Home / Romance / Meu Noivo, Meu Inimigo / Capítulo 5 A morte que parecia acidente

Share

Capítulo 5 A morte que parecia acidente

last update publish date: 2026-07-25 02:39:51

Porque você invadiu o escritório do meu pai, roubou documentos e testemunhou um assassinato.

Um assassinato cometido por alguém da empresa de vocês.

Você viu o rosto do atirador?

Emily pensou no homem de luvas pretas.

Não.

Então não sabe quem cometeu.

Daniel Harper disse o nome do meu pai antes de morrer.

A frase pareceu atingir Cole.

Muito rápido.

Mas atingiu.

O que exatamente ele disse?

Por que se importa?

Responda.

Não me dê ordens dentro da minha casa.

Cole olhou ao redor.

O apartamento estava destruído. Uma cadeira virada. Vidros espalhados. Dois homens caídos no chão.

Este lugar não é mais seguro.

Graças à sua família.

Graças à sua investigação.

Emily avançou até ficar a poucos centímetros dele.

Meu pai morreu por causa da Blackwood Defense. Daniel Harper morreu por causa da Blackwood Defense. E dois homens invadiram minha casa procurando arquivos roubados da Blackwood Defense. Não tente transformar isso em culpa minha.

Você entrou em um território que não compreende.

Você continua repetindo isso como se fosse uma resposta.

Porque continua agindo como se a verdade a tornasse intocável.

E você age como se o medo desse à sua família o direito de controlar todo mundo.

Os olhos de Cole escureceram.

Minha família não controla todo mundo.

Só aqueles que ainda estão vivos?

O silêncio que seguiu foi pesado.

Emily percebeu que havia ultrapassado alguma linha.

Não se arrependeu.

Cole aproximou-se.

Ela precisou erguer o rosto para manter o contato visual.

Você acredita que sabe quem eu sou — disse ele.

Sei o suficiente.

Não sabe nada.

Sei que trabalha para Victor Blackwood.

Isso não significa o que você pensa.

Significa exatamente o que parece.

Aparências enganam.

Seu pai acabou de organizar uma festa beneficente enquanto um homem era assassinado a poucos metros. Não me fale sobre aparências.

Por um instante, a raiva de Cole pareceu romper o controle.

Ele segurou o pulso dela.

Não com força suficiente para machucá-la.

Apenas para impedir que se afastasse.

Escute com atenção — disse ele. — Os homens que entraram aqui não pertencem à equipe que estava no hotel.

Como sabe?

Porque eu conheço cada homem que trabalha para meu pai.

Que reconfortante.

Eles também não tinham ordens para interrogá-la por muito tempo.

Emily olhou para o invasor caído.

Você conhece os dois?

Não.

Então como sabe quais eram as ordens?

Porque um deles estava carregando isso.

Cole retirou do bolso do homem desacordado uma pequena seringa lacrada e mostrou a ela.

Emily sentiu um enjoo.

O que é?

Algo para fazer sua morte parecer acidental.

A sala pareceu inclinar-se.

Acidental como a do meu pai?

Cole não respondeu.

A ausência de resposta era uma resposta.

Emily puxou o pulso, mas ele não soltou imediatamente.

O que você sabe sobre Thomas Carter?

Cole fitou-a.

Aquela mesma sombra do hotel voltou aos seus olhos.

Culpa.

Emily tinha certeza agora.

Ele sabia de alguma coisa.

Cole.

Foi a primeira vez que pronunciou o nome dele.

A reação foi sutil, mas existiu. Os dedos dele afrouxaram em torno de seu pulso.

O que aconteceu com meu pai?

Este não é o lugar.

É a minha casa.

E haverá mais homens aqui em poucos minutos.

Então fale depressa.

Não.

Você não pode entrar na minha vida, tirar documentos de mim e decidir o que tenho o direito de saber.

Posso impedir que seja morta antes de descobrir.

Você não está tentando me proteger. Está tentando controlar o que eu sei.

Cole soltou-a.

Onde estão as cópias?

Emily riu sem humor.

Finalmente.

Não temos tempo para isso.

Essa era a pergunta desde o início, não era? Você não veio me salvar. Veio recuperar os arquivos.

As duas coisas podem ser verdadeiras.

Para homens como você, sempre são.

Ela caminhou até a bolsa e começou a recolher seus pertences.

Precisava sair dali.

Precisava encontrar Noah.

Cole observava cada movimento.

Para quem enviou os arquivos?

Não é problema seu.

Se enviou para alguém, essa pessoa está em perigo.

As mãos de Emily pararam.

Noah.

O desaparecimento ainda não acontecera, mas a ameaça já existia. O simples pensamento de os Blackwood chegarem até ele fez seu peito apertar.

Você está me ameaçando?

Estou dizendo como isso funciona.

Para sua família?

Para pessoas que não deixam testemunhas.

Você é uma delas?

Cole permaneceu em silêncio.

Emily ergueu o olhar.

Quantas pessoas você já silenciou?

A pergunta ficou entre os dois.

Ele poderia mentir.

Poderia demonstrar indignação.

Poderia dizer que ela estava errada.

Cole não fez nada disso.

Mais do que gostaria — respondeu.

A honestidade foi pior do que qualquer ameaça.

Emily sentiu medo dele de verdade pela primeira vez.

No corredor, ouviu-se uma porta abrir.

Vozes.

Alguém reclamava do barulho.

Cole caminhou até a entrada e olhou pela fresta.

A polícia será chamada.

Ótimo.

Não.

Dois homens invadiram meu apartamento.

E você estava com documentos roubados de uma empresa de defesa.

Sou jornalista.

Invadir um escritório continua sendo crime.

Testemunhei um assassinato.

Sem imagem do atirador.

Emily apertou a bolsa contra o corpo.

Tenho a gravação da conversa.

Cole virou-se lentamente.

Mostre.

Não.

Emily.

Ouvir seu nome na voz dele causou um efeito que ela não queria compreender.

Não confio em você.

Deveria confiar menos ainda na polícia que chegará aqui.

Por quê?

Porque alguém conseguiu colocar dois homens dentro deste prédio sem acionar nenhuma câmera. Alguém sabia quando você voltaria. Alguém sabia exatamente o que procurar.

Você está dizendo que a polícia está envolvida?

Estou dizendo que não sei quem está envolvido.

Mas espera que eu entre em um carro com você?

Sim.

Você enlouqueceu.

Cole se aproximou e pegou o casaco dela sobre a cadeira.

Pegue o que precisar.

Não vou a lugar nenhum com você.

Vai.

Tente me obrigar.

Ele parou diante dela.

A diferença de altura e força era evidente. Ainda assim, Emily não recuou.

Não quero machucá-la — disse Cole.

Que nobre.

Mas não vou deixá-la aqui.

Você não decide.

Hoje, decido.

Emily levantou a mão e o acertou no rosto.

O som seco atravessou a sala.

Cole permaneceu imóvel.

O rosto virou-se alguns centímetros com o impacto. Quando voltou a encará-la, havia uma marca vermelha surgindo em sua face.

Emily esperou uma reação.

Qualquer reação.

Ele apenas passou a língua discretamente pelo interior da boca.

Terminou?

Nem comecei.

Ela tentou passar.

Cole segurou-a pela cintura e a ergueu do chão.

Emily soltou um grito de indignação.

Coloque-me no chão!

Você pediu que eu tentasse.

Seu desgraçado!

Ela golpeou as costas dele com os punhos enquanto Cole a carregava em direção à porta.

Eu vou chamar a polícia!

Pode explicar a eles no carro.

Isso é sequestro!

Considere uma mudança temporária de endereço.

Emily acertou o ombro dele.

Cole nem diminuiu o passo.

Você é sempre tão insuportável? — perguntou.

Só quando sou sequestrada por assassinos arrogantes.

Então não tem experiência suficiente para comparar.

Ele a colocou no chão apenas para vestir o casaco sobre seus ombros.

Emily tentou correr.

Cole segurou seu braço e a puxou de volta.

A proximidade repentina fez os dois pararem.

Ela sentiu a respiração dele junto ao rosto.

Cole olhou para sua boca por uma fração de segundo.

Emily percebeu.

E odiou perceber.

Solte-me — disse, mais baixo.

Assim que estivermos seguros.

Eu nunca estarei segura com você.

A frase fez alguma coisa se fechar no rosto dele.

Provavelmente não.

Antes que Emily pudesse responder, o homem desacordado atrás deles gemeu.

Cole soltou-a e voltou à sala.

Ajoelhou-se ao lado do invasor, agarrou-o pela gola e o forçou a abrir os olhos.

Quem enviou você?

O homem sorriu com sangue nos dentes.

Vá para o inferno.

Cole pressionou dois dedos contra o ferimento no ombro dele.

O sorriso desapareceu.

Emily desviou o olhar.

Quem deu a ordem? — repetiu Cole.

Você sabe.

Quero ouvir.

O homem respirou com dificuldade.

Ela não pode sair viva.

Cole aumentou a pressão.

Quem?

O invasor riu outra vez, apesar da dor.

Pergunte ao seu pai.

O corpo de Cole ficou rígido.

Emily sentiu o coração acelerar.

O homem continuou:

Victor quer a garota morta antes do amanhecer.

Cole o soltou.

O invasor caiu de lado, ainda rindo.

Seu próprio pai — disse Emily.

Cole ficou de pé.

Ele pode estar mentindo.

Você acredita nisso?

Cole não respondeu.

As sirenes começaram ao longe.

A polícia.

Ou homens disfarçados de polícia.

Emily já não sabia.

Cole pegou o dispositivo preto, a arma do invasor e o celular dela.

Ei!

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Meu Noivo, Meu Inimigo   Capítulo 67 A vida que escolheram

    — Este instituto foi construído para que nenhum homem, família ou empresa possua sozinho a verdade ou a segurança de quem fala. Nem mesmo nós.Cole deixou o microfone.Não houve aplauso imediato.Depois uma mulher na primeira fila levantou-se.Era a esposa do homem preso pelas provas plantadas por Cole.Ela não sorriu.Apenas começou a bater palmas.Outros acompanharam.Cole fechou os olhos por um instante.Não era perdão.Ele sabia.Era reconhecimento do trabalho.Talvez fosse mais difícil de receber.Depois da cerimônia, os convidados ocuparam o jardim.Margaret conversava com representantes de organizações internacionais. Ethan mostrava uma sala de arquivos para a mãe de Emily. Noah tentava convencer uma senadora a financiar uma nova unidade.Cole desapareceu.Emily o encontrou na antiga área de leitura, agora vazia.Ele estava diante de uma janela.— Fugindo da própria inauguração? — perguntou.— Fazendo uma pausa.— Isso é saudável.— Não parece comigo?— Estou desconfiada.Emily

  • Meu Noivo, Meu Inimigo   Capítulo 66 O legado dos mortos

    Noah transformou a série de reportagens em um projeto permanente de jornalismo investigativo. Recusou três ofertas milionárias para vender os direitos da história.— Muito dinheiro costuma vir acompanhado de notas criativas — explicou. — E ninguém colocará Cole como um herói incompreendido com mandíbula atraente.Emily olhou para ele.— A mandíbula é relevante?— Para os produtores, aparentemente.Cole estava sentado do outro lado da mesa.— Tenho direito de objeção?— Não — responderam Noah e Emily ao mesmo tempo.Noah criou uma rede de redações independentes que compartilhava documentos sensíveis de forma segura. A ideia partira do método de Thomas.A verdade não pertencia a quem a encontrava.Pertencia a quem conseguia fazê-la sobreviver.Margaret ampliou o fundo de reparação com parte da fortuna pessoal. Depois dos processos, ativos apreendidos da Blackwood Defense foram direcionados para indenizações, proteção de testemunhas e apoio a denunciantes.Mas Emily queria algo diferente

  • Meu Noivo, Meu Inimigo   Capítulo 65 Aprender a ficar

    — Nenhum dos relacionamentos durou.Cole tentou esconder o alívio.Falhou.— Por minha causa? — perguntou.— Em parte.Ele baixou os olhos.— Sinto muito.— Não precisa. Eu também estava descobrindo quem era fora de você.— E descobriu?Emily pensou em Londres.Nas investigações.Na casa nova.Nas noites em que sentira falta dele e nas semanas em que não sentira.— Descobri que consigo viver sem você.Cole ficou imóvel.Ela estendeu a mão sobre a mesa.— E isso é importante.Ele olhou para os dedos dela.— Por quê?— Porque agora, se ficarmos juntos, não será porque preciso que me salve, porque estamos fugindo ou porque minha vida desmoronou. Será porque escolho.Cole colocou a mão sobre a dela.— Ainda escolhe?— Estou aqui.— Isso não respondeu.— Você está aprendendo a fazer perguntas diretas.— Emily.Ela apertou os dedos dele.— Sim. Ainda escolho.O alívio no rosto de Cole foi tão profundo que doeu observá-lo.— Mas — continuou ela — não vamos fingir que cinco anos desapareceram

  • Meu Noivo, Meu Inimigo   Capítulo 64 Do outro lado dos portões

    A realidade foi mais silenciosa.Ela apenas ficou ali.Esperando que ele escolhesse caminhar.Cole avançou.Cada passo parecia retirar uma parte da prisão que ainda carregava dentro de si.Quando chegou perto, Emily o observou dos pés à cabeça.— Está magro.— A comida era ruim.— Poderia ter reclamado nas cartas.— Reclamei bastante.— Chamou de “nutricionalmente questionável”.— Linguagem monitorada.Emily quase sorriu.Os dois ficaram diante um do outro.Perto.Ainda separados por tudo que viveram.— Você veio — disse Cole.— Aparentemente.A mesma resposta da primeira visita.Ele reconheceu.— Não sabia se estaria aqui.— Eu também não.A honestidade não doeu.Não daquela vez.— O que decidiu? — perguntou.Emily olhou para o portão atrás dele.— Que não quero voltar ao que éramos.Cole sentiu o medo, mas permaneceu imóvel.— Certo.— Éramos duas pessoas vivendo dentro de uma emergência. Não sabíamos quem seríamos quando o perigo terminasse.— E agora sabe?— Sei quem sou.— E eu?

  • Meu Noivo, Meu Inimigo   Capítulo 63 O tempo entre a culpa e o perdão

    Cole encostou a testa à dela.— E se não houver mais nós?Emily sentiu o coração apertar.— Então ao menos teremos escolhido com honestidade.Ele assentiu.— Isso é terrivelmente sensato.— Odeio quando acontece.Cole beijou-a.Um beijo breve.Sem desespero.Sem promessa impossível.Quando se afastou, colocou alguma coisa em sua mão.A aliança.Emily olhou para ele.— Estava com seu advogado — explicou. — Não estou pedindo que use.— Então por que devolver?— Porque nunca pertenceu à mentira.Os agentes o levaram.Emily ficou no tribunal, segurando o anel.Não o colocou.Guardou no bolso.Os primeiros meses foram difíceis.Cole foi enviado para uma prisão federal de segurança média, longe de Chicago.As ligações tinham horário.As cartas eram examinadas.As visitas aconteciam em uma sala iluminada demais, com mesas presas ao chão.Emily foi vê-lo depois de seis semanas.Quando Cole entrou usando uniforme, o choque atingiu os dois.Ele parecia mais magro.O cabelo estava mais curto.As

  • Meu Noivo, Meu Inimigo   Capítulo 62 A sentença

    — O senhor não será preso enquanto estiver internado — informou um deles. — Mas haverá vigilância e restrições assim que receber alta.Cole assentiu.— Entendo.O advogado esperou que saíssem.Depois fechou a porta.— Você entregou um caso que nenhum promotor seria capaz de construir sozinho.— Era a ideia.— Também entregou a eles sua condenação.— Eu sei.— Pare de dizer isso como se compreender a consequência tornasse a decisão inteligente.Cole olhou para Emily.Ela ainda segurava a aliança dentro da mão fechada.— Existe alguma possibilidade de acordo? — perguntou.O advogado soltou uma respiração.— Cooperação substancial. Testemunho contra Victor, Halpern e os outros. Localização de vítimas. Recuperação de provas. Talvez consigamos retirar algumas acusações e reduzir outras.— Quanto tempo? — perguntou Cole.— Não posso prometer.— Uma estimativa.O homem olhou para Emily antes de responder.— Se o governo aceitar uma negociação ampla, entre quatro e oito anos. Talvez mais.O m

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status