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32 - O cenário perfeito

Author: Aya Lins
last update publish date: 2026-07-22 21:34:13

~ { POV Daniel } ~

Trazer a Isadora para a barraca de bebidas com certeza foi a decisão mais inteligente que eu tomei essa noite.

O licor de café com cachaça do Alberto fez em cinco minutos o que eu passei a noite inteira tentando fazer: desmontou a armadura da Ferrari.

Ela pediu uma garrafa e foi bebendo enquanto passeava pelas barraquinhas de artesanato.

Em uma tenda de chapéus de feltro, pegou um todo rosa, colocou na cabeça e veio na minha direção, fingindo um dengo que definitivamente não
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    ~ { POV Isadora } ~O som do motor do carro da Celina foi diminuindo pela estrada de terra até ser completamente engolido pelo silêncio da noite.Eu continuava estática na cadeira, segurando a mesma folha de papel com tanta força que as pontas dos dedos estavam brancas.Não estava acreditando que Celina tinha feito isso.Comecei a fingir uma leitura compenetrada, mas os meus olhos nem se moviam pelas linhas.Dava pra sentir o olhar de Daniel cravado em mim, e por mais que eu tentasse controlar, minha respiração entregava tudo: curta e acelerada.O silêncio da sala foi interrompido pelo som da cadeira dele sendo arrastada um pouco mais para perto da minha. Virei discretamente os olhos na direção dele. Será que ele não tinha percebido que estava mais perto do que o suficiente?Peão espaçoso.Ele encostou o ombro no meu e esticou o pescoço em direção ao papel que eu segurava.— Você tá lendo essa mesma folha de cabeça para baixo faz dois minutos, patroa — Daniel sussurrou, a voz grave e

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    A reunião começou de maneira surpreendentemente produtiva.Puxei a cadeira ao lado de Isadora e me sentei, tentando focar a atenção na mesa.Ela colocou os extratos impressos sobre a mesa, organizados por período, enquanto Túlio separava as notas fiscais fotografadas por Celina.— Bom, vamos ao que interessa — falei, me apoiando sobre a mesa e puxando a primeira pasta do ano anterior. — Túlio, por onde a gente começa?Túlio ajeitou os óculos na ponte do nariz e puxou a prancheta de notas.— Pelo cruzamento direto. Eu tenho as notas fiscais das vendas de gado e dos maquinários com os valores registrados pela Verona. Agora precisamos ver quanto desse dinheiro realmente entrou na conta oficial do seu Maurício.Isadora pegou o marcador de texto amarelo e abriu a folha de extratos de maio do ano passado.O cheiro de hidratante que vinha da pele dela voltava a me desconcentrar toda vez que ela se inclinava sobre o papel, mas fiz um esforço consciente para me manter focado.Pelos vinte minut

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    ~ { POV Daniel } ~A primeira colheita da Fazenda Ferrari terminou sem grandes problemas, o que, considerando as condições em que aquela propriedade se encontrava, já era motivo suficiente para comemorar.Os trabalhadores conseguiram manter o ritmo, os cavalos responderam bem ao esforço e Túlio passou boa parte do dia conferindo as cargas, anotando números e garantindo que nenhuma laranja desaparecesse misteriosamente entre o talhão e o galpão.Celina, por sua vez, cumpriu a missão de vigiar os animais com a seriedade de quem estava disposta a arrancar as orelhas de qualquer peão que tentasse exigir mais deles do que deveriam dar.E Isadora...Bom, Isadora passou o dia inteiro ao meu lado.Não que isso tivesse alguma importância especial.Eu só estava observando a proprietária da fazenda trabalhar, garantindo que ela não se metesse em alguma encrenca e, de quebra, aproveitando a oportunidade para mostrar que eu era muito mais do que o sujeito convencido que ela insistia em enxergar.U

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    Com o carregamento da carroça completamente cheio de sacos pesados de juta, iniciamos o trajeto de volta em direção ao galpão principal.A carroça estava pesada o suficiente para que os cavalos sentissem a diferença no primeiro trecho da subida, mas Daniel parecia completamente à vontade.Ele vinha ao meu lado com uma postura irritantemente relaxada, uma das mãos firme nas rédeas enquanto a outra descansava sobre a perna.O suor ainda brilhava na testa e nos braços, a camisa escura grudando um pouco nas costas por causa do esforço de minutos antes.E ele ainda tinha a coragem de parecer satisfeito, como se tivesse acabado de ganhar um prêmio por me pegar no flagrante encarando cada centímetro do seu corpo.— Está se divertindo? — perguntei, sem conseguir esconder a irritação.Ele virou o rosto na minha direção.— Bastante.— Eu percebi.Um sorriso preguiçoso apareceu no canto da boca dele.— Algum problema, patroa?— Por que você piscou pra mim enquanto trabalhava?— Pisquei? Não me l

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