Você Fingiu Amnésia, Agora Aguente Me Perder

Você Fingiu Amnésia, Agora Aguente Me Perder

By:  Pequena LetraIn-update ngayon lang
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Depois de quatro anos vivendo um romance às escondidas, Jéssica Moura finalmente acreditou que Lucas Pereira assumiria o relacionamento. Mas, por causa de outra mulher, ele armou um acidente de carro sem se importar com a vida dela e ainda fingiu ter perdido a memória. Enquanto Jéssica estava ferida no hospital, Lucas apostava com os amigos, abraçado à nova namorada, que ela continuaria correndo atrás dele como sempre. O que ele não sabia era que, no instante em que Jéssica percebeu a mentira, decidiu ir embora para sempre. Enquanto ele exibia o novo romance sem vergonha nenhuma, ela jogava fora a lembrança do amor que viveram. Enquanto ele a empurrava para outros, ela era prensada contra a parede por outro homem. E, quando Lucas esperava vê-la se humilhar mais uma vez, Jéssica estava escolhendo o vestido de noiva. Quando Jéssica atingiu o auge da sua carreira, consagrando-se como a mulher mais jovem na lista das grandes fortunas, Lucas teve a audácia de se ajoelhar para pedi-la em casamento, crente de que ainda tinha alguma chance. — Jéssica, eu recuperei a minha memória. Casa comigo? — Implorou ele. Jéssica apenas acariciou o diamante de dez quilates que brilhava em seu dedo e, antes mesmo que pudesse dar uma resposta, um homem surgiu por trás, segurando sua cintura com uma atitude possessiva. — Cai fora daqui, sua cunhada detesta olhar para lixo.— Declarou ela, com frieza.

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Kabanata 1

Capítulo 1

Logo após o terrível acidente de carro, o namorado de Jéssica Moura, Lucas Pereira, acordou sem memória.

A boa notícia era que ele não havia realmente perdido a memória, mas a péssima notícia era que ele havia planejado a mentira de propósito.

— Jéssica, eu me esqueci de tudo que vivemos juntos. Se a minha mente conseguiu apagar essas lembranças, é porque elas simplesmente não têm importância. Consegue entender isso? — Lucas permanecia recostado na cama do hospital, ainda bonito como sempre, embora não conseguisse esconder a irritação no olhar.

Ele falava de forma dura, com medo de não ser claro o suficiente e dar margem para que Jéssica continuasse correndo atrás dele.

A brisa fria que invadia o quarto tocava o rosto pálido de Jéssica, fazendo com que cada nervo do seu corpo doesse de um jeito insuportável.

— Eu entendo, ficou bem claro. — Respondeu ela, mantendo uma calma que beirava o absurdo, pois sabia muito bem que o amado estava apenas encenando.

Apenas quinze minutos antes daquela conversa, Jéssica havia despertado e ouvido do médico que Lucas sofria ferimentos graves e estava com amnésia.

Ignorando a fraqueza do próprio corpo acidentado, ela correu pelos corredores até o quarto dele. Porém, ao chegar na porta, deparou-se com o homem que deveria estar à beira da morte apoiado na janela de forma descontraída, fumando um cigarro enquanto falava ao celular. O tom de voz dele transbordava um carinho que ela nunca tinha presenciado.

— Vai ter coragem de ir naquele encontro às cegas de novo? Foi justamente por isso que assumi meu namoro com a Jéssica na frente de todo mundo, só para te provocar. — Brincou ele.

— Já pedi desculpas, não tá bom? — A voz feminina soava dengosa do outro lado da linha, carregada de segundas intenções.

Lucas engoliu em seco, respondendo com um sussurro rouco:

— E vai ficar só nisso?

— Hoje à noite, você pode fazer o que quiser comigo... — A mulher baixou o tom de voz, deixando a conversa com um ar íntimo e sedutor.

Jéssica não conseguiu ouvir o restante da frase, mas o olhar ardente de Lucas deixava óbvio o rumo daquela ligação. De repente, a mulher aumentou o tom de voz em um rompante de insegurança.

— Lucas, e como fica a Jéssica no meio disso tudo? Eu me recuso a ser a amante. Imagina a vergonha se essa história vazar, onde é que eu vou enfiar a minha cara?

Ele deu um peteleco no cigarro com uma atitude indiferente, exibindo uma autoconfiança inabalável.

— Fica tranquila, amor. Já dei um jeito de fazer o médico forjar um laudo de amnésia para mim. Se eu bater o pé e negar tudo, quem é que vai dar ouvidos para ela?

A mulher fez uma pausa, dando a entender que ainda não estava convencida do plano.

— Mas e se ela não quiser largar o osso? Se eu estivesse no lugar dela, faria um escândalo antes de abrir mão de você.

— Eu não vou dar a menor chance para que ela fique no meu pé. — Garantiu Lucas, com um sorriso de canto de boca, agindo como o dono da situação.

Do lado de fora, Jéssica estava encostada na parede fria do corredor. Suas mãos se fecharam com tanta força que as unhas feriam a palma, mas a dor física não era nada comparada à dor que rasgava seu peito. Imagens do passado começaram a invadir seus pensamentos em frações de segundo.

Os dois haviam crescido juntos. Apesar de serem amigos de infância, a família Pereira não suportava a presença dela. Por isso, o casal se viu obrigado a manter a relação escondida por quatro anos. Na noite anterior, Lucas finalmente havia cedido, prometendo revelar a verdade para os familiares. Só que, a caminho da mansão da família Pereira, os dois sofreram um acidente de carro, que os deixou inconscientes.

Ela nunca imaginou que a tão sonhada oficialização do namoro não passava de uma birra para provocar ciúmes em outra mulher. Ele já tinha entregado o coração para outra pessoa e isso explicava por que Lucas dirigia de forma tão distraída, sempre com os olhos grudados na tela do celular. Quando Jéssica chamou a atenção dele no carro, ele usou o trabalho como desculpa, quando, na verdade, aguardava uma crise de ciúmes da amante.

Os passos do médico pelo corredor tiraram a jovem de seus devaneios. Fingindo ter acabado de chegar, ela entrou no quarto acompanhada do profissional. Naquele momento, o rapaz já estava deitado na cama, recusando-se a sequer olhar para o rosto dela, encenando a perda de memória com maestria. Para finalizar o teatro, ele a expulsou do quarto com uma frieza cortante.

— Se já entendeu a situação, pode ir embora.

A vontade que Jéssica sentia era de aplaudir aquela atuação. O prestigiado segundo filho da família Pereira estava tendo um trabalho enorme só para descartá-la.

Ela tentou abrir a boca algumas vezes, mas a decepção formou um nó na sua garganta, deixando apenas um rubor de humilhação em seu rosto. Era uma situação constrangedora demais, pois todos ao redor sabiam do amor incondicional que ela nutria por ele após tantos anos juntos. Ela abriu mão de qualquer status, cuidando de Lucas com dedicação total, sacrificando o próprio sono para agradá-lo sempre que ele ficava de mau humor. O mundo dela girava em torno daquele homem.

E agora, ele escolhia um caminho extremo e cruel para forçá-la a desistir de tudo. Uma ironia amarga. Com a mente entorpecida, mas lúcida como nunca, ela se limitou a balançar a cabeça em sinal de concordância.

— Tudo bem, eu já vou.

"Se ele quer brincar de esquecimento, que brinque sozinho", pensou ela, sentindo o peso do cansaço dominar seu corpo. Que fosse feita a vontade dele, afinal, um amor implorado nunca dura de verdade. Com os olhos voltados para o chão, Jéssica deu as costas e saiu do quarto.

Lucas observou a silhueta da ex-namorada se afastar e ergueu uma das sobrancelhas, surpreso com a facilidade daquela despedida. Sem perder tempo, chamou o assistente.

— Coloca alguém para vigiar a Jéssica. Ela está fazendo esse teatrinho de aceitação agora, mas não vai demorar para voltar aqui implorando para eu recuperar a memória. Esse hospital está cheio de gente, e um barraco mancharia a minha imagem. — Ele franziu a testa ao dar a ordem, quase visualizando a cena da garota de joelhos implorando pelo seu amor.

O assistente concordou com um aceno e se retirou do local.

...

Jéssica nem sabia como tinha conseguido voltar para o próprio leito. Sentada na beirada do colchão, ela parecia uma criança desamparada. As lágrimas ardiam nos olhos, ameaçando cair a qualquer instante, mas o choro simplesmente não vinha. Esquecer quatro anos de história em um piscar de olhos era uma tarefa impossível e dolorosa. Exausta, ela se jogou de costas na cama, e sua mão acabou esbarrando no celular que repousava ali perto.

Ao sentir a tela trincada, o coração dela deu um salto no peito. Durante o acidente, o aparelho estava protegido dentro da bolsa, sem sofrer o menor arranhão. De onde vieram aqueles estragos?

Uma suspeita terrível tomou conta da sua mente. Com as mãos trêmulas, ela pegou o celular e notou marcas claras de que ele havia sido esmagado de propósito. A tela estava despedaçada e o sistema não ligava de jeito nenhum. Ou seja, todas as provas do relacionamento dos dois haviam sido destruídas. Não era difícil adivinhar o autor daquela obra, visto que Lucas havia pensado em cada mínimo detalhe para evitar qualquer dor de cabeça no futuro.

Ela soltou um riso carregado de deboche ao olhar para a capinha do celular, que exibia um desenho fofo do casal. Naquela época, a felicidade era genuína, mas a crueldade do presente também era inegável. Se ele queria jogar tudo no lixo, ela também faria o mesmo.

Com um movimento seco, Jéssica atirou o aparelho na lixeira e procurou a enfermeira para assinar os papéis da alta.

Quando já estava de saída, a enfermeira a chamou, apontando para uma pilha de objetos num canto do quarto.

— Senhorita Jéssica, ainda tem aquelas coisas ali. Não vai levar com você?

Ela deu uma olhada e reconheceu os presentes caros que havia comprado para os Pereira. O homem ela podia deixar para trás, mas os presentes precisavam voltar com ela. O gasto tinha sido alto, e vendê-los num site de desapegos ajudaria a recuperar o prejuízo. Depois de separar os itens de valor, ela entregou os doces perecíveis para a equipe de enfermagem.

— Fiquem à vontade para experimentar, vocês trabalham demais e merecem. — Agradeceu ela, cruzando as portas do hospital sem olhar para trás.

...

Depois que Jéssica foi embora, Lucas conseguiu tirar um cochilo tranquilo. Ao abrir os olhos, deu de cara com um pote de mingau repousando na mesa de cabeceira.

Ele esfregou as têmporas e estalou a língua num sinal de irritação, certo de que se livrar daquela garota grudenta não seria uma tarefa fácil. Aquele jogo de fingir indiferença para depois tentar comprar o seu afeto não enganava mais ninguém.

Levantando-se da cama, ele ordenou em tom de nojo:

— Pega esse mingau e joga fora...

— Senhor Lucas, que bom que acordou! Quer comer alguma coisa? Vou pegar uma colher para o senhor, mandei alguém comprar esse mingau com urgência lá fora. — Interrompeu o assistente, oferecendo o talher com um sorriso ansioso e prestativo.

Lucas franziu o cenho, confuso.

— Foi você que comprou isso?

— Fui eu sim. — Confirmou o assistente, lembrando-se de um detalhe importante logo em seguida. — Ah, o médico avisou que a senhorita Jéssica já assinou a alta e foi embora para casa. Acho que ela finalmente aceitou o término e a sua perda de memória.

Lucas deu uma colherada na comida, soltando uma risada cheia de sarcasmo.

— Aceitou? A Jéssica não tem esse perfil, senão eu nem teria precisado inventar essa história para forçar o término. Ela com certeza viu que eu mandei quebrar o celular dela e, como não quer dar o braço a torcer, resolveu dar um ataque de pelanca.

— O senhor quer que eu mande alguém ir atrás dela? — Questionou o assistente.

— Não precisa. Daqui a pouco ela arruma uma desculpa qualquer para vir choramingar no meu ouvido. Vai lá cuidar dos papéis da minha alta.

— Sim, senhor.

...

Jéssica não voltou direto para o seu apartamento. O destino escolhido foi a mansão de Lucas. Se era para colocar um ponto final naquilo, ela faria questão de cortar todos os laços de forma definitiva.

Parada em frente à porta principal, ela apertou a campainha. Ao longo de quatro anos, havia pisado naquela casa centenas de vezes e preparado inúmeros jantares para o homem que amava. Em todas essas ocasiões, ele a envolvia em um abraço apertado e sussurrava palavras promissoras.

— Jéssica, no dia em que a gente se casar, eu com certeza vou ser o homem mais feliz deste mundo.

No entanto, o mesmo homem que jurava levá-la ao altar nunca teve a decência de lhe dar uma cópia da chave. Até mesmo quando instalaram a fechadura digital e todos os empregados registraram suas impressões digitais, ela continuou sendo tratada como uma completa estranha.

De repente, o som da maçaneta girando ecoou, e a voz de Laura, a empregada da casa, invadiu o ambiente com naturalidade.

— Senhorita Rosana, a fechadura não reconheceu o seu dedo de novo?

Senhorita Rosana?

Aquele nome bateu nos ouvidos de Jéssica como um balde de água fria.

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