchão grosso, limpo, lençóis lavados, dois travesseiros e um cobertor pesado de lã. Levei tudo para o cubículo de concreto, arrumei no canto mais seco e a cobri com cuidado, garantindo que Katherine tivesse pelo menos uma noite minimamente confortável naquele pedaço de lixo abandonado. Dei a ela um beijo na testa, tranquei
Capítulo 57 — A Queda da MáscaraAdamVinte e quatro horas. Vinte e quatro malditas horas haviam se passado desde que aquele pesadelo começou, e a minha cabeça parecia prestes a explodir em mil pedaços.Eu andava de um lado para o outro na minha cobertura como um animal enjaulado, arrancando os cabelos com as mãos trêmulas. O silêncio à minha volta era ensurdecedor. A polícia não me passava uma única informação concreta, tratando o caso sob sigilo absoluto, e o meu próprio pai havia me bloqueado de todas as formas possíveis. Henry desligou na minha cara ontem e simplesmente ordenou aos seguranças da mansão que barrassem a minha entrada caso eu ousasse pisar lá.“Ela é uma mulher casada agora. Ela tem um marido que cuida dela e que responde por ela.”Aquela frase que meu pai cuspiu ao telefone queimava no meu cérebro como brasa viva. Ele teve a audácia de dizer que a Katherine era uma mulher casada, que pertencia a outro.— Mentira... É tudo uma farsa doentia daquele velho desgraçado!
Capítulo 56: Ponta de gratidãoKatherineFoi no meio da minha súplica que o mundo explodiu ao nosso redor.A pesada porta de ferro do cativeiro foi arrombada com um estrondo ensurdecedor. A folha de metal foi arrancada da trava e colidiu contra a parede de alvenaria com a violência de um tiro de canhão.Uma sombra gigantesca e aterrorizante cruzou a soleira.Bruce estava parado ali. Os olhos negros dele não pareciam humanos; eram poços de pura fúria assassina e descontrolada.O capanga congelou sobre o meu corpo por uma fração de segundo, o terror paralisando os seus movimentos. Mas antes que o desgraçado pudesse sequer soltar os meus pulsos ou abrir a boca para implorar, Bruce avançou sobre ele com uma velocidade brutal.Bruce agarrou o homem pela nuca e pelas costas da jaqueta, arrancando-o de cima de mim no ar como se o sujeito não passasse de um saco de lixo.Ele ergueu o capanga e arremessou o corpo dele contra a parede de concreto oposta. O som do impacto dos ossos do homem cont







