LOGINCom o tranco forte do puxão, o meu corpo voou para a frente, mas o calcanhar da minha bota se apoiou no topo da escada de madeira.O impacto da minha subida repentina empurrou a estrutura solta para trás.Tudo aconteceu em dois segundos.Escutei o estrondo da escada despencando metros abaixo, caindo com um baque surdo sobre a terra batida e a vegetação.Enquanto isso, perdi o equilíbrio no telhado inclinado e desabei com tudo por cima do peito do Daniel.Ele se jogou de costas no zinco para amortecer o meu impacto, soltando um arfar pesado enquanto os braços dele me rodeavam automaticamente, travando a minha cintura contra a dele para impedir que a gente rolasse telhado abaixo.Ficamos ali, caídos no topo do galpão, peito com peito, a respiração dele descompassada e quente batendo direto contra o meu rosto.E, lá embaixo, a única saída para o chão caída na poeira.Por alguns segundos, nenhum dos dois disse absolutamente nada.O mundo pareceu ficar silencioso, até o vento pareceu parar
~ { POV Isadora } ~Assim que o Daniel desligou a caminhonete no pátio da sede, Celina começou a ajeitar as coisas para ir embora.Mas eu não podia deixar ela sair ainda.— Celina, espera — pedi, me virando para o banco de trás. — Quero te fazer uma proposta. Você não pode passar os primeiros três ou quatro dias da colheita instalada aqui na fazenda?Celina ergueu uma sobrancelha, curiosa.— Ué? Pra que isso?— Queria que você fosse avaliando o ritmo e a saúde dos cavalos no decorrer do dia, só pra garantir que eles não vão ser forçados além do que são capazes de aguentar.— Ah, Isa, acho que não tem muita necessidade — ela retrucou, ajeitando a alça da bolsa. — Você já sabe bem como avaliar um cavalo.— Acho ótimo — Daniel entrou na conversa, virando o corpo no banco com aquele sorriso de canto de quem estava aprontando. — Assim você faz companhia para o Túlio, já que ele também vai ficar por aqui acompanhando a colheita.— O contador? — Celina perguntou, tentando soar desinteressada,
Acelerei a Bros cortando o pátio da sede e freei suave perto da caminhonete preta.Isadora demorou um segundo inteiro para soltar a minha cintura, como se o corpo dela se recusasse a aceitar a ordem do cérebro.Celina já estava fora do veículo, com uma maleta veterinária em mãos e o braço apoiado na porta aberta, observando a nossa chegada com uma sobrancelha erguida e um sorriso sarcástico estampado no rosto.— Atrapalhei alguma coisa? — ela perguntou, divertida.— Não! — Isadora respondeu de pronto, quase engasgando de tão rápido, desmontando da moto como se estivesse pisando em brasas.— Sim! — respondi no mesmo segundo, desligando o motor com uma piscadela.Isadora me fuzilou com o olhar, o rosto corando a ponto de deixar as bochechas vermelhas.— O que foi que ela atrapalhou, Daniel? — ela encarou, braços cruzados e o tom defensivo ativado no nível máximo. — Até onde eu sei, já tínhamos encerrado o assunto do ponto de coleta.— Estou falando do outro assunto, patroa.— Não tem ou
~ { POV Daniel } ~Depois que a Isadora me disse que eu era a única pessoa com quem ela podia contar, senti que finalmente tinha derrubado aquele muro de gelo que ela insistia em manter entre nós.E se não havia mais gelo, era a minha vez de colocar fogo no parquinho.Do jeitinho que eu gosto.— Vamos lá ver as carroças, patroa? — perguntei, enfiando as mãos nos bolsos da calça e colando ao lado dela na saída do pátio. — Mas já aviso: se me chutar de novo por baixo da mesa, vou querer um beijinho para sarar.— Nem em sonho, peão — ela disparou sem nem pensar, de cabeça erguida.Dei uma risada fraca, acompanhando com o olhar enquanto Isadora passava por mim feito um furacão revoltado.A calça jeans ajustada marcava cada curva daquela caminhada decidida, e eu me peguei reparando naquela bunda muito mais do que devia, e muito mais do que seria seguro para a minha sanidade.Quando chegamos ao galpão ao lado do estábulo, Isadora foi direto ao ponto.Ela se abaixou, conferindo o pneu que tin
No dia seguinte, apesar da recomendação expressa da médica de manter repouso absoluto, acordei pronta para colocar aquela fazenda para funcionar.Muito além da preocupação sufocante com o que a Verona andava aprontando, eu tinha uma colheita inteira para garantir. Se a safra fosse para o ralo, no final das contas não teríamos nem fazenda mais para defender.Troquei o pijama por uma calça jeans mais justa e uma regata simples, calcei minhas botas de lida e peguei o chapéu de feltro do Daniel sobre a cômoda, ajeitando a aba para esconder os pontos na testa caso meu pai aparecesse para o café da manhã.Antes mesmo que eu alcançasse a cozinha, a risada de Daniel misturada à de Dona Rute atravessou o corredor e me fez sorrir sem que eu percebesse.Parei por um instante.Desde quando eu tinha começado a me sentir tão à vontade com aquele peão por perto?A pergunta veio acompanhada de uma sensação desconfortável.Eu precisava tomar cuidado.Se continuasse daquele jeito, mais cedo ou mais tar
~ { POV Isadora } ~Caminhei devagar pelo corredor da casa principal, ainda sentindo o corpo moído e a cabeça dar pequenas fisgadas de dor.Assim que dobrei a entrada da cozinha, dei de cara com Dona Rute tirando uma fornada de broas do forno.Ela ergueu os olhos, mediu meu passo e abriu um sorriso conspiratório de orelha a orelha.— Olha só quem deu o ar da graça... — Dona Rute apoiou as mãos na cintura, encarando o chapéu de feltro do Daniel que ainda estava firme na minha cabeça. — Soube que a mocinha passou a noite inteira fora com o peão e ainda voltou ostentando o chapéu do rapaz? Sei não, viu, Isadora...Soltei um suspiro risonho, tirando o chapéu da cabeça para revelar o curativo no canto da testa.— Menos, Dona Rute, bem menos. Eu caí do cavalo, passei a noite no posto em observação e o chapéu foi só para esconder isso aqui do meu pai. Nem pense em dar com a língua nos dentes para ele, viu?Dona Rute arregalou os olhos, perdendo o ar brincalhão por um segundo ao ver os pontos







