LOGINCapítulo 136 — Está tudo bem?KatherineCinco semanas haviam se passado, e a sensação era de que o mundo tinha finalmente começado a girar no eixo certo, mesmo que o ritmo continuasse implacável.Henry estava trabalhando em dobro, dividindo-se entre a matriz da Storn e as reuniões intermináveis para a transição definitiva da concessão com os comissários de Edward Sherman. Na agência, a auditoria externa finalmente havia chegado ao fim; contudo, a burocracia jurídica ainda não tinha conseguido transferir formalmente as dívidas e as fraudes para as costas de quem realmente as cometeu. Meu pai, minha madrasta e Ester haviam sumido do mapa, engolidos pela própria vergonha e pelo medo dos advogados do Henry. E Adam, para o alívio de todos nós, permanecia em absoluto silêncio, recluso após o escândalo da cobertura.Mavie desembarcava hoje em São Francisco. Ela havia nos avisado na noite anterior que trazia com ela uma grande surpresa, algo que nem eu e nem Henry fazíamos a menor ideia do
Capítulo 135 — O PactoMavieO silêncio dentro daquele carro estacionado parecia espesso o suficiente para ser cortado com uma lâmina.Olhei para a mão de Maxwell pousada sobre o meu ventre, depois para o rosto dele, completamente atônita. O choque de tudo o que havia acabado de acontecer, o ultrassom, a vida crescendo dentro de mim e a loucura que saía da boca dele, fazia a minha cabeça girar.— Max... você perdeu completamente o juízo.Puxei a minha mão devagar, encostando a cabeça contra o banco de couro e soltando uma risada nervosa, sem um pingo de humor.— O Oscar não vai se importar de me ver com outro homem. Ele teve todas as chances do mundo para me pedir para ficar e me mandou embora com desprezo. E além do mais... eu nunca faria isso com você, Max. Jamais te prenderia em um casamento só para salvar a minha pele e a reputação do meu nome.Maxwell não se abalou. Ele recolheu a mão do meu ventre, recostou-se no banco do motorista e soltou um riso frouxo, balançando a cabeça co
Capítulo 134 — Duas Linhas e uma MentiraMavieCinco semanas depois…Londres, Inglaterra.A chuva fina e cinzenta típica do outono britânico batia contra as vidraças panorâmicas da cobertura de Maxwell, em Mayfair, mas o clima dentro do apartamento era de pura descontração.Eu tentava manter o ritmo da conversa enquanto cortava um pedaço do risoto de cogumelos que Max havia insistido em preparar. Maxwell era o meu confidente mais antigo em Londres, além de um dos investidores mais arrojados do mercado europeu. Ele conhecia cada espinho da minha história familiar e sempre foi o refúgio seguro para os meus desabafos mais caóticos.— … e então o conselho de administração de Roterdã recuou — Max dizia, gesticulando com a taça de vinho na mão, o sorriso charmoso emoldurado pelos olhos azuis expressivos. — Bastou você mencionar que a Storn estava assumindo a ponta das operações para que aqueles velhos holandeses baixassem a crista. Você é implacável, Campbell.Forcei um sorriso para acompan
Capítulo 133 — O Voo do AdeusMavie— Agora... volte para o seu mundo e me deixe viver no meu.O som daquelas palavras reverberou pelo quarto simples da ala dos funcionários com a força de um choque elétrico. Fiquei paralisada sobre os lençóis amassados, encarando as costas largas e imóveis de Oscar, me recusando a aceitar o que meus ouvidos acabavam de registrar.Puxei o tecido contra o meu peito nu, soltando uma risada nervosa e trêmula.— Você... você está brincando, não é? Oscar, olha para mim! Depois de tudo o que nós vivemos nesta cama esta noite, você não pode estar falando sério!Ele não se virou. Nem um único músculo se moveu.— Eu nunca falei tão sério na minha vida, Mavie. Vista as suas roupas e vá embora.O chão se abriu sob os meus pés. As lágrimas que eu tentava conter queimaram com violência e escorreram em cascata pelo meu rosto. Saí da cama num tropeço desgovernado, me ajoelhando no chão ao lado dele, ignorando qualquer resquício de orgulho ou dignidade que ainda me r
Capítulo 132 — Cinzas e DesejoMavieA ponta dos meus dedos queimava contra o tecido áspero da jaqueta dele.— Por favor... não vá.A súplica escapou rasgando a minha garganta, despida de qualquer orgulho. Por um instante que pareceu durar uma eternidade, Oscar permaneceu imóvel. As costas largas continuavam tensas, a respiração pesada condensando no ar gelado da madrugada.Ele se virou devagar.A luz prateada dos postes desenhava os traços fortes do seu maxilar cerrado e os olhos escuros que um dia me olharam com devoção pura. Mas não havia calor ali. Apenas uma distância abissal, profissional e glacial.— A senhorita precisa de alguma coisa?A formalidade caiu sobre o meu peito como uma bofetada. Me encolhi involuntariamente, apertando o xale contra o corpo.— Por que você está me tratando assim, Oscar? Como se eu fosse uma estranha?Ele sustentou o olhar sem piscar, a voz seca e cortante.— E como gostaria que eu a tratasse? Como o rapaz ingênuo que cuidava dos cavalos do seu pai e
Capítulo 131 — Sussurros na MadrugadaMavieEnterrei o rosto no peito do Henry, deixando o choro que prendi por anos finalmente rasgar a minha garganta.Ele não se afastou. Passou os braços fortes ao redor dos meus ombros, me acolhendo com aquela mesma proteção sólida com que me defendia quando éramos dois herdeiros solitários nos colégios internos da Inglaterra. O homem mais temido do mercado financeiro, ali era apenas o meu irmão do coração, oferecendo o próprio ombro para que eu desmoronasse sem julgamentos.— Você pode, deve e vai ser feliz, Mavie — a voz dele soou baixa e firme contra o topo da minha cabeça, carregada de uma convicção inegociável.Ergui a cabeça devagar, fungando enquanto tentava limpar as lágrimas com as costas das mãos.— Como, Hen? Olha para a minha vida... Eu sou uma prisioneira do passado.Henry segurou os meus ombros, me obrigando a sustentar o olhar cinzento dele.— Você só é prisioneira se quiser, Mavie. Você tem sua própria empresa, fez seu nome no merc







