LOGINQuando voltei para a Fazenda Ferrari depois de anos longe, achei que meu maior desafio seria cuidar do meu pai doente e impedir que as terras da minha família afundassem de vez. Eu estava errada. Meu problema tinha quase um metro e noventa de altura, braços cobertos por tatuagens e um sorriso irritante que parecia existir apenas para testar minha paciência. Daniel Fontana. O peão mais comentado da cidade. O homem que entrou na minha vida como uma tempestade. O homem que eu jurei nunca deixar chegar perto do meu coração. Mas enquanto segredos do passado começam a vir à tona, mentiras são reveladas e uma perigosa disputa ameaça destruir tudo o que amo, descubro que nem sempre o verdadeiro inimigo é quem parece ser. E que o homem que eu mais queria manter distante talvez seja o único disposto a permanecer ao meu lado quando a verdade finalmente aparecer.
View MoreMeu nome é Isadora, e estou de volta à fazenda da minha família depois de oito anos estudando a milhares de quilômetros daqui.
Eu só queria uma chance de mostrar toda a minha competência no manejo das terras, assumir o controle e garantir que peão nenhum mandasse mais nesse lugar do que eu.Mas eu estava a um passo de cair do cavalo.
Dona Rute empurrou um café cheiroso na minha direção e apontou para o bolo de fubá soltando fumaça em cima da bancada.
— Meu horário por hoje já encerrou, menina. Eu vou logo que Tonho tá me esperando lá fora. Me desculpa por não poder ficar.
Dona Rute era nossa cozinheira, ajudou meu pai a me criar desde que minha mãe foi embora, e eu sabia muito bem que quando o assunto era o Tonho dela, ela não tinha olhos para mais nada no mundo.
Dei um sorriso de canto, deixando a mala de rodinhas encostada perto do armário.
— Vai lá, Dona Rute, não se preocupa comigo não. Tô em casa. Finalmente.
Aquela mulher me direcionou um sorriso tão caloroso que fez eu realmente acreditar nas palavras que eu tinha acabado de dizer.
Dona Rute saiu pela porta lateral da cozinha, e o silêncio da casa antiga caiu como uma tonelada nas minhas costas.
Ficaram só eu e meus fantasmas.
Eu mal tinha levado o café à boca quando ouvi a porta de madeira abrindo de novo com um estrondo de lascar.
Dei um pulo na cadeira, quase derramando o líquido quente na minha blusa clara.
— O cheiro chegou lá no quintal, Dona Rute! Cadê minha xícara?
Virei meu corpo rápido, pronta para brigar com quem quer que estivesse entrando daquele jeito, mas as palavras sumiram da minha boca.
"Um peão todo tatuado".
Foi tudo que Celina me disse sobre o cara que ajudava meu pai a cuidar da fazenda na minha ausência.
Só podia ser esse.
Ela só esqueceu de mencionar que o homem era um puta de um gostoso.
Cabelos ondulados caindo na testa, tatuagens que iam até o antebraço, a cabeça quase batendo no batente da porta.
Meus olhos rastrearam o sujeito de baixo para cima: as botinas sujas de terra, o jeans surrado marcando as pernas grossas, a camisa polo preta apertada no peito e o chapéu de caubói que ele estava tirando da cabeça.
Assim que nossos olhos se encontraram, senti um raio atravessando meu corpo de alto a baixo.
O cara atravessou a cozinha com uma postura de quem mandava no lugar, sem pressa nenhuma.
Já vi que esse vai me dar trabalho.
Ele travou os passos no meio da cozinha, me medindo de cima a baixo com um olhar tão arrogante (e ao mesmo tempo tão absurdamente focado em cada curva minha) que me fez ter vontade de voar no pescoço dele.
De um jeito ruim.
— Quem é você? — A voz dele era grossa, meio rouca, e pareceu arranhar meus ouvidos, porque me irritou na mesma hora de um jeito que não sei nem explicar.
Ele me olhava com uma certeza absoluta de que eu era uma intrusa que não devia estar ali.
— Oi? — perguntei, tomando um gole do café e me fazendo de desentendida só para ver até onde ele ia.
Mas, ao invés de repetir a pergunta, ele simplesmente me ignorou, como se eu fosse um quadro pendurado na parede ou uma planta decorativa.
Foi direto para a bancada e pegou a faca ao lado do bolo.
Fiquei observando, talvez porque estivesse curiosa, talvez porque ainda não tivesse acreditado no nível de abuso daquele homem.
Ele cortou uma fatia de bolo tão grande que eu cheguei a olhar em volta procurando as outras duas pessoas que dividiriam aquilo com ele.
Não encontrei ninguém.
O egoísmo era individual mesmo.
Depois disso, ele puxou a cadeira da mesa bem na minha frente, sentou de forma nitidamente confortável e, antes de dar a primeira mordida no bolo, me encarou de novo com aqueles olhos castanhos desafiadores.
— Você ouviu. Quem é você, e quem te autorizou a entrar nessas terras?
Nessa hora, a ficha caiu.
Entendi perfeitamente por que a Celina tinha desconversado quando perguntei o que mais ela podia me contar sobre ele.
Que cara abusado!
O ranço por peões metidos a xerife acordou com força total dentro de mim.
Mas eu não tinha estudado anos na cidade para voltar e engolir sapo de funcionário folgado. Eu vim para colocar ordem na casa.
— Sou a dona delas e te faço a mesma pergunta — disparei, me levantando da cadeira para tentar impor respeito.
— Dona? — Ele soltou um meio sorriso, mastigando o bolo sem a menor pressa, e cruzou aqueles braços enormes.
Quer dizer... normais.
Eram bíceps bem normais.
Quer dizer, todo homem que trabalha na roça tem braço daquele tamanho, né?
Enfim.
Não importava o tamanho do braço dele.
Apoiei as duas mãos na mesa de madeira, me inclinando na direção dele para encará-lo de perto.
— Sim, dona. E acho bom você mudar o tom comigo e me respeitar, já que eu posso garantir que você nunca mais trabalhe nessa propriedade a partir de hoje.
O cara deu uma risada curta, um som anasalado que fez meu sangue ferver.
O desgraçado estava achando graça do meu aviso.
— Do que você tá rindo? — cerrei os dentes.
Ele me olhou bem no fundo dos olhos, empurrou a cadeira para trás e começou a se levantar sem pressa nenhuma.
E eu descobri que discutir com alguém sentado era muito mais confortável.
O cara não parava de subir.
Conforme ele ficava de pé, fui obrigada a ir jogando a cabeça para trás.
Meus 1,68m não tinham a menor chance contra os quase 1,90m de puro músculo que agora barravam a luz da cozinha, me deixando completamente na sombra dele.
Ele se inclinou ligeiramente para a frente, invadindo meu espaço até eu conseguir sentir o cheiro de mato e terra que vinha dele.
— Dona? — ele repetiu, com aquele sorrisinho torto de canto de boca que dava vontade de esmurrar. — Até onde eu sei, o dono de tudo isso aqui é o seu Maurício.
Droga.
Tecnicamente ele estava certo, as terras ainda estavam no nome do meu pai.
Senti minhas bochechas queimarem de raiva, mas eu não tinha vindo de tão longe para perder uma discussão para um peão tatuado.
— E tudo o que é do meu pai é meu. — devolvi.
A expressão debochada dele finalmente mudou.
O sorriso arrogante sumiu devagar, e de repente ele pareceu...
Curioso? Interessado?
Não, eu devia estar interpretando errado.
Ele continuava me olhando com aquela expressão que eu não conseguia traduzir, mas, antes que eu pudesse abrir a boca para continuar a discussão, o som de passos lentos e arrastados vindo em direção à cozinha cortou o clima pesado.
— Parece que eu não vou precisar apresentar os dois... — ouvi a voz fraca do meu pai atravessando a porta que dava acesso ao corredor.
Virei no susto, e meu coração doeu quando olhei para ele.
~ { POV Daniel } ~A primeira colheita da Fazenda Ferrari terminou sem grandes problemas, o que, considerando as condições em que aquela propriedade se encontrava, já era motivo suficiente para comemorar.Os trabalhadores conseguiram manter o ritmo, os cavalos responderam bem ao esforço e Túlio passou boa parte do dia conferindo as cargas, anotando números e garantindo que nenhuma laranja desaparecesse misteriosamente entre o talhão e o galpão.Celina, por sua vez, cumpriu a missão de vigiar os animais com a seriedade de quem estava disposta a arrancar as orelhas de qualquer peão que tentasse exigir mais deles do que deveriam dar.E Isadora...Bom, Isadora passou o dia inteiro ao meu lado.Não que isso tivesse alguma importância especial.Eu só estava observando a proprietária da fazenda trabalhar, garantindo que ela não se metesse em alguma encrenca e, de quebra, aproveitando a oportunidade para mostrar que eu era muito mais do que o sujeito convencido que ela insistia em enxergar.U
Pisquei duas vezes, tentando processar a pergunta da Celina.Por um segundo, minha mente deu um nó, até que uma ideia alternativa estalou na minha cabeça e eu soltei um riso soprado.— Espera aí... — ergui as sobrancelhas, encarando minha amiga de cima a baixo. — Você tá me perguntando se eu confio no Túlio ou tá querendo saber se eu o aprovo porque ficou interessada nele?Celina não desvios o olhar.Um sorriso de canto devagar nasceu nos lábios dela, sem a menor sombra de vergonha.— Bom... que ele é bem pegável, isso é inegável — ela deu de ombros, pegando um pedaço de broa da cesta. — É bonito, educado, tem aquele ar de homem sério e compenetrado que dá até um charme a mais.Soltei uma risada involuntária e balancei a cabeça.— Você não presta.— Eu sei.Ela pegou uma fatia de bolo e deu uma mordida antes de voltar a falar.— Mas não foi só por isso que eu perguntei.Ajustei a postura, o tom divertido evaporando quando percebi a gravidade no olhar dela.— Ele conversou comigo sobre
Com o carregamento da carroça completamente cheio de sacos pesados de juta, iniciamos o trajeto de volta em direção ao galpão principal.A carroça estava pesada o suficiente para que os cavalos sentissem a diferença no primeiro trecho da subida, mas Daniel parecia completamente à vontade.Ele vinha ao meu lado com uma postura irritantemente relaxada, uma das mãos firme nas rédeas enquanto a outra descansava sobre a perna.O suor ainda brilhava na testa e nos braços, a camisa escura grudando um pouco nas costas por causa do esforço de minutos antes.E ele ainda tinha a coragem de parecer satisfeito, como se tivesse acabado de ganhar um prêmio por me pegar no flagrante encarando cada centímetro do seu corpo.— Está se divertindo? — perguntei, sem conseguir esconder a irritação.Ele virou o rosto na minha direção.— Bastante.— Eu percebi.Um sorriso preguiçoso apareceu no canto da boca dele.— Algum problema, patroa?— Por que você piscou pra mim enquanto trabalhava?— Pisquei? Não me l
~ { POV Isadora } ~Daniel estava me irritando.Muito.Mais do que deveria.E o pior de tudo era que eu sabia exatamente o motivo.Desde que ele tinha segurado a minha mão naquela caminhonete e dito, com aquela voz baixa e séria, que eu podia contar com ele, alguma coisa dentro de mim parecia ter saído do eixo.Eu ainda conseguia sentir a pressão dos dedos dele sobre os meus, lembrar do jeito como ele tinha me olhado e, principalmente, da ausência daquela provocação habitual.Ele não estava tentando me conquistar naquele momento.Ele só estava ali.E aquilo era muito mais perigoso.— Para, Isadora — murmurei para mim mesma, enquanto observava o movimento dos trabalhadores começando a se espalhar pelo laranjal.Eu não podia me dar ao luxo de fraquejar.Não com a fazenda do meu pai à beira da ruína, quem eu achava ser minha mãe rondando a estrada e meu pai só com a Verona no hospital.Eu precisava retomar o controle.Da fazenda, da colheita, da minha cabeça.Principalmente da minha cabe






Bem-vindo ao Goodnovel mundo de ficção. Se você gosta desta novela, ou você é um idealista que espera explorar um mundo perfeito, e também quer se tornar um autor de novela original online para aumentar a renda, você pode se juntar à nossa família para ler ou criar vários tipos de livros, como romance, leitura épica, novela de lobisomem, novela de fantasia, história e assim por diante. Se você é um leitor, novelas de alta qualidade podem ser selecionados aqui. Se você é um autor, pode obter mais inspiração de outras pessoas para criar obras mais brilhantes, além disso, suas obras em nossa plataforma chamarão mais atenção e conquistarão mais admiração dos leitores.
Ratings
reviewsMore